Cameron Albuquerque

Sai do meu quarto e dei de cara com a loira passando no corredor, me afastei um pouco e sorri sem graça, recebendo um sorriso fraco por parte dela.

— Desculpe – ela fala, ajeitando a blusa, claramente nervosa – eu não te vi.

Assinto e abro espaço para a mesma passar, o que não demorou, pois logo ela fez seu caminho até o quarto, lentamente.

— Ela não está bem – Clover fala, estava parada na porta ao lado do meu quarto.

— Eu sei – suspiro.

— Fala sério Cam, sei que está morrendo de vontade de falar com ela, resolve isso.

Mordo o lábio indeciso e assinto, caminhando até a porta do quarto dela, deixando suas batidas, antes dela abrir e franzir o cenho.

— Posso entrar? – pergunto e ela apenas abre espaço para que eu entre.

O silencio era bem desconfortável e nos sentamos na ponta da cama, um ao lado do outro.

— Acho que precisamos conversar – falo e ela afirma, parecendo pensar – já se decidiu?

Vejo sua cabeça balançar em uma negativa e eu suspiro, tendo certeza do que aquilo significava.

— Certo – afirmo e me levanto, pronto para ir embora, mas ela para na minha frente, me impedindo de dar mais um passo.

— Não vou te deixar sair daqui – ela diz firme, sua postura agora era diferente, não era cabisbaixa, tinha determinação ali – ainda vamos conversar e quando acabarmos de falar sobre tudo, aí você pode ir.

Assinto e me sento de novo na cama, mas ela não saiu da minha frente, se manteve ali.

— Olha, nem sempre eu sou a melhor pessoa do mundo – ela começa a falar – nem sempre eu demonstro muito meus sentimentos, eu sei, e também nem sempre eu deixo que as pessoas se aproximem.

— Lydia, eu não entendo onde quer chegar.

— Deixa eu terminar Cameron – ela fala irritada e eu afirmo – você foi o primeiro cara que eu amei, e não me arrependo disso – ela suspira, parecendo sentir dor – mas quando você me traiu com a Kayla, você quebrou algo dentro de mim, eu deixei de confiar nos outros – abri a porta, mas ela continuou, me fazendo calar – eu sei, nós mudamos, você se redimiu, fez tudo para me conquistar de novo e fez tudo para eu voltar a confiar, e eu voltei – ela fecha os olhos e uma lagrima cai – mas quando o Nathan foi sequestrado, eu... eu simplesmente não aguentei Cam, eu tive tanto medo, tanto medo de que você ou qualquer um sumisse como ele e eu ficasse só, que eu simplesmente me afastei – ela limpa o rosto e abre os olhos me encarando – eu não tenho dependência, sei viver sozinha e sei aproveitar a minha companhia, mas eu não suportaria ver mais alguém que eu amo, desaparecendo de uma forma tão brusca. Eu não espero que você me entenda de imediato, mas eu também preciso que você respeite o meu momento.

Ela se cala e eu apenas assinto, enquanto o silêncio se estendia ali.

— Tudo bem – me levanto e ela dá um passo para trás – eu respeito o seu momento, por isso estou saindo de uma vez.

— Você ainda quer terminar comigo – ela afirma e eu paro no caminho para a porta – não achei que fosse ser tão duro comigo.

— Você quem não me quer Lydia – digo me virando para ela – eu te quero a todo momento, mas eu preciso que você entenda o que sente e decida, se isso é suficiente para me fazer entender tudo que acabou de me dizer.

— Eu amo você Cameron – ela se aproxima de mim e coloca as mãos no meu rosto – e por Deus, eu desejo mais que tudo que você entenda o que eu sinto, mas eu não posso ficar se você também não me quiser.

Rio sem humor e a encaro muito sério.

— Você é tudo que eu sempre quis – digo e ela sorri breve, logo juntando seus lábios aos meus, em um beijo quente e saudoso, um beijo que me causou arrepio e uma onda de felicidade.

Jack Colucci

Me sentei na cama e meus pensamentos vaguearam, logo a porta se abriu e uma Skyler com um coque folgado e de toalha apareceu, vinda do banheiro.

— Meu amor – ela chama e eu a olho confuso – o que houve?

Sacudo a cabeça espantando meus pensamentos e abro um sorriso.

— Queria te dar uma coisa, mas não é um presente de Natal, quero dizer, você ainda vai ter presente de Natal, mas...

— Amor, respira – ela se aproxima de mim, enquanto segurava a toalha e sorria – Jack.

— Desculpa – digo rindo – melhor eu ir.

— E meu presente?

Aponto para a cama e me apresso para sair do quarto, mas ela foi mais rápida e fechou a porta, trancando com a chave.

— Só vai sair depois que eu ver – ela sorri e caminha de volta a cama, pegando a caixa e a abrindo, tirando o quadro dali. Seu rosto era um misto de surpresa e felicidade.

Ela me olha feliz, largando tudo na cama com cuidado e pulando no meu pescoço, sem cuidado algum, deixando para mim a missão de cuidar de sua barriguinha e da toalha que ainda cobria seu corpo.

— Gostou? – pergunto, deixando que ela beije todo meu rosto, enquanto eu a segurava com cuidado.

— Eu amei meu amor, uma estrela com meu nome? Meu Deus, é incrível – sorri animada, como uma criança.

Ela estava radiante.

— Agora vai se arrumar, antes que eu não me contenha – digo, fazendo-a se afastar rindo.

Lhe dou um beijo no rosto, e deixo o quarto, depois de destrancar a porta.

Narrador

Todos estavam reunidos a mesa, o jantar de Natal fora servido, mas como de costume todos levantaram e deram as mãos para fazer as preces de fim de ano. Agradecendo pela família, pelos amigos, pelo amor, pelo ano maravilhoso, por todos os altos e baixos e principalmente por poderem estar ali em família. Ao fim, eles brindaram e degustaram do jantar.

Meia noite eles correram para a sala e foram até a enorme arvore de Natal, aquela mesma que foi decorada por cada membro daquela enorme família.

— Feliz natal – gritaram alguns.

— Feliz natal – desejaram em conjunto.

Fim.

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