Reasons to be Missed
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sentia algo diferente hoje. Mais do que de costume.
Mas... Tudo parecia tão igual.
Quero dizer, dirigia o meu amado new beatle até a escola para o primeiro dia de aula no McKinley High School. Pelo mesmo caminho que usava todos os dias.
Mais uma vez.
O mesmo carro. A mesma rádio, ligada no mesmo volume baixo, apenas para criar um som ambiente. As mesmas ruas. O mesmo cenário, com as mesmas pessoas fazendo as mesmas coisas de todas as manhãs.
Tudo a minha volta era exatamente o mesmo que sempre foi. Lima é uma cidade pequena da quase completamente ignorada Ohio, logo, não acontecem muitas mudanças por aqui.
Mas parecia diferente hoje.
Por alguma razão, parecia ter um pequena voz distante, bem no fundo da minha cabeça, que dizia que hoje não seria um dia como todos os outros.
A percepção quase certa de que algo importante e desconhecido aconteceria era muito estranha. E ligeiramente assustadora.
A primeira coisa diferente que notei:
As pessoas na rua não olhavam para mim quando o meu carro passava. Sempre olharam antes. Era natural, as pessoas ouviam um barulho e olhavam na direção para identificar a origem do som. Depois de avaliar se havia algum perigo, retomavam suas atividades. Era instintivo.
Ninguém olhou na minha direção durante todo o caminho.
xXx
O estacionamento do McKinley High estava lotado quando cheguei. Tive que estacionar do outro lado da escola, próximo ao campo de futebol. A parte boa é que poderia atravessar o campo, cujo portão era precariamente protegido por um cadeado ruim que abria com uma batida, e entrar pelos vestiários.
Apesar de ter sido expulsa das Cheerios, quando Sue descobriu da minha gravidez no ano anterior, eu mantive a minha chave reserva caso precisasse um dia.
O vestiário estava completamente vazio e limpo.
O treino obrigatório do primeiro dia de aula, provavelmente, foi cancelado.
Sue deve ter ficado com medo de que caísse um temporal enquanto a equipe estivesse no campo. Ela não arriscaria deixar todas doentes. A treinadora podia ser louca, mas não era burra.
A ultima semana foi muito estranha. Completamente fora dos padrões da cidade.
Frio demais para o Outono. As manhãs de Setembro, que deveriam estar ensolaradas e com uma brisa agradável, estavam cinzentas. E a noite, uma fina neblina cobria a cidade. Como um cenário de filme onde um assassinato está prestes a acontecer. Mesmo que o ato mais violento que poderia acontecer em Lima fosse os pequenos furtos cometido por adolescentes bêbados ou ‘rebeldes sem causa’.
Muito diferente da acolhedora e aquecida Lima em que cresci.
Na noite passada havia tantas nuvens negras no céu que o dia ficou escuro, e durante a noite os trovões devem ter mantido meia cidade acordada.
Fui bombardeada com o barulho comum e reconfortante dos corredores do McKinley assim que sai do vestiário. Eles estavam lotados de corpos quentes andando de um lado para outro fazendo inúmeras atividades.
Finalmente algo familiar e bom.
Não tinha certeza de como meu terceiro ano seria, afinal, o segundo ano não terminou exatamente bem para mim naquela escola. Gravidez na adolescência não costuma ficar fora do quadro de piadas tão rapidamente.
Esse ano tinha que ser melhor. Muito melhor.
Atravessei vários corredores — todos cheios — até encontrar o certo, onde estava o meu armário.
A porta — que tinha uma ligeira depressão no canto direito e sempre emperrava um pouco quando abria — fez um barulho um pouco alto quando a puxei com força. Eu olhei em volta, mas ninguém pareceu notar o som.
Ninguém.
Como no caminho para cá.
Isso está ficando muito esquisito.
Avistei Santana e Brittany — com calças e casacos grossos no lugar do uniforme vermelho e branco das Cheerios, o que confirmava minha teoria sobre o treino — conversando alguns metros à frente. Perto de uma sala qualquer. Guardei minha bolsa e meu casaco grosso de lã no armário — a calça jeans o cardigã me manteriam aquecida o bastante dentro da escola -, puxei o livro de Biologia para a primeira aula e o fichário antes de trancar o armário e caminhar na direção delas.
As meninas e eu não conversamos muito durante as férias. Brittany viajou com a família para algum lugar fora de Ohio, onde seus avós moravam, e Santana foi junto — grande novidade...
Caminhando até elas, notei a segunda diferença do dia:
Alguns jogadores do Titãs, time de futebol do McKinley, passaram correndo e esbarram em mim com força, no susto, acabei derrubando tudo que segurava.
— Idiotas. — Eu grunhi na direção. Eles sequer prestaram atenção, seguiram em frente como se não tivessem me escutado.
Alias, andavam como se não tivessem batido em nada. Jogadores são como cachorros, se algo bate neles quando estão distraídos eles latem, rosnam como se dissessem ‘me toque de novo e machuco você’.
Eles não latiram. Era como se tivesse acontecido nada.
Deixei os pensamentos confusos de lado e juntei minhas coisas antes que alguém chutasse para longe.
— Santana! — Chamei quando as vi andando para longe. Na direção contrária a mim.
Não me escutaram.
— Santana! — Eu gritei dessa vez, levantando um dos braços, acenando.
Foi quando tomei consciência do terceiro fato estranho.
O mais bizarro deles.
Meu coração pareceu parar enquanto um frio glacial atravessou minha espinha de cima a baixo e um peso esquisito se formou no meu estomago.
As pontas dos meus dedos...
Estavam translúcidas.
xXxCONTINUAxXx
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