Franky empurrou Sanji ao qual parou praticamente do outro lado da cozinha, Luffy não mostrava nenhum tipo de reação ao fitar o rosto do loiro. O capitão parecia não se importar com as atitudes drásticas do amigo, afinal entendia a dor do cozinheiro.

- PORQUE VOCÊ NÃO CONTA PARA NAMI-SAN, O QUE ACONTECEU AQUELE DIA?!

O moreno ajeitou o chapéu, persuadido, optou por se afastar da longa mesa em que todos estavam reunidos. O resto da tripulação sentia a tensão no ar. Luffy realmente não tinha o que falar, era uma opção dele.

- Eu não tenho o que contar. — A voz do moreno soou fria, sem emoção, deixando o cozinheiro fora de si, mais do que já estava. Sanji odiava ficar sem resposta, não era um fato qualquer, e sim era a morte de Zoro. Não somente o loiro, mas sim todos compartilhavam dos mesmos sentimentos.

- LUFFY!! — O cozinheiro esbravejou, lançando um olhar atípico para o capitão. Sanji necessitava de uma ótima resposta, só assim aceitaria a morte do companheiro, também só assim poderia consolar a sua adorada Nami, ele não agüentava mais vê-la sofrer. Ele precisava acordá-la novamente para a vida.

Zoro estava na cozinha sem entender, afinal sua morte não poderia causar tanta desavença, pois todos tinham sonhos, e deviam continuar lutando por eles, mesmo que eles não estivessem juntos. Na verdade, o espadachim tapava a própria mente com esses pensamentos, para ele essa era uma ótima desculpa para não sentir-se triste, ou melhor, mais triste.

\" - Porque diabos estão brigando?! Eu estou aqui vamos esclarecer tudo!\"

O espadachim aproximou-se de Luffy e Sanji, queria conversar com ambos, ele foi inocente, tentou tocá-los, mas não obteve nenhum efeito, como aquilo o incomodava. Irritado tentou chutar a parede mais próxima, mas levou um susto quando sua perna passou a madeira, era como se não estivesse nenhuma barreira ali.

\"- Droga! Esqueço-me que sou um fantasma!! Tsc!!\" – Alarmado puxou a perna, ficando na posição normal. Aquilo era um saco.

- Nami-san está ficando doente, ela acha que é culpada sobre tudo que aconteceu?! – Sanji tragou o cigarro nervoso, tentou não se alterar mais do que já estava, mas era inevitável. — VOCÊ ACHA JUSTO NÃO CONTAR O QUE ACONTECEU PARA GENTE? PARA ELA!! – Realmente não era certo esconder, mas Luffy não queria falar, ok? O silêncio do capitão devia ser considerado como resposta também.

Todos olhavam impacientes, alguns mantinham leves pensamentos condenando Luffy, outros compartilhavam sua dor, os tripulantes estavam desencadeando diversas emoções. O capitão sentia o mundo ser colocado nas próprias costas, e era muito, mais muito pesado, sentia os joelhos no chão.

\" - Mas que diabos!\" – É, Zoro só podia reclamar mesmo, pois nada que fizesse ou falasse poderia contornar a situação. Para ele era difícil ter as respostas prontas, mas não ter como aplicá-las.

O Luffy saiu da cozinha cabisbaixo, era a melhor coisa que poderia fazer naquele momento. Todos se entre olharam, Usopp foi o primeiro a quebrar o silêncio. Estava receoso sobre o que falaria, mas era menos constrangedor do que o silêncio, embora Luffy não tivesse respondido Sanji, ele não conseguia condenar o amigo, não lhe era permitido.

- Sanji, você não acha que pegou pesado demais com ele?

- Não, Nami-san... Eu não posso vê-la assim, olhe o estado de Chopper... Porque aquele marimo idiota teve que morrer?! – Sanji terminou o cigarro amassando a bituca com força no cinzeiro.

Zoro estava intrigado, olhou para Chopper que estava sentado olhando para o próprio prato de comida que permanecia intacto, para o médico era muito difícil aceitar que um amigo havia morrido em seus braços. Só agora o espadachim fazia uma melhor menção sobre os seus amigos.

\" -Idiotas, eu vou voltar!! Me escutem!! Maldição!!\" – Zoro realmente havia se incomodado ao ver aquela cena. Só queria dizer que estava bem, desejava acalmá-los.

- Vamos parar com essa discussão sem fundamentos, cooker-san. Se o capitão-san não quis falar, é porque deve ter algum motivo, esse seu pré-julgamento é ridículo. – Robin finalizou com calma, colocando a xícara de café vazia sobre o pires. Alguém tinha que ser consciente e racional naquele momento e nada mais típico do que nossa adorada arqueologa, talvez por ser mais velha do que os demais sugerisse melhor esse \"auto-controle\" e também das infinitas experiências que teve no decorrer de sua vida.

