Reaprendendo A Amar
1 Capítulo 1
Esther ficou uma semana observando Jason. Olhando como ele agia com as mulheres, o que ele fazia e como ele se comportava com elas. Pobres garotas, sempre rejeitadas depois de no mínimo três dias. Mas ele era, com toda a certeza, um garoto muito atraente. Tinha músculos bem definidos, mas sem exageros, cabelos negros e rebeldes, pele clara e olhos verdes escuros. E sem contar que era bem alto, devia ter uns 1,79 de altura.
~***~
Uma terça-feira feira normal pra todo mundo, menos é claro para Jason que logo pela manhã foi acordado por alguém que insistia em bater a sua porta. Ele pegou seu celular e viu que eram seis e quarenta e cinco da manhã.
"Quem é a essa hora da manhã?" Pensou ele
– Quem é? – perguntou enquanto abria a porta
Quando a porta estava aberta ele viu uma garota com os cabelos dourados e olhos azuis celestes. Ela usava um vestido branco que ficava mais ou menos uns dois dedos acima do joelho com um cintinho vermelho que realçava as suas curvas e carregava uma bolsinha vermelha daquelas de tira colo.
– Bom dia – falou a garota sorrindo – Você seria o Jason... Certo?
– Sim, quem é você e o que faz aqui a essa hora? – perguntou com mau humor por ter sido acordado tão cedo.
– Eu me chamo Esther. – falou séria dessa vez
– E o que você quer aqui tão cedo?
– Eu sou a sua nova professora. — fez uma pausa — Não vai me convidar para entrar? – falou arqueando uma sobrancelha.
Estava meio desnorteado com tal informação, mas logo dei passagem para que ela entrasse e eu pudesse fechar a porta. Estava entrando um vento gelado por conta da estação e eu estava ficando com frio.
– Posso saber de onde a senhorita tirou essa ideia maluca de que é a minha professora? – falei quando me recuperei do choque
– Antes fosse só uma ideia, meu caro Jason. – até então ela estava observando a decoração do apartamento, mas se virou para olhar pra mim – A partir de hoje eu serei a sua Professora do Amor. Eu vou...
– Como é que é? – a interrompi – Você só pode estar louca! Você vem até aqui às seis horas da manhã pra dizer que vai me ensinar o amor? Como assim, você vai transar comigo? É isso?
Ela corou com essa última frase, mas logo se recompõe – Na verdade eu vim aqui para lhe ensinar o amor e não para fazer amor com você. Até por que eu não ia querer transar com um homem que não sabe amar. – falou com indiferença na voz
– E quem disse que eu não sei amar? – falei fingindo indignação
– Vejamos... Um homem que não fica nem uma semana com a mesma garota e que nunca teve uma relação duradoura com alguém. É você realmente não sabe o significado de amor.
Eu estava boquiaberto. Como ela sabia de tudo aquilo?
– Eu vou explicar. – falou como se lesse os meus pensamentos. – Eu, na verdade, sou uma estrela. Literalmente. Todas nós temos a missão de ensinar o Amor para as pessoas que são ignorantes como você e que não fazem a mínima ideia de para que sirva esse sentimento. E eu tive a infelicidade de ter você como aluno. Você pode não acreditar se quiser, mas é a mais pura das verdades.
– Ok, então me prove. – a desafiei
Ela arqueou as sobrancelhas. – Não acredita?
– Nem um pouco.
– Esta bem então!
Ela se virou de costas e puxou o cabelo para frente, deixando a sua nuca a mostra.
– O que é isso? – falei pausadamente.
Ela tinha uma marca dourada em sua nuca, como se fosse feita de ouro liquido. Uma meia Lua com uma estrela.
– Isto é a prova que você pediu. E então, acredita agora?
– Como vou saber se isso não é uma tatuagem? – perguntei desconfiado
– Isso por um acaso se parece com uma tatuagem? – falou parecendo estar ofendida.
– Definitivamente não. – confessei.
– Olha só! Até que você não é assim tão orgulhoso como me falaram!
Tomamos café enquanto ela me explicava a sua missão e então decido fazer um acordo
– O que eu ganho se você conseguir me ensinar?
