Reaprendendo a Amar
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Era véspera de Natal, eu estava com Elizabeth, ajudando-a a preparar o jantar, como havia prometido. Já haviam se passado vários dias desde o encontro que tive com Kellan, mas aqueles momentos sempre me voltavam à mente, me tirando de sintonia. Principalmente aqueles depois do jantar.
...
Depois de pagar a conta pegamos nossos casacos, Kellan me ajudou a vestir o meu e me deu a mão, assim seguimos para o elevador. Daquela vez estávamos sozinhos. Inicialmente, permanecemos em silêncio, ouvindo a música ambiente que ressoava naquela caixa, mas depois de apenas poucos segundos eu decidi me pronunciar, sem aguentar aquela aura que nos envolvia.
– Eu adorei esse lugar, obrigada por me trazer. – Falei sinceramente.
Estávamos próximos e ele se virou para mim, encostando o ombro na parede de metal, ele me olhou por um instante antes de acariciar meu rosto com a ponta dos dedos, meus olhos automaticamente se fechando.
– Eu fico muito feliz que tenha gostado, mas não tem que agradecer. – Sua voz baixa e suave.
– Eu sinto que devo. – Contrapus abrindo os olhos lentamente. – Eu me diverti muito, foi bom passar esse tempo com você.
– Eu digo o mesmo. – Respondeu, os dedos agora em meu cabelo. – Espero que se repita.
– Eu também.
Ele sorriu e aquele sorriso doce fez com que eu me aproximasse dele, meus braços em volta da sua cintura, o rosto em seu peito. Logo seus braços estavam a minha volta. Eu olhei para ele, nossos rostos próximos.
– Eu me sinto bem com você. – Comentei.
– Você me faz bem Ashley. – Seu olhar era profundo e eu me perdi naquele azul que parecia infinito.
Nossas respirações se misturaram, nós nos aproximávamos mais e mais, até nossos lábios se tocarem, com suavidade, com carinho, me fazendo sentir de uma forma que eu jamais me sentira antes, leve, feliz, completa, apenas com aquele contato.
Sua língua traçou minha boca, uma de suas mãos em meu rosto, e eu entreabri os lábios, mas antes que pudéssemos aprofundar o beijo o som do elevador abrindo soou, fazendo com que nos separássemos com um sobressalto e um sorriso bobo no rosto. Ainda com uma mão em minha cintura ele me guiou pelo saguão.
Olhei para ele enquanto esperávamos o manobrista e vi seus lábios manchados com meu batom e ri, tentando limpá-lo. Pouco depois o manobrista parou o carro a nossa frente e Kellan abriu a porta para mim, antes que desse a volta e entrasse. O caminho de volta foi silencioso, apenas o som baixo do rádio soando e constantemente nos entreolhávamos com sorrisos no rosto.
Quando ele parou à frente do meu prédio eu me virei para ele.
– Obrigado por aceitar sair comigo. – Agradeceu com a voz suave. Balancei a cabeça.
– Se eu não posso agradecer você também não pode. – Repreendi-o em um sussurro.
Ele sorri e acaricia meu rosto. Em seus olhos, eu podia ver seu pedido mudo e em nenhum momento pensei em negá-lo. Logo nossos lábios estavam colados em um beijo calmo, sua língua acariciou minha boca e eu entreabri-a.
Nossas línguas acariciavam uma a outra, dançando juntas, explorando a boca um do outro, a respiração tornando-se descompassada, os batimentos cardíacos acelerados. Uma de suas mãos estava em minha cintura e outra em meu rosto.
Estávamos um pouco afastados, por causa do espaço que havia entre os bancos, mas em algum momento Kellan resolveu isso, me puxando para seu colo, minhas costas contra a porta e minhas pernas sobre o banco em que antes estava sentada.
Eu me sobressaltei, mas com sua boca na minha não pude pensar naquilo, apenas continuei beijando-o, sentindo algo florescer em mim, minhas mãos estavam em seu ombro e nuca, apertando e acariciando, seu perfume amadeirado e seu cheiro me deixavam inebriada e suas mãos apertando minha cintura me deixavam perigosamente entregue.
