Rebel
4 About a girl
– Então você derrubou um dos meus melhores homens ? – Ward questionou, avaliando a jovem a sua frente com genuíno respeito.
– Não pareça tão impressionado, é um tanto preconceituoso – rebateu cheia de sarcasmo, coisa que o moreno apreciou.
– Viu só, Tobias ?! Senso de humor – ele falou alto, virando-se para seu segurança, que a encarava com a mesma cara assustadora de antes, parecia incapaz de sorrir. – Não ligue para ele, Tobias é um caso sério – tornou a falar, levantando-se para avaliar melhor a jovem.
Sustentou o olhar que ele a lançou, nem um pouco intimidada.
– Quantos anos você tem ? – o moreno indagou, sentando-se sobre a escrivaninha.
– Dezesseis – respondeu sinceramente.
Ele suspeitava que a garota fosse jovem, mas não tão jovem – Aonde aprendeu a lutar ? – mais uma pergunta.
– Vem cá, você faz esse mesmo interrogatório idiota para todos que decidem entrar aqui, ou eu estou tendo um tratamento especial ? – questionou num tom furioso.
– Digamos que você me deixou curioso – ele a respondeu, sem se abalar pelo tom feroz.
– Eu não me importo – rebateu friamente, aproximando-se do homem e tendo Tobias a pôr-lhe na mira do fuzil, não se importou – Eu vim aqui porque eu quero respostas e não mais malditas indagações, você me ajuda, eu te ajudo – falou e num movimento rápido tirou uma faca no bolso, arremessando-a na jugular de Tobias, que não teve tempo nem para pensar em pôr o dedo no gatilho.
Grant Ward pareceu muito impressionado pela demonstração que recebeu e sorriu com satisfação, aquela garota era justamente o que estava precisando.
– Eu posso ficar com a vaga dele, prometo mais senso de humor na sua vida – falou por fim, com os lábios bem próximos ao ouvido do líder.
– Sendo assim, acho que você está contratada – ele afirmou, com um largo sorriso a estampar seu rosto.
△REBEL
– Phil ... Estamos navegando em águas perigosas aqui – May iniciou, encostada na porta do escritório do homem, aquilo já virara rotina, todas às noites Coulson passava em claro, em busca de respostas.
– O que você quer dizer ? – questionou, sem entender aonde a chinesa queria chegar com aquilo.
– Taylor – a mulher respondeu simplesmente.
– Ela é sua filha ... – falou em tom de descrença e encarava May como se ela tivesse enlouquecido.
– Por isso eu sou mais do que qualificada para dizer que ela é perigosa – respondeu, com um nó formando-se na garganta, era difícil admitir aquilo da própria filha, mais difícil ainda era não sentir-se responsável.
– Ela não é perigosa, Linda! – o homem exclamou, num tom mais alto que gostaria – Ela só está passando por uma fase difícil, quando contarmos a verdade para ela, tudo melhorará, eu prometo – ele falou, aproximando-se da esposa e a envolvendo num abraço – Por favor, não desista dela – implorou, derramando algumas lágrimas.
– Eu não sei quem você está tentando convencer ao dizer isso, Phillip – a mulher sussurrou, num ar distante, mas também deixou rolar algumas lágrimas.
Skye não queria ter escutado aquela conversa, Deus estava de prova, mas acabou estando no “lugar certo, na hora certa”. Para May dizer aquilo de alguém, a pessoa realmente teria que ter um coração de pedra, estava começando a refletir se foi uma boa ideia terem iniciado aquela busca.
△REBEL
– Tenho um trabalho para você – Grant a disse, enquanto caminhavam pelo enorme corredor de um prédio que começava a tomar ares de algo minimamente habitável. Tiveram que caçar ratos por quase uma semana, mas a ajuda do Sr. Strucker estava vindo a calhar; mais recursos, mais homens, mais poderio de fogo, mais próxima da verdade.
– Tudo bem – respondeu, de forma desconfiada.
Pararam diante de uma porta de madeira e o homem a abriu para a garota, dentro do cômodo havia apenas uma coisa; uma mulher ensanguentada. Não entendeu o que teria que fazer.
– Acho que o trabalho já foi feito – falou friamente, avaliando a ruiva que estava num estado bem ruim.
– Não, porque nossa querida convidada ainda não disse nada útil, eu quero que você a faça falar – ele ordenou, olhando para Taylor em busca de algum sinal de nervosismo, como suspeitava, não encontrou.
– O que eu ganho com isso ? – fora a única pergunta que ela o lançou.
– Talvez eu saiba uma coisa ou outra sobre você – ele a respondeu ambiguamente, só então ela o encarou.
– Me dê trinta minutos – dissera simplesmente, entregando todas as armas de fogo que tinha, nas mãos do moreno, e indo até sua vítima.
Ward riu com certo orgulho, adorava quando encontrava as pessoas certas para aquele emprego. Nem todos tinham o estômago necessário para a tortura.
△REBEL
Sentou-se ao lado da mulher e a fitou por alguns instantes, a ruiva tinha o olho vazado e parecia ter apanhado muito, a julgar por seus diversos cortes e suas roupas imundas também era visível que estava ali por pelo menos três dias, mas algo na postura dela, dedurou que aquela era uma pessoas difícil de ser quebrada. Não se abalou, gostava de desafios.
– Olha, você talvez não acredite em mim, mas eu não gosto disso – iniciou, conversando normalmente com a prisioneira. Essa manteve-se calada, então prosseguiu – Eu abri mão de uma cama confortável, de roupas limpas, comida quente, internet, passei meu aniversário num maldito metrô ... Não estou vivendo tão diferentemente de você para ser bem honesta – comentou e olhou ao redor, avaliando que aquilo era de fato verdade – E sabe por quê ? – questionou numa retórica e fitou os olhos azuis da mulher, continuando – Pela exata coisa que aquele homem me prometeu caso eu a faça falar – concluiu. Estava a dando a chance de cooperar por bem, mas não pensaria duas vezes em forçá-la a cooperar por mal.
A ruiva prosseguia encarando aquela menina, diferentemente dos outros torturadores que lhe foi enviado, algo naquela jovem era particularmente perturbador; a forma que ela falava, a proximidade na qual estavam, seus olhos sem vida ... Se manteve em silêncio, não tinha nenhuma intenção de entregar a SHIELD nas mãos daqueles criminosos.
– E então, vai começar a falar algo útil ou não ? – a garota indagou num tom bastante contido.
– Eu não sei ... – Audrey não terminou o resto da frase, estava muito ocupada gritando. Taylor a deu uma facada na articulação do joelho e agora apenas assistia a cena, completamente imparcial ao sofrimento da outra.
– Resposta errada – sibilara após a ruiva parar de gritar, ainda mantinha os dedos sobre o cabo da faca, mas eram os olhos de Audrey que fitava, num ar bem neutro. – Vamos tentar isso de novo ? – perguntou friamente.
△REBEL
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