Notas iniciais
Como eu disse na outra fic, algumas coisas estão sugando todo meu tempo e criatividade. Acreditem, eu fico muito chateada por não poder postar com a mesma frequência de antes e estou tentando ao máximo fazer isso de novo.

— Eu realmente espero que você não tenha se chateado por mudar os planos, Sam.

— Está tudo bem, Quinn. Você está aqui, é o que importa. Além do mais, nós teremos tempo para outros encontros, certo?

— Certo.

Sam e eu estávamos em uma pequena cafeteria que eu sugerira.

Logo após a saída da sala do coral, Sam nos encontrou no corredor e só então lembrei do compromisso que marcara com ele. Ao explicar sobre o encontro com Rachel ele perguntou se ainda poderíamos fazer algo naquele dia e, depois de passar em casa e avisarmos aos nossos familiares, aqui estávamos nós.

— E então como foi o ensaio com Santana e Mercedes? — Eu perguntei segurando o riso. Tinha uma boa ideia de como havia sido.

— Definitivamente eu nunca senti tanto medo na vida. Elas são loucas. Por um segundo achei que elas fossem se matar. O pobre Artie quase chorou.

O sorriso no rosto de Sam mostrava que apesar de tudo ele se divertiu.

E muito.

— Eu posso imaginar. Pode não parecer, mas Santana é uma boa pessoa. Ela só não gosta que saibam disso.

— Sabe, você tinha razão, Quinn. Esse lugar tem os melhores aneis de cebola que eu comi na vida. — Sam comentou entre uma mordida e outra. Um prato cheio de pequenos aneis de cebola frita que diminuía rapidamente.

— Eu te disse. O Breadsticks é o melhor restaurante de Lima. E não é só porque ele é o único com um cardápio com mais de cinco itens. — Minhas costelinhas de porco sumiam na mesma velocidade que os aneis de Sam.

O que posso dizer? Nunca fui do tipo ‘saladinha’.

— Acha que podemos pedir uma pizza ninja depois? — Sam parecia uma criança pedindo um brinquedo novo. Por algum motivo me fez lembrar da Agnes de Meu Malvado Favorito… Será que ele diria ‘por favorzinho’ se eu pedisse ou seria muito estranho?

— Pizza ninja? — Ele realmente disse isso? — O que isso significa?

— É.. A pizza que some em um piscar de olhos.

— Hahahaha Oh meu Deus. Você precisa parar de assistir Tartarugas Ninjas.

— É mais forte do que eu.

Sam amava desenhos animados. Uma vez ele comentou que pretendia ser animador e produzir desenhos infantis. Até fez um desenho meu em cartoon que está em uma porta retratos no meu quarto.

— Você terminou, Quinn?

— Quase. Por que? — Sam começou a ficar vermelho e coçar a nuca como sempre fazia quando estava nervoso.

— É que… Está quase na hora de você encontrar a Berry e eu pensei que… Talvez… A gente pudesse caminhar naquela praça do centro.

Lima tinha um grande ponto de referência no centro da cidade. Uma enorme praça ladeada com alguns dos principais pontos comerciais como o mercado, a igreja que eu frequentava, lojas de roupas e outros tipos de produtos. Essas coisas.

—- Oh… Parece bom.

Sam pediu a conta enquanto eu terminava de comer.

xXx

Eram quase 18h quando Sam estacionou o carro do pai no parque. Poucas pessoas ainda estavam por lá. O sol estava baixo, mas ainda demoraria um pouco para baixar devido à estação. A paisagem estava linda, perfeita para um encontro.

Em algum momento da nossa caminhada, Sam segurou minha mão e eu não me incomodei em solta-la. Sam era bom, confortável, fácil. Mas por mais que gostasse dele, por mais que me sentisse bem ao seu lado, não sentia aquilo.

Aquilo que eu quase cheguei a sentir com Noah.

