Realtale

1 Before the Tale (Prólogo)


Me sinto tão sozinha nesse orfanato, desde que papai e mamãe morreram naquele acidente, eu a cada dia percebo mais e mais que estou sozinha nesse mundo, as crianças daqui são estranhas, todas apenas... andam por ai, lendo, dormindo, brigando entre si, ou simplesmente não fazendo nada. Aqui nós nos dividimos em grupos, os mais quietinhos ficam cada um na sua, estudando, brincando sozinhos, e, tem uns mais bagunceiros que ficam machucando todos nós, os mais fracos. Mas tem uma pessoa que é diferente de todos, o Tommy, meu único e melhor amigo, a única pessoa que interage comigo nesse lugar, a única pessoa que me faz ter algum resquício de esperança em algum dia conseguir voltar a ser feliz.

Toda noite nós dois conseguimos evitar que as pessoas que trabalham aqui nos levem pro porão de noite, eles dizem que é uma inspeção de saúde, mas eu acho que é mentira, por que já tiveram vezes em que algumas crianças nunca mais voltaram, mas quando alguém dava falta de alguma delas, eles só falavam que alguém veio e as adotou, outra mentira, eu não sei ao certo o que realmente deve ser, mas algo me diz pra evitar, parece ser algo de ruim.

Sempre que eu estou entediada, me lembro da historinha que minha mãe me contava, e conto ao Tommy:

Há muito tempo atrás, duas raças reinavam no mundo, os humanos e os monstros.

Um dia, aconteceu uma terrível guerra entre eles, graças a um incidente em que um homem invadiu um abrigo, e matou vários monstros, afirmando que eles eram aberrações, e que mereciam ser exterminados. Essa guerra resultou em várias mortes dos dois lados, mas no final, os humanos acabaram vencendo, e eles então, selaram os monstros sobreviventes da guerra no subsolo, assim tornando a superfície apenas dos humanos. Desde então, os monstros nunca mais foram vistos.

Dizem as lendas de que, se alguma pessoa entrar sozinha em alguma floresta ou montanha, poderia acabar caindo no reino dos monstros e nunca mais voltar.

Eu gosto dessa história, apesar do Tommy dizer que é uma daquelas fábulas, tipo bicho-papão, só pra evitar que alguma criança acabe saindo de casa sozinha.

Apesar do orfanato ser ruim e estranho, é ainda melhor que voltar a morar na rua, que nem eu estava antes, e além disso, o Tommy faz tudo ser digamos "menos pior". Ele sempre consegue me animar com piadas, brincadeiras, e essas coisas nos piores momentos, acho que ele que me faz ter a vontade de querer continuar resistindo a tudo.

Hoje o dia foi complicado, eu e o Tommy fomos pegos pelas crianças más, apesar dele ter conseguido uma brecha pra eu fugir, mas pelo menos nós conseguimos escapar dos funcionários estranhos, nós estamos com vários machucados pelo corpo por causa dessas crianças más, sorte que o Tommy conseguiu roubar um curativo pra nós dois.

Na noite seguinte...

*Ofegante* Eles nos viram, aqueles funcionários estranhos nos viram. Nós estamos fugindo pra floresta mais próxima... Hã? O que é aquilo? *Pessoa sai do arbusto a frente deles*

"Vocês estão cercados" Falou o adulto estranho, "venham conosco, e prometemos que vocês não serão punidos."

Tommy deu um soco no estômago de um dos funcionários, e gritou "Corre! Eu vi o que eles fazem com as crianças que são pegas, eles as ma-"Um deles tampou a boca do Tommy e o imobilizou, e então dois deles começaram a espancar ele, eu entrei em desespero, mas ao tentar chegar perto pra ajudar, ele disse "Foge! Não volte por mim! Se você voltar, eu não vou te perdo-"*CRECK*

Eu vi, eu vi com meus próprios olhos eles quebrarem o pescoço de Tommy com um chute, eu não consigo me mexer, eu estou em choque, eu estou chorando, eu estou desesperada, a única pessoa que me amava e que eu amava acabou de morrer na minha frente, e eu não fiz nada pra impedir. Um deles está vindo em minha direção, mas eu me lembrei rapidamente do que Tommy me disse, e corri em disparada, em prantos, até despista-los, eu fui parar no Monte Ebott, tem um grande buraco a minha frente. Ele parece fundo. Perfeito para acabar com tudo, afinal, pra que eu vou continuar viva? Pra voltar pra rua e ser tratada como animal? Ou voltar pro orfanato pra ser morta? É, acho que minha hora chegou. *Pula no buraco*

Enquanto caio, eu me lembro de todos os meus momentos felizes com Tommy e por último, me conto baixinho a história da minha mãe, que é a minha última lembrança dela.

*PLOFT*

Hã? Eu.. Eu caí, mas... estou viva? Não, não, não, não, não, não, não NÃO! Por que meu sofrimento não acaba?! Por que essas flores amorteceram minha que-

Do nada sinto algo estranho fluindo sobre meu corpo, eu sinto algo diferente, algo que eu nunca senti antes, algo que... Me enche de Determinação.