Reaprendendo a Amar
23 Capítulo 23
Notas iniciais
– Kristen, eu não vou usar isso. – Protestei enquanto me olhava no espelho.
Eu estava usando um vestido branco, curtíssimo, mal cobrindo meu bumbum e justo, com botões decorativos dourados na frente e um zíper nas costas. Além de curto ele tinha um decote generoso. Evidentemente eu não havia escolhido nada do que estava vestindo, no dia anterior minhas amigas haviam ido às compras (sem mim, diga-se de passagem) e hoje apareceram pela manhã com os braços cheios de sacolas.
Assim, Megan e Kristen passaram o dia inteiro me fazendo de Barbie, me maquiando, ajeitando meu cabelo e por fim me fizeram vestir aquele vestido que de acordo com elas causaria um infarto em Kellan. De resto eu não poderia reclamar tanto, minha maquiagem estava bonita, com batom vermelho e olhos marcados, o cabelo com pontas onduladas, ankle boots nude e uma bolsa pequena da mesma cor estava pronta e separada a um canto.
Estava usando também brinco dourados e compridos, uma pulseira simples e um anel com uma pedra vermelha que contrastava com todo o resto, combinando com o meu batom. Eu tentei usar meu relicário, mas Kristen e Megan fizeram questão de tirá-lo de mim e também não deixaram que eu o colocasse na bolsa, sendo assim ele estava em uma gaveta, bem longe do meu alcance.
Elas também implicaram com meu perfume, dizendo que deveria usar algo marcante, até mesmo levaram um perfume que eu achei enjoado, mas essa batalha eu ganhei (foi uma das poucas que venci durante as muitas do dia).
– É claro que vai. – Contrariou-me Kristen.
– Isso está muito curto...
– Você está um arraso. – Megan garantiu.
– Eu vou morrer de frio...
– Não seja exagerada. – Kristen me repreendeu.
Nós continuamos nessa discussão por vários e vários minutos, eu não consegui fazer com que elas me deixassem trocar de vestido, mas pelo menos consegui que me permitissem usar uma meia calça fina, própria para sapatos com os dedos amostra, eu tinha certeza de que aquilo não me impediria de sentir frio, mas já era alguma coisa.
– Certo, agora pare de ser chata. – Kristen resmungou enquanto pegava um casaco simples, bege, colocando-o por perto.
De acordo com ela e Megan esse casaco serviria para esconder tudo de Kellan até a hora certa, para causar impacto e impressioná-lo. Eu revirava os olhos para elas a todo o momento. Aquele falatório e maluquices delas não faziam bem para meu nervosismo, eu já estava com o coração aos pulos e aquelas borboletas haviam retornado ao meu estômago.
Eu sei que não fazia muito sentido, mas eu passei a semana toda dessa forma e tentei não deixar isso transparecer nas mensagens e ligações que eu trocava com Kellan. Talvez isso me deixasse tão abalada por ser um novo começo, depois de tudo o que houve comigo, eu havia encontrado alguém que fazia eu me sentir diferente e aquilo mexia com meu autocontrole.
Além disso, mesmo que já o conhecesse e conversasse com ele e fossemos, de certa forma, próximos, não havíamos passado muito tempo sozinhos, se não me engano apenas nas caronas que ele me deu, quando esbarramos no parque e no coreto alguns dias atrás, o restante do tempo que passamos juntos foi com amigos, colegas de trabalho e familiares.
O relógio parecia estar parado, quanto mais eu olhava para ele mais certeza eu tinha de que ele não estava funcionando, mas enfim a hora marcada se aproximou e chegou. Eu já estava começando a acreditar que ele tinha desistido, mas apenas alguns segundos depois do relógio marcar o horário a campainha tocou e meu coração provavelmente quis correr na direção dele.
– Ele chegou. – Cantarolou Megan. – Você fica aqui, espera um pouco e depois desce para causar impacto. – Falou animadamente antes de virar as costas e descer correndo.
Bufei, sem acreditar em toda aquela besteira delas e comecei a vestir o casaco que Kristen segurava, abotoando e amarrando-o e, olhando no espelho, vi que ele escondia toda a minha roupa e não tinha muito impacto visual, só o que causava algum efeito eram os acessórios e maquiagem.
– Pronta? – Perguntou Kristen e eu assenti.
