Notas iniciais
Oi... Bem, esses primeiros capítulos são mais para compreensão da história e para conhecer as personagens, mas são importantes para a compreensão do enredo. Capítulo dedicado à Miins que me deu essa ideia... Muito obrigada. Escrevi o capítulo escutando Say Something - A Great Big World (http://www.youtube.com/watch?v=U8kMd2YoKUg), eu acho que tem a ver com o clima do capítulo, então sintam-se à vontade para escutar enquanto lêm. As partes em itálico são flashbacks ok? Espero que gostem, nos falamos lá embaixo.

Vazio... Era tudo o que eu conseguia sentir, me sentia aos pedaços desde aquele dia. Passei a ter a necessidade de respirar fundo com alguma frequência para me certificar de que meus pulmões estavam no lugar e às vezes me pegava com a mão sobre o peito, para ter certeza que meu coração ainda batia, porque eu não conseguia mais ter controle sobre eles, meu coração simplesmente parecia não existir e o ar nunca parecia ser o suficiente.

Tentando me controlar mais uma vez, passei a olhar pela janela, eu não podia chorar agora, não podia cair outra vez, não! Não agora que eu estava prestes a me reerguer. Eu via ao longe a terra sumir, eu estava deixando a América para traz, o País que me trouxe tantas alegrias e tantas tristezas. A terra estava sendo substituída pela imensidão do oceano e minhas mágoas e tristezas estavam sendo substituídas pelo vazio, eu estava disposta a esquecer de tudo e começar mais uma vez.

Por mais que eu tentasse refrear, uma lágrima teimosa rolou de meus olhos e, instintivamente, apertei o relicário que pendia em meu pescoço, ele me lembrava de que não poderia me esquecer de tudo, eu sabia que eu nunca esqueceria aquilo, nunca esqueceria os momentos de felicidade, nunca esqueceria as perdas, mas eu não iria mais depender disso tudo, não ia me deixar levar por esses sentimentos a todo o momento, na verdade, acho que eu preferia nunca mais sentir.

Eu preferia simplesmente não sentir ao invés de ter curtos e intensos momentos de felicidade para depois serem subitamente substituídos pela profunda e persistente tristeza que sempre me cercava. Mas eu precisava me lembrar de tudo isso mais uma vez, eu precisava me certificar de que eu não estava em um pesadelo antes de deixar tudo para trás e começar de novo.

Minha história não é feliz, mas também não é feita só de momentos tristes, fui uma criança alegre e sorridente, tive um início de adolescência tranquilo, encontrei o amor em minha jornada, bem cedo, é verdade, mas sempre foi intenso e verdadeiro. Jackson, meu primeiro amor, meu primeiro homem, meu melhor amigo e namorado desde o colegial.

Eu poderia dizer que foi amor à primeira vista, logo após nossa primeira conversa já me encontrava suspirando pelos cantos. Trocávamos sorrisos e confidências e um dia ele me beijou. Meu primeiro beijo, eu sorri por dias, eu me lembro até hoje.

...

– Anda Ash! Vamos nos atrasar!

Fazia quase um mês que nos falávamos, ele não sabia, mas eu estava perdidamente apaixonada por ele, tornamo-nos confidentes e bons amigos muito rapidamente e eu me apaixonei ainda mais rápido, assim que vi seus lindos olhos e seu sorriso encantador.

– Ash! Anda logo!

Ele continuava me chamando. Passei o batom rapidamente e me olhei no espelho antes de começar a andar em direção à escada, descendo-a aos pulos. Iriamos a uma festa da escola, uma das poucas que eles realizavam e ele veio me buscar para não me deixar ir sozinha, mesmo que eu morasse a poucas ruas da escola.

– Prontinho apressado. – Respondi assim que desci o último degrau.

Ele estava de costas, olhando pela porta aberta. Assim que ouviu minha voz ele virou, com seu sorriso torto, eu sabia que ele estava prestes a zombar de mim pela demora, mas sua reação congelou e sua boca abriu levemente quando ele me viu. Ele ficou alguns segundos sem dizer nada até se recuperar e voltar a sorrir, só que agora de uma forma mais doce.

– Você está linda. – Ele disse suavemente.

Corei até a raiz dos cabelos e sorri timidamente, sussurrando um “Obrigada!”. Vi seu sorriso se abrir e ele me abraçou, beijando minha testa, ele era sempre doce comigo e essa foi uma das coisas que mais me encantou nele, ele era engraçado, doce, carinhoso, atencioso, apesar de irritadiço sempre me ouvia e me dava bons conselhos.

