Notas iniciais
Um pouco tarde, mas consegui terminar o capítulo ^^ Só pra deixar claro que sei nada de futebol americano e só fiz uma pesquisa muuuito superficial por motivos de que minha preguiça é maior. Então se tiver algo errado... Me expliquem porque provavelmente foi algo que eu não entendi.

— 172 DIAS — 19/9/11, segunda-feira

— Você está muito aérea, Quinn. Está tudo bem? — Mamãe e eu estávamos na praça de alimentação do único shopping de Lima, que não era tão pequeno quanto normalmente acontecia em cidades pequenas.

— Estou bem, mãe. — Brinquei com o pratinho de sorvete em minha frente. Não tinha fome. — É que aconteceu uma coisa hoje, na escola. Sei lá, não sei se fiz a coisa, se disse a coisa certa… Acho que meti os pés pelas mãos. — Completei desistindo de vez do sorvete e me recostando na cadeira de metal.

— Quer conversar?

Olhei para Judy, desconfiada. Minha família não era famosa por ter diálogos. Principalmente os amigáveis. Todos do círculo sabiam a opinião de Russell sobre os Berry, inclusive que quando eles se mudaram para uma casa no nosso condomínio, 4 anos atrás, ele tentou fazer os outros moradores a expulsá-los de lá. Só não conseguiu porque o irmão de Leroy Berry é um conceituado advogado em Columbus, capital de Ohio e ameaçou processar todos os moradores que apoiassem Russell.

— Não, valeu. Eu estou bem.

Judy suspirou e passou a dar atenção à seu próprio sorvete enquanto eu repassava a conversa com Rachel.

— Mais cedo, sala do Glee Club —

— Muito bem. Aqui estamos. O que quer de mim, Berry? — Disse me sentando no lugar de costume no centro da fileira de cima. Estava nervosa. Muito. E na ausência de um modus operandi adequado eu só conhecia um caminho: o ataque.

Rachel pareceu perder um pouco a coragem que a levou a ir até mim. Ela se sentou no piano e começou a brincar com as mãos.

— Se não se importa, eu tenho mais o que fazer. Diga de uma vez. — Ela pulou um pouco e a cena, por algum motivo, apertou meu coração.

— Ah, er- é claro. É claro. E-eu só queria, só queria saber em que pé estamos. Quer dizer, eu sei que muitas coisas aconteceram no ano passado e eu pensei que agora que está tudo bem com você e o Finn, poderíamos fazer as pazes e esquecer tudo isso. Bem, não esquecer, eu duvido que você seja capaz disso, mas superar e parar de agir como crianças mimadas. — Ela finalmente me encarou quando terminou de falar. Um brilho esperançoso em seus olhos me fez questionar porque ela queria tanto estar as boas comigo. Sempre expressou o desejo de manter uma amizade, de estar perto.

— É o seguinte, Berry. Fica fora do meu caminho, que eu fico fora do seu. Não esqueci que por culpa sua eu fui despejada pela segunda vez. Tudo o que você tinha que fazer era não meter esse seu nariz grande onde não era chamada. Fica fora da minha vida, não preciso que você tente consertar nada para mim e não preciso da sua amizade. Esquece que eu existo e eu te ofereço a mesma cortesia. Se me der licença, eu tenho mais o que fazer. — Eu saí as pressas da sala até o meu carro. Não conseguia respirar e as lágrimas começaram a descer antes que eu tivesse a chance de controlá-las. Antes daquele momento, eu não sabia o quão magoada eu estava com toda a situação com Rachel Berry. Eu estava ferida, mesmo que a intenção dela não tivesse sido me machucar. Os motivos dela tão pouco foram de me ajudar, mas ajudar a si mesma.

É hipócrita da minha parte julgá-la por uma atitude que já tomei tantas vezes. Mas as memórias de tudo o que eu passei nublaram meus pensamentos e me impediram de ser racional e enxergar o lado dela da história.

Talvez, mais tarde, eu consiga olhar para trás sem sentir raiva pela situação toda e consiga ter uma conversa civilizada. Mas ainda era cedo demais para isso.

— Agora, Lima Mall —

— Eu sei que nos nunca fomos de conversar muito, e grande parte da culpa é mim, sei disso, mas eu estou aqui por você, Quinn. Não se esqueça disso.

— Eu sei… Eu sei.

xXx

— Será que dá para você parar de me julgar. — Reclamei mais do que irritada. Fazia meia hora que estava no meu quarto, depois do passeio com minha mãe. O exato tempo que Levy — que para variar estava espalhado em minha cama como se fosse dele — me encarava com aquele olhar.

Não estou a julgar ninguém. Não sou Ele para isso.

— Argh. — Não pude evitar jogar um dos enfeites da minha escrivaninha em sua direção. O qual ele interceptou habilmente.

Filho da puta.

Linguajar, Lucy. – Ele resmungou visivelmente incomodado.

