Reason
5 Uma maldita gripe.
Notas iniciais
O dia amanheceu tranquilo para Luiza que sem demora se arrumou , organizando uma muda de roupa na mochila e os livros necessários para aquele dia e foi para o seu trabalho. Chegando na casa na qual trabalhava, a moça notou que estava atrasada e praguejou mentalmente por morar tão longe. Após tocar a campainha umas três vezes, seu patrão veio atendê-la com o nariz corizando e inchado, olhos vermelhos e voz fanha.
—Oi, Luiza, Bom dia! Pode entrar, o Joaquim ainda não acordou. –falou dando ênfase ao pronunciar as letras P e B.
—Bom dia! Você gripou? –perguntou entrando na casa, colocando sua mochila em cima do sofá e sentando no mesmo.
—Acho que sim, mas estou bem, já me enchi de remédios. Não posso faltar ao trabalho hoje. –falou rapidamente enquanto caminhava para cozinha afim de terminar o seu suco.
—Entendo, então não tome nada gelado e tente ficar em temperaturas ambientes. –falou seguindo-o.
—Tudo bem. Preciso que você prepare algo bem forte para o Joaquim almoçar, pois não quero que ele adoeça e o seu almoço eu trago quando voltar pra cá. –disse amigavelmente, sorrindo levemente enquanto enxugava o nariz.
—Okay, não se preocupe. Farei uma papinha de verduras e suco de laranja. –disse sorrindo em resposta.
—Muito obrigada por estar cuidando tão bem do meu tesouro, ele é tudo o que eu tenho. –sua voz soou pesarosa, porém firme. Mas Luiza pôde sentir o quanto o Joaquim realmente importava para o pai.
—É o meu trabalho, Sr. Marcelo, só estou cumprindo com minhas obrigações. –falou enquanto bebia um pouco de água natural.
—Obrigada ainda assim. Bom, eu já vou se não acabo me atrasando, você já tem o meu celular, qualquer coisa pode me ligar, ou também pode ligar para a mamãe, entretanto o meu pai ainda está doente, daí ela não poderá vir até aqui, mas se algo acontecer me ligue que eu venho no mesmo instante. –colocando o terno e a bolsa que usava de lado, Marcelo se dirigiu até a porta e saiu desejando um bom dia para Luiza que sorriu voluntariamente.
Luiza organizou o pouco de coisas que tinha por ali e foi até o quarto do Marcelo, onde Joaquim dormia tranquilamente. Ele era uma criança encantadora, e Luiza já se sentia completamente apegada ao menino o que poderia ser um problema, pois a qualquer momento seu patrão poderia demiti-la, mas ela simplesmente ignorava esse pensamento e deixara-se levar pelo o amor que crescia em seu peito por aquele ser tão pequenininho.
Enquanto a moça estava sentada ao lado de Joaquim na cama, ela observava uma foto de cabeceira onde Marcelo beijava a barriga grande de Verônica e ela sorria olhando a cena. Ele pareciam ser um casal perfeito, daqueles que só vemos em filmes ou novelas... Joaquim mexeu as pálpebras e virou para o lado de Luiza, quando abriu os olhos ele sorriu largo e balbuciou um “Gagal”, ela sorriu maravilhada com o jeitinho contente do pequeno e buscou o mingal que já estava pronto para lhe dar.
A manhã passou tranquilamente, Luiza já estava dando a papinha de Joaquim quando Marcelo chegou por volta das 12:30. Ele entrou tirando o terno e a bolsa rapidamente, se dirigiu para a cozinha e colocou o almoço de Luiza em cima da mesa, ela notou que ele havia piorado de forma bem rápida. Ele sentou na mesa e deitou a cabeça entre as mãos, em sinal de puro cansaço.
—O que houve? Está pior? –perguntou a moça olhando para o homem esgotado a sua frente.
—Sim, minha garganta, cabeça e corpo doem. Eu não sei como pude ficar assim tão rápido... –falou levantando os olhos que já estavam marejados por causa da gripe.
—Você deveria estar com a imunidade baixa. Tem se alimentado corretamente? –a moça parecia preocupada, Marcelo estava realmente exausto.