– Vamos?

Jackson perguntou se afastando um pouco, segurando apenas uma de minhas mãos. Assenti para ele e me virei para a porta da cozinha.

– Mãe! Estamos saindo! – Gritei.

– Ok! Se divirtam crianças! – Ela gritou de volta. – Não voltem muito tarde!

Minha mãe tratou Jackson como um filho desde a primeira vez que o viu, mas essa era ela, ela sempre mimava todo mundo e meu pai não era muito diferente, só era mais seletivo, mas ambos tratavam muito bem Jackson e até me provocavam um pouco às vezes, eu só revirava os olhos e mudava de assunto.

Saímos e começamos a caminhar, conversando e rindo. Em poucos minutos chegamos ao colégio e fomos para o ginásio, onde seria a festa, havia música alta e todos estavam dançando ou conversando pelos cantos, alguns professores estavam espalhados pelo salão, alguns se divertindo, outros com cara de desagrado.

Jackson me arrastou até a pista de dança improvisada e logo encontramos alguns amigos, dançamos, rimos e conversamos. Às vezes nos distanciávamos um do outro para ficar com algum grupo de amigos, mas logo nos encontrávamos de novo e voltávamos a conversar. Já haviam se passado horas sem que notássemos.

O ar abafado estava começando a me incomodar, então segurei a mão de Jackson, indicando a porta com a cabeça e o arrastei para fora do salão, ele me seguiu de boa vontade. Chegamos às portas do ginásio e encostamo-nos à parede, respirei fundo o ar gelado da noite, me sentindo bem melhor me virei para Jackson e voltei a conversar.

– A Charlotte estava te olhando, ela está linda, devia ir falar com ela, ela é bem legal... – Comecei a tagarelar como fazia quando ficava nervosa, eu estava tentando não deixar transparecer que eu estava com ciúme. – Ela não estava namorando com o Peter? Eles ficavam fofos juntos, não sei o que acontec...

Fui surpreendida por Jackson me puxando pela cintura de encontro a ele, fiquei sem reação por um instante antes de retribuir, era o meu primeiro beijo, e não podia ser melhor, ali eu soube que eu realmente o amava. Deixei meus braços circundarem sua nuca enquanto os seus rodeavam minha cintura, me puxando para mais perto.

Meus dedos deslizavam por seus cabelos. Cedo demais começamos a ficar sem ar, uma de suas mãos deixou minha cintura e foi para meu rosto, acariciando enquanto nos separávamos ofegantes, abri meus olhos lentamente, com medo de acordar de um sonho muito bom e o encontrei sorrindo, não pude deixar de me hipnotizar por seus olhos mais uma vez.

...

Passei a ponta dos dedos pelos meus lábios, era como se eu pudesse sentir aquele beijo novamente, como se seu gosto ainda estivesse em minha boca, eu queria que o tempo tivesse parado naquele momento, mas não foi assim... O tempo passou, em poucos dias oficializamos nosso namoro e eu não podia estar mais feliz.

Meus pais continuavam a trata-lo bem, porém meu pai tornou-se mais cauteloso, dando-o diversos avisos e tendo conversas constrangedoras. Eu sempre ficava envergonhada e tentava me esquivar do assunto e tentava fazê-lo não ter esse tipo de conversas com Jackson, não que eu conseguisse, claro, mas Jack lidava com isso muito bem.

Mas não importa o quanto meu pai falasse um dia seus medos se concretizaram...

... (N/A: Se não gostam de hentai sugiro que pulem esse flashback)

Estávamos na casa de Jackson, seus pais haviam saído e nós ficamos sozinhos. Estávamos deitados no quarto dele vendo um filme de terror que passava na TV. Eu não era muito fã de filmes assim, mas ele gostava e eu fazia de tudo para vê-lo feliz.

Eu estremecia em algumas cenas, estava cansada de reprimir gritos enquanto via um risinho de zombaria se formar nos cantos dos lábios do Jack, como desculpa para não ver o filme me virei de lado e comecei a acariciar o rosto dele, que sorriu, mas continuou olhando para a TV.

Aproximei-me e beijei seu rosto, depositando pequenos beijos em suas bochechas, maxilares e pescoço, ouvi sua respiração se alterar. Senti-o se mover um pouco, virando para mim enquanto suas mãos chegavam a minha nuca.

– Não devia fazer isso. – Ele falou em um tom grave.

