Notas iniciais
Finalmente consegui um PC novo!!! Nossa, postar com aquela coisa antiga não estava dando certo, então tive que pedir pro Papai Noel me trazer um novo, né? A propósito, feliz natal atrasado!!! Agora algumas notícias: 1º Capa Nova!!! Feita pela linda Naty Mikaelson, do Sweet Madness Design 2º Temos uma nova co-autora. Senhoras e senhores, conheçam Bia Valdez! Ela é uma das leitoras por quem eu guardo um carinho especial e eu achei que ela merecesse a vaga 3º Feliz natal, boas festas e feliz ano novo!!!

Após seu aniversário de dezesseis anos, a realidade pareceu atingir Jamie como uma bala de canhão. Não havia como fugir, não havia como negar: a Cerimônia dos Contos era naquele mesmo ano. Durante o evento, Jamie assinaria seu nome numa cópia recém escrita do livro de seu conto, “Peter Pan”, e seria jogada para dentro da estória. Seria a próxima Capitã Gancho.

A proximidade do ritual apavorava a pirata, que começara a ter constantes pesadelos com um crocodilo assassino que arrancava sua mão direita. Isso, sinceramente, não lhe era nem um pouco conveniente.

Porém, naquela noite, ela sonhou com a liberdade. Sonhou que simplesmente fugiria, que tudo ficaria bem. Nem ela nem seu não-tão-amado irmão teriam de amputar uma parte de si.

Simplesmente livres da condenação.

E então o despertador tocou, acordando a jovem.

No instante em que notou que o som não era parte do sonho, ela soltou um grito agudo e saltou da cama. Tinha pânico de qualquer tipo de relógio e extamente por isso não havia um incluído na decoração de seu quarto. Chutou o objeto para longe de si em um ato protetor, mas o barulho não parava. Então, resolvendo seu problema, ela pegou uma de suas dezenas de espadas e golpeou o utensílio até que ele estivesse em pedaços.

Tremendo de raiva e frustração, ela se encaminhou para a sala de estar, aonde o responsável pela terrível brincadeira tocava seu piano calmamente como se não tivesse ouvido a gritaria vinda do quarto da irmã.

– Kain James Hook, seu patife ridículo. – ela pegou a arma mais próxima a ela (no caso, uma faca de manteiga) e a arremessou com tudo na direção do irmão. Infelizmente sua mira era péssima e ela apenas cortou fora a pena do chapéu que o irritante Kain estava usando.

– Bom dia, maninha. – ele falou novamente calmo. Esse jeito dele irritava tanto Jamie. Finalmente, ele pareceu notar a faca cravada na madeira do piano a apenas alguns centímetros de sua cabeça– Sua mira está melhorando. Isso é bom. Da próxima vez, levante mais o cotovelo, vai lhe dar mais precisão. Talvez assim você pare de estragar meus chapéus favoritos sempre que tenta decepar minha cabeça.

– Ora, seu... – ela arremessou um jarro de cristal contra ele, mas ele desviou sem nem sair do piano — Seu... – jogou nele uma esfera de ouro que acerou a nuca do garoto. Ele automaticamente saltou do banco onde estava, com um olhar furioso em seu rosto – ARGH! EU VOU TE MATAR!

– CAI DENTRO, PIRRALHA!

E ambos os piratas desembainharam suas espadas e começaram uma luta mortal.

Todas as discussões entre esses dois terminavam da mesma forma: duelos mortais. Os irmão Hook eram excelentes esgrimistas e suas batalhas só não terminavam em morte porque... Bem, nem eu sei o porquê de nenhum dos dois ter morrido durante essas briguinhas de criança. E eu sou o narrador!

A primeira investida foi de Jamie, mas seu irmão era muito mais veloz que ela e bloqueou o ataque com facilidade.

Kain empurrou a irmã com o ombro, fazendo-a cambalear alguns passos até o piano. Ele tentou decapitar a oponente, mas a mesma se abaixou pouco antes de isso acontecer. O golpe quebrou ao meio o tampo do instrumento.

Até que Júnior tivesse conseguido soltar a espada, que ficara presa na madeira destruída, Jamie subiu na mesa de jantar para poder ter uma certa vantagem. Seu irmão tentou um amplo golpe, desenhando um arco invisível no ar, mas Jamie saltou a lâmina quando esta ia cortar seus pés fora. O golpe e o salto quebraram um candelabro antigo e uma taça roubada do castelo do Rei Midas.