O fôlego não tardou a faltar e paramos o beijo com vários selinhos, seus lábios, manchados com meu batom, passearam pelo meu rosto. Respirei fundo e mesmo com o seu cheiro impregnado em todos os cantos daquele carro, inclusive em mim, recuperei um pouco de minha consciência e coloquei uma mão de cada lado do seu rosto, fazendo com que ele parasse com os beijos.
– Eu acho melhor eu subir. – Falei com a voz ofegante, limpando meu batom do seu rosto o melhor que pude. – Nos falamos depois? – Perguntei e ele assentiu.
Dei um leve selinho na boca dele, antes de me afastar e deixar que ele limpasse os borrões do batom na minha boca para que eu pudesse sair, seus olhos analisavam minha boca, parecendo tentado.
– Boa noite. – Murmurei o abraçando.
– Boa noite. – Sussurrou em meu ouvido.
...
Ele me mandou uma mensagem carinhosa aquela noite, o que me deixou com um sorriso ainda mais bobo e essas mensagens carinhosas perduraram por cada dia que passou e, durante esses dias saímos mais algumas vezes, algumas delas acompanhados por Julie, para ver as luzes e patinar, e naquela manhã, quando ele foi me buscar para ajudar sua mãe ele me levou uma linda rosa que estava junto com minhas coisas no quarto de hóspedes.
– Você parece contente. – Observou Elizabeth parecendo feliz.
Assenti sorrindo para ela e voltamos aos nossos afazeres, preparando um almoço simples e a ceia, normalmente, todos passam a véspera de Natal com alguns amigos em algum outro lugar. Continuaríamos entre amigos, mas em casa, e no almoço do dia seguinte comemoraríamos o Natal como manda a tradição londrina. Perto do almoço ouvimos risadas se aproximando e Julie apareceu, sobre os ombros de Kellan, os cabelos bagunçados pelo vento.
– Vovó eu estou com fome. – Resmungou antes de dar um gritinho quando o tio a tirou dos ombros, deixando-a de ponta cabeça.
Eu e Elizabeth rimos, com a ajuda deles colocamos à mesa, chamamos Peter e comemos juntos. Depois disso Kellan e Peter foram para a sala com Julie, Elizabeth havia ordenado que eles deixassem tudo arrumado, arrancando caretas de Kellan e Julie, mas pelas risadas não parecia nenhum sacrifício para eles.
Terminamos os preparativos pouco mais de duas horas antes do horário combinado e fomos nos arrumar, eu fui para o quarto de hóspedes, onde havia deixado todas as minhas coisas e entrei no banheiro, tomando um longo banho relaxante, lavando meus cabelos, antes de começar a me arrumar.
Tirei o excesso de água dos cabelos com uma toalha, enquanto estava enrolada em outra e depois passei o secador neles até secá-los totalmente, arrumando-os antes de começar a me vestir e me maquiar.
Estava colocando meus brincos, em frente ao grande espelho de corpo que havia no quarto, quando ouvi uma batida na porta antes que ela se abrisse lentamente.
– Posso entrar? – A voz rouca soou e eu olhei por sobre o ombro com um sorriso.
– Claro. – Respondi antes de voltar a me virar para colocar o segundo brinco, vendo-o se aproximar pelo reflexo do espelho.
– Você está incrível. – Elogiou se aproximando e me abraçando pelas costas, depositando um beijo em minha clavícula.
Sorri. Eu estava usando um vestido creme, com um recorte no busto que deixava a mostra tecido preto rendado, o vestido era bem ajustado ao meu corpo e ia até abaixo dos meus joelhos. Calçava um peep toe preto e usava uma pulseira e brincos prateados, meus cabelos agora estavam presos.
– Você também não está nada mal. – Falei enquanto me virava para olhá-lo.
