Reaprendendo a Amar

5 Reflexões e Deslizes


— Oi — A voz doce saiu limpa. Sem vestígio de choro.

— Oi

Sakura estava contra a luz, o que dificultava eu ler sua expressão. Estava em pé encostada na janela, enquanto eu me encontrava no lado oposto do cômodo.

Depois de alguns segundos de silêncio absoluto, ela andou sem pressa ao meu encontro para então envolver minha cintura com seu braços e encostar seu rosto em meu peito.

Em resposta, também a envolvo e abaixo minha cabeça, de modo que meu nariz toque seus cabelos.

Eu estava totalmente vulnerável.

Perdido.

Mas dessa vez, havia uma luz.

Havia esperança de uma salvação.

Há uma semana — ou há doze anos — se me dissessem que estaria numa situação dessas, deliberadamente abraçando Sakura, me deixando acessível aos seus sentimentos, eu riria com escárnio.

Mas aqui estou eu, respirando seu cheiro. Desesperado por seu afeto.

— Sinto muito, querido. A culpa foi toda minha. — Ela suspirou, e eu sabia que meu cheiro tinha um efeito nela semelhante ao que o seu tinha em mim — Eu quis fingir que estava tudo bem, quando não estava. É claro que você ia acabar enlouquecendo.

Eu quis dizer pra que ela se calasse, que parasse de se culpar pelos meus erros. Mas não o fiz. Fiquei apenas ouvindo.

— Eu só... Eu não posso te perder de novo... Não aguentaria. — Seus sussurros ficaram embargados de novo, mas não me soou birrenta e escandalosa como era na infância, o choro era apenas inevitável — Eu preciso de você mais de que nunca. Eu não daria conta sozinha. Os meninos, eu... Eu... — Suspirou, tentando se controlar — Desculpe, estou te pressionando de novo.

Ela tem medo de que eu a deixe? Sendo que eu sou dependente dela agora?

Ah, se ela soubesse...

Permaneço em silêncio. Admitir pra mim mesmo já é um esforço, em voz alta então, seria um martírio.

Meus dedos acariciavam seu cabelo. Não queria sair dali. Estava tudo bem. O silêncio era confortável.

Não sei exatamente em que momento, desde que acordei, fiquei tão carente da presença de Sakura. Eu parecia um viciado.

Por tanto tempo, ignorei qualquer sentimento bom que pudesse ter. Eu os esmaguei e guardei tão fundo dentro mim que sabia que jamais os alcançaria de novo.

Mas agora estavam tão acessíveis, que nem preciso fazer esforço para senti-los.

Então o maus sentimentos e os bons se misturam e me bombardeiam. Não consigo compreender o que há comigo, está muito além do que jamais imaginei viver.

Só agora eu a tenho comigo. Agora, neste exato momento, a tranquilidade está vencendo este duelo doloroso.

Talvez aquele seu toque em minha testa tenha sido um gatilho, forte o suficiente para trazer meu eu atual, aquele de quem não me lembro, a tona.

O problema é que nós dois não cabemos em um só, e isso poderá me consumir.

Continuo abraçando minha mulher e começo a sentir um calor confortável dentro de mim.

Depois do massacre, eu nunca mais pensei em felicidade. Havia me esquecido dela. Sentia apenas o ódio por terem-na tirado de mim, mas nunca pensei em conquistá-la de volta.

E com o passar dos anos, felicidade passou a ser só mais uma palavra.

Eu não sentia falta.

Mas agora estou me recordando.

Continuo com o sentimento de impotência por não conseguir me lembrar de como era, mas Sakura me mostrou que não era só mais uma palavra. Com aquele gesto, me fez lembrar da boa época que eu vivi. As fotos me mostraram que eu consegui de novo. Eu era feliz. Eu era amado. Eu amava.

Aquele álbum, cheio de fotos alegres, nas quais eu aparecia com olhos brilhando, só reacendeu minha raiva.

Eu não me lembro de nada daquilo. Nem um sorriso. Nem qualquer motivo pra sorrir.

Como quando você está com sede e vê água ao longe, mas você não pode alcançá-la, e então parece que sua sede piora. Só de ver água e não poder beber.

Era como eu me sentia quando vi aquelas fotos.

Antes eu tinha mãe e pai. Mas foram mortos.

Hoje eu tenho dois filhos. Mas eu não os conheço.

Se eu estou abraçado à Sakura agora, é porque ela me fez lembrar o gosto da felicidade.

E foi o suficiente pra eu saber que não quero sentir nenhum outro sabor.

No outro dia, acordei mais disposto. Mais tranquilo. Como se tivesse me livrado de um peso.

Como imaginei, perambular pelo quarto não me satisfez, então logo pela manhã fui fazer uma caminhada pelo jardim do hospital. Era bem amplo, então eu poderia correr tranquilamente.