– A felicidade! – respondeu como se fosse uma pergunta obvia. — Tem recompensa maior do que amar e ser amado?
– Ok, e se você não conseguir... ?
– Bom, aí eu vou embora e você nunca mais irá me ver de novo.
E assim começa mais um dia...
Ela me passa várias lições e uma delas era a que eu teria que conhecer uma garota e me aproximar dela. Resolvi procurar na biblioteca, um dos meus lugares favoritos, lá encontrei uma garota de pele clara e com os cabelos cor de chocolate. Ela tinha olhos verdes e a boca levemente avermelhada. Ela estava de calça jeans e com uma blusa branca de manga caída. Aproximei-me de uma das estantes e peguei um livro aleatoriamente, feito isso caminhei até a mesa em que ela estava sentada e encostei o livro na mesa.
– Eu posso me sentar aqui? – perguntei educadamente, com plena consciência de que Esther estava observando tudo de uma estante ali próximo.
– É claro. – respondeu sem tirar os olhos do que estava fazendo.
– Eu me chamo Jason e você?
Ela olhou pra mim prestes a me xingar por estar atrapalhando a sua leitura, mas logo mudou de ideia quando me viu.
– Eu... – ela hesitou um pouco antes de responder, parecia procurar as palavras em sua mente, como se elas estivessem todas embaralhadas – Eu me chamo Anne. – Ela tinha uma voz dócil e também era muito... Fofa. Percebi também que ela tinha covinhas, o que a deixava ainda mais fofa.
Eu me sentei na cadeira de frente para ela e comecei a ler o livro que eu tinha pegado. Quando parei para ler o titulo do livro me dei conta de que tinha pegado o livro Os Miseráveis de Victor Hugo e comecei a ler com mais atenção já que o livro era realmente interessante. Ela olhava de vez em quando para mim quando achava que eu estava distraído, e às vezes eu estava mesmo. Depois de alguns minutos ela voltou a falar
– Esse livro... – eu olhei para ela – Esse livro é muito bom. – ela disse com as bochechas levemente coradas – Você está lendo pela primeira vez? – perguntou curiosa.
– Na verdade não. – confessei – Eu tive que ler ele para fazer uma peça de teatro. – Isso era verdade.
Ficamos conversando e decidimos ir para outro lugar, fomos então para um restaurante ali perto já que estava na hora do almoço e nenhum de nos havia comido, Esther estava logo atrás da gente, em uma mesa mais afastada para não chamar a atenção de Anne.
Estava escurecendo e Anne precisava voltar pra casa dela, trocamos celulares e cada um foi para a sua casa.
~***~
– Até que você não foi tão mal! – exclamou Esther quando entramos no meu apartamento. Ela estava claramente feliz – E então? O que achou dela? – falou curiosa
– Ela parece ser interessante e conversamos bastante. – falei sem prestar muita atenção enquanto falava. Foi então que me lembrei de algo – Nós já nos conhecemos... ?
– Lógico que não né! Você não a conheceu hoje?
– Não estou falando dela, estou falando de você. – ela me olhou confusa – Eu tenho a sensação de que já nos conhecemos antes, eu e você.
– Bom, eu não me lembro de já ter te conhecido. Deve ser coisa da sua cabeça, é melhor parar de pensar nisso ou então vai ficar louco. – falou rindo na ultima parte.
~***~
As semanas foram passando e Anne e eu nos falávamos todos os dias, por meio de mensagens ou pessoalmente quando marcávamos de nos encontrar em algum lugar.
Esther havia dito que tinha só seis meses para me ensinar o Amor e que o tempo estava passando rápido de mais. Esther era uma garota interessante, ela era bonita também e eu ainda acho que a conheço de algum lugar só não sei exatamente da onde... Mas enfim, isso não vem ao caso agora. O fato é que eu realmente estou desenvolvendo certos sentimentos de amor, carinho, coisa que eu não sentia desde... Desde que a minha namorada morreu. Sim eu tinha uma namora, mas ela morreu quando completamos um ano de namoro e desde então eu não consegui mais manter uma relação com outra pessoa. Mas agora eu não sei se estou gostando da Anne ou se estou gostando da Esther. Aí está mais um motivo sobre o porquê de eu não gostar do amor. Ele é um sentimento muito confuso e também muito delicado. Qualquer coisinha que você faça, por menor que seja pode mudar o rumo todo. E eu aprendi isso da pior maneira possível, acreditem. Ou não, tanto faz.
