Rebel Heirs - Interativa
5 Let's Steal a Book
Notas iniciais
Aquele dia definitivamente estava sendo o mais estranho na vida de Alexia. Não que ela nunca tivesse tido um dia estranho, mas aquele estava superando até seus próprios parâmetros. Primeiro ela encontra uma garota com um chapéu mágico enquanto estava conversando com algumas flores, depois decide participar de um plano para fugir do Mundo dos Contos e por fim havia sido perseguida pelos guardas que normalmente cuidavam dela. Era tanta maluquice que a cabeça de Lexi estava prestes a explodir.
Bem, isso sem falar do esconderijo onde estava agora.
Primeiramente, o lugar era apertado e com as paredes de rocha sólida, o que causava uma sensação um tanto claustrofóbica. Segundo, aquele lugar era coberto de marcas de garras, o que dava arrepios e não deixava a Princesa de Copas nada confortável.
Enquanto Alexia analisava o lugar na companhia de Fanny, as outras meninas haviam se sentado no chão e conversavam em voz baixa sobre o que fariam a seguir.
– A gente precisa tirar esses guardas da nossa cola. – comentou Jamie enquanto desenhava algo no chão de terra com sua adaga distraidamente. Lexi podia jurar que ouviu Nina murmurar para si mesma algo com “Que cola?”.
– Não acho que isso vá adiantar muito. – Scarlett deu uma risada seca – A menos que vocês planejem sair do Mundo dos Contos à pé acho que os guardas são o menor dos seus problemas.
Lexi suspirou. Scar estava certa. Eles precisavam de algo mais concreto. Algo...
– Mágico! – exclamou a garota de cabelos vermelho-vivo de repente – Precisamos de magia!
– Bem, acho que isso é meio ótimo, Princesa. – Piper a encarou.
– Não é isso. Nós precisamos de algo que nos transporte pra lá. Algo forte o suficiente e... – Lexi tinha a cabeça à mil.
– Já sei! – Nina gritou, com um sorriso que deixaria o Gato Risonho com inveja – O Livro!
– Livro? – Lumi perguntou, confusa – Em que um livro ia nos ajudar?
Nina riu, como se a resposta fosse óbvia demais.
– Não é um livro, Lumi. É O Livro! O Livro de Feitiços do meu pai! Não sei como não pensei nisso antes! – a filha do Rumpelstilskin pareceu pensar consigo mesma por alguns segundos – Só tem um problema...
– Que problema? – perguntou Fanny, como se finalmente notasse que as garotas estavam conversando – Não gosto de problemas. Eles são muito problemáticos.
– Meio que o livro da na biblioteca pessoal do meu pai... E bem... Lá tem guardas e feitiços de segurança e... – Nina suspirou – Vai ser bem difícil entrar lá sem ninguém ver.
– Bem... Eu posso cuidar dos guardas. – Piper deu de ombros e girou sua flauta nos dedos.
– Mas não é só isso. – Nina encarou as outras, direcionando seu olhar uma a uma – A gente vai ter de roubaro livro bem debaixo do nariz do meu pai.
Todas se calaram por alguns segundos sendo quase possível ouvir suas mentes trabalhando. Tinha de haver um jeito...
A primeira a levantar a voz foi Scarlett.
– Acho que eu tenho um plano... Mas vocês precisam fazer exatamente o que eu disser...
***
Em pouco tempo o plano já estava em ação. Nina e Piper estavam a postos escondidas atrás de um armazém de palha bem próximo a enorme mansão dos Golddeal, que ficava numa clareira circular de terra cinza e sem vegetação. Luminne cuidava do perímetro e voava em torno da casa, mapeando mentalmente cada guarda em sua posição. Scarlett fora se certificar de que a gruta/esconderijo estava bem trancada, pois Fabrinny e Lexi haviam ficado lá dentro. Não era seguro que as duas saíssem com os guardas de copas na cola delas.