Quando voltei, a mesma enfermeira loira estava me esperando para os exercícios de fisioterapia, por causa dos meus ossos recém remontados. Mas não deu pra fazer muita coisa, ela corava só de me olhar, quando precisava me tocar para auxiliar nos movimentos, tenho certeza de que pensamentos impuros tomavam sua mente.

Perdi a paciência e mandei ela ir embora.

Maluca.

Sakura voltou logo após o almoço, trouxe alguns livros. Estava usando vestido de novo. Não sei se agradeço por não ser daqueles agarrados ou reclamo pelo fato de que um vento pode deixá-la quase nua.

Seus cabelos estavam presos de novo, e quando se virou pude ver o leque nas costas do vestido. Parecia que ela prendia o cabelo só pra para o símbolo ficar evidente. Não pude conter um sorriso com tal pensamento.

— Oi, querido, como se sente? — perguntou beijando meu rosto e se afastando, colocando um pequeno vaso com água e uma flor de Lírio em cima de uma mesa.

Eu estava encostado na janela, observando toda a cidade do alto. Esse novo hospital era imenso, tanto de altura quanto de comprimento.

— Bem — Considerando o fato de que estou preso num hospital com o Chakra selado, completei em pensamento.

Ontem, depois do seu pequeno desabafo, não conversamos mais. Ficamos apenas em silêncio, abraçados. Até ela decidir ir pra casa, antes que as crianças dessem falta da mãe.

— Sakura, eu tenho uma dúvida.

— Diga.

— Naruto me disse que eu não machuquei ninguém naquele dia, mas mencionou que destruí uma ala inteira do hospital. Fico me perguntando se foi coincidência a ala onde eu estava estar vazia.

Ela estava de costas pra mim e parou de organizar os livros na mesma mesa.

— Eu tirei todo mundo de lá. — virou-se, ficando de frente para mim. Seu rosto era sério. — Eu... Eu tirei todos de lá, por precaução, depois de você ter me contado qual era sua última lembrança. Por mais que eu tentasse fingir que estava tudo bem, eu sabia, de alguma forma, que você era uma bomba relógio. Por isso eu me culpo tanto, eu sabia, podia ter evitado.

Não. Não podia.

Aquilo foi inevitável.

— Não seria mais fácil tirar só a mim de lá?

— E levar pra onde? — Seus olhos verdes mostravam puro cansaço. — Ouça, eu mandei que removessem os pacientes de lá, que colocassem em outros quartos. Aquela ala era bem simples, só tinha quartos pequenos para observação, os pacientes foram reacomodados sem problemas. Para que então eu pudesse fingir que estava tudo bem de novo.

— Hn. Não se sinta culpada, você salvou a vida daquelas pessoas. — Ela deu um meio sorriso, ainda triste.

Voltei a encarar a cidade, encerrando o assunto.

— Como foi com Saya?

Olhei pra ela sem entender.

— A enfermeira que te ajudou na fisioterapia. — Rolei os olhos ao entender a quem se referia.

— Não preciso de fisioterapia. E se precisasse, teria que pedir auxílio para outra pessoa.

— Precisa sim! Ou acha que pode acordar de um coma de quase um mês e meio e sair por aí como se nada tivesse acontecido? — Sim, eu estava tomando um esporro de Sakura. Inacreditável. — Francamente, Sasuke, já é um milagre você não ter nenhuma sequela física ou motora.

— Quanto drama — Minha voz era puro tédio — Já estava em pé e andando normalmente quando não tinha nem uma hora que estava acordado. Deveria se lembrar disso, já que pulou em mim assim que me viu. Mesmo com você pendurada no meu pescoço, continuei em pé, sem vacilar.

Seu rosto ficou rubro, não sei se de vergonha ou de raiva. Talvez os dois. Voltou a me dar as costas, soltando um resmungo.

Eu apenas sorri com essa atitude infantil. Mas parei assim que ela se virou pra mim de novo.

— Por que teria que pedir auxílio para outra pessoa? — Questionou vindo em minha direção e percebi que sua postura mudou.

Virei meu corpo quando ela chegou perto, muito perto, e por um deslize apenas, acabei percebendo que tinha uma visão mais privilegiada do seu decote, devido à grande diferença de altura. Estavam maiores do que me lembrava e ela não usava sutiã. Não, eu não tinha encarado. Eu apenas notei.

Ela é mãe. Devia usar roupas comportadas.

— Sasuke? — Me chamou, e eu despertei do transe. Merda. Eu estava encarando.

Mas tudo bem. Somos casados. Não é desrespeito um homem olhar o decote da própria esposa.

Eu posso me acostumar com isso.

Cocei a garganta, me recompondo. Lembrei-me que ela ainda esperava uma resposta, e parecia impaciente.