—Mais ou menos... Bom, eu trouxe almoço para nós dois. Espero que goste de bife e batata frita... –sorriu levantando-se com um pouco de dificuldade.
—Não, pode deixar que eu sirvo. Sente-se, por favor; eu já terminei com esse mocinho aqui! –falou limpando os lábios sujos de Joaquim.
—Então eu agradeço, estou parecendo um molenga, mas essa gripe está me matando. Se não se incomoda, vou tirar um cochilo rápido aqui no sofá mesmo. Quando você terminar de esquentar tudo, me chame, por favor. –pediu caminhando para a sala desensacando a camisa de botão.
—Tudo bem. –disse Luiza apenas.
A moça colocou a comida para esquentar e tirou Joaquim da cadeirinha, ele estava um pouco energético naquele momento e ela sabia que rapidamente aquela energia toda iria passar dando lugar a um longo cochilo da tarde. Colocando o pequeno no quadrado que estava na sala de estar onde Marcelo se encontrava completamente jogado no sofá, a moça observou o homem a sua frente e sorriu com sua beleza natural. Seu peito subia e descia devagar, os lábios estavam entreabertos e os cílios espessos mantendo os olhos fechados. Por um impulso estranho, ela se aproximou o tocou os cabelos castanho claros suavemente, entretanto, ao tocá-los sentiu que a temperatura dele estava elevada. Então, sem pensar muito ela desceu a mão até a testa de Marcelo e percebeu que ele estava queimando em febre. Quando ele sentiu seu toque abriu olhos em resposta, e olhou para moça que estava com o rosto preocupado e assustado ao mesmo tempo por ter sido surpreendida daquela forma.
—Aconteceu alguma coisa? –perguntou Marcelo com a voz rouca e mesmo com toda a gripe Luiza não pôde deixar de sentir sua pele se arrepiar, era uma beleza única.
—Sim. Na verdade, está acontecendo. Você está queimando em febre, creio que não seja uma boa ideia voltar para o trabalho. –disse gentilmente sentando ao seu lado, pois o mesmo já havia se endireitado no sofá dando espaço para que ela sentasse.
—Não, não. Eu preciso voltar, vou tomar mais remédios e ela irá ceder. Você já esquentou o almoço? –perguntou mudando de assunto rapidamente ,pois estava fora de cogitação não voltar para a editora naquela tarde.
—sim, vamos para mesa. –falou ao se levantar rapidamente, sabendo que precisaria lhe convencer a ficar, pois se assim ele não fizesse, poderia piorar e prolongar o final da gripe.
Marcelo e Luiza almoçaram tranquilamente enquanto Joaquim já havia caído no sono. Quando terminaram, Luiza pediu para que ele tomasse o antitérmico e fosse deitar um pouco e quando estivesse na hora de voltar ao trabalho ela o acordaria. Relutante, ele aceitou a sugestão da moça e foi para o quarto. Apagou tudo e deitou, como sabia que Luiza provavelmente iria entrar no quarto ele não tirou a camisa, limitou-se a apenas tirar os sapatos.
Após vinte minutos, Luiza foi até o quarto do patrão e notou que ele havia fechado as cortinas e tudo o mais. O quarto estava um completo breu, então ela abriu a porta e procurou pelo abajur que ficava ao lado esquerdo da cama. Ascendendo-o ela sentou ao lado do homem que aparentemente dormia profundamente. Tocou em sua testa e notou que a febre permanecia, sem demora ela decidiu que não o acordaria. Ao sair do quarto, apagou o abajur e fechou a porta, quando chegou na sala ligou para Lavinha que atendeu no segundo toque.
—Oi querida, aconteceu alguma coisa? –perguntou a mulher assim que ouviu a voz da moça ao telefone.
—Sim, é o Sr. Marcelo. Ele está muito gripado e com febre, porém quer voltar ao trabalho, mas creio que essa não seja uma boa ideia, então não vou acordá-lo, mas estou com medo que ele fique chateado comigo por causa disso... –disse apreensiva.
—Meu bem, por favor não se refira a ele como senhor. Ele não é tão velho assim, e não se preocupe quanto a reação dele, diga que fui eu quem mandou ele ficar em casa, e que qualquer coisa ele deveria me ligar para resolver. –falou firmemente.
