Rebeldes Sem Causa

8 Modo selva ativado


Jade West

Abri os olhos e não recomendo, e isso nem é meme, o capítulo dos memes é mais para frente, então por favor, parem de atazanar meu juízo, minha mente doi, como o inferno, colocaram o que naquele ponche? Vodca ou bomba de cavalo, cruzes.

— Jade, levanta – ouço a voz da Mar e eu reviro os olhos, aí, pera aí, reviro mais não, deixa quieto.

— Eu não existo hoje – suspirei, massageando minha têmpora.

— Você inventou de colocar corote na tigela de ponche, eu te avisei que ia dar dor de cabeça – ouço dessa vez a voz irritante da Tori.

— Nossa garota, cala a boca – resmungo – se for para jogar todos os meus podres na minha cara, então façam de uma vez.

— Tá bom – ouço outra voz, acho que da Messi, não tenho certeza, o teto sempre foi uma geosfera? – você terminou com o Beck e pegou o Gutto.

Levanto de vez com um “que” em alto e bom som, ai pera, me arrependi. Quem diabos é Gutto e porque eu terminei com o cara que eu acabei de reconquistar, deve ser uma pegadinha, só pode.

— Vocês estão me zoando – rio sem humor – quase me pegaram.

— Não é brincadeira gatinha – Pardo me encara e dá de ombros – e vá tomar banho, ou vai ficar sem café preto e sem fraternidade, precisamos ir para a reunião.

Acho que vou desistir nesse momento de pensar e apenas ativar o modo automático, eu preciso de café.

Adentrei o auditório e sentei em uma das cadeiras da frente, não que eu seja um exemplo, mais fui ameaçada para estar aqui, sim, ameaçada, a ruiva dos inferno disse que se eu não viesse ia jogar fora minha coleção de tesouras.

Olho para trás em busca do Beck e não o encontro.

— Se está procurando pelo Beck, ele está no quarto dele com um olho roxo – Messi fala sem que eu nem tenha a perguntado, bruxa, agora lê mentes.

— O que mais eu fiz?

— Bem... você socou o olho do Beck, derrubou a Sol na piscina, fez a irmã da Mar comer grama porque disse que se a Melody era uma girafa então que ela devia ser uma vaca e enfim o pasto estava completo.

Semicerro os olhos, eu não fiz isso.

— E se você duvida – Lupita coloca a cabeça entre a minha cadeira e a da Messi – a prova.

Ela dá play no vídeo e eu literalmente fiz a Steph comer grama, no fim não importa muito né, afinal, ela parece mesmo uma vaca.

— O que mais eu fiz que não me lembro? – pergunto, não temendo a resposta ou ser expulsa, só temendo perder a dignidade.

— Trancou a Araripe e a Gandia no armário de vassoura – Pardo fala e eu a encaro – alegando que elas pareciam duas vassouras gêmeas e que estava sendo útil ao zelador.

Rio, okay, essa foi legal.

— Bom dia senhoritas e senhores – fala o diretor, vulgo, pai da Gandia – gostaria que por favor, um líder de cada fraternidade viesse e apresentasse a sua ideia para o festival.

— O que vamos fazer? – Mar pergunta, eu ainda não havia contado a minha ideia genial.

— Deixa que eu vou.

Elas me encaram com os olhos desconfiados, e eu ignoro, qual é, eu não posso causar tanto caos assim né? Nem eu acredito que sou capaz.

Saímos do auditório correndo com a fumaça se espalhando pela cortina, okay, talvez eu só seja um pouco azarada, ou piromaníaca, não sei, escolha qualquer um dos dois, quem se importa.

— Colocar fogo no auditório, era essa sua ideia? – Messi grita irritada e eu dou de ombros.

— Na verdade não fui eu que coloquei, foram as velas que caíram e acabou pegando fogo nas cortinas – dou de ombros.

— Você é inacreditável Jade.

— Eu sei – sorrio.

— Meu Deus, será que dá para parar de ser inconsequente? Isso aqui não é um conto de fadas ou de terror, sei lá o que se passa na sua cabeça.

Me calo talvez ofendida, definitivamente eu deveria cortar o cabelo dela dormindo.

— Você vacilou Jade – Mar se manifesta.

Dou de ombros desinteressada.

— Podemos perder a fraternidade por causa disso – Pardo fala mais branda – as suas brincadeirinhas já custou trezes advertências, a próxima vai ser uma expulsão.

— Então eu sou um problema para vocês? – me indigno.

— Não dissemos isso – Mar suspira aparentemente cansada – só estamos pedindo para você pensar nas suas atitudes, aqui não é a Hollywood Arts.

Fico em silêncio, elas podem até ter razão, de qualquer forma, aqui vamos nós para as consequências.

— Senhorita West, podemos conversar na minha sala? – o diretor pergunta e eu assinto, apenas caminhando com ele até dentro do prédio agora não tão em chamas.

Assim que passamos pela porta da sala dele, ele me indica a cadeira para que eu me sente e eu o faço, sem reclamar, debochar, ou jogar uma tesoura nele.

Depois que me sentei na cadeira, ele tomou aquela pose de autoridade, mudei de ideia, alguém me empresta uma tesoura?

— Senhorita West, eu sei que a senhorita é muito inteligente e tem muito talento, mas se quer continuar no Elite Way, precisa seguir ao menos uma das regras, tocar fogo no teatro? Isso já é um pouquinho demais, não acha?

— Diretor Gandia, na verdade não foi intencional, a ideia era para ser um truque de mágica para o festival – falo sincera, afinal, é tudo que me resta agora, de qualquer forma, eu não posso ser expulsa, mas posso ganhar um ano de detenção, o que eu não desejo nem em mil anos, por isso tratei de abrir minha melhor expressão de garota inocente, calem a boca, e pedir aquilo que começa com D, é, isso aí – desculpe pela confusão, eu posso… posso ajudar a pintar as paredes do palco que foi destruída.

Me oferecer para o trabalho comunitário não quer dizer que eu quero fazê-lo, estou apenas tentando ser uma boa moça, eu sei que isso não cola, affz, vocês precisam parar de me julgar, fiquem quietos.

— Isso aqui não é prisão senhorita West, não vou fazer meus alunos cumprirem serviço comunitário – ele suspira e me encara – também não lhe darei detenção, mas farei você ser monitora de classe e ajudar os professores nas matérias básicas.

Alguém chame a Cardi B, nós vamos tacar fogo pra valer nesse colégio.

— Sim senhor – assinto entediada, melhor isso do que detenção certo? Certo?