— Aquela moça é uma incompetente. Só sabia gaguejar ficar vermelha. Não aguentei dez minutos e mandei ela sair.

Sakura olhou pra mim chocada, e soltou uma sonora gargalhada. Lembrei de Naruto, mas não podia dizer que eram parecidos. Sakura tinha classe, diferente daquele Dobe.

— Tsc Tsc Tsc. A culpa é sua Sasuke! — A encarei sem entender — Quem mandou ser tão bonito?

— Ao invés de reclamar comigo, você devia reclamar com ela! — Eu estava me divertindo com essa discussão, era o mais próximo que cheguei de flertar — Você devia é ser grata a mim.

— Ah, é? — Sakura se aproximou mais ainda, em passos felinos, me concentrei para não cometer outro deslize. Não consegui. — E pelo que eu deveria ser grata, Sa-su-ke-Kun?

A Sakura debochada voltou.

— Por ser seu marido, e por ser tão bonito. Sa-ku-ra. — Sussurrei perto de sua orelha, diversas divertido com aquela brincadeira, e vi sua pele se arrepiar.

— Hmmn. Tem razão — Ela sussurrou de volta e, para minha total surpresa, espalmou minha barriga por baixo da camiseta e arranhou toda a extensão do meu abdômen. Não contive um suspiro. Definitivamente, não esperava aquilo. — E como acha que deveria agradecê-lo, apropriadamente?

Ao sentir sua língua no meu pescoço quase soltei um gemido, ela não parava com as unhas. Senti meu pau cada vez mais duro. Quando dei por mim, eu apertava com força seu quadril, prendendo seu corpo aí meu.

Suas mãos escorregaram até minhas costas, ainda por baixo da camiseta, e senti suas unhas enterrar um minha pele. Depois desceram num caminho quase torturoso até chegarem na minha calça.

Ela agora olhava pra mim, com os lábios separados e olhos nublados. Puta que pariu! Não acredito no que está acontecendo

Assim que ela umedeceu os lábios com a língua, não suportei. Os tomei com vontade.

No início do beijo, fiquei um pouco incerto, era a primeira vez que beijava uma garota. — No caso, mulher. Minha mulher. — Mas fui pegando o jeito.

Pouco depois, já ouvi Sakura gemer baixo, enquanto nossas línguas se encontravam.

Suas mãos foram parar no meu cabelo e na minha nuca, sempre arranhando.

Um braço meu rodeava sua cintura, e a outra mão estava em sua nuca, mas subi para seus cabelos e puxei, fazendo ela inclinar a cabeça para trás e soltar outro gemido. À essa altura meu pau já estava começando a doer.

Com seu pescoço exposto, desci meus lábios e sorvi de sua pele tão fodidamente apetitosa. Fiz tudo o que meu deu vontade.

Era inexplicável minha vontade de saboreá-la por completo.

Ela desceu uma mão até minha calça, apertando minha ereção dolorosa. Susperiri e mordi seu pescoço com mais força quando a senti apertar a cabeça do meu pau.

Sem saber direito o que estava fazendo, eu a empurrei até a mesa onde tinha colocado os livros e o vaso. Fiz com que ela se sentasse e me acomodei entre suas pernas. A altura da mesa era perfeita. Puxei ela para mais perto, rompendo qualquer distância que poderia haver entre nós, e ela as cruzou nas minhas costas, me prendendo.

Ela começou a rebolar e eu percebi que também fazia movimentos com o quadril. Sakura gemia manhosa, era quase um miado.

Gostosa.

Apertei sua bunda com vontade.

E então, para meu delírio, sua mão invade minha calça. Outro gemido me escapa e quase gozo. Segurava com força seus cabelos e sua coxa, com a testa encostada em seu ombro. Ela apertava meu pau sem piedade, movimentando suas mãos com destreza, da base e subindo até a cabeça, e eu juro aquela era a melhor sensação que já tive.

— Oh, querido, senti tanto sua falta... — Revelou entre gemidos.

Caralho. Eu também.

Já havia feito isso sozinho, mas não se comparava em nada.

Levantei a cabeça e mordi com força seu lábio inferior. Estava impossível de respirar. Suas mãos não paravam.

Porra, não consigo mais segurar. Estava quase gozando.

Estava.

Até o barulho de batidas na porta nos trazer de volta à realidade.

Puta que pariu.

Olhávamos um para o outro assustados, nem sentimos a aproximação de alguém.

Seja quem for, vai morrer.

Sakura estava descabelada, corada e com os lábios inchados. Senti meu pau latejar, implorando por mais.

Então eu vi que uma das alças do seu vestido estava caída, permitindo que eu visse a borda de sua auréola rosada.

Porra!

Quem quer que seja, vai morrer, dolorosamente.

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Notas finais
(aquela carinha)