– Ainda acho que isso vai nos colocar numa encrenca enorme! — gritou Lumi quando sobrevoou acima das cabeças de Nina e Piper.
– Eu não penso assim. — disse Scarlett aparecendo logo atrás das garotas — Esconderijo trancado e seguro. — Lumi bufou e voltou a percorrer seu percurso — Sua amiga voadora é sempre tão otimista?
– Não. — respondeu Nina — Ela vive reclamando de tédio, solidão e...
– Você sabe que eu estava sendo sarcástica, não? — Scar puxou o capuz mais para frente, escondendo o rosto como uma fugitiva da lei.
– Ruiva, entenda que a Nina leva tudo ao pé da letra. — Piper se encostou relaxada no batente do armazém — Ela não notaria o sarcasmo nem que ele aparecesse na frente dela com um vestido feito de doces segurando uma placa escrito "Eu sou o sarcasmo!".
– O sarcasmo pode fazer isso? Posso conhecê-lo um dia desses? — perguntou Nina ligeiramente interessada.
– Eu não... Deixa para lá. — Piper suspirou impaciente e voltou a observar os limites da floresta — O que aconteceu aqui?
– Como assim a...? Ah! Nos arredores da minha casa? — Nina se abaixou e desenhou um círculo na terra cinza com o indicador — Meu pai devastou uma boa parte da floresta para plantar palha de ouro. E maçãs douradas também! Ele gostava de comercializar com as antigas Deusas da Discórdia.
Foi quando um voz convencida surpreendeu a garota, fazendo-a pular para trás.
– Palha de ouro? Maçãs douradas? Deusas da discórdia? Puxa, Jamie! Devia ter chamado para vir aqui antes!
Jamie caminhava num ritmo lento em direção à clareira trazendo consigo aquele que poderia lhes ajudar com o plano. Aquele que era o motivo para o descontentamento e o pessimismo profundos de Luminne e que também poderia ser considerado um pesadelo na vida da pirata.
Se você pensou em Kain James Hook, parabéns! Você ganhou um biscoito!
Os irmãos Hook vinham caminhando lado a lado, em ritmo idêntico, parecendo tão despreocupados que poderia assustar. Enquanto Nina ficara encarregada de distrair o pai e Lumi, Piper e Scarlett cuidariam dos guardas, Kain e Jamie iriam entrar na biblioteca para roubar o livro.
– Muito bom, Jamie! — Nina bateu palminhas — Como convenceu Chris a deixa-lo sair?
– Contei a verdade a ele. — a jovem deu de ombros arrancando alguns olhares assustados — Digo, não toooda ela. Apenas disse que precisávamos saquear um lugar.
– É. Realmente uma ideia brilhante! — Kain jogou os braços para o alto impaciente — Ele começou com um daqueles discursos de como os piratas são saqueadores natos e...
– Ótimo! Ele chegou! — praguejava Lumi enquanto pousava ao lado do grupo. Na mesma hora o olhar de Júnior emitiu um misto de surpresa, alegria e raiva.
– Lumi! Er... Ahn... Oi. O que você está fazendo aqui?
– Não te interessa!
– Você não deveria estar na Terra do Nunca?
– Deveria. E daí?
– E daí que...
– CHEGA! — gritou Jamie se colocando no meio dos dois — Não temos tempo para criancices!
– É, maninha, realmente não temos. — murmurou Júnior lançando um olhar furioso a irmã. Ele meteu a mão no casaco e tirou um relógio de bolso, balançando-o em frente a irmã. Jamie recuou um passo — Tempo, ó precioso tempo.
– Ora, seu...
– Ok, ok. — Nina estava prevendo mais uma briga e achou melhor intervir — Vamos entrar?
***
O interior da mansão Golddeal poderia ser facilmente confundido com o salão de bailes do castelo do Rei Midas ou qualquer outro cômodo do palácio dourado. Além de uma quantidade excessiva de palha, era impossível você dar dois passos sem esbarrar, tropeçar ou bater de cara em algum objeto áureo.
