Reaprendendo a amar
11 Capítulo 10.
— Olha só quem acordou! – Jorge exclamou entrando no quarto onde a filha estava.
Yasmin abriu o maior sorriso ao ver seus pais e seu irmão passando por aquela porta.
— Como você está, querida? – Liv perguntou indo ao seu lado. – Está sentindo muita dor?
Philipe parou de frente para a irmã e brincou:
— Você gosta de assustar a gente, né? Só pode, mocinha!
Yas riu com gosto.
— Não, mamãe, eu estou bem. Só não posso me mexer muito porque está bem dolorido ainda.
— É normal, querida – seu pai acariciou seus cabelos. – Você levou vários cortes. Aliás, minha princesinha é muito forte!
A filha observou seu pai. Tão preocupado, tão solícito, mas que passava uma calma que nunca encontraria em outra pessoa.
— Ah, papai... – ela se emocionou com o apelido. Fazia tempo que seu pai não a chamava daquele jeito.
— Sem chorôrô! – Liv exclamou e foi até a janela para abrir a cortina. – Quero todo mundo muito feliz, muito alegre! A minha filhinha está bem, o susto já passou, não quero vocês dois aí chorando! Philipe, faça alguma gracinha.
— Nossa, Liv, assim eu fico chateado! – Jorge comentou colocando a mão no coração de maneira dramática.
Todos riram.
Eles continuaram conversando animadamente até que a porta se abriu e uma menina um pouco assustada entrou.
— Com licença, pediram para eu entregar esta carta para a paciente – ela estendeu o envelope para Yasmin que o pegou desconfiada. – Melhoras.
— Obrigada – a loira mais nova respondeu.
Todos pararam para olhar para Yasmin. Ela abriu o envelope e começou a ler. Quando reconheceu a caligrafia seu coração parou. Não estava acreditando que era uma carta do Leo! Isso poderia mudar tudo... Ou era para dizer que já havia desistido e que não teria volta ou era para dizer que ainda estava disposto a ter um relacionamento sólido com ela, mesmo depois dela ter sido a maior idiota e não ter o ouvido, nem confiado.
— De quem que é? – Lipe perguntou se aproximando de Yasmin.
Ela não respondeu, apenas terminou de ler e seu coração se esquentou. Ele não tinha desistido, não ainda. Yasmin precisava conversar com ele! Ela precisava mais do que tudo!
— É do Leo.
Fez-se silêncio no quarto.
— Ele não vai se tocar de como está sendo inconveniente? – Jorge se levantou irritado.
— Pai... Eu descobri a verdade! O Leo não me traiu. A ex-namorada dele que tentou uma reaproximação, mas ele não me traiu. Em nenhum momento, pai. – Yasmin começou a contar o que Rachel dissera a ela. – Eu quero conversar com ele! Eu quero mais do que qualquer coisa.
O ruivo se virou de frente para ela e disse:
— Yasmin, você vai acreditar no que a menina que pulou no pescoço dele disse a você?
— Sim! – ela exclamou alto e as lágrimas começaram a rolar de seu rosto.
— Chega, Jorge! – Liv interviu. – Ela não pode se estressar! E eu estou do lado da minha filha, ela não é uma boba indefesa e incapaz de distinguir a verdade da mentira. – O ruivo arregalou os olhos surpreso com o tom de sua mulher. – A Yasmin tem sim o direito de conversar com ele! Imagina só se eu não acreditasse que Angelina estava fazendo tudo aquilo para nos separar? Imagina se eu acreditasse que você estava inventando tudo aquilo para ficar com ela? Jorge, presta atenção! Temos que dar um crédito a quem amamos.
Ele abaixou os olhos envergonhado e um pouco surpreso com a comparação que Liv fizera dele com Angelina e de Yasmin com Leonardo. Era verdade.
Yasmin ainda derramava lágrimas. Lipe foi ao lado dela e a abraçou.
