Rebirth
2 Monotonia Quebrada.
Notas iniciais
Abri os olhos calmamente,não reconhecendo o lugar em que estava.Pouco a pouco,as lembranças vieram. Estava,depois de tanto tempo,no Japão,morando em uma casa que pertencia a minha família.Era uma visão que há muito esperei,naquela ilha...Talvez eu deveria estar extasiada,ou pulando de emoção...Mas a paz que eu sinto já é suficiente. Já estava há quase um mês morando naquela casa,mas ainda não me acostumei de verdade.Tinha arrumado um emprego em uma lanchonete no centro da cidade,e adiava a cada dia mais a procura pelo Amamiya.Na verdade,não tinha nem idéia de como começar.Levantei da cama e me preparei para trabalhar.
O caminho para o trabalho era rápido,aproximadamente meia hora eu chegava lá a pé. Quando estava atrasada,conseguia chegar lá em dez minutos,mas eu gostava de caminhar calmamente e observar as pessoas.Ver alguém com aparentemente 17 anos e comparar a mim.Com a mesma idade,mas ainda sim muito diferente. As estudantes,que imagino,vivem uma vida tranqüila,...Talvez monótona demais. Sorri com o pensamento.Vida que poderia ser minha. Vez ou outra,recebia cantadas na rua.Se eles fossem um pouquinho mais abusados,eu fazia questão de porrar um...Mas na maior parte das vezes,eu me segurava. Acho que eu não devo chamar atenção.
Fui despertada de meus devaneios quando cheguei na lanchonete. É uma franquia estadunidense,chamada Starbucks. É muito famosa e vive lotada de manhã. Eu trabalho fazendo apenas o café;quando cheguei descobri que não tinha habilidade para nada,apesar de ser ótima aprendiz.A gerente,Sora,foi muito gentil comigo e me ensinou tudo. Botei o macacão em cima de minha blusa branca e calça jeans clara e comecei a pegar os pedidos.Algumas atendentes me olham estranho,outras simplesmente me dizem ‘bom dia’ e sorriem. Eu sou bem mais quieta que elas,que são extremamente escandalosas. Talvez elas vejam a diferença entre nós.O movimento acalmou,como sempre,na hora do almoço. Dei uma saída rápida,porque também tenho péssimas habilidades culinárias. Sempre como na rua.Ao menos,do lado da Starbucks tem uma pensão muito boa que pertence a senhora Arisu Fuyuki. Quando a vi,esbocei um sorriso sincero.
–Olá menina Akane.–Ela pegou minha mão e apertou.
–Olá,senhora Fuyuki.–Abaixei minha cabeça por reverência.
–Ah,menina Akane...Já disse para deixar essa cordialidade. Me chame de Arisu,apenas.–Ela fez uma cara feia.Eu sabia que era brincadeira desde o começo,afinal,ela falava a mesma coisa todos os dias. Para alguns isso pode ser repetitivo,mas eu gostava dessa pequena desavença.
–Nunca vi uma senhora querer tanto ser desrespeitada.–Falei enquanto ela me levava a minha mesa habitual.Ela gargalhou.Ela é a pessoa mais simpática que já conheci em minha vida.
–Respeito é algo que gosto,mas para amigas como você,prefiro que me chamem de Arisu.–Essa frase ela disse em tom baixo,fazendo-me crer que havia alguém ali que ela não gostava.Eu me sentei e ela foi fazer o meu pedido de sempre.Pensei no pouco tempo que estava ali e no quanto a senhora Arisu disse que gostava de mim.Desde o primeiro dia na verdade.Sorri ao lembrar dos meus pensamentos anteriormente. Eu falei de monotonia como se não gostasse,mas eu estava me adaptando melhor do que pensei. Minha rotina era a mesma desde que havia chegado...Ah,sim,o motivo pelo qual vim para cá. Por isso eu gostava tanto de trabalhar período integral: eu esquecia que era uma cavaleira em missão.
–Pronto,menina Akane,pode saborear.–Ela trouxe meu prato.Colocou-o na minha frente e sentou-se na outra cadeira.Todo dia ela me falava sobre sua adolescência,”Ah,na minha época...”,”Quando eu tinha a sua idade...”.Eu sorria e participava de sua conversa. Poucas vezes ela perguntou-me sobre minha vida. Mas eu sempre dava respostas evasivas e perguntava mais sobre a vida dela.
–E você,querida?Há alguém que você tenha?–Não entendi a pergunta dela,simplesmente falei que morava sozinha.