A quantidade de bugiganga brilhante refletia tanta luz que ainda parecia dia, embora já estivesse escurecendo.
Apesar da confusão cintilante na qual se encontravam, Jamie e Kain sabiam exatamente onde estavam. Após a análise minuciosa do mapa que Nina lhes dera se tornou muito fácil achar o que eles procuravam.
Por outro lado, a biblioteca seria um problema. Ela era simplesmente enorme. Havia três cadeiras cobertas por um tecido fino dourado posicionadas em frente a uma lareira de tijolos acinzentados. Todos os pedestais para livros, estantes e poltronas eram de...
Se você falou ouro, parabéns! Você ganhou mais um biscoitinho.
Como distinguir um livro específico em meio a tantos outros tão parecidos?
– Nina disse que o Grimório Negro de Merlin está sobre um pedestal de ouro dentro de uma redoma de vidro, logo abaixo de um vitral da maça dourada. – Jamie pensava em voz alta – Então o livro só pode ser aq...
– Por que você não me disse que a Luminne estava aqui? – perguntou Kain se recostando na lareira.
– Er... Eu... Ali, olha o livro ali! Vamos...
– Pirralha, não estou brincando. – Júnior a encarou ameaçadoramente.
– Bem, — Jamie suspirou parando onde estava – você gosta da Lumi, eu sei. Eu... Não sei. Acho que fiquei com medo de você não vir. Eu precisava da sua ajuda, mas às vezes fica obsessivo com ela e eu pensei que...
– Escuta aqui, Jamie. – o pirata segurou a irmã carinhosamente pelos ombros e prosseguiu em tom suave – Você é a pior coisa que já aconteceu na minha vida. E eu definitivamente te odeio. Mas você é minha irmã mais nova, uma legítima Hook e a minha pirralha preferida. Estarei sempre aqui quando você precisar. Entendeu?
Os irmão Hook se abraçaram, aproveitando aquele frágil momento fraternal. Embora fosse quase imperceptível, ainda existia um elo que unia os dois. E então...
– Eca! – grunhiu Jamie sacudindo os braços desgostosa – Você me abraçou! E eu retribuí! Que nojo!
– Realmente nojento. – Kain sacudiu a cabeça numa tentativa falha de apagar aquele momento de sua memória – Vamos fingir que isso nunca aconteceu.
– É, nunca aconteceu. Vamos pegar logo o livro.
Os dois piratas andaram a passos largos até o pedestal onde o que eles procuravam estava guardado. Jamie removeu cuidadosamente a redoma de vidro e Júnior puxou rapidamente o livro. Nenhum alarme disparou.
O Grimório Negro de Merlin tinha a capa feita com coro de dragão, com bordados de ouro, prata e bronze e outros detalhes em alto relevo, as páginas amareladas pareciam ser feitas de papiro egípicio muito antigo.
– Ok, já pegamos essa porcaria. – Júnior riu como se tivesse sido excessivamente fácil – Moleza! Agora vamos...
Foi um som estridente acabou com o plano de saírem de lá sem serem notados. Tão acostumados com o aspecto dourado do cômodo, os irmãos não haviam notado a existência de um cuco velho pouco atrás do pedestal com o grimório. Muito menos perceberam que faltavam poucos minutos para as seis da tarde. No horário indicado, o relógio cuco ganhou vida e começou a cuspir pássaros de madeira para todos os lados, fazendo certa pirata gritar apavorada e saltar contra a estante mais próxima. Como num efeito dominó, as estantes de cinco metros de altura foram desmoronando uma por uma até que não sobrasse um único livro em seu lugar.
Jamie, ainda no chão, estava sem ar de tanto gritar.
– Vamos! – Kain a puxou pelo braço – Temos que sair d...
Com um baque tenebroso, a porta da biblioteca se abriu e revelou um Rumpelstilskin vermelho como um tomate e sua filha que parecia tentar a todo o custo desviar seu pai do caminho.
– O que por Merlin está acontecendo aqui??

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