— Eu conversei com ele, Yas. Eu não me controlei... Fiquei tão bravo que fui atrás do Leonardo e eu posso te garantir que comigo ele foi muito sincero. Eu falei um monte para o menino – Yasmin arregalou os olhos, surpresa com a revelação do irmão. – E ele foi muito paciente e me disse que nunca te traiu, nunca encostou um dedo na Rachel. Eu estou com você, Yas.
Jorge passou a mão por seus cabelos e andou de um lado para outro do quarto. Ele queria ver Leonardo bem longe da menina.
Porém, um flash passou por sua mente: Enquanto ele levava Yasmin para a maca mais próxima já no hospital, Leonardo passou feito um furacão por seus cuidados e logo começou manobras de ressuscitação. Jorge percebeu o queixo do moreno tremer e sua testa estar franzida de preocupação. O ruivo se lembrou também de como o menino não queria dar lugar à outros médicos. Um outro teve que empurrá-lo com força e uma mulher gritava em tom de bronca com ele. Leonardo, caído no chão, viu passando por seus olhos Yasmin rodeada de médicos e sem poder fazer nada, pois a conhecia. E médicos não podem tratar de pacientes conhecidos. Principalmente com um vínculo tão grande quanto o de Leonardo e Yasmin.
O ruivo se lembrou direitinho dessa cena e suspirou. Foi do outro lado da filha e disse com mansidão:
— Tudo bem, meu amor. Me desculpe... Apenas descanse, tá?
Yasmin assentiu e reprimiu um último soluço. Porém, em poucos minutos pegou no sono novamente. Jorge passou a mão pelo rosto e viu como seria doloroso para ele dali em diante. Parte dele ainda queria que Yasmin fosse uma garotinha, não queria que ela tivesse crescido e sido exposta ao mundo tão rapidamente.
Lívia percebeu a preocupação do marido e lhe deu um beijo na bochecha.
— Você é o super-herói dela, Jorge. Fique tranquilo.
Ele fechou os olhos desejando que isso nunca mudasse.
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— Com licença, senhor Weasley! – Leonardo correu ao seu alcance assim que o ruivo deixou o quarto de Yasmin. Ele se virou lentamente para o rapaz que não tardou em perguntar: – Posso falar com o senhor um instante?
Jorge já sabia do que se tratava, mas mesmo assim foi ao seu encontro.
— Sim. Fale.
Leo passou a mão por seus cabelos morenos e começou seu discurso:
— Eu sei o que o senhor pensa de mim... Na sua cabeça eu sou o cara babaca que faz sua filha sofrer. – O moreno suspirou. – Acredite, não é o que eu queria! Para começar tudo que aconteceu com minha ex-namorada foi um grande...
— Mal entendido – Jorge completou em tom de tédio. – Mude a estação, Leonardo.
Ele se assustou um pouco com a forma de Jorge de falar.
— Bom, e segundo... Eu fui à casa de Yasmin...
— E queria que ela o perdoasse mesmo sem ter feito nada – Jorge completou novamente no mesmo tom. – O que você quer me dizer?
— Na verdade, eu queria a permissão do senhor para conversar com ela... Não agora, não aqui. Mas, sei lá, quando ela estiver bem... E quando ela estiver já na casa dela... Senhor Weasley, eu não tenho a mínima intenção de machuca-la! Eu prometo.
O ruivo suspirou cansado e cedeu:
— Tudo bem. Apareça daqui quinze dias. Espero que seja verdade tudo isso que você disse.
Leo pensou que aquilo seria mais difícil, por isso sorriu e agradeceu o ruivo mil vezes que apenas acenou com a cabeça e lhe deu as costas.
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Quinze dias se passaram. Yasmin passara todos eles com seus pais e seu irmão. Na verdade, não fora escolha dela, ela preferia ficar em casa e ser independente, mas sua família sequer cogitou a possibilidade dela ficar sozinha nesse meio tempo. Ou seja, passou duas semanas na casa de seus pais sem dispensar todo amor, carinho e dedicação.
