Notas iniciais
Oi amorees. Queria agradecer a quem está acompanhando e a quem está comentando, espero que estejam gostando... Vamos a mais um capítulo.

Eu não sabia quanto tempo havia passado, mas tinha certeza que era muito. Meu corpo todo doía, estava com fome e começando a ficar tonta por causa de todo aquele contorcionismo... Eu sabia que seria ruim, mas não sabia que seria tanto assim. E tudo piorava porque eu era sustentada, acompanhada, ou estava em contato com Kellan nessas poses completamente insanas.

– Atrás dele Ashley! – Ordenou Marc.

Rodeei Kellan e acabei totalmente escondida, considerando que minha cabeça mal alcançava sua nuca e que seus músculos o deixavam com quase o dobro da minha largura, eu já havia notado que Marc preferia dar destaque à Kellan nas fotos, mas ele não ia me esconder completamente, ainda...

Marc estalou os dedos e logo a jovem com quem ele gritava mais cedo apareceu carregando um degrauzinho precariamente estreito e alto, colocando-o no centro do cenário.

– Ashley, suba ai! Kellan querido, em frente a ela. – Nos posicionamos, eu tentei não cair com a dor nas pernas. – Isso! Isso! Ashley se incline para o lado e olhe para ele. – Ordenou.

Inclinei-me, um pouco desequilibrada, se não fosse por Kellan segurando minha cintura no momento certo eu teria caído de cara no chão. Por causa do susto nossos olhos se encontraram e alguma coisa aconteceu... Tudo parou e meu coração voltou a querer fugir de mim, soltando novamente aquela sensação que percorreu meu peito e estômago.

Ouvi vários cliques seguidos, pareciam extremamente distantes, poderiam ter-se passado anos sem que eu percebesse. Eu estava completamente hipnotizada, minha mente ficou oca mais uma vez. O que estava acontecendo? O que tinha naqueles olhos?

Não havia notado que ele havia se movido, mas senti seus dedos gentilmente afastarem uma mecha da franja que estava em meu rosto, seus dedos deixaram um rastro de eletricidade e calor na minha pele.

– Ótimo! Isso! – Assustei-me terrivelmente com a voz alta de Marc.

Tudo voltou rapidamente ao foco e o tempo voltou a correr normalmente, pisquei várias vezes para conseguir assimilar tudo, o que tinha acontecido ali? A mão forte que ainda me sustentava pela cintura me ajudou a me endireitar. Ouvia ordens e vozes, mas ainda estava excessivamente atordoada para lembrar que deveria estar olhando para a câmera, seguindo as ordens que gritavam ou alguma coisa assim.

Kellan não parecia muito diferente, pois ainda me observava atentamente enquanto soltava lentamente a mão de minha cintura e me segurava pelos braços para ter certeza de que eu havia me firmado.

– Está tudo bem? – Sua voz estava um pouco mais baixa e rouca do que soara antes.

Assenti sem conseguir encontrar minha voz, ainda sem entender o que estava acontecendo comigo, não havia nada compreensível em minha mente, mas ao mesmo tempo parecia que milhões de pensamentos voavam por ela.

– Venha, desça daí, não quero que caia. – Kellan chamou estendendo as mãos.

Segurei em suas mãos, sentindo minhas pernas ainda mais fracas do que sentia há alguns minutos, aquela eletricidade voltou a fluir, passando do ponto onde nossas mãos se encontravam, por meus braços e se alojando em minha coluna. O que era aquilo?

Eu nunca me perguntei tanto isso, mas o que aquele homem tinha? O que estava acontecendo? A única explicação era que eu estava endoidando completamente, eu tinha que parar com aquilo e dessa vez para valer.

Soltei suas mãos e me virei para a câmera, Marc estava estalando os dedos e dando ordens. Balancei a cabeça para me concentrar e fazer meus pensamentos voltarem ao normal.

– Andem, vamos logo! Ainda temos muito trabalho a fazer!

Aquilo não podia durar muito mais não é? Não era possível! Olhei em volta em busca de um relógio, sem encontrar nenhum, mas nesse ato vi que minha equipe se aproximava apressada com algumas coisas nas mãos. Quando Megan se aproximou notei que ela trazia uma expressão marota no rosto.

– Quê? – Indaguei quando ela estava próxima o bastante para ouvir minha voz baixa.

– Nada.

Seu tom era de uma falsa inocência, mas vi seus olhos relampejarem de mim para Kellan e depois se voltarem para mim. Torci para que ela não viesse a conhecer Kristen, juntas elas seriam minha ruína.