– Nada mal? Só isso? – Perguntou abrindo os braços para me mostrar sua roupa. – Fale a verdade.
Eu ri, olhando-o de cima a baixo. Ele estava de calça social e camisa azuis escuras, usava relógio, sapatos e cinto pretos, o prateado de uma corrente aparecia pela gola de sua blusa.
– Tudo bem, tudo bem... – Me rendi. – Você está lindo.
– Agora está um pouco melhor. – Respondeu com um sorriso.
– Um pouco? – Perguntei arqueando uma sobrancelha.
– Sim, um pouco... – Ele fez uma pausa. – Você ainda está longe demais.
Tendo dito isso ele deu os passos que nos separavam e me tomou em um abraço de tirar o fôlego, sem me dar tempo para recuperá-lo antes de tomar minha boca em um beijo lento e profundo que retribuí imediatamente.
– Pronto, agora sim. – Falou ofegando e sorrindo para mim.
Eu retribuí o sorriso, tentando normalizar minha respiração. Era diferente de qualquer coisa a sensação de estar nos braços dele, mas eu não podia imaginar nada melhor.
– Tio Kellan! Tio Kellan! – Ouvimos uma vozinha infantil se aproximar.
– Vamos? – Ele chamou e eu assenti, sorrindo.
Ele segurou minha mão e me guiou para fora do quarto. Encontramos Julie subindo o último degrau, o rosto corado, ofegante, provavelmente havia corrido até ali.
– Fala baixinha! – Ele se abaixou até a altura dela, soltando minha mão e ela correu para ele, que logo a pegou no colo e levantou, fazendo-a dar um gritinho.
– A vovó mandou você descer. Agora. – Exigiu.
– Tudo bem princesinha, então vamos lá antes que ela suba aqui... – Falou piscando cúmplice para ela que deu um risinho. – Vamos? – Me chamou com a voz suave e eu assenti.
Começamos a descer as escadas enquanto Julie falava animadamente.
– Gostou do meu vestido (http://www.novidadesdamoda.com.br/wp-content/uploads/2014/04/vestido-duda-b-ndchen-brandili-mundi-bege_167854_600_1.jpg) tio? – Ela perguntou puxando a saia como se para torná-la visível. – O vovô disse que eu fiquei parecendo uma modelo, como você e a tia Ashley.
– Eu acho que está mais bonita que uma modelo, está uma princesa. – Me intrometi. – Não acha Kellan?
– Eu concordo, você está linda.
Julie deu um sorriso fofo e contente. E continuamos conversando com ela enquanto seguíamos os barulhos de louça e talheres para encontrar Elizabeth preparando os últimos detalhes da mesa.
– Uau mãe, é nesses momentos que você termina de me provar de onde saíram meus genes, você está uma gata! – Kellan disparou fazendo Elizabeth revirar os olhos, embora conservasse um sorriso carinhoso e lisonjeado nos lábios.
Ela usava um vestido branco, o tecido tinha uma textura discreta, mangas e decote alto, clássico e elegante. Ela não teve tempo de responder, porque a voz de Peter soou às nossas costas.
– Quantas vezes tenho que dizer para deixar minha mulher em paz? – Fingiu-se raivoso. – Mas você está realmente linda querida. – Elogiou fazendo-a corar, depositando um beijo rápido em seus lábios.
– Ah pai, não precisa ter ciúme, o senhor também não fica muito para trás. – Kellan falou enquanto colocava Julie no chão e ela logo correu para outro lugar da casa.
– Se isso foi um elogio, eu agradeço. – Peter falou sorrindo.
– E vocês dois estão incríveis. – Elizabeth elogiou.
– Eu sei mamãe. – Kellan falou em um tom convencido.
– Mas tenha certeza de que você está melhor do que ele, Ashley. – Peter falou sorrindo.
– Obrigada. – Agradeci sem jeito.
– Poxa pai, eu sei que a Ashley está de parar o trânsito, mas não precisa me rebaixar. – Kellan resmungou num falso tom de mágoa.