Aquele seria o primeiro dia de Yasmin de volta à sua casa. Sem nenhum ponto na sua barriga. Sem seus pais desesperados em agradá-la a cada segundo – o que a fazia rir na maioria das vezes. Seria como aprender a se virar sozinha novamente, pois seus pais a mimaram bastante durante os quinze dias de recuperação.
Yasmin estava terminando de pentear os cabelos molhados no quarto de hóspedes de seus pais quando Jorge entrou e se sentou na cama.
— Está tudo bem, papai? – ela perguntou se virando para ele com um sorriso.
— Claro, Yas. Nunca estive melhor! – ele respondeu sincero.
— Eu dei muito trabalho, não é? – riu-se.
— Sim! Desde o dia que sua mãe descobriu que seria uma menina meu coração vive à beira de um ataque.
A loira riu com gosto e se sentou ao lado de seu pai que a abraçou pelos ombros.
— Você sabe que eu já sou grandinha, mas que nunca vou me separar de meu papai bobão!
— Só quero que pare de ser tão boazinha. Você foi salvar a filha da Cho e a minha filha acabou se machucando feio... Não faça mais isso comigo – Jorge pediu com um sorriso no rosto.
— Desculpe – ela pediu envergonhada. – Eu não consegui pensar em mais nada além de que ninguém poderia machucar aquele serzinho tão inocente e indefeso, pai. Desculpe... E obrigada pela paciência e por cuidar de mim nesse tempo. Eu te amo muito! Acho que só um “obrigada” é muito pouco pelo que o senhor fez por mim.
— Yas, é minha obrigação cuidar de você! Enquanto eu viver, eu viverei pela minha família.
A loira se emocionou com as palavras de seu pai e o abraçou fortemente. E assim ficaram até Liv os chamar para almoçar antes de levar Yasmin para a casa dela.
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— Não faça esforço, moça! – Liv deu sua última recomendação antes de sair.
— Tudo bem, mamãe – ela respondeu.
Todos se despediram da garota dizendo que qualquer coisa que ela precisasse era só mandar um patrono corpóreo.
Assim que ficou sozinha – a primeira vez em quinze dias –, seus pensamentos foram diretamente para um moreno. Deitou-se no sofá de sua sala e sentiu saudades de estar lá. De estar lá com ele. Agora que Rachel contara tudo a ela seu mundo tinha mudado de cor. Yasmin não podia acreditar que tivesse sido tão injusta com Leo. Ela precisava falar com ele o mais rápido possível.
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Leo contara os dias.
E parecia que eles passavam mais devagar.
Quando Yasmin saiu do hospital seu coração ficou aliviado por um lado, mas aflito por ter que aguardar quinze dias, como Jorge o mandara fazer. Quinze dias que não passavam nunca.
Por isso, quando ele viu que no calendário já estaria liberado para conversar com ela, seu coração se encheu de alegria e logo mandou uma carta via coruja a ela.
Foi apenas pensar no moreno que algo bateu em sua janela. Era sua coruja! Como estava com saudades dela!
— Olá, Prince! Tem algo para mim? Porque eu tenho algo para você! – a coruja piou e entregou o pergaminho enrolado.
Yasmin deu um agrado para a coruja.
“Boa tarde, Yas.
Tudo bem?
Posso passar aí quando meu plantão acabar?
L.C.”
Era uma mensagem simples, mas direta.
“Claro!
Y. W.”
Yasmin recebera a ligação de seu diretor dizendo que desejava que tudo daqui para frente ficasse bem e que se ela pudesse, era para retornar à escola segunda-feira. Yasmin concordou e ficou feliz que ele não estivesse com raiva dela por ter que ficar quinze dias em casa.
Ela ia ler um livro, mas a sua campainha tocou. Ao olhar pelo olho mágico seu coração acelerou. Era Leo!
Yasmin abriu a porta e quando o olhar de ambos se encontrou um sorriso brotou nos dois.
— Tudo bem, Yasmin?
— Tudo e com você, Leo?