– Sem essa. – Resmunguei, revirando os olhos para ela.

– Não disse nada... – Falou balançando os cabelos curtos.

Bufei enquanto ela começava a ajeitar os fios soltos de meu cabelo. Fechei os olhos para que o maquiador retocasse minha maquiagem, aproveitando esse ato para controlar minha mente hiperativa e aquelas sensações desconhecidas e estranhas que me percorriam.

Isso era tudo muito esquisito e eu não tinha ideia do que era, será que eu precisava de um médico? Falaria com Kristen sobre isso para saber a opinião dela, talvez ela soubesse o que era... Falando em Kristen, ela devia estar me esperando no apartamento há horas, mas tinha certeza que quando dissesse quatro letrinhas explicaria tudo.

Quais eram as letrinhas? Simples: “M-A-R-C”

– Andem! Vamos logo! – Falando no diabo...

– Prontinho. – Megan falou ajeitando uma mecha de minha franja.

– Que horas são? – Indaguei.

– Quatro. – Respondeu enquanto se afastava.

Aquela deveria ser uma sessão rápida... Fiz as contas rapidamente: Havia chegado às oito, a preparação deveria ter durado até as nove, mas fiquei na sala até as onze por causa das duas horas de atraso de Marc, a sessão começou quinze ou trinta minutos depois.

Eu estava ali há mais ou menos quatro horas e meia, não era à toa que estava com fome. Voltei de cara fechada para o meio do cenário e cruzei os braços esperando a tortura continuar. O que não demorou muito...

– Ashley, de frente. Kellan, de costas ao lado dela, uma mão na cintura de Ashley.

Aproximamo-nos um do outro, ele também não parecia de muito bom humor, me observava, uma ruga entre os olhos e o maxilar apertado.

– Acho que te entendi agora. – Resmungou enquanto colocava a mão esquerda em minha cintura.

Esforcei-me para ignorar a nova onda de calor que sua proximidade me trouxe. Inclinei um pouco a cabeça olhando-o rapidamente como se avisasse “eu te disse” e voltei a olhar para a câmera, que recomeçou a emitir cliques.

...

Depois do que pareceram dois ou três séculos a voz de Marc emitiu palavras milagrosas, as melhores palavras que eu já o ouvi falar naquela voz irritante.

– Terminamos aqui. – Agarrou a câmera e se virou para a porta.

“Finalmente” – Foi o primeiro pensamento que surgiu depois dessas palavras mágicas. Sentei-me (eu estava deitada no chão), esticando os braços e fechei os olhos, girando a cabeça para afastar o desconforto que se instalava em meu pescoço.

Quando abri os olhos vi duas mãos estendidas para mim, ao erguer os olhos encontrei aqueles olhos claros que pareciam esconder mil segredos. Eu sabia que não devia se eu realmente quisesse mantê-lo distante, mas aceitei sua ajuda, não estava certa da resistência de minhas pernas.

Agradeci-o quando me firmei em meus pés. Ele assentiu com um meio sorriso gentil e ao mesmo tempo sedutor... Ah! Sedutor... Onde eu estava com a cabeça?

– Tenho que ir. – Murmurei.

Virei-me para a porta sem esperar por uma resposta, quando alcancei a saída notei que Megan e Jessie me acompanhavam, não disseram nada, apenas trocaram olhares enquanto caminhávamos. Balancei a cabeça inconformada com eles, que apenas deram risadinhas.

Quando chegamos fui direto para a sala lateral, vestindo minhas próprias roupas e me amaldiçoando por não ter escolhido uma sapatilha ao invés de saltos agulhas. Ao voltar à sala principal vi a equipe conversando tranquilamente. Megan sorriu para mim ao ver que eu voltara.

– Nós vamos comer alguma coisa, quer vir com a gente?

Notei que seus olhos tinham um brilho de curiosidade. Meu estômago deu cambalhotas, tentado com a ideia, mas me lembrei de Kristen que provavelmente estaria me aguardando preocupada, achando que eu havia me perdido.

– Eu adoraria, mas minha amiga está me esperando e estou completamente moída... – “E eu não quero provocações por causa de um homem que eu nem conheço.” Acrescentei mentalmente.

– Tudo bem... Espero que nos vejamos em breve. – Falou agradavelmente.

Abracei-a, assim como a todos os outros me despedindo antes de sair. Sentia-me completamente derrotada enquanto descia as escadas e ia para a portaria, aquele ensaio tinha sido um completo desastre, e pensar que estava tão animada e ansiosa pela manhã... Surpreenderia-me se ao menos uma foto se salvasse e ainda tinha o fator “Kellan” que tinha bagunçado toda a minha mente por um motivo que eu desconhecia totalmente.