–Ah...Mas tenho certeza que com a sua beleza,não tardará um casamento!–Ela exclamou feliz,fazendo com que eu entendesse a pergunta anterior.Sorri educadamente e completei:–É casada,senhora Arisu?
–Eu? Não,não, menina Akane,o meu velho morreu há alguns anos...–Ela falava sem o sorriso habitual,obviamente triste. Era dificil imaginar Arisu triste porque ela sempre demonstrava ter uma felicidade plena...Acho que ninguém pode ter uma felicidade assim.
–Meus pêsames, senhora. Perdoe-me por ter que ir, já chegou minha hora de trabalhar.–Olhei para ela com pesar,me senti um pouco desconfortável em deixá-la com tão tristes lembranças.
–Ah,minha filha,não se importe com as besteiras de uma jovem senhora.Vai trabalhar,que é melhor.–Ela voltou com um sorriso no rosto,mas eu sabia que era só fingimento.Mesmo assim,não falei mais nada.Deixei o dinheiro do lado do meu prato,porque senão ela não o receberia,e sai.Pensei que talvez eu fosse mal-educada em sair assim,mas eu nunca fui boa em consolos. E eu realmente tinha que ir.Entrei na lanchonete e ainda sim,não tinha movimento nenhum. Quer dizer,tinha um homem num canto da lanchonete.Era um homem muito bonito,mas parei de olhá-lo rápido. Veio em minha cabeça,a conversa sobre casamento da senhora Arisu,o que me fez ficar encabulada por nada.Coloquei meu avental novamente quando levei um susto.
Ikki Amamiya entrava no Starbucks calmamente.Prendi minha respiração.Depois fui soltando pesadamente. Não sabia o que fazia,se o atacava,se respirava mais calmamente,se...Era coisa do destino. Era meu destino matá-lo.Mas ao mesmo tempo,ao notar o quão poderoso era o seu cosmo,poderia ser meu destino morrer em suas mãos.Ele foi em direção ao homem bonito e sentou em sua mesa.
–Tá tudo bem,Iwasaki?–Sora,minha gerente,botou a mão em meu ombro.Olhei para ela assustada,tentando esboçar alguma reação.Acho que o resultado ficou ainda pior.
–Por Kami,você está bem?Tá pálida.–Ela analisou meu rosto mais atentamente.–Se agora não estivesse com tantas pessoas no almoço,eu deixaria você ir para casa agora...Vamos fazer o seguinte,que tal você sair mais cedo?Quando você vir Saya chegar,pode ir embora.–Ela me disse tudo isso com sorriso meigo.Pensei em dizer que estava tudo bem e que ia passar,mas aquilo poderia ser uma coisa boa e amanhã,eu já poderia voltar para a Ilha.
–Muito obrigada,amanhã tenho certeza que estarei melhor.–Disse-lhe e sorri.Me encostei no balcão,tentando achar uma maneira de chamar a atenção daquele cavaleiro.O homem bonito que estava junto com ele também tinha um cosmo poderoso mas não tinha me chamado a atenção anteriormente porque geralmente tem algumas pessoas que o tem,mas não fazem ideia disso.Fechei os olhos por um momento e quando os abri,ele estava na minha frente. Ikki Amamiya estava sorrindo na minha frente. Tentei me manter calma.
–Olá. Vim aqui para pagar a conta. –Ele continuava sorrindo,o que me fez lembrar da Guerra Galáctica e do ódio em seus olhos. Onde ele se escondia?
Em silêncio lhe dei a nota fiscal,e ele me entregou o cartão. Entreguei à Sora o cartão,não estava autorizada a fazer esse tipo de coisa.Depois dela passar o cartão,me entregou dois papeis me mostrando qual era para ele assinar e qual ele iria ficar.
Entreguei a ele o papel e a caneta. Ainda em silêncio. Não sabia o que falar,nem como me portar.Quando ele terminou,me entregou o papel e disse:
–Bom,quando você voltar a falar,espero que me ligue. –Ele virou,com o amigo bonito rindo,provavelmente da minha cara. –Ah,esse fim de semana,eu estou livre. –Ele gritou dessa vez na porta da lanchonete.Sora começou a rir de mim. Argh,que imbecil.O bom era que só tinha nós duas aqui...Olhei para o papel com a sua assinatura e lá estava o seu número.Eu teria que passar por cima do meu orgulho.Mas ainda sim sorri...É. O destino me deu um plano.
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