Realidades Estranhas
1 Aquela que nunca mente
“A truth that's told with bad intent
Beats all the lies you can invent.”
― William Blake, Auguries of Innocence
Era uma tarde quente de fim de verão quando a vi pela primeira vez. Eu estava chegando em casa, equilibrando cinco livros pesados em um braço, enquanto usava minha mão livre para procurar as chaves do apartamento no bolso. Foi quando, em meio a minha irritação pela chave que não queria aparecer, que fui envolvido por um aroma peculiar.
De primeiro, era enjoativo, como aqueles perfumes de tutti-frutti que a minha irmãzinha adorava usar. Depois, o aroma me envolveu , enjoativo, doce demais.
― Olá, vizinho.
Dei um pulo, quase deixando cair meus livros. Foi então que a vi. A garota estava encostada na parede, ao lado de porta do apartamento vizinho que, para minha surpresa, estava aberta. Ela era alta, com longos cabelos platinados e olhos em um estranho tom de violeta.
― Olá.
A garota tinha um meio sorriso nos lábios, como se me ver todo desajeitado a divertisse.
― Meu nome é Céline. ― Disse, sem estender a mão, como a maior parte das pessoas faz. ― Sou sua nova vizinha.
― Eu não sabia que o Sr. Rubell estava de mudança.
Ela não me respondeu, apenas deu com os ombros.
― Meu nome é Lucas, mas pode me chamar de Luke. Estudo na NYU.
Céline me olhou de cima a baixo, como se me avaliasse. Então, sem dizer nada, ela se virou e entrou no seu apartamento.
Estranha, pensei. Eu planejava ter pouco ou nenhum contato com a garota e apenas ficar na minha. Porém, Céline parecia achar um jeito de entrar na minha vida e infestar meu apartamento com o seu cheiro. Primeiro, foi algo que faltava em sua cozinha, “eu poderia pegar um pouquinho de açúcar?”, depois foi a chave que havia sumido “minhas irmãs adoram roubar minhas coisas, eu poderia ficar aqui até o amanhecer? Elas sempre devolvem” e então, houve uma noite de tormenta, com raios e trovões, parecia que os céus estavam em uma violenta guerra. Nessa noite, ela bateu em minha porta, interrompendo minha noite de estudos, eu abri e a encontrei completamente encharcada, “preciso beijar você, é muito importante que eu faça isso”.
Pego de surpresa, eu apenas respondi:
― Você está louca?
― Não.
― Está mentindo.
― Eu não minto. Eu não posso mentir.
― Todo mundo pode mentir.
― O meu povo não pode. ― Ela é louca, foi a minha conclusão, mas antes que eu pudesse dizer algo, ela avançou e me beijou. Foi um beijo rápido e simples, um selinho, um breve encostar de lábios, mas o suficiente para que eu sentisse o quão doce ela era.
Nem mesmo sabia que alguém podia ter aquele gosto. Era como o seu cheiro, enjoativo, mas que me fazia querer mais.
De algum modo, eu soube que algo tinha mudado. Algo profundo. Como se o beijo me tivesse marcado de alguma forma. Podia sentir uma formigação no pé da minha barriga, que subiu até a altura do meu peito.
― O que você fez?
― Eu te disse, minhas irmãs gostam de roubar coisas que me pertencem. Dessa forma, elas não serão capazes.
Demorei alguns segundos para entender o sentindo da sua frase.
― Mas eu não pertenço a você.
Ela não disse nada, apenas se virou e foi embora.
Depois disso, as coisas mudaram. Céline passou a ser uma presença constante no meu apartamento, por vezes, passando mais tempo aqui do que no dela própria. Os beijos também se tornaram constantes. Quando estávamos longe um do outro, eu pensava em mandá-la embora. Eu tinha matérias para estudar, livros para ler e nenhum tempo para perder com uma maluca. Contudo, bastava Céline voltar, que tais pensamentos desapareciam da minha mente.
Ela gostava e pedir coisas. Pequenos presentes e favores. Alguns deles eram fáceis, como docinhos e flores, alguns deles eram mais complicados, como buscar um pacote abandonado no meio do Central Park. Fui tomando gosto por agradá-la, cada vez que cumpria um pedido, recebia um beijo como pagamento.