Minhas pernas pareciam discordar de mim, pois ficaram instantaneamente instáveis e eu segurei com firmeza no corrimão, descendo lentamente enquanto Kristen corria a minha frente.
– Ai está ela. – Anunciou Megan, como se não fosse óbvio, quando alcancei a sala.
Eu estava com os olhos baixos, olhando por onde estava andando, com medo de minhas pernas bambas decidirem pregar-me uma peça e quando eu os ergui encontrei o olhar de Kellan e seu sorriso torto e sua presença me fez sorrir, me fazendo esquecer de todo o receio que sentira e abrir um sorriso.
Kellan utilizava blazer e calça social azul, que ressaltavam seus olhos (http://www.peta.org/wp-content/uploads/2013/11/Kellan-Lutz-PETA-Gala.JPG), fazendo-os parecer ainda mais claros e uma camisa branca simples, um casaco estava pendurado em seu braço e eu não podia negar que ele estava impecável.
Minhas amigas se postaram lado a lado, próximas à porta, em frente a Kellan e eu andei até eles, com um pouco mais de firmeza nos pés, mas com o coração ainda mais acelerado.
– Boa noite. – Ele me cumprimentou, se aproximando e beijando meu rosto, e eu soube, mesmo de costas, que minhas amigas tinham um sorriso presunçoso no rosto.
– Boa noite. – Respondi num sussurro.
– Boa noite para você também Kellan, mas eu não sou importante. – Kristen se pronunciou e eu me virei para olhá-la. – O importante é que está na hora de saírem. – Anunciou indicando a porta.
– Eu estou sendo expulsa da minha própria casa? – Perguntei incrédula.
– Pode apostar. – Kristen respondeu e Kellan e Megan riram.
– Você não tem jeito. – Resmunguei revirando os olhos. – Sendo assim, podemos ir? – Voltei a me virar para Kellan, falando com a voz notavelmente mais suave e ele sorriu ao me responder.
– Quando quiser.
– Então ela vai. E agora. – Kristen respondeu por mim.
Lancei um olhar que deveria ser ameaçador para ela, mas ela apenas deu de ombros e cruzou os braços, parecendo impaciente comigo.
– Eu ainda sei falar. – Garanti.
– Eu não duvido. – Kristen anuiu com um sorriso cínico e eu revirei os olhos.
– Por favor, vamos antes que eu cometa um homicídio? – Pedi para Kellan.
– Claro. – Ele sorriu amavelmente começando a colocar o agasalho preto que estava em seus braços por cima do blazer.
– Tchau pra vocês. – Me despedi abraçando cada uma delas, e elas aproveitaram para me dar conselhos de última hora, como se os que passaram o dia inteiro dando não tivessem sido o bastante.
– Se divirta. – Megan aconselhou.
– Não faça nada que eu não faria. – Eu encarei-a, com uma sobrancelha erguida, aquilo vindo de Kristen era um aval e tanto.
Aproximei-me de Kellan que estendeu a mão para segurar a minha e andamos até a porta que Kristen mantinha aberta.
– Boa noite para vocês. – Kristen desejou.
– Obrigado. – Kellan agradeceu.
– Por favor, não destruam minha casa. – Pedi.
– Eu não posso prometer nada. – Kristen respondeu fechando a porta a nossas costas.
Balancei a cabeça, rindo enquanto seguia, ainda de mãos dadas com Kellan, até o elevador. Ele apertou o botão para chamar o elevador e começamos a conversar enquanto esperávamos.
– Me desculpe por aquelas malucas. – Falei em bom tom.
“Ei.” Ouvi uma voz abafada exclamar do outro lado da porta, por onde eu tinha certeza de que estavam escutando. A exclamação foi seguida por um chiado que pedia silêncio.
– Elas estão fora de controle, não sabe o que tenho que aguentar.
Kellan sorria, segurando uma risada, assim como eu tentava fingir que não ouvira a nova exclamação e a nova repreensão que vieram de meu apartamento.
– E ainda por cima são bisbilhoteiras, vou dizer, acho que preciso de amigas novas...
Dessa vez ouvimos dois protestos, que nem tentaram disfarçar e nem se deram ao trabalho de repreender uma a outra e Kellan e eu começamos a rir, entrando no elevador que acabara de abrir as portas com um apito.
Uma vez dentro do elevador eu pude sentir aquela eletricidade nos percorrer, intensificada pelo nosso contato e pelo espaço limitado e me encostei à parede de aço, fechando os olhos e tentando ignorar aquela sensação.