~***~
Eu acordei de madrugada e fui beber um pouco de água, eu tive um sonho estranho, não me lembro muito bem dele só sei que nesse sonho estava a Esther e outra garota que eu não conseguia ver o rosto, uma do lado da outra. Elas estavam tentando dizer algo, mas eu acordei antes e então não pude ouvir nada do que elas diziam.
Acabou que eu fiquei com insônia e quando levantei estava com olheiras enormes ao redor dos olhos.
– Não conseguiu dormir? — perguntou Esther quando entrei na cozinha.
– Não, tive um sonho estranho e depois disso fiquei com insônia... — falei bocejando
– Não quer descansar um pouco? Ainda são sete e meia e se você quiser pode dormir até às nove horas, que tal?- ofereceu ela
– Melhor não, vai que eu não consigo acordar. — eu falei e ela riu o que me fez dar um sorriso de lado.
– Tem razão, melhor não mesmo. — falou ainda rindo
Fiz um café para espantar o sono enquanto Esther preparava os pães e as torradas junto com a margarina, geleia, essas coisas todas.
Nessas últimas semanas eu acabei por me acostumar a ter uma mulher em casa, no caso a Esther. Ela era uma ótima dona de casa, cozinhava muito bem e era um pouco maníaca por limpeza então a casa estava sempre em ordem. Quando a Anne vinha para cá a Esther tinha que sair para que ela não pensasse besteiras, sabe como é, coisa de mulher.
– Você quer geleia ou margarina? – perguntou Esther me tirando dos meus devaneios.
– É geleia do que?
– Morango. – falou sorrindo. Era a sua preferida.
– Vou querer com geleia. – Ela era tão fofa. Sorri com esse pensamento.
Tomamos o nosso café da manha e depois fomos fazer os nossos afazeres, eu fui trabalhar e ela foi ao supermercado. O dia correu normalmente, como todos os outros.
Naquela noite Jason teve um sonho parecido com o da noite anterior, mas não conseguiu ver o rosto da garota, ele foi à cozinha e lá ele encontrou Esther sentada em uma das cadeiras com a cabeça apoiada em um dos braços, como se estivesse chorando.
– Esther você... Você está chorando? – ele perguntou se aproximando mais um pouco da garota.
Ela levou um susto e tentou disfarçar sem muito sucesso.
– Jason? O que faz acordado a essa hora? – ela perguntou tentando mudar de assunto
–Eu vim pegar um copo d’ água e você? O que faz acordada também?
– Bem, eu sou uma estrela não? É natural eu estar com insônia afinal, não estou acostumada a dormir a noite. – Aquilo era em parte verdade, pois ela na verdade tinha se lembrado de algo.
Por causa da convivência dos dois, Esther acabou se lembrando de algo que deveria ter esquecido há muito tempo. Ela era uma estrela, mas antes ela era uma humana normal e feliz. Ela tinha se lembrado de algo que aconteceu enquanto ela ainda estava viva, enquanto ela ainda era humana.
flash back
Esther estava no terceiro ano do colegial e tinha um namorado que estudava na mesma escola, mas em classes diferentes. Eles estavam namorando há quase um ano e ele era sem duvidas o homem da sua vida. Alguns dias antes de eles completarem um ano de namoro ele foi até a sala dela para lhe convidar para sair no final de semana e também porque ela estava demorando muito. Quando ele abriu a porta da sala deu de cara com a sua namorada beijando outro cara, que por sinal era o seu amigo. Ele ficou sem reação diante daquela cena, mas não demorou muito para tomar uma atitude. Jason foi até eles e puxou o seu “amigo” pelo ombro, mas antes que o mesmo pudesse pronunciar algo foi acertado com um soco no rosto, depois ele puxou Esther pelo pulso para fora da sala e continuou assim até saírem da escola.
– Jason me solta... – ela pediu, mas ele não soltou – Está me machucando!
Ele a soltou e se virou bruscamente a fazendo bater contra o seu peito.