Gostava que dormir com ela ao meu lado, as manhãs eram sempre mais brilhantes e prazerosas. Seu doce aroma era tudo o que eu queria sentir quando acordava.
― Ela é sua namorada? ― Um colega da NYU perguntou quando veio me visitar e a viu sentada no sofá. Josh a achou estranha, mas também eu tinha achado inicialmente. Ela era estranha… Mas ela era também algo a mais.
Antes que eu pudesse responder, ela falou:
― Ele é meu.
Seu olhar cintilava com um brilho estranho, algo que fez Josh dar um passo para trás, desconfiado.
Ele não entenderia, mas Céline era possessiva. Nunca tínhamos de fato conversado sobre namoro, mas ainda assim, ela sentia bastante ciúmes de me ver com qualquer outra garota e, às vezes, com garotos também. O ciúmes, por muitas vezes, acaba em brigas, mas ela sempre me acalmava no final e eu sempre acabava fazendo o que ela queria.
― Aquele seu amigo… Josh, o nome dele? ― Céline estava sentada em cima de mim, ambos completamente nus no chão da sala. Ela mexia o quadril enquanto falava e eu tentava me concentrar em suas palavras.
― Sim, Josh.
Ela mexeu mais forte, eu gemi. Ela beijou o meu pescoço e então disse perto do meu ouvido:
― Ele tem ciúmes de você.
O que?
― Você tem as melhores notas, você é o mais querido, você me tem. ― Seus olhos agora estavam na frente dos meus, seus movimentos ficaram mais rápidos e frenéticos. ― Eu vi como ele me olhou, ele tem ciúmes… Eu não quero que você se machuque, eu nunca vou deixar você se machucar.
Ele tinha… Josh estava tão estranho ultimamente, se metendo em coisas que não lhe diziam respeito… E Céline só queria me proteger...
E então ela mexeu uma última vez e tudo ao meu redor se refez.
― Você está louco, Luke. ― Josh esbravejou quando fui confrontá-lo. ― Olhe o que está dizendo.
― Fique longe de mim e da Céline!
Depois disso, eu fiquei um pouco só. Céline era toda a companhia que eu tinha fora das aulas. Ela lhe contava histórias sobre fadas, gnomos e trolls. Falava sobre a caçada, um grupo de guerreiros fadas que montavam cavalos e carregavam grandes espadas. Ela me beijava e tirava sua roupa. Nós fazíamos sexo, era incrível e ela repetia que eu pertencia à ela.
― O que nós somos, afinal? ― Perguntei, enquanto a abraçava na cama. ― Namorados.
― Você é meu.
― É, você sempre diz isso.
― Nós vamos casar. ― Aquilo não tinha sido uma pergunta.
― Isso é um pedido?
― Uma mentirinha de brincadeira?
― Eu não posso mentir.
― Isso de novo?
Ela me encarou.
― É verdade. Por isso sou sempre honesta, mesmo quando não devo, quando suas normas sociais me pedem para mentir.
― Todo ser humano é capaz de mentir, Céline.
― Eu não sou humana. ― A afirmação, por alguma razão, não me chocou. ― Mas você já sabe disso, não é?
― Sei?
― Sim. Vocês, humanos, gostam de ver a verdade como melhor lhes convém. No fundo, você já sabe.
Garota estranha.
A honestidade dela era incrivelmente bizarra. Céline não parecia ter um filtro social, ela dizia tudo o que lhe vinha à cabeça e quando decidia não o fazer, apenas ficava calada, ao invés de inventar uma mentirinha branca. Porém, apesar de tudo o que ela falar ser verdadeiro, era também dúbio. Uma verdade feita para enganar, manipuladora. Eu já a tinha visto usar a verdade a seu favor, Céline teria um grande futuro trabalhado na política. Uma vez eu disse isso e ela respondeu:
― Nós fazemos algo parecido.
― Nós?
― O meu povo.
Ela falava constantemente sobre o povo dela. As fadas e suas cortes. Essa era, talvez, a única mentira que Céline já havia lhe contado, apesar da garota parecer acreditar honestamente nessas histórias. Fadas não podem mentir, ela explicou a ele uma vez, justificando a sua honestidade brutal. Sua mente racional lhe dizia que fadas não existiam, mas o modo como Céline falava…
― Fadas não existem, você sabe disso, né?