Felizmente, alguns andares depois, as portas do elevador se abriram e algumas pessoas entraram, abrandando o clima, e não muito depois chegamos ao térreo e as portas se abriram, permitindo nossa passagem. Quando alcançamos o saguão, a eletricidade abrandou-se, todavia ainda existia por conta do nosso contato.
Seguimos conversando até o carro dele, que estava estacionado em uma vaga próxima. Ele abriu a porta e me ajudou a entrar antes de dar a volta e entrar no lado do motorista, me lançando um sorriso antes de ligar o carro e o rádio, deixando a música em um volume baixo.
No caminho conversamos sobre amenidades, nossa semana, a família dele, as últimas proezas de Julie, e eu estava tão distraída que não notei o tempo passar, tanto que me sobressaltei ao olhar pela janela e encontrar um cenário desconhecido.
– Onde estamos indo? – Perguntei curiosa.
– Jantar. – Respondeu simplesmente, me lançando um sorriso maroto, mas notando minha expressão curiosa ele riu. – Estamos indo a um restaurante que tem o melhor ravióli de frango que já comi e mousse de maracujá com chocolate. – Explicou sorrindo.
E eu sorri, positivamente surpresa com o fato dele ter lembrado de nossa conversa, de ter se lembrado de que eu gostava de ravióli de frango e que mousse de maracujá com chocolate era meu doce favorito.
Poucos minutos depois estacionamos em frente a um hotel bonito e bem iluminado, onde um manobrista abriu a porta para mim, estendendo a mão para me ajudar a sair.
Agradeci-o, sorrindo educadamente e recebendo em resposta um enorme sorriso e um olhar analisador, que me deixou um pouco desconfortável, antes que eu sentisse um braço possessivo em minha cintura. Eu não precisava olhar para saber, mas Kellan estava ao meu lado, prendendo-me à lateral de seu corpo e eu apertei os lábios, contendo o riso.
Ele entregou a chave para o manobrista, sendo educado, mas ríspido e me apertou contra ele para me conduzir à entrada. Algumas pessoas achariam isso ridículo ou absurdo, mas para mim esse pequeno ato de ciúme denunciava que ele se importava e essa sensação me fazia bem.
– O que foi? – Ele perguntou me analisando enquanto atravessávamos o saguão do hotel.
– Você não vai dar uma de homem das cavernas não é? – Perguntei bem humorada olhando-o pelo canto dos olhos.
– O que quer dizer com isso? – Fez-se de desentendido, mas tinha uma expressão culpada.
Eu comecei a rir, balançando a cabeça e ele mordeu o lábio, desconcertado, sua expressão em muito se assemelhava a uma criança pega em flagrante ao aprontar algo e seu braço afrouxou um pouco da minha cintura, mas eu me recostei à lateral de seu corpo quando paramos para esperar o elevador.
– Está tudo bem, eu não me importo. – Garanti. – Só não exagera. – Acrescentei erguendo uma sobrancelha.
– Pode deixar. – Respondeu com um sorriso torto que me fez perder o ar por um segundo e voltou a apertar o braço ao meu redor, me fazendo sorrir.
As portas do elevador se abriram e nós entramos – ainda colados um ao outro – Kellan apertou o botão para o último andar, mas, felizmente, não estávamos sozinhos naquela caixa de metal, mais três pessoas estavam conosco, duas mulheres e um homem que conversavam entre si.
Nós continuamos em silêncio, apenas sorrindo um para o outro, minha cabeça em seu ombro, seu perfume amadeirado me envolvendo. No décimo segundo andar as portas se abriram e os três saíram, faltavam apenas seis andares para que chegássemos ao andar do restaurante, mas aquela atmosfera que nos envolvia quando estávamos sozinhos voltou a surgir e senti o braço de Kellan se afrouxar um pouco, sua respiração profunda, como se estivesse se concentrando e eu não reclamei.
Permaneci com as duas mãos unidas, uma segurando a outra, imóvel. Só me movi quando, segundos depois, as portas do elevador se abriram e pudemos adentrar o salão em que várias mesas estavam dispostas, mesas redondas cobertas por toalhas brancas e assentos de aspecto acolhedor.
– Boa noite. — Uma simpática jovem ruiva nos recepcionou.
– Boa noite. – Respondemos em uníssono.
– Vocês têm reservas? – Questionou.