Quando passei pela recepção o mesmo garoto que me informara pela manhã sorriu de uma forma que me irritou, assenti com a expressão séria e caminhei em direção à porta.

Abracei-me quando o vendo frio da noite me atingiu, começando a caminhar. Encarei o céu que escurecia antes de baixar os olhos para o relógio e constatar que passava das oito. Meu estômago torcia, eu não comia nada desde o café da manhã.

Apressei o passo, mesmo que minhas pernas protestassem veementemente, queria chegar logo em casa, comer alguma coisa e me largar na cama, estava exausta. Fiz uma nota mental para sempre perguntar o nome completo do fotógrafo antes de aceitar alguma proposta.

Mesmo que eu andasse apressada e fizesse exatamente o caminho reverso que havia feito mais cedo o caminho parecia seis ou sete vezes maior. Ainda estava próxima à lanchonete, a meio caminho até o ponto.

Ouvi um carro escuro e alto desacelerar enquanto se aproximava de mim, olhei pelo canto dos olhos, os vidros eram escuros e ele estava parando no meio-fio ao meu lado. Tentando me convencer de que era coincidência ele estar parando perto de mim tratei de respirar fundo para me acalmar, mas não fiquei parada para esperar e ver o que aconteceria.

Apressei-me ainda mais, estava bem perto de estar correndo, meus saltos não ajudavam muito. Pela segunda vez no dia me amaldiçoei por não ter posto uma sapatilha. Para meu desespero o carro voltou a se movimentar, seguindo bem ao meu lado.

Meu coração voltou a disparar, não podia ser saudável tê-lo tão acelerado tantas vezes em um só dia. Ouvi um leve zunido que indicava que a janela do carro estava se abrindo. Puxei o ar com um pouco de dificuldade por causa do esforço, me preparando para gritar...

– Ashley. – Soou uma voz conhecida.

Eu parei, expirando, permitindo que o desespero me deixasse por um instante, só para voltar de uma forma diferente e mais ameaçadora do que gostaria de admitir. Por que ele estava me seguindo? O que ele queria?

– Não devia assustar as pessoas assim. – Resmunguei me virando, a mão no peito numa tentativa de impedir que meu coração escapasse de mim.

– Desculpe, não era a intenção. – Kellan respondeu dando um leve sorriso.

– Tudo bem. – Menti.

É claro que não estava bem, estava a beira de uma taquicardia e minha mente estava zunindo tanto quanto uma colmeia lotada de abelhas irritadas, nunca me senti tão confusa. Um silêncio estranho recaiu e eu baixei os olhos para a calçada.

– Você... Você quer uma carona? – Sua voz rouca perguntou gentil e ao mesmo tempo parecendo apreensiva, mas só podia ser imaginação minha.

– Não precisa. Obrigada. – Murmurei erguendo ligeiramente os olhos.

– Onde mora? – Persistiu. Informei-lhe o nome da rua, sem mencionar qual o prédio, afinal, eu não queria uma visita inesperada dele, queria? – Eu te levo até lá, passo por essa rua a caminho de casa.

– Não precisa se incomodar, não me importo de ir andando. – Argumentei enquanto torcia nervosamente a alça da bolsa.

Por algum motivo ficar dentro de um carro com esse homem por alguns minutos me deixava estranhamente apreensiva.

– Vamos... Está tarde e você deve estar tão dolorida quanto eu, pelo menos eu não tive que usar saltos. – Falou sorrindo e baixando os olhos até meus pés.

Aquele ato me deixou extremamente envergonhada, senti o calor subir até minhas bochechas. Que efeito era esse que aquele homem tinha em mim? Que droga de sensações eram aquelas que ele liberava em mim? Oh droga, eu só podia estar endoidando.

– Não vou te fazer mal, prometo. – Ele falou notando minha hesitação e, por algum motivo, eu confiei plenamente em sua palavra.

– Ok. – Murmurei enquanto dava a volta para entrar do lado do passageiro.

Assim que fechei a porta arrependi-me de ter aceitado a proposta, um cheiro agradável, forte e masculino preenchia o carro, o cheiro dele e não ajudava em absolutamente nada que todos os vidros estivessem fechados. Aquele cheiro estava embaralhando ainda mais meu cérebro confuso.

