Rebel
2 Elephant gun
– Eu já disse que não fiz isso! – uma menina de cabelos negros, batendo na metade das costas, gritou, nitidamente alterada. Os olhos azuis eram contornados por uma linha preta e a pele extremamente branca a davam um ar quase gótico, embora Taylor passasse longe desse estereotipo. A morena estava mais para o desejo dos garotos e objeto de inveja das garotas. Linda, alta, magra, esnobe e óbvio, má. Ninguém sobrevive ao ensino médio sem sua dose diária de bullying, Taylor a distribuía com maestria. Bem, essa menina de tantos atributos estava sentada diante de uma diretora que só esperava mais um único motivo para expulsá-la, a morena podia ser inteligente como fosse, mas aquela situação já estava ficando insustentável; Taylor era a definição viva de problema.
– Mas temos testemunhas que a viram obrigando aquela menina a beber, ela está no hospital, você tem alguma noção da gravidade disso ? – a mulher prosseguiu, tentando controlar o tom de voz.
– Você está dizendo que eu a obriguei a beber, eu não fiz isso. Ela queria entrar para o grupo, esse é o preço – rebateu friamente, ok, Taylor podia ser uma vadia sem coração, mas sinceridade com certeza era sua melhor qualidade.
– Ela foi coagida – Sra. Gibson tentou novamente.
– Coagida ? – riu com sarcasmo – A senhora me acha tão intimidadora assim ?! – indagou com humor, nada a abalava.
– Ela pode morrer Taylor, coma alcoólico não é motivo de riso – a diretora prosseguiu de forma séria.
– Nós fazemos escolhas e vivemos com elas, ou nesse caso, morremos com elas – falou no mesmo tom frio de antes – Você quer achar um culpado para ela estar naquele hospital, para sua consciência ficar mais tranquila a noite – continuou, sustentando o olhar que Sra. Gibson a lançava – Mas a única culpada é ela, foi ela que pegou aquela garrafa, foi ela que a bebeu, eu apenas lancei o desafio, não tenho culpa pelas mentes fracas que aparecem no meu caminho – finalizou e bocejou, realmente entediada.
A mulher parecia incapaz de dizer algo a mais, e apenas ficou encarando a adolescente a sua frente, sem acreditar que com apenas quinze anos, Taylor já pudesse ser tão cruel ... Se perguntava o que dera errado.
– Posso ir ou vai ficar me encarando para sempre ? – indagou de modo ríspido e a mais velha apenas a liberou, tudo que Taylor dissera era verdade, não poderia expulsá-la por algo que aconteceu fora da escola, e seus argumentos eram bem coerentes. Jennifer foi a pessoa que pegou a garrafa e bebeu, Taylor no máximo a incentivou, mas incentivo não é crime. Chamaria apenas os pais da garota, tinha a impressão que aquela conversa seria longa.
△REBEL
“Aonde você está ?” T.
“Numa missão, kid, me desculpe” C.
“Você sempre está em alguma missão” T.
“Eu sinto sua falta também” C.
“Eu sentiria se ainda me lembrasse da sua cara” T.
“Não seja dramática, mandarei uma foto” C.
“Não se dê ao trabalho” T.
“Taz, por favor” C.
“Taylor ... Não faça assim” C.
“Eu prometo voltar logo, me desculpe novamente” C.
E aquela fora a última conversa que tivera com seu pai, desde então não atendia a nenhuma ligação feita pelo homem. Ele estava a UM mês em alguma missão idiota, aparentemente, tempo para ver a própria filha ele não conseguia criar, salvar o mundo sempre vinha primeiro. Será que estava sendo muito egoísta ao querer pelo menos alguma atenção ?! Possivelmente, mas desde quando adolescentes se importam com o quão egoístas estão sendo ? Exato, nunca.
– Sra. Gibson me ligou – May anunciou, parada diante da porta aberta. Encarava Taylor num misto de cansaço e resignação, sabia que aquilo estava fora da sua alçada, não adiantava nem brigar – Quer me adiantar quais argumentos usarei dessa vez ? – questionou com certo sarcasmo.
– A mulher praticamente me acusou de homicídio – a jovem respondeu, sem parar de digitar no seu notebook, e não demonstrava remorso algum. Taylor estava ficando fora de controle e Melinda sabia que não poderia deixar aquilo se estender por mais tempo, precisava de Coulson, ele a pôs naquela enrascada, ele a ajudaria a sair dela.
– O que você fez garota ? – questionou nitidamente irritada.
– Uma brincadeira – falou sem se abalar pelo tom imposto pela mãe, possivelmente a única pessoa que não se mijasse nas calças na presença de uma raivosa Melinda May – Ela tinha que beber um pouco de vodca para entrar no grupo, ela acabou entrando em coma e por alguma razão a culpa é minha – finalizou e deu um riso nasalado, achando aquilo muito estúpido para sequer estar acontecendo.
A chinesa abaixou a tela do notebook, jogando-o para o lado, mesmo sobre os protestos da filha.
– Você acha isso engraçado ?! – indagou de forma nervosa e pegou no queixo de Taylor, fazendo-a fitar-lhe, precisava ver os olhos dela, precisava ter pelo menos algum indício que sua doce Taylor ainda estava ali, em algum lugar, mas não encontrou nada, completo vazio. Não reconhecia aquela pessoa a sua frente. – Quem é você ? – sussurrou de forma descrente, sentia-se até enojada.
– Eu me faço essa mesma pergunta todos os dias, mas quem tem a resposta para isso é você, não eu – retrucou de forma ríspida e afastou a mão da mulher do seu rosto.
– Eu não posso ter essa conversa com você de novo, Taylor – a mulher anunciou, já afastando-se.
– Você nunca teve essa conversa comigo – gritou e levantou-se, ficando estática diante da porta, impedindo que a chinesa atravessasse. – Por que você tem tanto medo que eu descubra a verdade ? O que vocês escondem de mim ? – prosseguiu na sua busca por respostas, era assombrada por fantasmas e eles se chamavam “pontos de interrogação”, toda sua existência era um mistério e aquilo estava a levando a loucura.
– Saia da minha frente, Taylor – May a ameaçou, mas a garota permaneceu parada, seus olhos eram suplicantes, por que eles não acabavam com aquela tortura ?! Seu passado era realmente tão ruim assim ?!
– Por favor, mãe, por favor, eu só preciso saber – falou e já derramava algumas lágrimas.
May morria internamente, ver Taylor tão desolada cortava-lhe o coração e sabia que as atitudes questionáveis tomadas pela jovem eram reflexo das suas incertezas, seus medos, os segredos que a envolviam ... Queria poder dizer-lhe tudo, mas como diabos explicaria que ela era a causa por uma vila toda ter sido exterminada do mapa, que talvez ela não fosse completamente humana ?! Não via como isso melhoraria o comportamento de alguém.
– Sinto muito – balbuciou com a voz falha e fitou os olhos de Taylor, tudo que viu refletido neles foi ódio. Morreu mais um pouco.
– Não ainda, mas você vai sentir – Taylor a respondeu de forma fria e permitiu que a chinesa abandonasse o cômodo.
△REBEL
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