Kellan informou seu nome e ela nos guiou até uma mesa (http://foodgt.com/wp-content/uploads/2012/08/Galvin-restaurant-london.jpg) próxima às grandes janelas, que estava arrumada com taças de cristal, um pequeno arranjo de flores amarelas no centro, talheres prateados e guardanapos, além de algumas pequenas velas, uma vez que a iluminação do salão era baixa.
A janela proporcionava uma bela vista: várias construções, as copas de algumas árvores, as ruas e os carros ao longe encimados pelo céu escuro, pontilhado por estrelas.
– Posso guardar seus casacos? – A moça perguntou educadamente.
Eu assenti e comecei a desamarrar e desabotoar o agasalho, os olhos baixos, atenta ao que estava fazendo, usando isso como desculpa para não erguer os olhos e encontrar os de Kellan, envergonhada.
Quando deixei que ele caísse pelos meus ombros entreguei-o à recepcionista, agradecendo-a e pegando o cardápio que ela me estendia. O agasalho de Kellan estava em seus braços. Ela fez menção de puxar a cadeira para ajudar-me a sentar, mas Kellan impediu-a com um gesto, agradecendo-a e ela assentiu, com um sorriso no rosto e se retirou, informando que logo viriam anotar nossos pedidos.
Assim que ela se afastou Kellan puxou a cadeira em frente à janela para mim, eu sorri, em forma de agradecimento, e me sentei.
– Você está linda. – Sua voz rouca soou como um sussurro, sua boca perto do meu ouvido, fazendo os pelos de minha nuca arrepiarem.
Gaguejei um agradecimento, sentindo meu rosto esquentar. Ele deu a volta na mesa e se sentou, eu observei-o, seus movimentos elegantes e quando ele sentou e me olhou vi seus olhos intensos, mas ele baixou-os, sacodindo a cabeça, um sorriso torto no rosto e apanhou o cardápio lendo-o.
Apanhei o que estava na minha frente, fingindo que estava lendo-o, mas larguei esse esforço, deixando que meus olhos se desviassem para a figura de Kellan, eu sabia por que a câmera o amava, até mesmo quando não estava posando, como naquele momento, emoldurado pela vista daquela janela, uma foto sairia digna de um editorial.
– Já escolheu o que vai querer? – Perguntou lançando um rápido olhar na minha direção antes de voltar a baixar os olhos para o cardápio e eu me perguntei se ele estava evitando me olhar.
– Peça por mim, eu confio em você. – Falei com um sorriso.
Ele também sorriu, pousando o cardápio na mesa e me encarando, seus olhos presos nos meus e aquilo fez com que me sentisse única, como se só eu existisse naquele lugar e aquilo me fazia bem. Estávamos tão perdidos nos olhos um do outro que eu me sobressaltei com um pigarro.
– Com licença, já escolheram o que pedir? – Perguntou um garçom depositando uma cestinha com pães na mesa.
– Claro. – Kellan respondeu desviando os olhos de mim para o homem parado ao nosso lado. Pode parecer indelicado, mas eu apenas lancei um sorriso distraído na direção do garçom e voltei a olhar para Kellan enquanto ele fazia o pedido.
Ele pediu salada para a entrada, ravióli de frango e o mousse de maracujá com chocolate, me lançando um sorriso que me fez sorrir. Ele também pediu um vinho tinto, com um nome complicado que eu não fiz questão de entender, entregou o cardápio e eu mecanicamente fiz o mesmo e voltei a olhar para Kellan, que me olhava com a expressão um pouco alterada.
– Está tudo bem? – Perguntei confusa quando o garçom se afastou.
– Os funcionários desse lugar me irritam. – Falou mal humorado.
– Por quê?
– Não viu que ele não tirava os olhos de você? – Questionou com a sobrancelha erguida.
– Eu não estava olhando para ele. – Confessei, corando.
Ele imediatamente deixou a carranca de lado, um sorriso torto marcou sua covinha do lado direito e ele baixou os olhos, mexendo no guardanapo sobre a mesa.
– Mas, na verdade, eu não os culpo... – Ele ergueu os olhos para mim e mais uma vez notei a intensidade neles.
– Eu estou exagerada não estou? – Perguntei fazendo uma careta. – Aquelas loucas que escolheram essa roupa. – Resmunguei puxando a barra do vestido, tentando cobrir um pouco mais das minhas pernas.
