Marianella Rinaldi

Uma festa de boas-vindas? Não que eu esteja animada para isso, mas vocês sentiram a ironia? Não basta ser de outra escola, tinha que ter uma festa de boas-vindas para deixar mais claro ainda que eu não pertencia a aquele lugar. Geralmente eu não gosto festas, mas me juntar a aquela foi literalmente o motivo da criação de um clube exclusivo.

— Mar – Jaz chama minha atenção enquanto sacode um vestido na minha frente – precisamos de roupas.

— Eu já tenho roupas – arqueio a sobrancelha em claro sinal de oposição ao comentário dela.

— Calça legue, bota e blusa largada não são roupas de festa Marianella, você precisa se vestir melhor – ela joga o vestido que segurava em mim e eu o estendo na minha frente, fazendo uma careta e deixando-o de lado.

— Eu me recuso – dou de ombros.

— Não interessa o que recusa ou não – Jazmin resmunga e continua mexendo em sua mala, mal esvaziada – Cielo disse para aproveitarmos todas as oportunidades.

— Odeio o Nico por ter nos mandado para cá – falo e me levanto.

— Aonde você vai? – pergunta confusa.

— Não vou fugir, se é o que quer saber – dou de ombros e pego o vestido sobre a cama, me dirigindo para o banheiro.

Fazer parte de um colégio super seletivo não era o suficiente, eu ainda tinha que suportar festa de boas-vindas, problemas de conflitos na banda e novos colegas de classe.

Acabo meu banho e logo visto a maldita roupa escolhida pela Jaz, que provavelmente estaria fora daquele colégio antes do fim do ano, ela não considerava grande coisa, mas eu e os meninos pensávamos o mesmo, ela estava deixando a Casi Angeles.

Saio do banheiro e me apresento para ela, recebendo um sinal positivo, logo caminho até minha cama e pego meu kit de maquiagem, eu posso odiar festas, mas nunca saio sem uma boa aparência.

Uma algazarra se inicia no quarto, uma invasão de garotos, para ser exata Ramiro, Thiago e Tacho.

— Olá meus amores – Rama fala e se joga na cama da Vale.

— Se a Val vir você na cama dela, vai lhe bater de cinto de couro – dou de ombros e volto a me maquiar.

— O que iremos cantar essa noite? – Tacho pergunta curioso enquanto repetia alguns passos de dança.

— A ver si pueden? – sugiro e todos assentem.

Teríamos uma apresentação naquela noite, mas logo depois da banda vinda do Brasil, os Rebeldes.

Depois de terminarmos o último ensaio, nós saímos todos juntos e vamos ao jardim, onde já havia um palco preparado e pessoas perambulavam por ali.

A apresentação da banda brasileira até que foi legal, logo eu e a Casi Angeles subimos e apresentamos a nossa nova música, depois de terminar nos sentamos para assistir uma apresentação de dança, não foi exatamente o que eu imaginei que seria, mas a garota de cabelos vermelhos subiu ao palco e a música que ela cantava era incendiante.

“Y tengo miedo de perder el control, y no espero por volver a ti, cada vez que te encuentre, volverás a ser como el deseo, que arde dentro con mi fuego, fuego” – cantei acompanhando a garota.

— Ela é uma sem noção – Jazmin resmunga ao ouvir que eu acompanhava o refrão da música.

— Que? Essa garota é incrível – aplaudo.

Logo depois que ela desce do palco, outra garota sobe, dessa vez uma loira, ela inicia ali um strip tease malfeito, ou seja, isso se chama vergonha alheia. Uma bandeja de molho de tomate foi arremessada pela garota ao meu lado, a garota loira saiu correndo enquanto todos riam, isso é o que eu chamo de boas-vindas. As apresentações logo acabaram e a festa foi iniciada.

Assim que chego na pista de dança, uma garota se esbarra em mim e cai por cima do Thiago.

— Ei garota, sai de cima dele – grito puxando-a pela blusa.

— Tori, a Trina está pedindo para morrer – a garota de cabelos pretos e mechas verdes grita para a castanha que corria em nossa direção.

A garota se levanta com rapidez e se esconde atrás da morena.

— Eu sou nova para morrer, Jade, me proteja – grita a mesma assustada enquanto me encarava.

— Prefiro comer sapos e morrer engasgada – a tal Jade puxa a garota e empurra para a frente.

— Desculpe, minha irmã é desastrada – a castanha puxa a irmã e olha feio para a Jade – ficou maluca?

Jade dá de ombros como se ouvisse aquilo o tempo inteiro.

— Vamos embora Tri – Tori sai arrastando a irmã e logo olho para a Jade.

— Eu não ia bater nela – bufo debochada – não sou desse tipo.

— Deveria, ela é irritante – Jade fala e rimos – deveríamos montar um clube, nós duas, a garota de cabelos vermelhos cor de fogo e a loira de mechas.

— E o que seriamos? – a loira citada se aproxima cruzando os braços.

— A equipe dos inferno – a ruiva responde se juntando a nós.

Rimos e nós nos olhamos pensativas, aquele grupo estava mais estranho do que o clube dos cinco.

— Seremos as rebeldes sem causa – Jade fala – eu sou Jade West.

— Eu sou Roberta Pardo – fala a ruiva.

— Eu sou Roberta Messi – a loira fala incrédula.

Qual a probabilidade de isso acontecer?

— Eu sou Marianella Rinaldi, mas podem me chamar de Mar – falo me juntando a elas – e sim, somos as rebeldes sem causa.

Algo me diz que isso será interessante.

— Vamos estabelecer umas regras – Pardo fala e olha para a Jade – não corte mais o cabelo da Mia.

Jade franze o cenho como quem diz “quem diabos é Mia?”.

— A loira com a estrela na testa, o projeto de Barbie Mexicana – Pardo fala e Jade assente.

— Sinto muito por aquilo – Jade fala com uma careta – mas ela pisou no meu Louboutin.

— Que pecado – Messi olha para Pardo – ela pediu.

— É, pediu – Pardo dá de ombros – mas mantenham as mãos longe da Mia, minha mãe me tranca em um armário se algo acontecer com a princesinha Colucci.

— Anotado – Jade fala e sorri – vamos, vou ensinar vocês a como se divertir no colégio.

— Com tanto que isso não envolva tesouras e os nossos cabelos – Messi fala rindo e todos achamos graça, até a própria Jade.

Isso vai ser um caos.