Realmente pode me ver?

1 Desenhos na minha janela


Notas iniciais
Amo os dois desenhos! se vocês quiserem me dar uma mãozinha ESTAMOS AI! boa leitura! JACK FROST É O MAXIMO!!!!

Fazia frio, muito frio e se continuasse assim o dia seguinte seria dia de neve, ou seja, nada de aulas! Iupi! Um dia de folga é tudo o que eu poderia querer depois de uma semana horrível de provas e de castigo, aproveitar a casa quentinha, a lareira quentinha e o chocolate quentinho que só minha avó sabia fazer. Por que ir lá fora estava fora de cogitação, aquele frio todo e toda aquela neve que depois derrete nas suas botas e te deixa de pé molhado com certeza não era algo que eu queria. Não era muito fã do frio.

Dito e feito na manhã seguinte a neve chegava á cintura da minha vó que media um metro e meio, pulei da cama e fui direto pra janela, afastei as cortinas e me deparei com lindos desenhos feitos de gelo no vidro em forma de espirais, em floreios e umas marcas que lembravam dedos, mas balancei a cabeça e mandei esse pensamento para longe. Afinal quem perderia tempo e teria tanto talento para deixar aquilo no vidro da minha janela, coloquei na cabeça que foi a geada e o vento e fui me vestir. Coloquei um jeans escuro bem quentinho, uma cacharel azul claro, uma blusa com capuz azul escuro com uns desenhos de neve nas mangas, botas térmicas felpudas marrom e um gorro branco, me dei uma longa olhada no espelho gostando do contraste do meu cabelo negro com o gorro e depois corri escada abaixo, sem arrumar cama nem nada.

Da escada podia sentir o cheiro delicioso de chocolate e torradas com manteiga, mas uma força desconhecida me fez rodopiar ao redor da minha linda velhinha e dei um beijo nela e na minha mãe que estavam na cozinha e corri porta afora. A risada que soltei ao sentir os flocos de neve tocarem meu rosto foi uma coisa que não deu pra segurar, como se eu fosse uma criança pequena e não a moça de dezesseis anos que tinha, abri os braços para o céu e comecei a dançar. Abri a boca para tentar pegar os flocos e depois senti braços na minha cintura, olhei para baixo e vi meu irmãozinho com quatro anos na época que me dava um sorriso de covinhas. O peguei no colo e o rodopiei arrancando risadas dele, o arrumei melhor no colo e falei:

–-Viu que dia incrível Jack Frost deu pra gente Leo?

–-Jak fot? Leonard repetiu segurando meu rosto entre suas mãozinhas.

–-É! Ele é o responsável pelo inverno, faz a neve cair, cria geada que faz desenhos nas vidraças das nossas janelas, por toda a diversão em dias assim e por não irmos à escola e alguns adultos ao trabalho!vejo que ele estava com o capuz para baixo e puxo pela sua cabeça Ei cobre essa cabeça ou Jack Frost vai congelar seu nariz!

Com as pequeninas mãos ele cobre o nariz e a voz sai um pouco anasalada:

–-nhão queio naiz cogeado Salah!

Eu apenas ri e beijei sua testa, logo minha mãe nos chamou pra dentro e fui com ele no colo, mas uma das minhas mãos ainda passeava pelo meio da neve que caia e olhando para o céu murmurei meio sem pensar:

–-Que tempinho gostoso Jack!

Então senti uma pequena pressão gelada em minha bochecha que logo ficou com uma sensação morna, levei a mão livre rapidamente para o rosto e olhei para os lados surpresa, mas como eu não via mais ninguém no jardim dos fundos que não fosse nós entrei meio trôpega e confusa para dentro da cozinha. Minha vó me olhou e um ar preocupado se infiltrou em suas feições, foi ate mim colocando um Leo protestante no chão e me segurando pelos ombros perguntou:

–-O que foi minha filha?

–-Na... nada não Vó! Só... achei maluquice falar para ela que achava que o frio tinha me dado um beijo, então resolvi brincar Acho que Jack Frost deu um beijo no meu rosto!

Primeiro ela me lançou um olhar estranho, mas depois seus olhos seguiram seus lábios e sorriram para mim com toda a preocupação esquecida, soltou meus ombros e foi se sentar na bancada da cozinha onde o café da manhã esperava com seu cheiro convidativo junto com mamãe e Leo que já estavam lá. Confusa fui me sentar ao lado dela e todos tomamos os café.

Depois disso Leo e eu passamos o dia todo brincando na neve fazendo anjos e bonecos, justo eu que falei que não faria isso e nem encostaria na neve, mas como estava frio logo escureceu e tivemos que entrar. Aquele dia foi gostoso só meu irmão e eu, mas a noticia que veio do telejornal que a nevasca tinha fechado e interditado mais de cinco pistas de pouso, duas pistas interestaduais e cancelado mais de cinqüenta vôos junto com a ligação que meu pai não ia vir para casa aquela noite e ficar acampando no aeroporto estragou minha noite. Depois de um longo banho quente fui para cama reclamando do frio ate dizer chega, dizendo que aquela neve idiota tinha impedido do meu pai chegar em casa e quando o sono chegou ainda reclamava da geada.