Continuamos conversando em um clima leve e divertido, ajudando Elizabeth a terminar de arrumar tudo, até que ouvimos os passos apressados de Julie, que até então estava com o rosto colado na janela, soarem pela casa, sua vozinha anunciando que havia alguém na porta, ao mesmo tempo em que a campainha o fazia.
Previsivelmente eram Christopher, Kristen, Sarah e Billy. Todos impecavelmente arrumados e sorrindo. Sarah trazia nos braços uma travessa coberta e Billy e Christopher carregavam sacolas com presentes que pediram para que fossem colocados sob a árvore.
Cumprimentamo-nos e nos instalamos na sala, ficando entre conversas animadas, por alguns momentos em grupos e em outros todos conversávamos juntos, Julie corria de um lado para o outro, conversando com cada um e fazendo todos nós rirmos.
Passamos horas conversando e rindo, eu me sentia em família, cercada por pessoas queridas e amigos e os olhares e sorrisos que Kellan me lançava a todo o momento faziam tudo isso ainda melhor. A noite passava e eu me sentia melhor do que imaginava que poderia imaginar que seria meu Natal depois de perder meus pais, mesmo eu sentindo falta deles e desejando que eles estivessem ali, comigo.
– No que está pensando? – Kellan perguntou sentando-se no braço do sofá, ao meu lado, depois de eu ter passado algum tempo sentada numa poltrona, apenas observando.
– Meus pais gostariam de estar aqui. – Respondi olhando-o para ele. – Eles amariam seus pais, a Julie e você.
– Ah não, acho que eles me odiariam. – Ele contrapôs, brincando, pegando minhas mãos e segurando entre as dele.
– Tenho certeza de que eles gostariam de você, na verdade, eu acho que eles gostam... – Comecei um pouco incerta.
– Como assim Ash? – Ele perguntou curioso.
– Em meus sonhos, meus pais aparecem às vezes, desde que te conheci, me falam de sentimentos, me dizem para dar uma chance a eles, me dizem que eu encontraria alguém que não me deixaria mais me sentir sozinha e me faria feliz... – Expliquei antes de baixar os olhos para nossas mãos dadas. – E eu me sinto assim com você. – Admiti em um sussurro envergonhado.
Eu vi algo mudar nos olhos dele, alguma certeza preencheu seus olhos e seu sorriso era ofuscante e inabalável.
– Eu tenho algo para você. – Anunciou se levantando de um salto. – Não saia daí. – Tendo dito isso ele saiu a passos rápidos da sala e voltou instantes depois com uma pequena caixa prateada com uma fita vermelha.
– Não é Natal ainda... Não devia esperar até amanhã? – Perguntei sorrindo.
– Não, eu quero que abra agora. – Sua certeza não me deu mais espaço para questionamento, então eu apenas aceitei o embrulho.
Com a caixa no colo puxei o laço, que se desfez com facilidade e puxei a tampa prateada, dentro dela havia uma caixa aveludada vermelha. Tirei-a de dentro da caixa e olhei para Kellan, que agora estava a minha frente, ajoelhado. Eu fiquei atônita, sem conseguir mover um músculo sequer.
– Ashley... – Ele começou a falar. – Eu queria muito que seus pais estivessem aqui para pedir isso a eles, mas o que você acabou de me dizer pode ter valido como uma resposta e, além disso, eu queria muito agradecê-los por ter trazido ao mundo alguém tão especial como você. – Meu coração começava a saltar e eu sentia o olhar de todos em nós. – Eu fico feliz por saber que te faço algum bem, porque assim sei que retribuí ao menos um pouco do que fez por mim, você me fez mais feliz, você completou tudo e eu quero muito tentar te fazer feliz em troca, se me permitir... Mas acima disso, eu sou egoísta o bastante pra não querer te perder. Então, Ashley, eu não posso prometer que nunca vou errar, mas você é a melhor parte de mim e por isso eu vou fazer de tudo pra te ver feliz. Namora comigo? – Ele pediu e segurou minha mão trêmula, que ainda segurava a caixa aveludada e, com a outra ergueu a tampa, revelando um par de alianças prateadas, uma delas um aro completo e outra segurando uma pedra brilhante, eram delicadas e lindas, simplesmente perfeitas.