—Tudo bem. Falarei isso pra ele. Qualquer coisa ligo para você. –rapidamente a moça lembrou-se do que Lavinha havia dito e se referiu a ela como “você”.
—Certo. Meu bem, muito obrigada por isso, viu!? Você tem sido um verdadeiro anjo em nossas vidas. –falou gentilmente.
—Não é nada Lavinha, assim que ele melhorar eu te ligo. –respondeu rapidamente.
—E se não melhorar também, por favor. –pediu a mulher do outro lado da linha.
—Okay, boa tarde e até mais. –falou desligando a ligação.
Luiza aproveitou enquanto Joaquim cochilava e foi até a cozinha, afim de arrumá-la. Após deixar tudo brilhando, a loira foi até onde estava o quadrado do pequeno e verificou se ele continuava dormindo o que para sua surpresa teve uma resposta positiva. Joaquim acordou por volta das 14:40, despertando a própria Luiza de um breve cochilo que tirou sentada no sofá. A moça pegou o bebê que começou a brincar com seus cabelos e o levou até a cozinha para lhe dar o suco que havia preparado. Logo após, ela subiu até o quarto de Marcelo com o menino nos braços torcendo para que ele não fizesse nenhum barulho.
—Papaiiii! Papaaaiiii! –falou um pouco alto demais quando Luiza ascendeu o abajur, despertando o pai, que abriu os olhos assustado olhando para o relógio de cabeceira.
—O que houve? Porque você não me acordou? –perguntou rapidamente olhando para Luiza que estava em pé a sua frente.
—Sua mãe mandou você ficar em casa e me proibiu de lhe acordar. Desculpe, mas você precisa descansar. Nem sei se sua febre abaixou... –falou se aproximando, encostando a mão livre na testa do homem que a essa altura já estava sentado na beirada da cama.
—Você ligou pra ela? –perguntou olhando a moça nos olhos.
—Eu precisei ligar, porque você parecia irredutível e com toda certeza ficaria chateado se eu não lhe acordasse, sem falar que ela pediu para eu ligar caso algo acontecesse e de fato está acontecendo, você está muito gripado, Marcelo, e precisa ficar em casa hoje. –disse sentando ao lado dele na cama, entretanto manteve uma boa distância, pois além de não querer que o Joaquim fosse contaminado ela se sentia um pouco desconfortável ao se aproximar dele, e o motivo desse desconforto ela ainda estava tentando descobrir.
—Sei... Mas, Luiza, você não poderia ter feito isso, minha mãe é meio paranoica com relação a saúde, agora ela não vai parar de ligar. Espera, você me chamou de Marcelo, apenas? –perguntou notando que a moça ficou um pouco vermelha ao ouvir suas palavras.
—Sim, quer dizer, me desculpe. Sua mãe falou que você não era tão velho e portanto, não precisava me dirigir a você com tanta formalidade. Mas, como sou a babá apenas, acho que é melhor voltarmos a formalidade, não é mesmo!? –falou um pouco rápido demais temendo que ele tivesse uma má impressão dela, pois seus antigos patrões prezavam a formalidade e odiavam quando ela esquecia os pronomes formais.
—Ei, eiii, calma! Não há problema algum, pode se referir a mim somente por meu nome mesmo. Bom, eu estou atrasado, preciso ir. –falou levantando-se e sentando-se novamente na cama por causa da tontura que lhe acometeu de repente.
—Você não vai trabalhar hoje, lembra? Foi sua mãe quem mandou, Marcelo. Por favor, seja obediente e descanse. –disse sorrindo de lado notando que havia sido um pouco autoritária demais com seu patrão.
—Eu sei que ela mandou, mas ainda tenho minhas responsabilidades. –disse apenas colocando a mão na cabeça.
—Olha, sua responsabilidade maior está aqui em meus braços, e se você não melhorar como é que ele vai ficar? Pense no Joaquim. Por favor, fique em casa essa tarde, okay? –perguntou olhando nos olhos marejados por causa da gripe de Marcelo que a olhou, mas logo em seguida sorriu para Joaquim e descansou o olhar na foto de cabeceira que ali havia. _ Vou pegar um pouco de água e suco para você. Só um momento. –pediu saindo do quarto.
—Luiza? –chamou-a notando que ela estava saindo do quarto.