\"- He, até que enfim alguém racional aqui, valeu Robin.\"

Zoro deu de ombros e saiu da cozinha, pois agora não precisava se preocupar tanto, sua amiga já estava acalmando a situação, pelo menos aparentemente. Ele tinha que falar com Nami o mais rápido possível, pois seu tempo ali era curto, era somente uma semana. Ele parou durante o caminho e ficou pensando aonde ela teria ido, não havia reparado em que direção Nami tinha seguido, instintivamente ele fitou as laranjeiras e ela não estava, resolveu ir até o quarto das garotas. Depois de algumas voltas sem sucesso (havia se perdido como esperado), ele conseguiu encontrar a porta que dava acesso ao dormitório, tentou pegar na maçaneta, novamente sem resultado, um pouco sem jeito ele resolveu transpassar a fina madeira, literalmente transpassou.

\" – Isto é assustador!\" – Murmurou com as bochechas levemente coradas, era ridículo assustar-se, afinal ele já estava morto para se preocupar com coisas banais como essa.

A primeira coisa que seus olhos buscaram foi à cama onde a garota sempre dormia, e lá estava ela, Nami estava sentada com as mãos na cabeça e com os cotovelos apoiados contra os joelhos, ele se aproximou de mansinho dela, como um felino evolvendo a presa. Infelizmente ele não conseguia ver os olhos da navegadora, pois ela quase escondia a face com as mãos.

\"- Como eu faço para falar com você... Ei Nami, pode me escutar?\"

Nami deitou-se sobre a cama ainda com as mãos sobre o rosto, Zoro absorvia cada movimento, tinha uma enorme vontade de puxar as mãos que ela teimava em manter sobre a face, queria vê-la nos olhos. O espadachim não sabia como iniciar um contanto, por mais que quisesse estava sendo mais difícil do que havia imaginado. Ele sabia que falar não adiantava, e tocar muito menos, não havia gostado do choque de seus corpos anteriormente, não tinha a mínima idéia do que fazer. Ela não conseguia agüentar, o choro vinha abafado pelas mãos, ela chorava feito uma criança abandonada, soluçando cada vez mais alto.

\"- Ei, ei, porque está chorando assim? Oe Nami! NAMI!\" – Zoro havia ficado tão surpreendido ao vê-la assim, não era nervosismo como sentia pelos demais, mas sim mágoa, uma mágoa tão profunda e avassaladora que lhe partia ao meio. Doía demais.

Nami ofegava enquanto puxava o ar com dificuldade, abraçou-se num ato de proteção, o \"vazio\" estava cada dia mais insuportável, aquela dor crescia rapidamente, principalmente quando seus pensamentos eram preenchidos por ele. Seria dor pela culpa? Mas porque ela se culpava tanto? Era tão normal quando brigavam, mas dessa vez era diferente, o final foi trágico demais.

- Zoro... – Sussurrou tão baixinho, mas ele estava tão atento a ela que pode escutar claramente, mesmo entre soluços.

Zoro enrijeceu-se por alguns instantes, oh céus, ela era tão diferente entre quatro paredes, tão sensível e amável, Nami sempre pareceu ser emoldurada como uma mulher mandona e sem um pingo de piedade, mas não era, ela conseguia ser muito mais do que a Gata Ladra, ela era simplesmente uma fabulosa mulher em amadurecimento. Uma pequena fisgada de tristeza invadiu a mente (agora mais perturbada) do espadachim, para ele era tão cruel vê-la e escutá-la sem ao menos puder fazer alguma coisa, sem puder reconfortá-la, sim ele pensou em acudi-la, ele não era tão desumano como todos sempre falavam, pelo menos não era tão desumano com ela.

-...Ahhh, a culpa foi minha...Meu Deus... Essa dor está me matando!!

\" – QUE DOR?! NAMI, CHAME O CHOPPER SUA IDIOTA!\"

Ela agora estava com as mãos contra o peito, Zoro era um pouco lerdo em relação a sentimentos, para ela não era uma dor carnal e sim sentimental, o que matava Nami era não poder se desculpar com Zoro, ainda mais quando ela sentia-se culpada. Maldita briga que havia destruído com suas vidas. O espadachim se concentrou em sentar-se na cama ao lado da garota que se mantinha encolhida. Os olhos dele escanearam todo o corpo frágil que tremia,ele ergueu a mão tentando passar a ponta dos dedos pelo braço da navegadora.

\"- Tsc, estou me sentindo inútil...Mas que diabos está havendo? Kuina não me disse como eu faria esse contato!! Me esqueci de perguntar!!\"- Ele tinha vontade de bater forte a cabeça contra uma pedra, talvez fosse a melhor solução contra a sua imaturidade.

Ele levantou-se, não queria ficar mais lá, não queria vê-la sofrer, nem ao menos olhou para trás, simplesmente rumou para fora do quarto, para a própria sanidade ele precisava sair dali. Colocou a mão na cintura sentindo falta de suas katanas, elas eram sua proteção, desejava muito tê-las.