Eu não podia ouvir muito bem a essa altura, meu coração batia tão forte que interferia na minha audição, um sentimento tão pleno fez meus olhos marejarem, eu não me lembrava de ter me sentido assim antes.
O que está acontecendo comigo? Eu disse a mim mesma que não precisava sentir, que eu não voltaria a cometer os mesmos erros que cometi no passado... Mas não parece a mesma coisa, isso é tão diferente, mas ao mesmo tempo parece tão familiar, é como estar voltando para o meu lugar.
Não imaginei que eu poderia me sentir feliz outra vez, achei que a tristeza seria minha companheira eterna, mas agora esse sentimento parece tão distante, tão irreal, ele foi ofuscado pelo brilho da felicidade, pelo brilho do amor...
Só espero que dessa vez esse brilho não se apague, não quero mais voltar à solidão, não agora e nem nunca. Se algum dia eu acreditei que sabia o que é o amor estava muito enganada, o amor não pode ser conhecido, não pode ser definido, ele é um mistério, mas é um mistério que eu estou disposta a desvendar.
– Sim. – Murmurei, minha voz mal passando de um sussurro, mas Kellan me ouviu e seus lábios se abriram em um sorriso lindo e sincero antes de encontrarem os meus.
Beijamo-nos com carinho, selando aquele momento, eu não podia me sentir mais completa. Porém, os murmúrios alegres e os gritinhos de minha indiscreta amiga me lembraram de que não estávamos sozinhos, assim como pareceram ter lembrado a Kellan, porque ele terminou o beijo, dando um selinho antes de separar nossos lábios.
Eu tinha certeza de que estava absurdamente corada, mas aquilo não importava muito, porque eu estava repleta da sensação de estar preenchida outra vez, como se eu tivesse reencontrado uma parte de mim que há muito havia perdido.
Kellan, um sorriso estampado nos lábios e os olhos brilhando, puxou a aliança que tinha a pedra encrustada, tirando-a do acolchoado da caixa e apanhou minha mão direita com delicadeza, deslizando a aliança pelo meu dedo anelar.
– É linda. – Sorri. – Como sabia o tamanho? – Perguntei.
– Tive uma ajudinha. – Falou indicando com a cabeça Kristen, que nos observava dos braços de Christopher, com um sorriso no rosto.
Peguei a aliança da caixa e tomei a mão direita de Kellan, colocando nela o aro prateado. Meu coração batia forte, se deleitando em uma sensação de plenitude. Quando a aliança estava em seu devido lugar nossas mãos se entrelaçaram, as alianças reluzindo nelas, olhamos para elas antes que nossos olhos voltassem a se encontrar.
– Acho que isso merece uma comemoração. – Declarou Peter, que havia trazido para a sala uma garrafa de champanhe em algum momento.
Todos nos servimos e bebemos, eles nos felicitaram e eu estava completamente boba. Kellan não saiu do meu lado pelo resto da noite, jantamos e conversamos, a hora passou e Sarah decidiu que era hora de ir embora, mesmo com os protestos de Elizabeth e, assim, nos despedimos de Sarah, Billy, Kristen e Christopher e, é claro, minha amiga não perdeu a oportunidade de me provocar.
Depois disso ajudei Elizabeth a arrumar a casa e lavar as louças, como dormiria ali não tinha pressa. Quando havíamos terminado, meus olhos estavam pesando e encontramos Julie dormindo no sofá.
Kellan pegou-a no colo e eu o acompanhei, a trocamos e colocamos para dormir. Depois disso eu fui para o quarto de hóspedes e Kellan para o seu, eu tomei banho, tirando minha maquiagem, coloquei um pijama de algodão confortável e quando estava me preparando para dormir ouvi uma batida baixa na porta.