Kellan colocou o carro em movimento, seguindo suavemente pelas ruas cheias de Londres. Eu olhava para a janela, me sentindo exausta e, mesmo que não tivesse motivos, apreensiva. Minhas mãos ainda torciam a alça da bolsa.

– Eu não sabia que demoraria tanto. – Comentou Kellan tentando iniciar uma conversa. – Pelo menos espero que as fotos sejam boas.

– Eu não esperaria por isso. – Resmunguei passando a olhar para minhas mãos.

– Ele é tão ruim assim? – Perguntou desanimado, pelo canto do olho vi que me lançou um olhar de desânimo.

– Pode apostar. – Balancei a cabeça.

– Isso não pode significar nada bom. – Murmurou para si mesmo e depois mudou o tom de voz, voltando a falar comigo. – No último ensaio que ele fez com você ele te fez fazer tantas maluquices quanto hoje? – Perguntou parecendo interessado.

– Sim... Fiquei dolorida por dias. Eu preciso criar o hábito de perguntar o nome do fotógrafo antes de aceitar um trabalho, acho que não aguentaria outra sessão com Marc. – Reclamei um pouco erguendo o rosto.

O agradável som da risada de Kellan encheu o carro e eu não pude deixar de sorrir, era um som contagioso. Permiti-me olhar para ele, notando que suas covinhas tornaram a aparecer.

– Eu acho que preciso concordar com você. – Ele lançou-me um olhar rápido antes de voltar os olhos para a estrada.

– Ah, não sei do que está reclamando, ele pegou leve com você.

Com essas minhas palavras suas covinhas sumiram e aquela ruguinha entre seus olhos tornou a aparecer, me arrependi imediatamente de tê-las pronunciado.

Baixei o rosto, mas continuei olhando-o pelo canto dos olhos, ele pareceu notar que eu havia me arrependido de minhas palavras, porque balançou a cabeça, colocando um sorriso gentil no rosto.

– Não é nada, só me senti um pouco desconfortável com o jeito dele.

– Entendo.

Um curto silêncio se estabeleceu antes de ser cortado pelo som de “I won’t give up – Jason Mraz”. Imediatamente abri minha bolsa, começando a procurar pelo celular, eu esqueci que deveria ligar para Kristen.

– Pronto. – Atendi esperando ela começar.

– Onde você está? Já te liguei umas mil vezes! – Ela reclamou.

– Estou chegando em casa, não se preocupe. Ia te ligar, mas esqueci, desculpa.

– Achei que tinha se perdido já. – Revirei os olhos ao ouvir isso. – Por que essa demora toda?

– Tem a ver com o dia que nos conhecemos. – Expliquei.

– Ele continua ruim? – Resmungou entendendo.

– Pior. – Respondi fazendo careta. – Ainda está me esperando?

– Claro! – Exclamou como se fosse óbvio e, na verdade, era.

– Ok, então eu te vejo daqui a pouco. – Falei olhando para o lado, Kellan me observava pelo canto dos olhos, a ruga voltara a se formar.

– Tá bom, se cuida amiga. Sabe que te amo né? – Queria saber o que ela tinha aprontado.

– Sei sim. Também te amo. Beijo. – Sorri.

Desliguei o telefone depois que ela respondeu, voltando a colocá-lo na bolsa. Virei-me para Kellan, queria saber o que ele tinha, porque aquela expressão de desconforto havia voltado.

– Desculpe por isso... Eu tinha ficado de ligar e...

– Não tem problema. – Ele respondeu parecendo um pouco irritado. – Ele deve ter ficado preocupado. – Murmurou.

– Ele? Quem? – Perguntei sem entender.

– Seu namorado... – Falou entre os dentes cerrados.

– Namorado? – Eu ri, entendendo o que havia acontecido, mas sem entender sua reação.

– O que foi? – Parecia ofendido.

– Não era meu namorado. – Falei apontando para a bolsa, onde havia guardado o celular.

– Não? – Seu semblante se desanuviou, me deixando ainda mais confusa, se é que aquilo era possível. Balancei a cabeça, negando. – Desculpe. – Ele murmurou. – É que pareceu que...

Sorri para ele, que abandonou a frase incompleta, não sei por que, mas tive vontade de fazer isso... Minha mente maluca quis acreditar que ele estava com ciúme e isso por algum motivo que eu desconhecia fazia alguma coisa dentro de mim se revirar de novo.

– Hum... Posso perguntar quem era? – Pediu um pouco sem jeito.

– Kristen. – Respondi sorrindo. – Minha melhor amiga... Ela estava certa de que eu ia me perder. – Por que eu estava falando tanto?

