Lila Reynolds

— Terra chamando Lila – Sky estala os dedos na minha frente, me fazendo piscar atordoada.

— O que disse? – pergunto, estávamos sentadas no sofá da sala da KKT, eu e a Katy.

— Conseguiu convidar o Evan?

— Não, ele anda me evitando, sempre diz que é por causa dos treinos do time, mas eu acho que é outra coisa – falo meio cabisbaixa, tentei falar com o mesmo ontem e ele praticamente saiu correndo.

— Eu acho que sei porque – Katy fala pensativa – tá rolando uma fofoca por aí, que o Jack proibiu qualquer Alpha de se relacionar com uma rebelde.

— Bem, o Hayes já quebrou essa regra então – ela dá de ombros e suspira me encarando – Lih, o baile de inverno é em um mês, dá tempo suficiente de convidar ele, eu vou falar com o Jack e resolver essa maldita regra, que ridículo.

— E se outra convidar ele antes de mim?

— Ninguém vai convida-lo, eu vou me garantir disso – ela pisca divertida e eu rio, a Sky as vezes é assustadora – vai dar tudo certo, eu garanto.

— O que há entre você e o Jack? – Katy pergunta curiosa e a Sky olha para ela meio perdida – quero dizer, você não ficou nem cinco minutos naquela sala.

— É complicado – ela apenas diz, seu olhar estava desfocado, mas logo volta a si quando a porta é aberta pela Clover – que cara é essa?

— Christian acabou com o clima da brincadeira – resmunga e se joga no sofá.

— Ele tocou no assunto não foi?

— Tocou – a loira suspira frustrada, fazendo Skyler negar e soltar um “eu bem que te avisei”.

Olho para a Katy confusa e ela apenas dá de ombros. A próxima a entrar pela porta é a Lydia, que apenas se senta ao nosso lado sorridente.

— Essa aqui tá apaixonada – acuso e ela dá de ombros, vejo Skyler e Clover arregalar os olhos, é, parece que o negócio é grave.

Madison como a última a entrar, apenas larga as cordas sobre a mesa de centro e suspira, havia marcas em seu pescoço e ela ria feito idiota.

— Vocês não transaram na frente dos meninos não né? – Skyler parecia assustada e vê a outra negar rapidamente – nossa.

— O clima foi cortado quando o Jack começou a chorar desesperado – Madison conta, nos fazendo franzir o cenho, como assim?

— Como é? – Lydia pergunta confusa.

— Depois que você saiu, eu me levantei para soltar o Hayes e deixar ele ir embora, mas tive que desamarrar primeiro o Cameron e depois o Jack, o Cam pegou ele e foi embora, aí eu desamarrei o Hayes e o Chris.

— O que será que aconteceu? – Katy pergunta preocupada.

— Eu passei dos limites – Skyler suspira frustrada e se levanta – nos vemos depois.

Ela apenas sai da casa e nós nos entreolhamos, logo dando de ombros, bem, seja lá o que for, não saberemos agora.

Jack Colucci

Assim que Cameron me deixou em meu quarto, ele apenas fechou a porta e foi embora, eu não queria ninguém ali e ele sabia disso, me conhecia muito bem. Hayes não voltou para o quarto naquela noite, então eu apenas peguei no sono.

Acordei de madrugada, tremendo de frio, a janela estava fechada, eu não dormi molhado, não entendo. Para minha sorte, sei que não terei aula hoje. Levanto segurando o lado da cabeça e vou a busca de uma aspirina, mas me assustei com a silhueta deitada na poltrona, é a Skyler? Caminhei até ela com cuidado e dificuldade, meu corpo doi por inteiro.

— Sky – chamo e ela abre os olhos lentamente, piscando com lentidão – o que faz aqui?

Ela não responde, apenas se levanta e fica de frente para mim, havia pouca luz no quarto, devido as luzes dos postes lá fora.

— Só queria ver se você estava bem, mas acabei cochilando – murmura baixinho – Hayes me deixou entrar, mas não brigue com ele, eu insisti.

— Está tudo bem – assinto ainda sério – vá para casa, se descanse.

— Jack – ela fala segurando meu braço, antes que eu me afastasse, mas sua feição se torna assustada, então ela começa a tocar em todo meu corpo sem permissão, parecia verificar algo – você está queimando de febre.

— É só calor, não se preocupe.

— Não é calor, é febre – ela me arrasta e me põe sentado sobre a cama, logo vai até o banheiro em busca de algo, volta de lá com comprimido na mão, pega a agua que está no meu criado mudo e me estende. Eu apenas aceito e bebo, afinal, era isso que eu estava procurando – deita.

Fecho os olhos e suspiro frustrado.

— Skyler, por favor, só... só me deixe em paz, só... não... – não sabia como terminar a frase, minha cabeça estava confusa.

— Não irei Jack – ela fala como se entendesse perfeitamente o que eu queria dizer e de certa forma, eu acho que sabe – não precisa se sentir culpado ou se sentir mal pensando que não tem chances comigo.

— O Aaron.

— Nós demos um fim definitivo – fala e alisa meu rosto, apenas me colocando deitado com cuidado e passando o cobertor por cima do meu corpo – estou aqui com você, apenas com você.

Assinto, era só o que eu necessitava naquele momento, por isso fechei os olhos e senti ela deitar ao meu lado, me abraçando de lado.

— Skyler – chamo e a ouço resmungar – eu não quero incertezas.

— Não vivo de incertezas Jack, sabe disso – ela fala e me olha de baixo – só vivo de certezas e se tem uma no momento, é que eu quero você.

Meu coração vibrou com isso, não sei se é sonho ou alucinação, mas seja lá o que for, eu só quero apreciar isso, por isso inspiro o cheiro dos cabelos dela e sorrio. A verdade é que eu sempre fui fraco emocionalmente e pensar que ela esteve ali comigo, mas que eu nunca a teria porque ela estava feliz com outra pessoa, me deixou mal, por isso eu chorei, porque meu coração estava destruído, eu não suportava mais olha-la e deixar tudo que sinto escondido, eu só queria uma oportunidade, mas desde que Skyler voltou, não tivemos tempo para falar sobre nada, o Cameron e a Lydia se acidentou, foi tudo um caos.

— Ei – ouço a morena chamar e passar a mão no meu rosto, aparentemente secando minhas lagrimas – não chore, eu sei o que sente e eu também sinto Jack, compartilhamos da mesma emoção e eu estive na mesma posição que a sua quando vi você com a Kelly.

— Vamos deixar rolar? – pergunto incerto e ela afirma.

— Vamos no nosso tempo – ela sussurra e sela meus lábios com carinho – estou aqui, durma meu bem.

Assinto e fecho os olhos, sentindo o corpo relaxar, de uma maneira que não achei que poderia, enquanto tudo doía.