– Oi. – Saudei meu namorado quando o vi entrar no quarto.
– Oi. – Ele murmurou. – Vim só dizer boa noite.
Ele se aproximou e me abraçou, me beijando apaixonadamente, me deixando sem fôlego. Quando o ar faltou demos vários selinhos antes que eu pousasse a cabeça em seu peito, ouvindo seu coração bater e o mantendo entre meus braços.
– Se você não me soltar vou achar que não quer que eu vá. – Ele brincou.
– Talvez eu não queira. – Falei apertando-o ainda mais em meus braços e bocejando.
Ele beijou o topo de minha cabeça antes de me puxar para a cama.
– Vem, deita aqui, deve estar cansada.
Eu assenti, coçando os olhos já pesados e me deitando. Ele puxou o cobertor e me cobriu, logo começou a acariciar meu cabelo e eu me encolhi sob a coberta, com frio.
– Me abraça. – Pedi. – Está frio. – Resmunguei.
Ele riu antes de se deitar sob a coberta comigo e me puxar para seus braços, minha cabeça em seu peito, eu me sentia bem, eu me sentia segura, e não demorou muito para que eu adormecesse ouvindo sua respiração profunda e seu coração batendo.
Quando eu acordei demorei um pouco para me lembrar de onde estava, mas logo senti a respiração pesada e o cheiro dele e sorri. Olhei para minha mão, onde a aliança prateada brilhava. Quem diria, eu estava namorando...
– Bom dia. – Kellan estava com a voz rouca e os olhos semicerrados.
– Bom dia. – Respondi em um sussurro beijando a bochecha dele.
Fiz menção de me levantar, mas seu braço se fechou em minha cintura.
– Para onde vai? – Perguntou me mantendo colada contra seu corpo.
– Escovar os dentes. – Respondi.
– Não... Fica aqui mais um pouquinho. – Pediu com a voz manhosa e eu não pude negar. Acomodei-me mais uma vez com a cabeça em seu peito.
Ficamos assim por vários minutos, apenas ouvindo a respiração um do outro, mas começamos a ouvir a movimentação pela casa e decidimos nos levantar, Kellan foi para seu quarto, sorrateiramente, e eu fui até o banheiro, fazer minha higiene matinal e me trocar.
Quando ouvi gritos infantis e passos ligeiros pela casa me apressei para fora do quarto, tinha certeza de que era Julie, ansiosa para, finalmente, abrir seus presentes de Natal.
Desta forma todos nos sentamos na sala, em volta da árvore e começamos a assistir Julie abrir a pilha de embrulhos que lhe era destinada, ela ganhara vários brinquedos, roupas, sapatos e o brilho em seus olhos era impagável. Quando abriu o meu, um novo aparelho de chá de brinquedo, ela pulou nos meus braços me agradecendo e eu beijei seu rosto, sorrindo.
Depois que ela abriu todos os presentes e ficou no meio da sala, cercada pelos brinquedos e restos de papel de embrulho, distraída, começamos a abrir nossos próprios embrulhos.
Todos pareceram gostar das minhas escolhas para presentes e aquilo me deixou muito contente, mas eles também haviam acertado nos presentes que me deram, Elizabeth e Peter me deram uma caixa de joias linda, Kellan me deu um lindo par de brincos, que eu agradeci com um beijo.
Além dos presentes dele também havia os que haviam sido deixados ali na noite anterior, de Kristen, um novo kit de maquiagens, o de seus pais, um lindo vestido azul.
Depois disso passamos o dia juntos, almoçamos, conversamos e brincamos com Julie e seus novos brinquedos e me surpreendi ao ver como me sentia feliz, como era fácil e bom estar com eles, eles me acolhiam como se eu sempre tivesse feito parte da família deles, Peter e Elizabeth me tratando como uma filha, Julie como uma tia e Kellan, bem, Kellan me dava amor, atenção, carinho, ele me fazia feliz.
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