Ele sorriu em resposta.
— Tudo. Quer ajuda?
— Não! – ela sorriu. – Eu estou ótima, na verdade.
Os dois se sentaram no sofá da sala de estar de Yasmin. Então, Leo disse:
— Yas, eu queria que você confiasse em mim quando...
— Eu confio – ela o interrompeu. – Eu confio – ela suspirou e seus olhos se encheram de lágrimas. – Desculpe por ter te julgado, Leo. Desculpe por não ter acreditado em você. Foi tão difícil para mim... Eu só queria, eu só quero... – ela soluçou deixando algumas lágrimas caírem. – Desculpa, Leo. Você não é o idiota do Scott, você é diferente e eu deveria ter te deixado explicar.
O moreno se surpreendeu com o discurso da loira. Aproximou-se dela no sofá e pegou suas mãos. Olhou em seus olhos e disse:
— Eu que devo me desculpar por também não ter acreditado em você quando vim aqui e você estava com seu amigo. – Ela levantou o olhar ao ouvir isso. – Desculpe, Yas. Me perdoa... Na verdade, eu nem deveria ficar perto da minha ex-namorada. Não deveria ter ficado perto dela...
Então Yasmin começou a contar o que Rachel fizera enquanto estava no hospital. A cada palavra que ela dizia Leo ficava mais impressionado. O moreno sabia que a ruiva não era má pessoa. Ele a conhecia. Mas também não sabia dessa empatia de Rachel. Ela sacrificou as próprias vontades para fazê-los felizes. Ela sairia do hospital para não se encontrar mais com Leo e poder esquecê-lo...
— Uau! Eu não sabia disso! – Leo exclamou surpreso. – E o que você achou disso?
— Achei muito legal da parte dela – Yasmin foi sincera. – Acho que ela me fez abrir os olhos para o erro que estava cometendo. Sabe, Leo, eu fiquei traumatizada depois do Scott, achei que meu destino seria nunca encontrar um amor. A Rachel me fez ver que eu estava enganada.
O moreno sorriu para Yasmin e colocou uma mecha de seu cabelo loiro atrás da orelha.
— Eu quero que você conheça meus pais – Leo comentou surpreendendo Yasmin.
— Isso quer dizer que...
— Nós somos namorados, oficialmente! – Leo respondeu e fez cócegas em seu pescoço, Yasmin riu com gosto.
— Mas você não me perguntou nada...
— Yas... Você está sendo muito prepotente em não concordar com o que um bonitão fala!
A loira riu mais ainda.
— Quero pedidos! – ela cruzou os braços.
— Ai, tá bom! Fazer o que, né? – Leo riu e segurou suas mãos. – Quer namorar comigo, moça atrapalhada e bonita?
— Claro, moço atrapalhado e bonitão!
Leo riu com gosto.
Os dois se olharam e ficaram sérios. Então, Leo a beijou apaixonadamente. Ele não aguentava mais esperar por esse momento. Leo precisava dela. Ele precisava mais do que tudo. Tinha sentido saudades de seus beijos, das horas ao seu lado, de suas manias, de suas carícias. Yasmin era seu encaixe perfeito. Ele a envolveu em seus braços e aprofundou um beijo cheio de saudades.
Yasmin sentiu suas pernas derreterem com a atitude de Leo. Ele era diferente, seu toque era diferente, seus beijos eram diferentes. E eram diferentes porque havia paixão, ternura. Havia algo muito forte entre os dois. Desde que eles se trombaram um elo se formou e só aumentou conforme o tempo foi passando.
O moreno a pegou no colo e os dois foram para o quarto onde se entregaram naquela noite. Fizeram um o encaixe perfeito do outro. Um o escape do outro. Se tornaram um só. E nada poderia mudar aquilo. Nem se mil contratempos viessem, eles se lembrariam então de mil e um motivos de amarem um ao outro.
— Ô, minha linda, que saudades que eu estava – Leo disse a abraçando.