― Elas existem. Eu existo.
― Sim, mas você é humana.
Ela riu.
― Você de novo com isso. Acha mesmo que sou humana? ― Ele pensou em todas as coisas estranhas sobre ela e como se pudesse ler sua mente, ela continuou: — Você sabe a verdade. No fundo você já sabe.
― Como eu nunca vi uma fada?
― Você está me vendo.
― Outra fada, eu digo.
― As outras não são tão agradáveis como eu. ― Respondeu ela. ― Eu sou mais boazinha que as minhas irmãs.
― Fadas podem ser más?
Um sorriso estranho surgiu em seus lábios.
― Algumas podem.
― Você diz muitas coisas estranhas, sabia?
― E você gosta de negar a verdade. ― Respondeu. ― Mas é algo que todos os humanos têm em comum.
Um dia, eu acabei dizendo as três palavras mágicas.
― Eu te amo.
Elas apenas saíram dos meus lábios, como se estivessem presas na minha língua, prontas para escapar. Céline sorriu, segurou meu rosto com ambas as mãos e disse:
― Eu também te amo.
Um dia, Céline desapareceu. Passou dias e mais dias sem bater na minha porta. Fiquei preocupado, a sensação de inquietação crescia à medida que o tempo passava. Bati na porta dela por vários dias, cheguei a esperá-la sentado nas escadas na esperança de que ela apareceria a qualquer momento. Não podia ligar, foi apenas quando ela sumiu que eu percebi que ela nunca tinha me dado o seu número, rede social, nem mesmo um email. Eu podia apenas esperar.
Uma semana. Duas semanas. Um mês. Dois meses.
Com o passar do tempo, comecei a pensar mais claramente. Por que eu sentia tanta falta dela? Aquela garota estranha que não gostava dos meus amigos, não gostava que eu não lhe desse atenção suficiente, que me distraia dos meus estudos, que parecia ter me prendido nessa relação bizarra. Eu devia estar feliz, não?
Minha notas subiram novamente. Sem Céline para dominar tudo sobre mim, eu era capaz de focar em outras coisas. Josh estava feliz por me ver livre dela e agora eu pensava no quão babaca tinha sido por brigar com ele.
― Você estava muito estranho, cara. ― Ele me disse enquanto tomávamos um café na cafeteria do campus.
Doug e Alec, outros dois amigos de quem me afastei, concordaram com a cabeça.
― Eu sei.
― Era quase como se ela estivesse te enfeitiçando. ― Josh então sorriu e bateu no meu ombro. ― Estou feliz por você estar de volta.
Minha rotina foi voltando ao normal. Andar de bicicleta com Doug pela manhã, ir assistir aos shows da banda de Alec, beber com o pessoal da faculdade, festas de fraternidade, jantar com os meus pais nas quintas. No fim daquele período, perto do início do inverno, uma grande festa foi planejada na casa do lago dos pais de Doug. Havia bebida, comida, música alta e uma piscina enorme (que apenas os loucos usariam no frio).
A festa começou animada, com Alec pulando nu no lago — para logo depois voltar correndo com frio — e Josh começando a competição de beerpong. A medida que o céu escurecia e mais gente chegava, eu comecei a ficar ansioso. Não entendia bem aquele sentimento, tudo estava correndo bem, mas ainda assim, meu corpo e minha mente estavam em alerta, como se estivessem se preparando para algo que estava por vir.
A imagem de Céline apareceu clara na minha mente, seu sorriso, seu beijo… Balancei a cabeça, esperando afastar aquilo, mas não consegui. Droga. Bebi mais um pouco, irritado pela minha animação ter esfriado. Foi então que me sentei em um canto mais calmo da casa, na varanda dos fundos, perto de um casal que parecia querer fazer sexo ali mesmo. Deixei minha cabeça tombar contra a parede.
― Ei! A cerveja vai acabar. ― Doug surgiu de repente. ― Eu e o Alec vamos comprar, quer vir?
Eu devia ter feito uma cara feia, pois os rapazes nem mesmo esperaram a minha resposta, eles apenas me despacharam com um aceno de mão.
― Descansa um pouco, você está péssimo. — Doug disse, para então se dirigir ao casal do meu lado. ― Ei! Tem lugar melhor para fazer isso.