– Que bom que impedi que isso acontecesse. – Respondeu retribuindo o sorriso.

Corei novamente, isso não era normal, nunca havia corado e agora, no mesmo dia, corei centenas de vezes... O que estava acontecendo?! Voltei a olhar para a janela. Era impressão minha ou ele havia pegado um caminho mais comprido?

– Como conheceu sua amiga? – Olhei para ele. – Desculpe, eu sou um pouco curioso.

– Num ensaio... – Comecei a explicar. – Com Marc. – Fiz careta.

– Ah! Foi ai que conheceu Marc? – Assenti. – Alguma foto se salvou?

Eu tentei, mas não consegui evitar que uma risada escapasse de meus lábios. Ele me olhava e seus olhos se iluminaram, eu estava cada vez mais confusa... Qual era o problema daquele homem?

– Bem... Na verdade uma... – Respondi depois de me recuperar do riso, ainda sorrindo. – Que eu e Kristen tiramos. – Ele ergueu uma sobrancelha interrogativamente. – Disparo automático... Ele tinha esquecido a câmera. – Expliquei.

– Foi por isso que ele agarrou a câmera tão rápido quando terminamos hoje?

– Provavelmente.

Olhamo-nos por um instante e começamos a rir, ele voltou a olhar para frente. Eu observava seu perfil, sem entender exatamente porque estava fazendo aquilo. Esse foi, sem dúvidas, o dia mais confuso da minha vida.

– Hum... Você não me disse o número. – Ele comentou e só então desviei os olhos dele para notar que estávamos na minha rua.

– Ah! É logo ali, naquele prédio. – Falei apontando.

Notei que ele ergueu um pouco as sobrancelhas, mas não falou nada, apenas continuou dirigindo até parar em frente à portaria. Sem saber o que fazer eu apertei a alça de minha bolsa.

– Bem, obrigada... – Murmurei olhando-o.

– Não tem pelo que agradecer. – Ele sorria gentil.

– Hum... Então... Tchau. – Estendi a mão.

– Nos vemos por ai. – Ele respondeu apertando minha mão.

Aquela sensação de calor e eletricidade voltou a percorrer meu corpo, dessa vez aliada à pulsação intensa de meu coração e seja lá o que for que estava solto em meu peito e estômago.

– Ãn, er, é. – Respondi hesitante, estendendo a mão para a maçaneta. – Então, obrigada mais uma vez.

Abri a porta e quando me virei para fechá-la voltei a ficar presa por seus olhos e sorrisos. Surpreendi-me com a piscadela que ele me deu. Tive o cuidado de fingir não ter visto, fechando a porta e entrando no edifício.

Acenei educadamente para as pessoas no saguão. Tinha uma sensação em mim que fazia parecer que eu havia deixado alguma parte de mim para trás. Que porcaria era aquela que estava acontecendo comigo? Tinha que falar com Kristen.

Pensando nisso entrei no elevador e, após uma rápida busca por minha chave, coloquei-o em movimento. Ele seguiu vagarosamente e muito tempo depois parou com um suave apito, abrindo as portas. Passei por elas, e atravessei o pequeno saguão até minha porta, abrindo-a.

Quando a abri um agradabilíssimo cheiro me atingiu, fazendo meu estômago se torcer outra vez. Imediatamente larguei a bolsa ao lado da porta e descalcei meus sapatos, seguindo o cheiro de massa que vinha da cozinha.

– Kristen! Você é uma deusa! – Exclamei enquanto agarrava um prato e ia até o fogão.

– Oi para você também... Achei que ia estar com fome... E então como foi seu dia? – Notei um sorriso malicioso parecido com o de Megan.

Girei nos calcanhares para encará-la. Ok, o que ela sabia e o queria dizer com esse sorrisinho?

– Exaustivo e confuso... – Respondi desconfiada enquanto deslizava para uma das cadeiras da bancada com meu prato de macarrão.

– Confuso? Pode desembuchar... – Exigiu enquanto sentava-se ao meu lado com seu próprio prato, bem menor do que o meu.

Notas finais
E ai, o que acharam? O que acham que a Ashley tem? Quero saber a opinião de vocês, todas as críticas e comentários são muito bem-vindos, mas fico feliz apenas por lerem. O link do carro do Kellan: http://4.bp.blogspot.com/-WpsDlrKeO68/TgVR7yYc5iI/AAAAAAAAAGw/khHzo1Po9Ko/s1600/DSC03180.jpg Por enquanto é só, até o próximo ;*