– Você está perfeita, sempre está. – Falou fazendo meu rosto esquentar ainda mais.
Ele estendeu a mão e eu copiei o ato, nossas mãos se encontrando no centro da mesa, imediatamente eu senti aquela corrente me perpassar e meus olhos se desviaram das nossas mãos unidas de volta para os olhos dele.
– Não devia me elogiar tanto assim, eu posso ficar mal acostumada. – Brinquei.
– Não me importo nem um pouco de ter que te elogiar a cada minuto, sabe o que dizem... A verdade nunca é demais.
– Bem, sendo assim, devo dizer que você está muito bonito. – Elogiei.
– Você mente bem.
– Eu não estou mentindo. – Argumentei com um sorriso.
– Então minha mãe deve ter envenenado sua mente. – Ele franziu os olhos, me fazendo rir.
– Talvez... – Brinquei. – A minha e de muita gente.
– Ou talvez... Eu esteja mesmo bonito. – Sugeriu balançando a sobrancelha direita e eu ri.
– Pode ser. – Respondi sorrindo.
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa o garçom retornou a mesa, trazendo dois pratos com salada e a garrafa de vinho e separamos nossas mãos, cada um puxando seu guardanapo para o colo. Desta vez observei-o, para ver se notava o que Kellan dizia ou se era apenas exagero dele.
O garçom serviu primeiro o meu prato, com os olhos em mim, mais especificamente em meu decote, eu o agradeci, sem sorrir muito para ele e logo depois ele depositou o prato de Kellan a frente dele. Logo depois ele abriu a garrafa de vinho, primeiro servindo Kellan, dessa vez, que provou o vinho e aprovou-o, pedindo para que o deixasse na mesa.
Assim, encheu minha taça, lançou-me mais um olhar, varrendo minha expressão e meu corpo, antes de se virar e se afastar. Voltei a olhar para Kellan, que me analisava.
– Notou agora? – Perguntou olhando em meus olhos e eu assenti.
– Sim, notei, mas isso não importa muito, ele não me olha como você. – Deixei escapar antes que pudesse me deter, e baixei os olhos, mas não sem antes ver seu sorriso.
– Não sei você, mas eu acho isso bom. – Comentou.
Eu apenas sorri e concordei com um aceno de cabeça, eu realmente amava aquilo, a forma como ele me olhava nos olhos, como ele parecia gostar do que via, me fazendo sentir única e não “mais uma”.
Começamos a comer, engatando um assunto leve, nesta conversa descobri que Kellan havia cursado a faculdade de engenharia na mesma universidade que seu pai e que a terminara no ano anterior, porém nunca deixou a carreira de modelo para trás, porque era o que ele realmente gostava.
Contei-o que havia cursado moda, em uma universidade próxima à minha antiga casa, tudo isso na época em que meu pai adoeceu e, depois da morte dele, que minha mãe ficou depressiva, conciliando isso com pequenos trabalhos.
Migramos para assuntos mais leves enquanto o jantar ia avançando, falando de nossos planos e sonhos. Quando começávamos a comer o delicioso ravióli que me fez relembrar minha infância, eu lhe disse que gostaria de criar uma linha de roupas algum dia, mas que para isso teria que retomar o hábito de desenhar que tinha deixado de lado depois que me mudei para Londres.
Kellan me fez prometer que mostraria meus desenhos a ele e eu concordei, embora nunca tivesse compartilhado isso com ninguém, eu estava disposta a fazê-lo com ele.
Ele, por sua vez, me deixou encantada com seu maior sonho... Ele me disse que seu maior sonho era ser feliz, ter uma família tão bonita quanto a que ele cresceu tendo, ser um bom marido e um bom pai, fazendo aqueles que ele ama felizes.
– É um lindo sonho. – Elogiei sincera.
Ele me agradeceu e depois voltamos a conversar, dessa vez sobre nossas famílias, ele me falou de sua irmã e eu de meus pais e, por incrível que parece, falar com ele sobre aquilo não doía, apenas me fazia feliz, lembrar dos meus pais e de todos os momentos bons e lições que tivemos juntos.
Pouco depois o garçom retornou à mesa, com uma taça com uma camada de chocolate e outra de mousse de maracujá e eu tinha certeza, pelo sorriso de Kellan, que eu estava parecendo com Julie e os biscoitos.
A hora foi passando e com ela foi nosso jantar, mais rápido do que eu desejava, mas maravilhosamente bem.
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