– Por que não? – Fiz cara de inocente.

Ele sacudiu a cabeça com um sorriso malicioso no rosto antes de me beijar. Cada beijo era tão intenso, era como se fosse o último, como se nossas vidas dependessem disso. Instintivamente me aproximei mais dele, nossos corpos se colando.

Não consegui reprimir um gemido quando ele me apertou em seus braços, sentindo seu calor me envolvendo sentindo seu corpo se encaixar ao meu. Suas mãos passeavam pelas minhas costas, me mantendo próxima a ele, as minhas exploravam seus braços, apertando-os de vez em quando.

Um calor inexplicável começou a tomar conta de mim, me fazendo sentir coisas estranhas que eu nunca sentira antes, mas que estava gostando muito de conhecer, essas sensações novas faziam com que eu me sentisse confiante, bonita, atraente e desejosa.

Quando precisamos de ar seus lábios começaram a descer para meu pescoço e ombros e quando ele tocava em um ponto sensível de minha pele, sons involuntários escapavam de meus lábios em meio a minha respiração ofegante.

Sua boca alcançou a minha mais uma vez, suas mãos, agora sobre meus braços, empurraram gentilmente até que minhas costas estivessem apoiadas sobre o colchão, Jack moveu-se até estar sobre mim, apoiando seu peso nos cotovelos, sua boca voltando a incitar meu pescoço.

– Amor. – Gemi sem poder me controlar.

– Eu quero você. – Pediu se apertando contra mim. Seu hálito roçou meu pescoço, arrepiando os pelos do local.

Eu sentia um desconforto, uma necessidade, eu sabia que precisava dele, eu o queria, eu sabia que não me arrependeria, eu o amava e queria que ele fosse meu primeiro, queria que ele me fizesse sua mulher.

Ele parou e ergueu a cabeça para me olhar, eu o sentia apertado em mim, sentia que ele também me queria e eu já não estava mais me aguentando, eu precisava de um alívio para aquela sensação que estava começando a me deixar louca, então assenti.

– Mesmo? – Perguntou me olhando, sua voz grave.

Assenti novamente, incapaz de falar. Mordia meu lábio inferior em expectativa. Ele não disse mais nada, apenas levantou-se, se ajoelhando na cama e estendendo a mão para mim. Segurei-a e ele me ajudou a levantar, me sentei de frente a ele, imitando-o.

Ele se aproximou de mim, com uma mão em minha cintura e voltou a me beijar, me apertando contra seu corpo. Seus lábios deixaram minha boca e beijaram minha bochecha, trilhando um caminho para minha orelha, quando estava com a boca encostada à minha orelha sussurrou.

– Fica calma, eu vou cuidar de você agora.

E logo depois sua boca se fechou no lóbulo da minha orelha, sugando-o. Estremeci levemente, mas relaxei em seus braços instantaneamente. Sua outra mão desceu até minha cintura, apertando-a antes de puxar a regata de meu corpo.

Ouvi-o gemer sofregamente antes de descer a boca para meus seios enquanto suas mãos iam para o fecho do sutiã, abrindo-o e jogando-o. Sua língua raspou um de meus mamilos antes que sua boca se fechasse sobre ele, meus dedos se fecharam nos fios perto de sua nuca enquanto um gemido saia de minha boca.

Ele voltou a me empurrar em direção ao colchão, não ofereci resistência. Sem perder mais tempo ele puxou meu short e roupa íntima de uma só vez, prendi minha respiração, esperando pelo passo seguinte, me sentindo exposta e vulnerável.

Ouvi o som de zíper e de roupas caindo no chão, ouvi uma embalagem ser rasgada e plástico sendo puxado, mas estava muito nervosa, não conseguia olhá-lo. Senti suas mãos em meus seios, apertando-os. Senti sua boca mais uma vez em meu pescoço antes de senti-lo realmente.

Ele foi cuidadoso, penetrando-me lentamente, me sentia um pouco desconfortável, mas não sentia dor como temia sentir, só então voltei a respirar, tentando relaxar e me convencer que aquilo estava certo. Ele se moveu até me preencher por completo.

– Hum... Tão... Ah... Tão... Gostosa... – Ele gemeu se mexendo devagar.

Após mais alguns movimentos o prazer chegou e eu me mexi, querendo mais. Jackson logo notou e passou a se mover mais rapidamente, investindo com um pouco mais de força, eu não conseguia me controlar, meus dedos apertaram o lençol e eu arfava.