Jamie chutou uma bandeja – também roubada do Rei Midas — cheia de frutas na cara de Kain e saltou por cima dele com um mortal, caindo de pé e apontando a lâmina para o irmão. Ele rapidamente se virou, desarmou a irmã com um único movimento e praticamente se jogou sobre ela. Os dois rolaram pelo chão e Kain acabou por cima, com a lâmina pressionada fracamente no pescoço da irmã.

– Ponto meu, Pirralha. – ele exibiu um sorriso sarcástico.

– Pense duas vezes, Velhote. – ela respondeu também sorrindo, puxando a adaga escondida sob sua jaqieta e a posicionou na cintura do irmão. Júnior pareceu repensar seu próximo ato.

– Trégua? – ele perguntou, embora já soubesse a resposta.

– Trégua. – ela concordou com a cabeça. Os garotos se levantaram juntos e apertaram as mãos, como se concordassem que ambos os lutadores tinham ido bem.

Um pigarro chamou a atenção dos dois. Por um momento, os jovens pensaram que seu queridíssimo pai tinha resolvido dar uma volta pelo velho Jolly Roger*, mas a pessoa que eles viram era muito pior do que o velho James Hook. O adulto encostado no batente da porta era Christopher Smee.

Chris era, por assim dizer, o responsável pelos irmãos Hook, uma vez que o velho capitão já estava... velho. Porém, assim como seu pai Will Smee, Chris não sabia fazer quase nada sem a orientação de um Hook e, desesperado com a ideia de que os dois herdeiros de Gancho não quererem seu destino, ele passou a importuná-los dia e noite com o assunto sempre que podia.

– Vejo que estavam treinando. – ele começou – Isso é maravilhoso! Um bom pirata deve saber duelar como ninguém! E então? Quem ganhou?

– Em primeiro lugar, não estávamos duelando. – esclareceu Júnior – Em segundo lugar, eu ganhei.

– Mentiroso! – Jamie jogou uma almofada no irmão – Deu empate.

– Empate? – Chris parecia confuso.

– É. Essa chata aqui tinha uma faca escondida com ela. Optamos pela trégua.

– Trégua?! – o home parecia que ia enfartar – Você disse “trégua”? Vocês dois são loucos?! Um pirata nunca pede trégua! Um pirata é frio, calculista, um assassino sem piedade, um ladrão des...

Christopher estava tão concentrado em seu discurso que só notou que os irmãos tinham saído quando a porta do quarto de Kain bateu com toda a força.

Jamie aproveitou esse meio tempo para ir à cozinha roubar alguma comida. Pegou frutas, algumas fatias de bolo, queijos, pão e duas garrafas com as bebidas. A primeira continha rum, enquanto a segunda tinha suco de maracujá super concentrado.

Aquilo era o suficiente para satisfazer uma amiga de outro mundo.

Com cuidado para não ser ouvida ou seguida, Jamie se esquivou até o convés e desamarrou um dos botes salva-vidas. Na água, remou o mais rápido que pôde até a praia. As sereias da baía, embora parecessem belas e convidativas, podiam ser muito malvadas. A única vez em que a pirata confiou em uma delas quase morrera afogada. Desde então só confiava em pessoas que tivessem pernas.

O caminho até o ponto de encontro era looongo. A jovem teve que aturar as insuportáveis fadinhas quando passou pela Aldeia das Fadas, se esquivar de moradores apavorados dos Campos Literários (“Salve-se quem puder! É uma vilã!”) e andar um longo trecho da Floresta Encantada até, finalmente, avistar a Árvore do País das Maravilhas.

Ela lá estava sua melhor amiga, Fabrinny Hatter, com seus cabelos laranjas presos em duas maria chiquinhas sob a cartola verde folha com flores cor-de-rosa amarradas com uma fivela à aba do chapéu. Seu vestido de bolinhas estava em grande parte coberto pelo avental com babados e ela trazia um bule de chá equilibrado sobre... os pés?

Então Jamie focalizou uma segunda cabeleira ruiva, desta vez num tom de vermelho berrante. Na mesma hora ela congelou. Havia uma completa estranha, sentada ao lado da filha do Chapeleiro Maluco e, pelo vestido exagerado e cheio de corações, a garota não era do Mundo dos Contos. Pelo menos, não da parte de cima dele.

A pergunta que se formou na cabeça de Jamie foi automática:

“O que a Fanny fez dessa vez...?”.

Notas finais
* Joly Rogers é o navio do Capitão Gancho DICA DE NATAL: Nunca se esqueçam que Papai Noel existe. Essa é uma boa dica de natal, pois tudo que pedimos ao Papai Noel ele nos dá. Assim, sobra pros seus pais darem um jeito de comprar, digo, sobra para o nosso bom velhinho lhe dar um presente. Beijinhos :-*