Em alguns dias sentia como se tivesse mesmo vocação para freira como Santana dizia. Simplesmente não tinha o mesmo interesse em garotos que as outras meninas tinham — o que não podia ser dito dos meninos com relação à mim — e isso era frustrante. Como chefe das lideres de torcida tudo o que eu fazia ou deixava de fazer era cobrado e comentado. Como se eu fosse uma grande celebridade, embora fosse só na escola.

Talvez tenha algo errado comigo.

Não há nada de errado com você, Lucy.

Levy? Onde está?

— Longe, mas está deveras agitada e posso sentir.

— Não se preocupe. É só mais um drama adolescente.

— Se o diz…

A caminhada pela praça terminou em uma barraquinha de sorvete. Fiz questão de pagar pelas casquinhas de chocolate alegando que Sam já tinha gasto muito pagando o jantar. Foi uma discussão acalourada, mas no fim um Fabray sempre consegue fazer as coisas à sua maneira.

As 19h em ponto ele estava me deixando na porta casa de Rachel.

— Prontinho. Está entregue.

— Obrigada, Sam.

— Você quer carona para voltar para casa?

— Não precisa, meu pai vem me buscar.

— Tá, certo.

Nos ficamos olhando desconfortavelmente um para o outro.

— Foi um passeio muito agradável. Eu fico feliz que tenha me chamado.

— Fico feliz que tenha aceitado o convite… Bom, a gente se vê na escola?

— É claro. Boa noite, Sam.

— Boa noite, Quinn.

Sam se inclinou para beijar meu rosto, mas não se afastou depois. Ele encarou meus olhos por alguns segundos, procurando algum sinal de desconforto, e então me deu um beijo suave. Foi só um encostar de lábios. Um gesto de carinho que fez com que minha admiração por ele ganhasse um pouco mais de força.

— Tchau. — Ele foi embora com um sorriso enorme no rosto que o fazia parecer um menino.

Depois que o carro desapareceu na esquina, respirei fundo e apertei a campainha da casa. Ouvi a porta ser destrancada pouco tempo depois.

— Olá, você deve ser Quinn Fabray, eu suponho. — Um homem alto, de cabelos grisalhos e sorriso educado apareceu quando a porta se abriu.

— Sim, senhor.

— Eu sou LeRoy. Entre, Rachel e as outras meninas estão na cozinha. — Ele me guiou até a cozinha da casa onde Brittany, Tina e Rachel conversavam sobre algum assunto que não pude identificar. Assim que notaram minha presença, Brittany se levantou para me abraçar e Tina me ofereceu um aceno tímido.

— Olá, Berry.

— Boa noite, Fabray. Está atrasada. — Ela mal levou os olhos que estava lendo.

— Não, não estou. Vocês começaram sem mim.

— Que seja. As meninas e eu preparamos uma lista para definir os pontos fortes e fracos do desempenho vocal e teatral de cada uma.

— Teatral? Rachel, não vamos fazer uma peça, vamos para uma competição de corais.

— Na verdade, o Sr. Schue e eu estamos discutindo a ideia de montar um musical na escola.

— Você é louca?

Rachel finalmente levantou os olhos para mim e desejei que ela não tivesse feito. Se algum dia Rachel Berry já me olhou com tanta raiva, esse dia era hoje.

— Não, Fabray. Eu não sou louca, eu sou alguém que se importa, alguém que está tentando fazer isso dar certo, contra todas as probabilidades. E você, está na minha casa. É o meu território e eu não vou permitir que me trate como bem entender. Aqui não.

Pela milésima vez eu senti nojo de mim mesma por tudo o que já tinha feito à ela.

— Você está certa. Eu sinto muito, me desculpe.

Meus olhos estavam grudados na mesa como se fosse a coisa mais interessante que eu já tinha visto, mas mesmo assim eu podia dizer que ela tinha ficado mais do que surpresa. Provavelmente ela esperava que eu me levantasse e despejasse uma chuva de insultos sobre a sua cabeça antes de deixá-la só na própria mediocridade. E isso feria muito.

— O-okey. — O ligeiro tremor em sua voz confirmava minhas suspeitas.

— Então, — Tina parecia especialmente nervosa. — Que tal se fizermos a lista da Quinn agora?