– Hm. – Ele gemia enquanto se movia em mim.

Eu finalmente me sentia completa e aquele desconforto foi trocado por uma sensação gostosa de prazer e desejo, mas também incitando ainda mais vontade, eu passei a querer cada vez mais. Minhas pernas envolveram-no e quando o senti indo ainda mais fundo gemi seu nome.

Em algum momento ele passou a se mover ainda mais rapidamente e não se passou muito tempo até que ele gemesse mais alto e subitamente substituísse esse ritmo por um pausado e profundo, até que ele parasse completamente, sua respiração arfante.

– Isso foi muito bom... – Ele falou. – Você é demais.

Jackson se inclinou e depositou um beijo em meus lábios.

...

E o tempo foi se passando, eu era feliz, Jack e eu estávamos bem, não brigávamos e nos entendíamos bem, algum tempo depois eu fiz meus primeiros trabalhos como modelo, um dos meus maiores sonhos se concretizou, para comemorar, Jackson me deu o relicário de presente... Tudo parecia bem, até que as coisas começaram a ruir.

Começou com a doença do meu pai, ele contraiu o hantavírus, um vírus mortal e sem cura, contraído pelas vias respiratórias. Começou com febres e logo se agravou com problemas nos pulmões e rins, em poucas semanas meu pai faleceu.

Jackson estava ali para me apoiar, mas isso não tornou mais fácil, porém foi bom ter alguém para segurar minha mão e me abraçar, assim eu não me sentia sozinha e conseguia ser forte o bastante para fazer o mesmo pela minha mãe.

Tentei seguir em frente, me dediquei mais do que nunca aos estudos, como tantas vezes meu pai me aconselhara a fazer. Também tinha o trabalho, ser modelo me ajudou, na frente das lentes eu não precisava saber quem eu era, eu não tinha dilemas, eu só precisava estar ali e fingir, sonhar ser alguém que eu não era.

E também tinha Jackson ele sempre estava por perto para me consolar quando tudo parecia ser demais e me fazia me sentir amada, como se eu tivesse um lugar no mundo, ele me dava forças quando eu me sentia fraca, eu vivia para fazê-lo feliz, sempre me esforçava para não magoá-lo ou irritá-lo, eu não queria perde-lo também.

Mas minha mãe não encarou a perda do meu pai de uma boa maneira, mesmo que eu tentasse ajudar, que eu estivesse ali para ela como Jackson para mim, mesmo que eu a abraçasse todos os dias e a dissesse que a amava ela não lutou.

Sua saúde se deteriorou e alguns meses depois de eu completar meus 21 anos ela faleceu. Mais uma vez, Jackson estava ali para mim, mas já não parecia ser o bastante, eu me sentia desamparada, eu me sentia triste, eu não sabia mais o que fazer.

Alguns dias depois da morte de minha mãe recebi uma ligação de uma grande amiga, Kristen, uma colega de profissão, alguns anos mais velha que eu, que eu havia conhecido em um dos trabalhos que participei, ela estava me convidando para ir à Londres, mas eu recusei, eu tinha meu amigo e namorado comigo e eu poderia aguentar se ele continuasse ali, mas não foi assim...

...

– O que foi amor? Está tão quieto... – Perguntei me preocupando.

Estávamos em minha casa, eu estava terminando de arrumar a cozinha enquanto ele estava sentado à mesa olhando pela janela. Eu havia notado que há alguns dias ele estava distante e calado, tentei não irritá-lo, mas eu estava começando a me preocupar.

Ele me olhou, analisando-me por alguns instantes antes de se levantar e andar até mim, eu parei imediatamente com o que estava fazendo e esperei que ele começasse a falar. Sentia-me inquieta, meu coração começava a se acelerar com a expectativa.

– Precisamos conversar Ashley. – Ele começou a falar, sério.

– Tudo bem, eu estou ouvindo. – Incentivei-o.

– Eu não sei o que está acontecendo... Eu não queria que fosse assim, você é uma pessoa incrível, você é linda e doce, mas... – Ele hesitou, baixando os olhos.

Eu sentia que meu coração iria sair pela boca, o nervosismo e o medo estavam começando a tomar conta de mim, mordi o lábio inferior com alguma força para me impedir de começar a chorar ou gritar. Ele respirou fundo antes de continuar.

– Ashley, você tem estado distante, eu não sei... Você mudou... Eu queria poder continuar te amando, mas eu não amo mais Ashley. Me perdoa, mas eu não posso continuar com isso.