—Oi. –disse olhando para trás.
—Quero dar um cheiro no meu pequeno, mas não posso agora, então faça isso por mim, e muito obrigada por tudo. Você não precisava fazer tudo isso, não faz parte do seu trabalho. –disse sorrindo meio sonolento novamente.
—Mas faz parte de minha humanidade, e pode ter certeza que já dei muitos cheiros nesse gostosinho aqui. –disse beijando o rosto de Joaquim que gargalhou em resposta.
Luiza desceu as escadas notando pelo pouco que conhecia que seu patrão estava meio estranho naquela tarde, ele não se chateou com ela nem nada, ou talvez, pensou ela, ele fosse diferente dos outros patrões, talvez ele não fosse tão rígido e rabugento. A moça sorriu com esse pensamento, pois após a morte da esposa era exatamente essa atitude que ela esperaria de qualquer homem, mas Marcelo estava se mostrando diferente.
Depois que deu o suco a Marcelo e o anti-térmico, ela saiu do quarto e fechou a porta atrás de si. Estava na sala brincando com Joaquim enquanto o menino fazia rabiscos em alguns papeis, ela estava completamente entretida na atividade e não percebera o quanto a hora já havia avançado. Quando olhou no seu relógio de pulso tomou um susto por constatar que já passava das 17:15. Porém, ela decidiu que não iria à faculdade naquele dia, não tinha como deixar Joaquim sozinho com Marcelo, enquanto ele se encontrava naquele estado.
Após jantar um pouco de sopa que havia preparado e feito Joaquim tomar um pouco, ela subiu as escadas com um pouco de dificuldade, fazendo o pequeno menino ficar um pouco desconfortável em um de seus braços, enquanto na outra mão ela segurava o prato com a sopa.
—Hora de levantar um pouco. Fiz sopa para você, espero que esteja melhor. –falou surpreendendo Marcelo que já havia acordado, notando que sua cabeça não estava doendo como antes e estava com a camisa encharcada de suor, sinalizando que a febre havia cedido.
—Muito obrigada! Pensei que você não cozinhasse... –disse sentando-se para pegar o prato aliviando a moça que colocou o Joaquim no outro braço.
—Porque você achou isso? –a voz da moça soou risonha olhando diretamente para Marcelo.
—Seilá, você é tão nova... –disse sem olhá-la nos olhos.
—Ei, que preconceito é esse? Tenho 22 anos, não sou tão nova assim.. e outra, eu divido apartamento com a Jú, portanto alguém precisa cozinhar. –disse olhando para Joaquim que corria pelo quarto quase tropeçando no tapete após colocá-lo no chão.
—Certo. Então devo lhe elogiar, porque mesmo não sentindo o gosto de muita coisa posso dizer que isso aqui está maravilhoso. –sorriu, agora dirigindo o olhar até a moça que respondeu da mesma forma.
—Obrigada, mas acho que a gripe afetou o seu paladar demasiadamente. –disse apenas desviando o olhar para pegar Joaquim novamente no colo. _Bom, tome tudo, vou dar um banho no Joaquim para prepara-lo, daqui a pouco estará na hora de colocá-lo para dormir.
—Que hora é? Você não tem aula hoje? –perguntou um pouco confuso notando que já passava das 19:00Hrs.
—Tenho, mas não posso deixar vocês aqui assim. Não se preocupe, está tudo bem. –falou rapidamente olhando para Marcelo que ficou surpreso com sua resposta.
—Não, Luiza, pode ir, por favor. Eu posso me virar por aqui, já estou melhor. –disse olhando para a moça sinceramente.
—Não, não. De verdade, eu prefiro ficar e me assegurar que está tudo bem. –Luiza estava sendo sincera, ela não ficaria tranquila se fosse embora.
—Bom, então já que é assim, você pode dormir no quarto do Joaquim com ele, eu pago seu adicional noturno e tudo o que você tem direito. Não faz sentido você ir embora agora e voltar amanhã tão cedo. –concluiu olhando-a nos olhos.
—Obrigada, mesmo que eu saísse daqui agora só chegaria em casa por volta das 21:00Hrs. –falou sorrindo de forma meiga, despertando algo muito estranho dentro de Marcelo que voltou seu olhar rapidamente para o prato de sopa em seu colo.
