Reasons to be Missed
4 Capítulo 4
— Quinn, você está bem? — O sorriso enorme que Finn tinha no rosto se transformou rapidamente em um careta que era misto de susto e preocupação quando comecei a gritar. Ele avançou para me tocar.
— NÃO. NÃO ME TOCA. — Tentei me afastar da mão esticada em minha direção, mas esbarei em alguém que me segurou forte pela cintura quando tentei me afastar.
— Quinn! QUINN, SOU EU FINN. — Quanto mais ele tentava segurar meus braços, mais eu me debatia e o aperto em minha cintura aumentava.
— Já chega. — Ouvi a voz grunhir atrás de mim antes de ser empurrada para frente. Finn jogou os braços ao meu redor. Uma mão pesada pesada me virou pelo ombro e um estalo forte ecoou alto em meus ouvidos.
O silêncio.
Quase sempre, depois de muito barulho, o silêncio é ensurdecedor.
No silêncio se escondem as mentiras e as verdades mais dolorosas.
No meu mundo, o silêncio é um monstro.
Santana me encarava com os olhos arregalados.
Senti minha bochecha direita arder e pus uma das mãos no local. Estava quente. Ela tinha me batido.
Com o coração espancando minha caixa toráxica e a respiração ofegante, olhei em volta cautelosamente. O corredor estava apinhado de alunos estáticos e chocados olhando em nossa direção.
— Estão olhando o que? — Pulei com o grito irado e os braços de Finn me apertaram ainda mais. — Todo mundo fora. Circulando. — Santana vociferou.
Os alunos se dispersaram em segundos.
— Quinn, — Finn disse suavemente. O hálito quente que soprou em minha orelha. — eu vou soltar você, okey? — Levei alguns segundos para lembrar no me mexer e acenei com a cabeça.
Lentamente os braços longos de Finn foram se afrouxando até caírem e me soltarem efetivamente.
— Quinn, o que foi isso? — Santana ainda me olhava fixamente com os olhos maiores que o normal.
— Eu acho que... Foi só um susto. — Os olhos dela se estreitaram com isso.
— Toma, Q. — Finn me entregou o fichário que eu não tinha dado falta. — Você deixou cair. Acho melhor eu andando, o sinal já- Um apito alto soou pelo corredor. — Tocou.
Murmurei um ‘obrigada’ antes que ele se afastasse e seguisse pelo corredor.
— Quinn! — Santana levantou a mão em direção ao meu rosto quando me virei para ela. Deixou-a flutuar por uns segundos, avaliando se eu recuaria, antes de finalmente tocar minha bochecha dolorida. — Doí?
— Não. — Agora que a adrenalina gerada pelo susto sumia do meu organismo o sentimento de vergonha e a vontade de chorar se fizeram presentes.
— Isso tem a ver com o seu sonho, não é?
O esforço para engolir as lágrimas era tanto que nada mais pude fazer alem de acenar.
Eu não choraria.
Santana se afastou até onde o próprio fichário estava caído no chão e me entregou-o. Ela puxou o celular do bolso do casaco vermelho das Cheerios e digitou algo, provavelmente uma mensagem para Brittany.
— Vem comigo. — Santana pegou seu fichário da minha mão e a segurou, me arrastando para o lado contrário de onde teríamos aula agora.
— Para onde está me levando? — Só desejava que não fosse um lugar com outras pessoas.
— Para o auditório, você vai me contar exatamente o que te deixou desse jeito.
xXx
— Quando eu vi o Finn na minha frente foi como se eu estivesse no sonho outra vez. Entrei em panico. — Santana e eu estávamos sentadas na fileira mais distante do palco. O lugar era fracamente iluminado pelos refletores do mesmo. Ela não disse uma palavra desde comecei a contar sobre o sonho.
— Q, eu imagino o quanto você deve ter ficado assustada, ainda com as coisas que esse ‘anjo’ disse, mas você tem que esquecer isso, okey? Foi só um sonho ruim e por acaso o Frankensteen e a mini Straisand estavam na pior parte. Talvez seja um aviso para você esquecer os dois e seguir a sua vida.
— Não sei Sant, parecia sim um aviso, mas não era sobre eles. Acho que eram eles porque... Por causa da quantidade de coisas ruins que fiz aos dois ano passado. — Eu falei olhando para as minhas mãos em meu colo.
— Talvez.
— Que horas são? — Quebrei o silêncio que se instalou por alguns minutos.
— Quase nove. — Ela verificou no celular. — Daqui a pouco começa o segundo tempo, você quer ir? — Pousou um de suas mãos sobre as minhas. O gesto foi reconfortante.
— Sim. Melhor enfrentar todo mundo me olhando como se fosse louca o quanto antes.
— Esse é o espírito, Rapunzel. — Santana disse se levantando. — O que? — Ela perguntou quando olhei para ela com uma sobrancelha arqueada.