O casal riu e saiu junto com Doug e Alec. Eu estava sozinho, olhando para o quintal que ainda não tinha sido tomado por universitários bêbados. O vento frio da noite me fez tremer e minha mente começou a ficar sonolenta. Estava quase dormindo quando notei alguém chegando pelos fundos da casa. Uma garota. Despertei no mesmo instante.
A garota era alta, com um longo cabelo cor de mel. Ela era linda, do tipo de você só vê uma vez na vida, seus olhos eram cor de rosa e pareciam brilhar no escuro, as suas orelhas eram levemente pontudas.
― Lucas.
Ela disse meu nome e então parou de andar. Não era Céline, mas havia algo nela…
― Quem é você?
― Eu me chamo Mailse.
Ela sorriu e o seu sorriso eram igual ao de Céline.
― Como você sabe o meu nome?
― Minha irmã me falou muito de você. ― A garota me olhou de cima a baixo. ― Você será divertido.
― Divertido?
― Para nós, pelo menos.
Ela tinha o mesmo cheiro de Céline, doce e enjoativo. Nauseado, tentei me levantar, meu corpo estava fraco, meus sentidos confusos, era quase como se eu tivesse bebido um barril inteiro de cerveja.
― Você é irmã de Céline?
― Céline? ― Ela riu. ― Esse não é o nome dela.
A garota avançou alguns passos, agora estava perto o suficiente para que eu pudesse tocá-la. O cheiro era insuportável, tentei tapar o nariz com a mão, mas de nada adiantou.
― Fadas não mentem. ― Acabei por dizer.
Toda aquela baboseira sobre fadas voltou a minha mente. Fadas não mentem, era isso o que Céline me dizia.
― Você está certo, nosso povo não mente. ― Ela aproximou o rosto do meu e em um sussurro, disse: ― Mas ela não é uma fada.
Suas mãos estavam, agora, ao redor do meu pescoço. Eram pequenas e delicadas, mas quando começaram a apertar, tinham a força de um gigante. Tentei lutar, uma garota magra como ela não deveria ser difícil de subjugar, mas eu estava errado. Seu olhos rosados tornaram-se vermelho sangue, seu rosto, antes bonito, deformou-se, se transformando no que parecia ser um demônio saído de um filme de terror.
E então, não mais do que de repente, o aperto cessou. O rosto de Mailse ficou congelado em uma expressão terrível, logo depois, um líquido prateado saiu da sua boca. Ela caiu para o lado e foi então que eu percebi a grande espada que tinha lhe perfurado o peito. Em meio ao meu choque, eu quase não a vi.
Céline.
Ela estava de pé, sua roupa manchada de vermelho, seus olhos tinham um brilho frio. Imediatamente senti medo, como um cordeiro que sente a presença de um lobo. Seu olhos violeta brilhavam na escuridão, assim como os de sua irmã, que ela acabara de matar.
― Eu o salvei.
― V-você acabou de matá-la!
― Sim. ― Ela me olhou confusa. ― Ela iria matar você.
― Era sua irmã. ― Meu coração batia acelerado. O medo se misturando com o choque. A garota com quem fiquei todos esses meses estava bem na minha frente, com sangue por todo seu corpo, segurando o cabo de uma espada medieval. Aquilo só poderia ter saído de um pesadelo.
― Eu nunca gostei muito dela.
A frieza nas suas palavras me fez arrepiar.
― O que você está fazendo aqui?
― Eu vim por você.
― Para onde você foi.
― Eu tinha coisas para resolver.
A cada resposta, ela aproximava-se um passo. Eu pensei nas minhas possibilidades, poderia correr para dentro, a festa estava ainda estava rolando, certamente Céline não poderia vencer um grupo de mais de 20 pessoas. Eu só precisava entrar e…
― Não fuja. É inútil. ― Disse ela, como se pudesse ouvir minha mente. ― Eles não podem te ajudar.
― Esse sangue… ― Seu vestido estava coberto por manchas vermelhas e o cheiro era irreconhecivelmente de sangue.
― Não é meu. ― O pânico subiu pelo meu corpo.
― De uma fada?
― Fadas não sangram vermelho.
Agora ela estava parada a poucos centímetros de mim. Seu cheiro impregnava todo ambiente, como uma droga, me fazendo ficar tonto.