– O que você estava fazendo Esther?! – perguntou puto da vida – O que você estava fazendo agarrada com o Pedro? – falou tentando controlar a raiva e a vontade de voltar lá para bater no seu amigo.
– Eu posso explicar Jason...
– Explicar? – interrompeu ele – Ah então você quer dizer que você ainda tem a cara de pau de me falar que pode explicar o que eu vi com os meus próprios olhos? É isso? – ela estava chorando
– Jason... Por favor, me deixa... – ela estava soluçando e não ousava olhar para ele – Ele... O Pedro, ele me beijou a força! Eu tentei me defender mais ele... Ele é muito forte e... E eu não conseguia me soltar...
– Já chega! Acabou Esther, acabou.
– Jason não...
– Chega! Eu nunca mais quero olhar na sua cara! E se você tentar insistir eu não vou hesitar em te bater! – ele foi embora deixando ela sozinha no meio da rua em frente à escola.
No dia seguinte ele não a encontrou na escola e nem nas semanas que se passaram. Ele não queria admitir mais estava sim muito preocupado e então, no dia em que eles iriam completar um ano de namoro, ele soube. Ela havia sido encontrada morta em um beco no mesmo dia em que ele terminou com ela. E mais, ela havia sido estuprada também. Quando Jason descobriu isso ele foi ate a casa dela torcendo para que aquilo tudo fosse uma brincadeira de mau gosto, mas não... Era tudo verdade. Jason se culpou achando que foi porque ele não acreditou nela, ele se arrependeu de tudo o que ele disse naquele dia, mas principalmente por não ter dito a ela que a amava. De não ter abraçado ela... Ele se arrependeu de tudo que ele podia ter feito mais não fez. E tudo isso por puro orgulho ferido. Nesse dia Jason foi até o cemitério em que ela havia sido enterrada. Ele levou um lírio, que era a flor preferida de Esther, Jason colocou a flor em cima do tumulo e começou a chorar pedindo perdão, dizendo que a amava, e mesmo sabendo que ela não poderia ouvir ele continuou falando na esperança de que aquilo tudo fosse um pesadelo. Que ela ria aparecer atrás dele e dizer: “O que você está fazendo aí, seu bobo?” com um sorriso no rosto o fazendo rir também. Mas no fundo ele sabia que isso não iria acontecer. Nunca mais, por que ele foi um idiota que não acreditou nela, e a deixou sozinha mesmo sabendo que aquilo poderia vir a acontecer.
Depois da morte de Esther, Jason nunca mais namorou outra garota.
fim do flash back
Jason foi buscar Anne no trabalho dela e chegando lá ele a viu conversando com um homem, ele era alto e usava terno, ela estava rindo e pareciam bem íntimos. Ele saiu dali correndo e voltou para casa.
– Jason o que aconteceu? – perguntou Esther – Você está bem?
Ela veio em minha direção e eu comecei a chorar, ela estava mais preocupada ainda, ela me guiou até o sofá e me abraçou.
– Calma Jason, o que aconteceu?
Eu continuei chorando, não conseguia parar e ela estava afagando o meu cabelo numa tentativa de me acalmar.
– Ela me traiu Esther! – falei depois de muita insistência da parte dela
– Como assim Jason? Você tem certeza disso?
Eu contei tudo o que eu vi e no final ela me olhou séria
– Jason o que você viu foi ela conversando com um homem e isso não quer dizer que a Anne traiu você! – ela me repreendeu
Eu olhei para ela e devo ter ficado assim por um bom tempo porque ela perguntou
– O que foi?
Eu toquei o rosto dela e comecei a acariciar, sentindo uma vontade imensa de beijar ela. E foi o que eu fiz. Encostei os meus lábios nos dela, ela pareceu surpresa no inicio, mas logo retribuiu o beijo. Eu senti que a conhecia de algum lugar, eu já tinha a beijado antes. A boca dela me parecia familiar, na verdade, tudo nela me era muito familiar, com se eu já conhecesse ela há muito tempo. Quando partimos o beijo ela me olhou confusa e assustada e então eu me lembrei.
– Você...
– Jason! Você vai lá agora conversar com a Anne e vai esquecer o que acabou de acontecer aqui!