Yasmin colocou sua cabeça em seu peito e percebeu que seu coração continuava acelerado assim como o dela.
— Eu também, Leo. Eu também.
— Eu te amo!
Yasmin levantou a cabeça e o observou. Abriu seu lindo sorriso e respondeu de uma forma tão melódica e espontânea que o moreno nunca se esqueceria.
— Eu também te amo!
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— Hoje meu plantão acaba mais cedo, Yas – Leo comentou vestindo seu jaleco. – Eu posso ir te buscar lá na escola.
A loira sorriu.
— Claro! – ela vestiu seu avental de professora.
Leo deu um beijo na ponta de seu nariz.
— Não fique nervosa. É só mais um dia comum de trabalho.
A loira se remexeu desconfortável.
— Ou o louco do diretor vai me despedir por ter que ficar no hospital.
— Ele não pode fazer isso.
A loira riu.
— Eu sei, mas dá um frio na barriga.
Leo a enlaçou pela cintura e disse:
— Mande um beijo para aquela japonesinha que você tanto fala!
Yasmin assentiu.
Então saíram do apartamento de Yasmin, onde Leo tinha dormido, e cada um aparatou para um lugar diferente.
O coração da menina estava acelerado. Estava ansiosa para ver as crianças novamente. Para ver Marcelo e Anna Victória também. Mas o resto da equipe mal devia ter sentido sua falta. Não que isso fosse importante, mas ela gostaria de ser lembrada.
Quando deu a sua hora de almoço, pegou sua bolsa e já estava saindo pela porta da sala de aula quando Marcelo veio ao seu encontro e, sem perguntar nada, apenas a cumprimentou.
— Yasmin, vai ter um evento aberto para os pais agora no período intermediário entre a manhã e a tarde – ele começou sem sequer perguntar se ela estava bem. – E o diretor vai falar sobre o pedagógico do ano que vem. Todos os professores estão sendo convocados agora porque é importante nós participarmos. Vai ser lá no teatro... Vamos!
“Justo na minha hora de almoço!” – Yasmin pensou um pouco brava. Tinha que ser logo naquele horário? E por que quiabos o diretor não tinha avisado isso a ela na hora da entrada?
A loira deixou sua bolsa em cima da mesa novamente e seguiu Marcelo até o teatro. Ficou bem chateada porque no caminho inteiro ele não pronunciou nenhuma palavra. Permaneceu em silêncio. Após quinze dias sem vê-la, sabendo que estava no hospital, ele não teve coragem de perguntar como ela estava! Yasmin até cogitou a possibilidade de se afastar dele.
Entrou no teatro e realmente estava lotado. Havia todos os pais, mães, responsáveis e alunos lá dentro. Tanto do período da manhã quanto da tarde. Porém, logo estranhou já que assim que entrou várias cabeças se viraram para trás para vê-la.
Então olhou para o palco e viu uma faixa com os dizeres:
Bem-vinda de volta, Prô Yasmin!!!
A loira nem acreditou no que estava vendo. No palco havia essa faixa e vários balões coloridos também. Marcelo riu ao seu lado e a abraçou pelos ombros. Então o diretor pegou o microfone e começou a falar:
— Senhores pais e responsáveis, há quinze dias ocorreu a maior quebra de segurança da escola em 55 anos de história. O Ministério os denomina como rebeldes, e esses rebeldes conseguiram se passar por pais de alunos, falsificando assinaturas e comprando ingressos para a nossa Amostra Cultural. E eles queriam a aluna Akiná Chang, aluna do maternal, só por ter o sobrenome Chang, afinal, sua família participou da Guerra Bruxa ocorrida há tantos anos. – Ele pigarreou. – A nossa professora, Yasmin, conseguiu libertar Akiná desses rebeldes, mas em troca foi vítima de tamanha violência que a deixou afastada de nossas tarefas desde então. Hoje é o dia em que a temos de volta junto com a turma do jardim de infância. E hoje é o dia em que devo desculpas a todos pela quebra de segurança da nossa escola, de hoje em diante implementamos novas identificações aos pais e seremos mais rigorosos do que já somos no quesito: quem entra e quem deixa de entrar aqui. Infelizmente foi um ocorrido que não deve se repetir, por isso devo desculpas em nome de toda a equipe. E devo um muito obrigado à professora Yasmin por não só vestir a camisa da nossa escola, mas também amar e cuidar das crianças com tanto entusiasmo e preparo. Seja bem-vinda novamente, prô Yasmin! – A loira ainda estava paralisada escutando o discurso do diretor e só voltou à realidade quando ele estava acenando para ela subir no palco.