— Foda-se, dá o fora do meu quarto. Não quero ver você até amanhã. — Peguei meu pijama e pisei duro até o banheiro na esperança de estar sozinha para refletir quando voltasse.

— 171 DIAS — 10/9/11, terça-feira

xXx FINN xXx

Droga! Atrasado pro treino matinal de novo, a treinadora vai me matar. Logo hoje que é o teste dos novos jogadores.

— Hudson! — A treinadora gritou quando praticamente cai dentro do vestiário ainda ajeitando o uniforme. — Está atrasado de novo. Mais uma vez e você fica no banco no próximo jogo e não estou nem ai que você é o Quarterback. Você não é tão bom quanto pensa.

— Foi mal, treinadora. — Engoli a raiva e procurei um lugar pra sentar. Dando um jeito de acotovelar os risonhos.

— Como eu estava dizendo antes de ser deselegantemente interrompida, lá fora estão os calouros que acham que podem jogar futebol. Eles estão separados em dois times de 10 alunos. Vocês vão jogar contra eles em uma partida de 3 pontos, vamos ver quem sabe usar uma bola direito. Depois vocês vão escolher alguém para ensinar o treinamento diário. Quem estiver vivo às 10h está dentro. Chang, — Mike se levantou e se aproximou da treinadora que pegou uns papeis que estava, em cima do armário perto dela. — Distribua isso. É a autorização para que faltem as próximas aulas até 11h. Uma hora é mais do que suficiente para descansarem. TODOS PARA FORA. — O apito de arrebentar nossos ouvidos soou e corremos para o campo. O dia ia ser puxado.

xXx

— Muito bem. Aqui está a lista dos aprovados. — Todos os jogadores e calouros estavam amontoados ao redor da treinadora. Mortos de cansaço.

Do outro lado da roda tinha um cara loiro que eu nunca tinha visto até hoje. Tinha certeza que lembraria de ter visto alguém com uma boca tão grande. Puck treinou com ele, era bom, muito bom. Jogou como Quarterback do time dele e por pouco não me derrotou. Depois do comentário da treinadora hoje de manhã, eu tinha um mal pressentimento.

— Charles Abraham, Running Back reserva. Cola no Chang e vê se aprende alguma coisa. Joseph Rock, Tight End. Backwood, você perdeu seu posto para um calouro magrela, parabéns. Michael Swert e Bart Jones, Offensive Tackles reservas, precisam trabalhar muito para serem titulares. Finalmente, Samuel Evans, Quarterback, Hudson, reserva. O resto de vocês palermas são uma droga. Esqueçam futebol e sumam da minha frente.

Os calouros rejeitados e Backwood sairam do campo revoltados.

Eu não estava muito diferente. Eu era o Quarterback. Eu. Lutei muito para conseguir a vaga e esse novato conseguiu sem fazer nenhum esforço. Mas tudo bem, eu vou ter minha vaga de volta. Vou provar para a treinadora que eu era tão bom quanto sabia que era.

— Evans, espere. — Me aproximei do bocudo. — Eu quero te parabenizar. — Cara, como eu sou falso.

— Eu sinto muito por tomar o seu lugar, cara. Eu só queria ser um reserva. — Samuel Evans parecia realmente sincero. Isso acabou com meu plano te virar amigo dele para acabar com ele depois. Gostava de pessoas sinceras, era por isso que estava com a Rachel.

— Está tranquilo, eu não estava tendo muito tempo para o time mesmo, por causa do coral.

— Coral? Tem um aqui? — Os olhos da cara começar a brilhar. É sério, brilharam mesmo.

— É… Eu sou o capitão de lá. — Foi então que lembrei do que o Mr. Schue disse. — Você canta, ou dança, ou toca, ou qualquer coisa. — Perguntei esperançoso

— Eu sei tocar violão e me arrisco a cantar um pouco sim. Modéstia à parte, eu danço muito bem.

— Que demais. O Mike ali é nosso melhor dançarino e acho que o Puck vai gostar de ter um parceiro nas cordas. Meu professor vai amar você, me procura depois do final do ultimo tempo. Vou te levar lá. — Eu já podia imaginar a cara do pessoal quando me visse com Evans. O único que conseguiu alguém para o coral. Eles vão me amar mais ainda. E Rachel provavelmente me deixar avançar a segunda base, quem sabe a terceira também...

Eu sou foda demais.

— É claro, cara. Pode deixar comigo. Te vejo mais tarde. — Samuel deu batidas leves no meu peito e saiu correndo.

O infeliz era muito rápido, daria um bom Quarterback, mas ainda teria minha vaga de volta. Só não trapaceando.

Merda!

Notas finais
Gente, eu deixei dessa vez a marcação que eu faço dos dias e datas que uso para a fic (já que existe uma contagem de tempo explícita), vocês preferem assim, detalhado, ou como estava nos outros, só a contagem?