Eu não sabia como agir, não sabia o que tinha que dizer, mas eu podia sentir as lágrimas quentes e familiares escorrerem pelo meu rosto, balancei a cabeça, tentando acordar do pesadelo que estava tendo, mas não surtiu efeito.

– Onde eu errei Jackson? O que eu fiz? O que eu deixei de fazer? – Perguntei em meio às lágrimas, minha voz soando um pouco mais aguda.

– Você não errou Ashley, não é nada disso... Eu só não me sinto mais como era antes, eu acho que nós mudamos e essas novas versões de nós mesmos não se amam como deveriam.

Ele parecia calmo, como se tivesse ensaiado isso muitas e muitas vezes, enquanto eu estava inconformada com minha incompetência por não poder fazê-lo feliz, por não ter sido o bastante, por ter sido boba o bastante para acreditar que alguma coisa na minha vida duraria para sempre.

– Eu sei que errei amor, não precisa tentar me convencer do contrário, não quero que deixe de ser feliz por culpa minha... Então... Não se preocupe comigo, não vou te incomodar, só me prometa que vai ser feliz. – Falei enquanto mais e mais lágrimas caiam, tentando parecer sensata.

Essas palavras foram as que meu coração me ditara, era o que era certo, ele não devia ficar preso a alguém como eu quando tinha tudo para ser feliz, eu o amava o bastante para desejar que ele fosse feliz e encontrasse o amor.

– Não é culpa sua Ash. Desculpe-me, não queria te fazer chorar. Se cuide. – Ele sussurrou essas palavras e saiu.

Assim que ouvi a porta bater eu deixei que minhas pernas já fracas cedessem e me encolhi, chorando, me sentindo mais sozinha do que em qualquer outro momento da minha vida.

...

Alguns dias depois Kristen voltou a me ligar e dessa vez eu aceitei seu convite, nada mais me prendia àquele lugar. Em mais ou menos duas semanas eu havia empacotado todas as minhas coisas, vendido a casa, doado alguns objetos que eu não pretendia levar comigo e vendido móveis e mais alguns artigos.

Meus pais e eu sempre tivemos uma boa vida, eles tinham bons empregos, nossa casa era grande e bem localizada, e eu havia juntado um bom dinheiro com meus trabalhos de modelo uma vez que eu não precisava gastar em muitas coisas, então, juntando o dinheiro da venda da casa, da herança dos meus pais e minhas economias eu tinha dinheiro o bastante, ou até mais do que isso...

Kristen se encarregou de procurar um apartamento para mim. Ela queria que eu ficasse com ela, mas depois de muita insistência minha ela cedeu e se ofereceu para procurar um bom lugar para mim. Ela havia me enviado o endereço há alguns dias para que eu pudesse despachar minhas coisas. E agora aqui estou eu, tentando deixar tudo para trás.

Tendo certeza de que tudo não foi um pesadelo, pelo menos não um que eu tivesse presenciado enquanto estava dormindo, decidi que agora era a hora de me dar a oportunidade de começar do zero, mas tendo minhas experiências para não me deixar errar de novo.

Abri o relicário que ainda estava apertado em minhas mãos, ali havia uma foto de meus pais de um lado e uma foto de Jackson do outro. Suspirei. Eu não deixei de amá-lo e com toda a certeza não esqueceria meus pais, mas a tristeza tornou-se parte do passado e agora eu não precisava sentir isso de novo... Eu não precisava mais sentir.

Fechei o relicário, beijando-o antes de deixá-lo escorregar de meus dedos, observei-o oscilando no cordão que o segurava antes de parar, descansando sobre meu peito. Voltei a olhar pela janela, as fofas nuvens enfeitavam o céu claro. Em uma rápida consulta ao relógio notei que estava naquele avião há três horas chegaria dentro de três ou quatro horas ao meu novo lar, à minha nova vida.

Notas finais
É isso, espero que tenham gostado... Me digam a opinião de vocês, é importante para mim, critiquem, opinem, enfim, se expressem, nem que seja só para dar um "oi". Ah, desculpem pelo hentai lixo, mas eu não sei escrevê-los bem, mais pra frente na história entenderão por que eu decidi colocá-lo. Estou colocando os links que estão na história para o caso de não conseguirem abri-los: Relicário: http://data1.whicdn.com/images/42798095/large.jpg Look Ashley (Flashback 1): http://www.polyvore.com/cgi/set?id=133404014&.locale=pt-br Obrigada por lerem ;*