Rebel Rebel
4 Precioso milkshake
Notas iniciais
Isabella
Acordei mais cedo do que o esperado, e isso não era uma coisa boa, afinal eu tinha voltado tarde do bar. Qualquer pessoa normal dormiria até depois da hora do almoço, mas eu não, Deus só poderia estar brincando comigo.
Ignorando o fato de ter acordado relativamente cedo, fui até a varanda do meu quarto e acendi um cigarro. Logo liguei o som, pois achei que estava tudo calmo demais e eu odeio calmaria.
Tomei um longo banho e fui até meu closet escolher com que roupa eu iria dar um voltinha pela cidade, afinal eu não poderia andar de qualquer jeito, ou poderia eu que mando nessa porra mesmo. Ri com esse pensamento.
Peguei uma camiseta cinza que era bem antiga, um short, meu vans preto e um óculos de sol. Passei meu hidratante de pêssego e me vesti rápido.
A casa estava silenciosa e parecia que as dondocas não acordariam antes do meio dia. Fui até a cozinha e comi uma fatia de bolo, provavelmente da festa do dia anterior, e bebi um copo de achocolatado.
Saí de casa pensando por onde eu ia começar, então fui para o famoso píer de Sta. Mônica, afinal era um dos únicos lugares que eu conhecia. Andei bastante até chegar no píer, mas quando cheguei sentei e fiquei vendo o sol fazer seu show.
Fiquei entediada depois de algum tempo e resolvi caçar algum quiosque ou barraca que vendesse comida. Caminhei mais um pouco até chegar em um quiosque, e vi o que eu precisava na hora, um milkshake.
Depois de enfrentar uma fila quilométrica e ter que ouvir um bando de crianças reclamando eu consegui pegar meu precioso, maravilhoso e saboroso milkshake de morango. Acho que eu era a pessoa mais feliz daquele lugar, estava com um sorriso maior que o mundo.
Estava caminhando em direção ao píer até que uma pessoa, que parecia mais uma girafa de tão alta, esbarrou em mim e me fez derramar todo o milkshake no chão. Eu quase tive uma sincope* e um derrame, não consegui acreditar que aquele ser fez isso.
— VOCÊ NÃO ENXERGA NÃO? SUA GIRAFA MALUCA! DESPACHO DE GRIFE! OLHA O QUE VOCÊ FEZ! — Gritei aos quatro ventos e consequentemente chamando atenção de metade do píer.
— Me poupe, querida — disse a girafa loira que derrubou o milkshake — Eu te fiz um favor, ser gorda não está na moda!
Perdi as estribeiras com a girafa loira e parti pra cima dela. Rolamos pelo chão do píer nos estapeando e eu puxando aquele cabelo nojento e tingido de farmácia. Eu tinha conseguido montar em cima da garota quando senti dois braços fortes me puxando e me fazendo ficar de pé.
— ME SOLTA! EU VOU ACABAR COM A RAÇA DESSA GIRAFA OXIGENADA! — Gritei enquanto uma menina baixinha ajudava a loira se levantar — ME SOLTA AGORA!
Depois da menina conseguir se levantar a pessoa me soltou e logo eu olhei para ela, que na verdade era ele. Era um rapaz alto, olhos claros, cabelos bagunçados e de uma cor que eu poderia jurar que era um ruivo meio acobreado, seus ombros eram largos e sua barriga incrivelmente definida era linda. Ele só usava um short de corrida e tênis.
— Tânia, você está bem? — perguntou o rapaz com uma voz incrivelmente maravilhosa — O que aconteceu aqui?
— Amor, essa selvagem me atacou só porque eu esbarrei nela! — disse a girafa oxigenada — Eu juro que não fiz nada.
— Que mentirosa! Você derrubou me milkshake e me chamou de gorda, sua girafa!
— Acho que foi somente um mau entendido — pronunciou-se pela primeira vez a baixinha que possuía uma expressão quase angelical e longos cabelos castanhos. — Ed, leva a Tânia pra casa dela, e eu vou conversar com a senhorita...
— Isabella, mas pode me chamar de Bella. — completei — E se eu fosse ele tirava essa girafa de perto de mim, ainda estou com raiva.
Vi o gostoso levando a girafa loira para o lado contrário ao meu e então olhei sugestiva para a menina que estava ao meu lado.
— Você acabou de se tornar a minha heroína. — disse a menina — Você deu a Tânia o que eu sempre quis dar, uma boas bofetadas naquela cara de sonsa.
— Aquela garota é ridícula! — declarei levantando as mãos — Eu não fiz nada de mais. Afinal, qual é o seu nome mesmo?
— Mary Alice, mas me chame só de Alice, não gosto muito do Mary. — disse rindo — Vou te acompanhar até o seu carro, é o mínimo que eu posso fazer por ter colocado a Tânia em seu devido lugar.
— Eu estou sem carro. — disse um pouco sem graça — Acabei de chegar na cidade, vim morar com a minha mãe e meu carro só deve chegar no meio da semana.
— Então eu te dou uma carona, não vai ser incômodo nenhum, pois estava indo pra casa mesmo. — disse me puxando até um pequeno estacionamento que tinha ali — Me carro é aquele ali, o amarelo.
— Pouco chamativo, né — disse sendo irônica — E de uma humildade que não se vê todos os dias.
— Eu sei, foi meu presente de aniversário. — respondeu não entendendo a ironia — Modesto e rápido, tudo o que eu preciso.
Entrei dentro do carro e coloquei o cinto, pois não sabia se aquela louca sabia mesmo dirigir ou tinha comprado a habilitação. Me senti mais calma quando vi que ela sabia dirigir, porém não tirei o cinto.
Alice parecia uma boneca de porcelana, e seu jeito delicado ajudava bastante. Ela era magrinha, mas tinha um corpo bonito e seus cabelos eram lisos, compridos e tinha até franja. Ela vestia um crop listrado, um short jeans e um chinelo, bem simples pra quem tinha um Porsche amarelo canário.
— Bella, eu creio que não tenha muitos amigos ainda, então estou te convidando para um festa que vai parar Los Angeles. — disse empolgada — Vai ser na casa do Alec, ele é meu primo e meu amigo, e também acabou de chegar da Itália, então acho que você vai se dar bem.
— Não acho legal eu invadir a festa do seu primo assim, ele pode não gostar. — disse tentando me esquivar do convite, mas Alice parecia ser insistente. — Se eu fosse ele, eu não iria gostar.
— Não vai ser nada formal, vai ser tipo uma baladinha, você vai gostar. — afirmou — Eu vou te mandar o endereço e a hora por mensagem, falando nisso anota meu número!
Cheguei bem rápido no meu bairro, e pedi que Alice me deixasse na esquina de casa. Depois de muita discussão e muita relutância da parte dela, eu consegui que ela me deixasse na esquina de casa.
Logo após chegar eu fui direto tomar um banho e decidi que iria ficar de roupão o dia todo. Penteei o cabelo no banheiro do meu quarto com calma e quando eu saí encontrei uma Renée bem furiosa sentada na minha cama.
— Precisamos conversar, Isabella!
E lá vamos nós pra o segundo round de discussão, que domingo ein...
*Síncope: É uma espécie de desmaio, consiste na perda da consciência e da postura , causada pela diminuição temporária do fluxo sanguíneo ao cérebro
Fale com o autor