Rebel Rebel
2 Voltando para L.A
Notas iniciais
Isabella
Acho que a sensação de ir para a forca é a mesma que estou sentindo ao lembrar que estou prestes a voltar para a casa da minha mãe.
Minha relação com a minha mãe nunca foi das melhores, porém piorou depois do divórcio. Ela achou que eu deveria ficar ao lado dela e não do Charlie, mesmo não sendo uma mãe de verdade.
Renée não tinha talento para ser mãe, e nem para escolher maridos. Ela nunca ia até a escola em dia de reunião, em dia de festa ou em qualquer outro dia. Também nunca se preocupava com as datas comemorativas, eu e Rose já comemos pizza no Dia de ações de graça, pois Renée estava de porre e não tinha preparado o almoço e nem a janta. Como eu disse, ela nunca foi um exemplo de mãe.
O que foi o estopim da nossa relação foi ela me contar que eu fui um erro de cálculo, ou seja um mero a acidente. Já a Rosalie era a filha amada, a filha que ela planejou, o bibelô da família. Enquanto eu era renegada pela Renée, Rose era colocada em um pedestal.
Charlie sempre me deu atenção, ele dizia que eu era a sua filha preferida, e que eu tinha puxado os olhos da vovó Marie. Por isso eu sempre fui mais agarrada com o meu pai, e sempre gostei de passar as datas comemorativas com ele e Sue.
Infelizmente meu despertador me lembrou que já estava na hora de levantar, e que faltava pouco tempo para eu reencontrar a outra parte da minha família.
Levantei com mais preguiça do que o costume, e fui me arrastando até o banheiro que tinha em meu quarto. Essa foi uma das solicitações que fiz quando Charlie disse que ia comprar outra casa. Me despi e entrei no box, sem a mínima vontade, eu tomei banho e lavei meus cabelos.
Coloquei uma camiseta que eu tinha comprado em um show que eu nem me lembro o nome da banda, uma legging que eu mesma customizei e um coturno simples. Desci com a minha mala e me despedi do meu quarto.
Renée decidiu que eu passaria o ano todo com ela, e assim que fizesse dezoito eu iria pra qualquer lugar que eu quisesse, mas antes teria que passar um ano tentando conviver com minha ela e minha irmã.
Assim que desci, encontrei Sue alimentando o pequeno Seth, agora com 4 anos, e Leah sentadinha à mesa tomando o seu desjejum.
— Bom dia, Sue! — disse dando um beijinho em Seth, que sorriu pra mim — Onde está o papai?
— Bom dia, Bells! — disse Sue me cumprimentando sem tirar os olhos de Seth — Seu pai está no escritório, ele recebeu uma ligação importante e está te esperando lá.
— Obrigada, Sue — disse caminhando em direção ao escritório
A porta do escritório estava aberta e papai estava sentando em sua cadeira, assim como ele sempre ficava quando morávamos em Idaho. Ele sempre foi um marido e um pai dedicado, e sempre gostou de trabalhar. Ele era advogado de uma grande empresa, mas antes do divórcio ele trabalhava em casa.
— Bom dia, Papai! — Disse entrando no escritório — Sue disse que o senhor queria falar comigo.
— Bom dia, Bells! Sim, estava querendo conversar. — Fez uma pausa e continuou — Hoje um antigo advogado da família Swan me ligou, e ele disse que sua avó Marie antes de morrer alterou o testamento.
— Por isso ela pediu que chamassem Aro. — tudo estava se encaixando — Mas o que ela mudou no testamento?
— O último desejo da sua avó era que você ficasse com toda a herança. Mas isso só poderia ser dito, meses antes de você completar dezoito. Como você estará com a sua mãe, eu resolvi antecipar a notícia.
— Pera! Eu? como assim? Eu não estou entendendo. — comecei a ficar nervosa, era muita informação — Mas Rose também é neta, aliás a neta mais velha, isso não faz sentido nenhum.
— Isabella, respira! — disse-me — Você sempre foi a neta preferida da sua avó, e ela não fazia questão de esconder isso de ninguém. Quando você nasceu, e ela reparou que você tinha os olhos da nossa família, você não imagina o quanto ela ficou feliz.
— Ainda sim, eu não entendo. E a Rosalie? — persisti no assunto
— Isabella, a única que poderia responder era a sua avó, afinal foi ela quem mudou tudo, mas creio que não saberemos. Agora vamos tomar café — disse saindo do escritório e me deixando sem uma resposta palpável.
Assim que terminamos o café, fomos direto para o aeroporto. Charlie foi até o balcão para pedir algumas informações, e eu fiquei com Sue e as crianças.
— Querida, sentirei sua falta. — Disse Sue — Você sempre foi como uma filha pra mim.