—Então está decidido, e se precisar, pode dormir a noite que quiser. Não haverá problema algum com relação ao seu pagamento. –falou sem olhá-la tentando entender o que de fato estava acontecendo.
—Obrigada de coração, agora eu vou preparar o banho do Joaquim, se não daqui a pouco ele vai começar a reclamar. –falou brincando com o nariz do pequeno que fez o mesmo com o dela.
—Ok. Pode ir. –falou, observando a moça sair do quarto com seu filho no colo.
Quando Luiza fechou a porta, Marcelo terminou sua sopa e levantou-se para tomar um banho, enquanto a água percorria o seu corpo ele se pôs a pensar no que havia sentido ao ver o sorriso meigo estampado no rosto da bela jovem. Percebendo que se tratara de uma admiração para além do normal. Rapidamente ele balbuciou um “ Me perdoe, Veronica, eu amo você e sinto tanto a sua falta.”
Luiza arrumou Joaquim e o colocou para dormir, saindo do quarto quando já passara das 20:00Hrs. Ela foi até a sala, e pegou sua mochila, voltando para o quarto do pequeno notou que não tinha nenhum shorts para vestir. E então pensou no que poderia fazer, ela procurou inutilmente no guarda-roupas do pequeno algo que lhe servisse, mas obviamente nada achou. Temerosa e constrangida, ela caminhou para o quarto de Marcelo e bateu antes de entrar, sabendo que ele já estava melhor e não dormia mais.
—Entre, Luiza! –disse rapidamente assim que ouviu as batidas.
—Oi, o Joaquim já está dormindo e logo vou dormir também, mas antes preciso tomar um banho, só que... –ela parou a frase pois estava envergonhada com aquela situação, ela mal começou a trabalhar ali e já estava pedindo ao seu patrão um pijama para dormir, aquilo era simplesmente inadmissível.
—Só que...? –perguntou olhando-a nos olhos desviando seu olhar da papelada que estava em suas mãos. Tudo se tornou ainda mais difícil de ser pronunciado, pois quando Luiza encontrou o olhar de Marcelo, percebeu que ele ficava ainda mais bonito com os óculos de grau, mesmo com o rosto inchado e um pouco vermelho por causa da gripe.
—É... Bom... okay, calma. Eu preciso de um pijama, ou ao menos uma samba canção, algo que dê para vestir e dormir. –falou ficando vermelha como um pimentão, notando a besteira e o sorriso que havia brotado no rosto de Marcelo ao ouvir o “Samba canção”.
—Certo, só isso? Não precisa ficar envergonhada. –falou, levantando e caminhando em direção ao seu closet. _Eu não tenho mais nenhuma peça feminina por aqui, tudo o que era da minha esposa eu doei, porém acho que isso aqui deve servir. –falou entregando a tal samba canção para a moça.
—Sim, claro. Muito obrigada, estou muito cansada para dormir de calça Jeans. –falou ainda vermelha pegando a peça das mãos de Marcelo.
—Tudo bem, é muito confortável. –falou sorrindo de lado.
—Eu sei. –disse, apenas, se repreendendo novamente por ter a língua solta daquele jeito.
—Sabe? –perguntou rapidamente achando graça.
—É, eu... enfim, boa noite, Marcelo, e desculpe o incomodo, qualquer coisa pode me chamar, você está melhor, não está!? A febre baixou, e não deve voltar, mas se precisar estou no quarto ao lado, mas é claro que você sabe disso, afinal a casa é sua e é o quarto do seu filho... É... Boa noite! –disse saindo depressa do quarto do seu patrão praguejando baixinho.
Luiza não conseguia acreditar no quanto havia sido patética naquele momento. Ela já estava deitada no sofá cama do quarto de Joaquim, e não sabia onde enfiar a cabeça depois daquele episódio, tudo o que ela queria era ter um controle remoto daqueles como Adam Sandler tem no filme Clic para voltar no tempo e falar como uma pessoa normal. Mas era isso, ela sempre fora assim, o máximo que poderia fazer era esperar amanhecer o dia e se desculpar mais uma vez pelo o acorrido e tentar não olhar muito nos olhos do seu belo patrão.
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