Ainda estava escuro lá fora quando escutei um barulho vindo da minha janela, era continuo e estava me irritando, por isso me levantei e fui ate a janela e abri as cortinas rispidamente e dei de cara com alguém. Ele era pálido, os cabelos tão brancos como neve, os olhos azuis gelo e estava sentado no parapeito, no mesmo instante fiquei em choque. Por um momento ele ficou apenas me encarando e então com um sorriso pra lá de triste saiu do parapeito da janela, foi voando para longe ainda me olhando foi quando minha cabeça voltou a funcionar e tomando coragem abri a janela as pressas chamando meio sem fôlego:

–-Jack!

Ele parou no ar me olhando surpreso, depois rápido demais veio na minha direção, mas o ar frio lá de fora deve ter acompanhado seu ritmo porque uma lufada congelante me acertou e me jogou para trás com tudo.

–-Desculpa! Desculpa! Se machucou?uma voz gentil e preocupada chegou ate mim enquanto eu ouvia sininhos.

–-J... já estive melhor...consegui balbuciar, senti mãos frias ajudarem a me levantar.

Escuto passos no corredor, batidinhas de leve na porta e a voz da minha mãe vir através dela:

–-Sarah tudo bem?

–-To mãe! Não se preocupa, foi... foi um sono agitado. Ca... cai da cama!respondi enquanto esfregava a nuca e me escorava em uma coisa fria, ouvi os risinhos dela enquanto voltava para o próprio quarto.

–-Des... desculpa... machucou quando caiu... peraí! me viraram rápido e me deparei com olhos lindamente azuis Você me viu?! Você ta me vendo? Você... acredita que eu existo?

Por um instante tive vontade de rir, falar que aquilo era um sonho e que logo eu acordaria e estaria na cama, mas não tinha como não sentir as mãos firmes segurando meus ombros e nem deixar de acreditar na esperança queimando naqueles olhos e ainda assim dizer que não era real. Levantei minhas mãos dormentes de frio e as levei ate o rosto dele, frio a principio, mas depois foi ficando morno ao toque e ele fechou os olhos ainda me segurando pelos ombros. Seu cajado estava jogado em cima da minha cama.

–-Você realmente existe... você... posso te ver! Mas... como?soltei por fim enquanto ainda segurava o rosto dele nas mãos.

Seus olhos se abrem e com um sorriso que praticamente ia de um lado ao outro do rosto me responde:

–-Não sei! Mas você realmente acredita em mim! Ontem de manhã ate me agradeceu pela neve! Sabe... fiquei muito feliz!

Sim, podia ver que ele tinha ficado feliz mesmo e senti que minha própria boca se abria em um sorriso, mas a nossa felicidade muda foi quebrada por um frio na minha espinha e um gritinho vindo do quarto do Leo, larguei o rosto dele na mesma hora e corri na direção da porta. Abri e me joguei corredor adentro na direção do som sentindo a presença de Jack Frost atrás de mim, quando abri a porta quase tive um treco e esbarrei no carinha da geada, tinha uma figura sinistra ao lado da cama do meu irmão. Um rosto acinzentado e vestindo uma longa túnica negra, parecia que ele tava tirando alguma coisa da cabeça de Leo e demonstrando uma coragem maior do que realmente sentia me joguei contra aquela coisa.

–-Não! pude ouvir Jack atrás de mim.

Me coloquei entre ele e Leo e o empurrei com toda minha força, ele cambaleou ate bater no guarda-roupa e me olhou com um certo interesse, engoli em seco e disse:

–-N... nã... não toque no meu irmão... p... pa... papão!

–-Hoooo... pode me ver? ele me deu um sorriso de dentes de tubarão Que interessante! Achei que uma jovem mulher na sua idade já não acreditasse em seres como eu ou Jack Frost... também acredita no coelho da páscoa? E a propósito me chame de Pitch, esta bem?

Me sentia oprimida e morrendo de medo, nessa hora Jack se colocou entre nós e colocou o cajado contra o papão e disse numa voz gélida:

–-Achei que já tinha dado um jeito em você... Pitch. Não vou permitir que faça nada contra esses dois...

O fabricador de pesadelos apenas riu, mas atrás de mim ouvi Leo murmurar que estava com medo e me esquecendo completamente que estava na presença de duas pessoas que não deveriam existir de verdade, me ajoelhei ao lado da cama juntando minha cabeça com a dele e falei:

–-Esta tudo bem! Esta tudo bem!

–-Maiz... a foesta ta escuia e nhão conshigo te vê mana... tem olos vemeios me olando... mana.......ele começou a choramingar e meu coração se estilhaçou com isso, ele morria de medo de lobos assim como eu.

Podia sentir os olhares dos dois em mim e a tensão palpável entre eles, mas ainda assim minha única preocupação era o Leo e com a voz mais doce que podia fazer disse:

–-Como assim floresta escura? O sol ta clareando tudo, estamos de mãos dadas e... olha! Um Esquilo enchendo a boca de bolotas, e ali quantos nascissos aparecendo na neve que acabou de cair, sabe o que significa?

–-Caxa ao ovohs... hi hi hi ouvi aliviada ele rir e logo em seguida começar a ressonar, todo o pesadelo esquecido.

Ouvi alguém bufar atrás de mim o que me fez virar rapidamente a tempo de ver Pitch sair janela afora e ouvir:

–-................... Homem da lua miserável.............

Na hora não entendi o por que dele dizer aquilo, mas olhei para Jack e vi que ele estava muito preocupado, se agachou ate mim e falou:

–-Temos que falar com Norte!

Olhei confusa para ele e encontrando a voz lá no fundo murmurei:

–-Quem?

Notas finais
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