― Humanos sangram. ― Eu disse.
― Sim. ― Ela respondeu. ― Ele não me queria me deixar vir até aqui. Queria nos manter distantes.
― Quem?
― Aquele seu amiguinho. Josh. Eu disse que o partiria em pedaços, mas ele não me ouviu.
Cada fibra do meu corpo me implorava para correr, mas eu estava congelado.
― O que você fez com ele?
― Ele tinha ciúmes, ele não iria nos deixar ficar juntos.
― Mentira!
― É verdade.
― Você pode mentir… Ela… ― Apontou trêmulo para o corpo que jazia no chão. ― Ela me disse que você não é um deles… Ela disse que Céline não é o seu nome.
A garota a minha frente suspirou.
― Eu sou uma fada. Metade fada, metade humana. O sangue fae está em mim, mas também está o sangue humano. Sendo assim, eu posso mentir tanto quanto vocês podem. ― Ela estava triste, ou pelo menos, tentou parecer. ― Eu não menti sobre amar você, Luke.
Meu coração acelerou.
― Eu nem mesmo sei o seu nome.
― Eavan. Esse foi o nome que minha mãe me deu. ― Suas mãos apertaram as minhas. Ela sorriu. ― É hora de ir, meu amor. Eles estão vindo.
― Quem?
― A caçada.
― Eu não quero ir com você. ― Respondi. ― O que você com o Josh? Vai fazer a mesma coisa comigo?
Ela revirou os olhos, deixando transparecer sua irritação.
― Não seja tolo. Você já estaria morto se eu quisesse. ― Ela aproximou o rosto do meu e depositou um beijo nos meus lábios. Breve e simples, mas que assim como antes, fez algo crescer em mim. Fez algo mudar. ― Você é meu, eu não menti sobre isso.
― Eu sou?
Céline… Ou melhor, Eavan, sorriu. Era o mais bonito de todos os sorrisos. Ela me beijou novamente, dessa vez mais demorado.
― Vamos?
― Sim. ― Uma pequena parte de mim me segurou. Lembrei de Josh, nós éramos amigos desde muito tempo. Isso não está certo, essa pequena parte de mim insistiu. ― Josh.
― Eu sinto tanto, meu amor. Eu só queria te proteger. Tudo o que eu fiz, todos os meus pecados, foi apenas porque eu queria te proteger. ― Ela apertou minha mão com delicadeza. ― Você nunca mais vai precisar de preocupar com nada, nós iremos para um lugar lindo e lá ninguém vai te machucar. Confia em mim?
― Sim.
Antes de seguir, ela puxou a grossa espada que tinha usado para matar Mailse.
― Raio de Luz é o nome dela. Muito antiga, cheia de história. Eu posso te contar quando chegarmos. ― A espada, agora manchada de prateado, tinha algumas manchas vermelhas denunciando que provavelmente havia sido usada antes. De pé, com Raio de Luz na mão, ela parecia uma princesa guerreira. ― Venha.
― Vamos deixá-la aí?
― Os outros vão cuidar dela.
Ela entendeu a mão na minha direção.
Eu a peguei.
E a segui para dentro da escuridão.
ASSASSINATO BRUTAL EM FESTA UNIVERSITÁRIA CONTINUA SEM RESPOSTAS
A polícia ainda não parece estar perto de elucidar o que aconteceu na festa promovida por universitários da NYU em uma casa privada nos arredores de Nova York. No sábado (20), o jovem identificado como Josh Summers, foi achado morto e esquartejado na cozinha da casa onde uma festa acontecia. Os demais convidados estavam em estado de coma, a maior suspeita da polícia é que o sono tenha sido causado por uma nova droga, mas ainda não existe um conclusão sobre o fato. Em uma conferência, a polícia confirmou que o sangue achado nos fundos da casa não pertencia à vítima, Josh Summers, ou ao jovem que continua desaparecido, Lucas Blackwood. As testemunhas estão sendo ouvidas novamente, dentre eles, os dois jovens que encontraram o corpo. Em uma nota, os advogados de ambos salientaram que seus clientes não são considerados suspeitos e que não forneceram drogas ilícitas aos colegas. Por enquanto, este estranho caso continua com mais perguntas do que respostas.
Notas finais
Obrigada por ler ^^
Beijos ;)
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