— Rapunzel? Mesmo? — Eu tinha a curiosidade de saber como Santana se lembrava dos inúmeros apelidos que já lançou por ai ao longo dos anos.
— Ora, não é minha culpa se você decidiu que vai fugir do cabeleireiro para o resto da vida e essa palha velha que chama de cabelo está quase batendo na bunda. — Santana falava como se tivesse sido ofendida. Ela se virou para sair do auditório me deixando sozinha. Meus olhos rolaram automaticamente.
— Você já foi mais criativa, Santana. — Me levantei para ir atrás dela. — E não seja exagerada, não está tão grande assim. — Completei pegando uma mecha de cabelo loiro para analisá-lo mais de perto. Os fios que chegavam ao meio das minhas costas estavam macios e brilhantes como sempre foram.
Palha velha… Até parece...
Entramos no corredor um pouco antes do sinal que indicava o pequeno intervalo entre as aulas tocar. Alguns alunos olhavam para nós pelo canto dos olhos quando passavam.
Meu ataque de panico mais cedo já deveria ser de conhecimento da escola toda.
Foda-se todos eles.
Evoquei todo o orgulho dos Fabray para andar com a cabeça erguida e encarar duramente quem se atrevesse a me olhar torto ou cochichar enquanto passava, quando, na verdade, tudo o que queria era me encolher atrás de Santana até a saída mais próxima e não voltar nunca mais.
Longe, no corredor, quando Santana e eu paramos nos armários para encontrar Brittany, que nos esperava, avistei Finn e Rachel. Ela falava animadamente sobre algo que, pela expressão no rosto dele, ele não fazia a menor ideia do que se tratava.
Se Rachel percebia a alienação namorado, não demonstrava.
Vê-los juntos inevitavelmente me levou ao sonho.
Fechando os olhos, sacudi levemente a cabeça para apagar as imagens. Quando os abri os dois já estavam virando o corredor de mãos dadas. Esse tipo de carinho entre os dois nunca tinha me incomodado muito, mas depois do parto da minha filha, Beth, em que Rachel esteve presente para segurar a minha mão quando Puck, o pai, que deveria fazer este trabalho, desmaiou, cada gesto de carinho entre os dois que eu presenciava era como um soco no estomago. E quando se beijavam perto de mim, sentia um gosto amargo na garganta.
Me arrependia de ter dormido com Puck enquanto namorava Finn, não por ter ficado grávida, ou por amá-lo, o que nunca fiz, mas por tê-lo magoado. Apesar de não ser apaixonada por ele, Finn era um bom amigo e um rapaz muito doce, apesar do mau gênio. Não merecia isso.
Porém, nada disso justificava a forma como me sentia ao vê-los juntos.
Talvez saber que tentei destruir a felicidade deles quando começaram a namorar, logo depois de Finn ter terminado comigo quando contei da traição e da gravidez, que me fizesse sentir culpada.
Todos esses pensamentos sumiram da minha cabeça quando, assim que eles sumiram na esquina, Finn, o outro Finn, estava parado, exatamente onde eles passaram, olhando para mim com os mesmos olhos azuis que gelavam minha espinha. As roupas eram as mesmas que usava no sonho.
— Você terá pouco tempo para descobrir quem pode se tornar. Até lá, a mim sempre verá. E seu destino, céu ou limbo, tu decidirás.– Ouvi a voz rouca de 'Finn' na minha cabeça.
— QUINN!
— O que? — Brittany estalava os dedos na minha frente. — O que?
— Eu perguntei se você está bem? A Sant disse que você teve um sonho ruim. — Britt me olhava com brilhantes olhos azuis e uma cara triste. Santana me analisava desconfiada.
— Eu- eu estou bem Britt. Foi só um sonho. — Forcei um sorriso para ela. Os braços delicados me apertaram em um abraço de urso.
Olhei para o corredor procurando...
Ele não estava mais lá.
Céus! Devo estar ficando maluca.
— Eu fico contente em saber. Vem, — ela desfez o abraço para segurar minha mão e pegando a de Santana com a outra livre. — Sant disse que você tem história agora e nos também. Acho que só temos mais esse tempo juntas. A Sant falou que depois você só tem um monte de matérias chatas e que...
Brittany nós rebocou pelos corredores do McKinley contando histórias sobre nerds, férias e as aventuras do Lord T. A alegria borbulhante da menina mais alta, aos poucos, me ajudou a relaxar e ignorar a ‘mensagem’ do corredor.
Por alguma razão, aquela sensação de que algo estava diferente me acompanhou desde que acordei. Mas não era como se as coisas à minha volta tivessem mudado. Era eu. Algo em mim havia mudado e o sonho, pesadelo, mensagem, ou seja lá o que tenha sido, causou isso.
Eu só queria saber o motivo.
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