– Eu conheço você... – tentei me lembrar de onde a conhecia mais nada veio em minha mente
Ela saiu do sofá e se trancou no quarto dela. Eu fui conversar com a Anne, mas ainda tentava me lembrar...
Quando voltei pra casa na manhã seguinte, Esther estava sentada no sofá com a mesma roupa de quando ela chegou pela primeira vez.
– Que bom que chegou Jason. Vejo que fez as pazes com a Anne.
– Você vai sair? — perguntei
– Eu vou embora.
– O que? Por quê?
– Eu já cumpri a minha missão. Você aprendeu o sentimento de amar... Não. Você reaprendeu a amar.
– Esther me fale a verdade. De onde nós nos conhecemos?
– Como assim?
– Eu me lembro de ter conhecido uma garota chamada Esther, mas estranhamente eu não consigo me lembrar do rosto dela.
Ela soltou um longo suspiro
– Então você se lembrou...
– Me lembrei de que?
– Jason quando você estava no Ensino Médio você tinha uma namorada...
Enquanto ela falava eu fui me lembrando de tudo o que aconteceu naquela época
– Então era você... – falei com a voz baixa
– Sim era eu. Naquele dia em que você foi ao cemitério pela primeira e ultima vez eu escutei tudo o que você falou. Eu desejei que você fosse feliz e como você não consegui isso, ser feliz, eu desci até aqui... E agora que você começou a aceitar a ideia de ser feliz a minha missão foi cumprida e eu vou poder voltar.
Ela começou a me explicar várias coisas e então desapareceu... Eu senti uma dor enorme no meu peito... Uma ferida que nunca iria cicatrizar e que nunca iria sumir...
Cinco anos depois...
Eu decidi que seria feliz, como ela desejou. Casei-me com a Anne depois de dois anos de namoro e seis meses de noivado, eu estava feliz de verdade. Ela ficou grávida de uma menina. Anne estava em trabalho de parto e eu estava rezando para que tudo desse certo. Para que não houvesse nenhuma complicação.
Não foi bem isso o que aconteceu. O parto teve algumas complicações e eu estava começando a achar que não merecia a felicidade. Anne teve algumas complicações devido ao fato de ela estar com a pressão alta, ela estava correndo risco de vida. O bebê nasceu saudável e foi encaminhado para o berçário já a mãe... Está estava correndo sérios riscos e eu estava cada vez mais nervoso.
Depois de algum tempo que me pareceu uma eternidade, o medico responsável pelo parto apareceu para falar comigo. Ele explicou que Anne corria sérios riscos de vida e eu já estava com o coração na mão a aquela altura. Mas ele veio com uma noticia boa, para o meu alivio. A Anne foi transferida para um quarto e algumas horas depois ela acordou, chamou o meu nome e logo que me viu perguntou sobre a nossa filha, que era uma menina forte e saudável graças a Deus.
– Onde ela está? – ela perguntou se levantando
– Está no berçário mais a enfermeira já vai chegar com ela para você dar de mama – falei sorrindo
– E como ela é?
– Ela? É linda! É pequena e frágil, eu tenho ate medo de pegar ela e sei lá, deixar cair. Ela sorriu
A enfermeira entrou no quarto carregando a nossa filha. Quando a enfermeira deu a pequena para a mãe e saiu do quarto nos deixando sozinhos.
– E então? – ela perguntou me tirando de meus devaneios
– O que?
– Como vamos chamar ela? Você escolhe.
– Sério?! – ela concordou com um gesto de cabeça. Eu comecei a olhar o bebê com mais atenção, ela era bem pequenina e não tinha muito cabelo, a pele era bem branquinha e os olhos dela eram verdes, como os nossos. Alguma coisa nela me fazia lembrar a Esther então... – Ela vai se chamar Esther.
– Que nome lindo!
Os anos passaram e a Esther cresceu saudável e feliz. Hoje ela tinha seis aninhos e era um doce de garota. Conforme ela crescia os cabelos, que eram castanho-claros começou a ficar dourados e os olhos adquiriram um tom de verde-azulado, parecia à reencarnação da Esther. É meio estranho falar assim, mas na minha vida apareceram duas garotas com o mesmo nome. Uma era a Esther, minha antiga namorada, e a outra era a minha pequenina Esther. A minha filha.
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