— Também sentirei a sua falta, Sue. — disse com a voz embargada — Mas logo eu estarei de volta, e você vai me prometer que vai filmar tudo o que o Seth e a Leah fizerem e vai me mandar.
— Claro que vou mandar, e eu vou esperar por notícias suas. Qualquer coisa pode me ligar, não hesite.
Me ajoelhei para ficar do tamanho das crianças, e abracei Leah e Seth ao mesmo tempo.
— Você promete que vai ser uma super irmã enquanto eu estiver longe? — Perguntei para Leah — É uma super responsabilidade.
— Bells, eu já tenho 10 anos completos, não sou mais um bebê. — disse Leah como se parece-se óbvio — Pode deixar que eu te mando tudo por mensagem.
Escutei a primeira chamada para o meu voo, e então abracei a Sue. Depois abracei meu pai, demorando um pouco mais para solta-lo.
— Relaxa, Bells! Vai dar tudo certo, qualquer coisa me avisa. — Disse meu pai — Você vai se sair bem durante esse período. Eu amo você!
Depois da despedida, foi a hora de embarcar, mas antes eu mandei uma mensagem para uma pessoa muito especial.
Hey! Nesse momento estou embarcando para L.A.
Sentirei saudades, beijos. B.S
No momento em que eu pisei dentro daquele avião senti minha pernas tremerem, afinal eu não sabia como seria depois que eu chegasse lá. Será que a Renée estaria me esperando com a Rosalie? Ou ela mandaria alguém só para não ter tanto trabalho?
Passei metade do voo escutando minha músicas preferidas e uma pequena parte dormindo, acordei com a aeromoça comunicando que já íamos aterrissar.
O aeroporto de L.A parecia mais cheio do que shopping em dia de black friday, enquanto não achava minha mãe eu me preocupei em achar as minhas malas naquela esteira infernal.
Vi mais de três voos saírem e nada da minha mãe, pelo visto ela esqueceu, isso é tão Renée Dwyer. Comecei a andar em direção a saída, e foi então que vi um rapaz loiro com uma grande cartolina rosa escrito Isabela Swen com gittler.
Aquele garoto tinha errado meu nome, e a minha cor preferida. Até porque eu não odeio rosa, só acho uma cor de menininha, muito patricinha pro meu gosto. Andei até o garoto com o cartaz, que fiz questão de jogar no chão e pisar em cima do cartaz
— Cruzes! Educação mandou lembranças! O que eu te fiz, sua terrorista? — disse o loiro ainda no chão — Pela cara de louca, e o jeito já sei que você é a Isabella. Bem que a Rose me falou.
— Não importa o que a piriguetona te falou, eu só quero ir pra casa! — disse perdendo o fio de paciência que me restava — Levanta desse chão, anda!
— Eu vou te denunciar, sua abusiva! — gritou a bicha louca que já tinha se levantado e estava batendo a suposta poeira que poderia haver em sua roupa — Agora vamos, magrela agressiva.
A viagem foi um pouco demorada demais, e a bicha louca também não ajudava.
— I WANNA SEE YOUR PEACOCK! YOU PEACOCK — cantou ou melhor gritou enquanto dirigia — I WANNA SEE YA
— PELO AMOR DE DEUS, VOCÊ CANTA MUITO MAL — gritei pra ver se ele se mancava, mas isso só fez ele aumentar mais o som. Não havia mais nada a fazer, a não ser cantar também — Come on baby let me see. What you hiding underneath
— Ahhhhhh, eu sabiaaaa! Ninguém se rende a diva Katy Perry — disse rindo — Até que eu não desgosto de você, Isabella.
— Pode me chamar de Bella, e o seu nome é ? — perguntei.
— Meu nome é George, mas pode me chamar de George mesmo. — Revirei os olhos enquanto ele falava — Trabalho com a sua mãe, ela abriu uma empresa de eventos e depois com todo o nosso esforço abrimos uma hiper loja de decoração, você deve saber...
— Não, eu não sabia.
Depois daquela pequena conversa eu preferi ficar quieta, eu não sabia de nada que estava acontecendo com a minha mãe e a minha irmã, afinal eu morava mais tempo com o meu pai e tinha algum tempo que eu não vinha visitar. Não me arrependia, mas é ruim não saber das novidades.
Quando George me deixou em casa, ele disse que Renée e Rosalie estavam na loja e que chegariam mais tarde. Agradeci mentalmente, ainda não estava preparada pra encontrar as duas.
Me instalei no único quarto que estava aberto e deixei pra arrumar as coisas depois. Tomei um banho longo, coloquei um pijama antigo do batman e me permiti descansar por algum tempo. Fiquei pensando em coisas aleatórias até cair na inconsciência.
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