Realidade surreal parte 1, ou 2
3 O mar Dessa vez roxo, Parte 1
Quem quer que estivesse sonhando isso, não tinha muita criatividade com ambientes
Mar… Mar… Mar… sempre mar
Provavelmente um dia conheceremos Deus, e descobriremos que ele é um marinheiro
Mas se havia algo útil dessa vez, é que, apesar de termos parado em uma ilha no último sono, havia, graças ao maior de todos, o lendário sonhador, um navio, exatamente onde estava a ilha de antes
Não é todo dia que se via um desses, ainda mais quando este possuía em seu gurupé a cabeça de um pássaro usando um chapéu de fedora, oque, devo admitir, pode ser apenas estranho imaginar a partir da descrição, mas pessoalmente era uma imagem até que engraçada, ainda mais quando, de vez em quando, era possível escutar uma espécie de espreguiçamento com voz de gralha vindo dela:
–Aaaaah- disse com voz sonolenta abrindo a boca e fechando os olhos numa expressão de felicidade
– que bom que ao menos ele está feliz- disse Cardon no canhão gritando enquanto disparava mais uma bala
Talvez eu tenha esquecido de avisar, estávamos numa pequena “guerra de piratas”
–Arrr- gritou Efleck para o outro navio que nos atacava com uma frequência quinhentas vezes maior, pois tinha, literalmente, mil canhões, e nós, apenas dois
–Você sabe que não precisa imitar um pirata, certo? ainda mais quando “arr” é muito genérico e nem sequer o real modo de falar deles- Cardon disse irritado
Virei o timão para desviarmos do próximo tiro, fazendo nossa popa bater no casco do navio deles, rachando-o em parte, torci pra que entrasse água e o fizesse afundar, mas o buraco foi muito acima do nível da água
–Ouch!- exclamou o pássaro, ao qual decidi chamar de Jhoony, isso mesmo, “Jhoony”, dois O’s e não dois N’s, por que? não sei, mas me pareceu condizer com ele no momento
–deixe Efleck em paz, Cardon, todos estamos irritados aqui, deixe-o apenas se desestressar um pouco- falei
–Que ele se desestresse, desde que não “transfira caridosamente a raiva da conta dele pra minha”
–Arrrr!- exclamou o capitão do outro navio apenas fechando a expressão de raiva de Cardon
–Quer saber? querem me ouvir falar “Arr” eu também sei falar “arr”, olha que legal “AAAAAAAAAARRRRRRRRRR”- gritou colocando três balas ao mesmo tempo no canhão e disparando todas juntas colocando 5 vezes mais pólvora pra que acertassem o alvo
Uma após a outra, todas acertaram o buraco que havíamos aberto com a Popa, aparentemente, o estoque de pólvora do navio deles
–Nos deem seu ouro- disse o capitão antes de perceber o que estava acontecendo
–Desculpe senhor- gritei pra ele vendo o navio afundar -Mas não hoje- apanhei seu chapéu que estava voando e o pus em minha cabeça
Lentamente, fomos nos aproximando de um gigantesco iceberg à nossa frente, o qual possuía uma caverna e fomos adentrando
Pela parte ainda transparente da parede de gelo vi o navio pirata terminando de afundar
–Então, “capitão”- disse Cardon muito mais calmo agora zombando do chapéu -Para onde vamos agora?-
–Para lá- disse eu olhando a bússola -Vamos chamar de norte, apenas pra não ficar muito leigo-
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