Notas iniciais
Oi gente, que saudade de vocês. Sinto muito por ter sumido, mas eu passei os dias fora e quando voltei estava sem internet. Só hoje pude terminar o capítulo e decide postá-lo logo. Espero que gostem.

— 172 DIAS — 19/9/11, segunda-feira

— Sabe, Quinn, eu estava pensando, você não tem saído muito ultimamente e eu também não, o que acha de irmos ao shopping hoje, depois da escola? — Mamãe me perguntou no café da manhã. Desde que voltei para casa, ela sempre dava um jeito de passar um tempo comigo, não da forma como fazíamos antes como jantares obrigatoriamente as 19h quando Russell chegava do escritório, ou festas de exibição da perfeita família americana. Semana passada havíamos feito uma pequena sessão de comédias com direito a pipoca caramelada e algodão doce — segundo mamãe, ela aprendeu a fazer com minha bisavó que vendia-os na pracinha para ajudar meu bisavó a criar os filhos.

— Parece bom. Quem sabe podemos comprar algumas roupas novas. — Judy já tinha vendido boa parte de todas as suas roupas de grife, e algumas minhas também, sem o bom salário de Russell era impossível manter o padrão de vida que tínhamos antes, a casa só não foi vendida porque tinha sido um presente dos meus avós, mas praticamente todas as regalias foram cortadas.

— Veremos, coma depressa não quero que se atrase. Até mais tarde. — Ela saiu correndo para trabalhar enquanto eu terminava o café.

Sua mão tem se esforçado muito para recuperar o tempo perdido.

— DEUS DO CÉU, LEVY. Por acaso no seu contrato como anjo tem uma cláusula que diz que você deve matar seus protegidos com um ataque cardíaco, porque desse jeito vai acabar conseguindo. — O bendito anjo apareceu de repente sentado ao meu lado, no lugar que antes era ocupado por minha mãe.

Perdoe-me, criança. Não era meu intuito assustá-la.

Disse o cara com um sorriso tão sacana quanto os do demônio latino.

— Sim, acredito.

Partindo do princípio que já faz quase uma quinzena que falei-te sobre o planos do Senhor para ti, conte-me, Lucy, qual é o seu plano?

Suspirei algo soltando a xícara de café.

A verdade é que eu ainda não entendia bem minha situação, não sabia ao certo o que fazer para contornar a bagunça que minha vida se tornou. Inconscientemente, tracei um caminho, é claro: Conseguir perdão, como Levy havia aconselhado. O problema é que não sei como fazer com que todos que machuquei me perdoassem. Minha mãe estava sendo a mãe que a muitos anos pensei ter perdido, e a perdoei por tudo o que aconteceu conosco. Finn disse que estava tudo bem, mas não sei até que ponto ele deixou de sentir mágoa pelo que fiz. Noah deixou bem claro que eu teria um longo caminho a percorrer com ele. Os populares que eu costumava intimidar parecem felizes em me dar o troco. O Glee Club, aliviado por não ter que prender o fôlego para que eu não os notasse e assim os arrasasse. E Rachel…

— Honestamente, eu não sei. Sinto como se meu esforços até agora não renderam em nada. Eu sei que não foram muitos, mas ainda assim…

Você precisa se concentrar, Lucy. Fazer as coisas apenas esperando a absolvição divina é o mesmo que agir como os falsos profetas que espalham a ‘sabedoria superior’, porém não as acreditam ou praticam.

— É, talvez eu deva tentar menos e… Não sei sentir mais.

Levy abriu um sorriso com isso.

Parece-me uma boa ideia.

xXx

— Hey, Quinn, o que vai fazer depois da aula? — Santana me perguntou em meio a uma aula tediante de inglês. Metade da sala dormia enquanto o professor, cujo nome eu nunca lembrava, escrevia sobre estruturas da frases no quadro. De novo.

— Vou ao shopping com minha mãe. Por que?

— Oh, Brittany e eu vamos fazer uma sessão de cinema na casa dela. Achei que podíamos fazer como uma festinha do pijama, como antigamente.

— Antigamente vocês eram tímidas e me respeitavam a ponto de que eu não tivesse que presenciar cenas de quase-sexo. — Engoli um xingamento quando senti o tapa na parte de trás da minha cabeça. Odiava quando ela sentava atrás de mim, fazia Santana achar que podia me bater a vontade. — Para com isso! Vão vocês, outro dia saímos.

— Você é muito chata, Juno. Desde o ano passado você aceita nenhum dos programas que eu arrumo para você.

— Sinto muito se fiquei traumatizada depois que a equipe do Dezesseis Anos e Grávida apareceu na porta da casa do Finn dizendo que tinham aprovado o meu pedido de participar do show. — Nunca vou esquecer a vergonha que eu passei quando Carole pediu que eu explicasse o que uma equipe de TV estava fazendo na casa dela naquela manhã.

— Você deveria me agradecer por ter te proporcionado essa oportunidade única na vida. Se não tivesse sido tão burra e expulsado eles de lá estaria famosa agora e centenas de gordos depressivos alienados pelo sistema de entreterimento televisivo teriam te dado dinheiro suficiente para comprar a cidade quando você contasse como foi expulsa de casa e deixada sem absolutamente nada e falasse que estava trabalhando no McDonalds. — Era incrível a capacidade dessa garota de se fazer de vítima em todas as confusões que aprontava. O mais inacreditável é que a vadia era tão boa mentirosa que era capaz de fazer qualquer um implorar seu perdão de joelhos por ter apanhado dela.

— Eu não trabalhei no McDonalds, Santana. Era um café. E para sua informação, era um bom local de trabalho.

— Que seja.

— Ótimo.

— Ótimo.

— Se as senhoritas já acabaram eu gostaria de continuar minha aula. — O professor falou ao nosso lado me fazendo corar um pouco quando notei que — surpreendentemente — a turma toda olhava para nos contendo as risadas.

Afundei na cadeira enquanto a vergonha e a raiva me consumiam.

Eu odeio a Santana!

— Eu te odeio! — Sussurrei sabendo que ela ainda estaria inclinada perto de mim.

— Me chupa, Fabray.

— Que educada.

— Como se você não sonhasse em entrar por de baixo das minhas saias desde que percebeu o quanto sou gostosa 3 anos atrás.

Eca!

— Que horror! Muito obrigada por me oferecer uma semana de pesadelos.

— De nada. Depois me conte sobre seus orgasmos noturnos sonhando comigo.

Acho que vou vomitar.

xXx

Eu estava em frente ao meu armário, guardando as ultimas coisas e me preparando para ir para casa — incrivelmente como a mesma roupa em que comecei o dia, nenhum ataque de raspadinha hoje -, quando o que eu temia aconteceu.

Um pigarro e uma mão cutucando meu ombro me fizeram virar e perceber uma tímida e nervosa Rachel Berry parada atrás de mim.

— Eu gostaria de conversar. — Sua voz soou era firme apesar de tudo.

Algo na forma como ela me olhava me impediu de dar uma resposta diferente.

— Okey.

xXxCONTINUAxXx

Notas finais
ask.fm/ApenasFlores