Marcelo deu um empurrãozinho nela que caminhou emocionada até o palco sendo seguida por uma salva de palmas. Quando chegou lá em cima, ainda com os aplausos, o diretor a abraçou. Isso fez com que as lágrimas caíssem livremente. Ela nunca esperou ser tão reconhecida pelo cara que sequer confiava nela como profissional.
Então, olhou para o centro do palco e Akiná segurava um buquê de flores e seus pais aplaudiam emocionados bem atrás de sua pequena.
Yasmin foi até ela e, mesmo sabendo que ainda não podia carregar peso, abraçou, segurou no colo, beijou Akiná. Assim que a soltou, a família Chang foi agradecer a tudo que a loira tinha feito por Akiná.
— Eu nunca esperaria isso de uma professora, Yasmin! Obrigada por se importar tanto com a nossa menina. Você sabe, quando agrada nossos filhos, agrada a nós também. Eu não tenho palavras para você porque você salvou a vida minha filha, então eu te devo muito por isso! – Naomi dizia em meio às lágrimas.
Yasmin apenas ouvia a tudo aquilo sem saber o que responder. Chorava de emoção e não sabia se abraçava Cho ou se secava seu rosto.
Assim que desceu do palco, segurando o buquê que Akiná dera a ela, vários pais começaram a conversar com Yasmin. Alguns pais do maternal até ficaram felizes ao descobrir que no próximo ano seus filhos poderiam ter aula com ela.
Até mesmo os pais de Benjamin, que tanto a humilharam, apertaram sua mão com um sorriso amarelo no rosto.
Marcelo e Anna foram ao seu encontro assim que o bombardeio de pais em cima da menina passou.
— Nós nos importamos sim, senhora! – Anna brincou a abraçando forte. – Só queríamos que fosse surpreendente para você.
— E conseguiram! – Yasmin respondeu. – Principalmente o Marcelo que nem olhou na minha cara hoje!
Marcelo riu e abraçou.
— Você merece isso, Yas. E você se lembra do que eu disse? – Yasmin assentiu se recordando do que Marcelo aconselhara que Rogério não gostaria de ninguém antes que conquistasse sua confiança. – Então eu acho que você conseguiu!
Yasmin sorriu verdadeiramente.
Anna Victória então abraçou Marcelo pela cintura e ele lhe deu um beijo na testa. Ela estranhou logo de cara esse gesto.
— Vocês...
— Sim! – Anna respondeu fazendo sinal para ficar em silêncio.
— Quero saber de tudo agora no almoço!
Os dois riram e começaram a contar enquanto iam em direção a saída da escola para almoçarem.
Foi um dia cansativo, mas muito bom. Yasmin estava feliz, radiante. Nem parecia que tudo que havia passado era tão recente.
Leo se encontrou com ela na frente da escola. Logo a abraçou e a ajudou com suas bolsas, pastas, atividades e documentos que precisava.
— Como foi seu dia, Yas? – ele perguntou.
— Foi incrível, Leo... Eu preciso te contar tudo! – a loira respondeu e se virou para fita-lo. – Você nem vai acreditar!
O moreno riu.
— Então comece a me contar!
E ela começou a contar detalhe por detalhe. E se sentia feliz, completa, como nunca estivera antes.
Tinha sido um ano turbulento, cheio de reviravoltas, mas um ano fechado com chave de ouro. Um ano inesquecível!
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