\"- Estou sem minhas katanas...!\" – Zoro estava ficando de péssimo humor, nada parecia colaborar, simplesmente nada.

Ele andava tenso pelo corredor do Sunny, afinal o que um fantasma inexperiente poderia fazer em uma semana, era demasiadamente entristecedor. A sensação de derrota e desânimo o começava a dominar, afinal que tipo de homem ele havia se tornado, isso não estava em seus planos, na realidade nada estava em seus planos, infelizmente tinha que seguir o inesperado roteiro.

- — -

Zoro ficou atirado na grama do navio por algumas horas, entediado buscou caminhar um pouco, queria saber como os demais estavam e como se comportavam. Andou aleatoriamente sem ver ninguém ou algo de especial, até parar por acidente na enfermaria deparando-se com Chopper. O doutor permanecia sentado na maca olhando para o nada, pela sua expressão parecia estar a um longo tempo ali, Zoro observou o amigo por aproximadamente uns dez minutos, a rena agora parecia despertar do pequeno transe, dirigindo-se para a enorme mesa de madeira escura, onde compunha vários vidros de remédios e alguns livros.

- Doutor Hiruluk... Não consegui salvar um nakama... Queria ser o melhor médico assim como você sonhou... Eu... – Chopper choramingava enquanto fitava um de seus livros ao qual tinha a imagem de uma caveira e dois ossos em forma de X.

Zoro ficou ao lado de seu companheiro, que agora estava apoiado sobre a mesa, ele não podia fazer nada somente observar a dor de seu amigo, assim como fizera com Nami. O espadachim suspirou fundo, tinha que dar um jeito nessa situação, de preferência o mais rápido possível. A linha de seu pensamento foi interrompida por gritos familiares, os gritos ao qual não desejaria ouvir por uma eternidade. Chopper assustou-se, pulando da cadeira almofadada, indo em direção aos berros. Quando Zoro se deu conta já estava indo ao encontro dela.

- Nami, acorde!! – A voz de Chopper era tão amargurada, ele estava tão assustado, sentia o pequeno coração sobressair de seu peito.

\"- NAMI!!!\" – O espadachim não desejava ver nada, não queria estar escutando nada, ele só podia ficar ali a fitando da porta do quarto, ele estava ereto mantendo um olhar baixo para a garota que agonizava.

Nami agitava-se bruscamente sobre o colchão, a rena chocalhava-a , até despertar subitamente ela agora possuía olhos amedrontados, suava frio. Nami sentou um pouco zonza sobre a cama.

- Nami você está bem?

- Estou sim Chopper... Só tive mais um daqueles pesadelos, mas isso irá passar.

– Ela forçou um delicado sorriso, não queria preocupar o pequeno.

- Nami..

O Doutor pulou no colo da garota, ela o abraçou com força e escancarando um pouco mais aquele sorriso vazio. Uma batida na porta chamou a atenção de ambos, Sanji entrou choramingando, e se ajoelhou segurando a mão da navegadora.

- NAMI-SAN!! O que posso fazer para ajudá-la? Escutei seus gritos. – O loiro estava realmente preocupado, o seu coração parecia se romper toda a vez que fitava aqueles olhos entristecidos.

- Não precisa se incomodar, já estou melhor, Sanji-kun.

- Nami-san ... – O cozinheiro acentiu um pouco, ele sabia que aquelas palavras provenientes de Nami não eram verdadeiras, ele não seria enganado tão facilmente, mas optou por não insistir no assunto. — O jantar está quase pronto.

Nami arregalou os olhos surpresa, ela praticamente conseguiu dormir a tarde toda, isso era uma grande evolução, pois estava dormindo no máximo três horas por dia. Apesar dos pesadelos que constantemente vinham amedrontá-la, sentia-se melhor, não ao ponto de sentir-se revigorada, mas estava mais sóbrea.

- Eu dormi a tarde inteira?! – O tom surpreso em sua voz era facilmente notado pelos demais.

- Sim, agora prometa que tentara jantar dessa vez?! – O médico que estava em seu colo, ergueu a face para olhá-la profundamente nos olhos. Os olhos suplicantes de Chopper eram realmente tortuosos, assim Nami cedeu ao seu pedido.

- Está bem, tentarei. – Ela susurrou.

Sanji deu um pulo de felicidade e com um leve sorriso no rosto marchou para cozinha, Chopper seguiu o cozinheiro, ia até seu consultório pegar alguns calmantes para Nami, Zoro olhava de canto a cena, estava mais calmo ao ver a garota forçar um leve sorriso para os seus nakamas.

\" – Tsc, esse cozinheiro nunca terá modos!\" – Zoro murmurava alguns palavrões e coisas típicas em relação ao amigo, nesse ponto ele não havia mudado, mesmo com sua morte Sanji não parava com seu jeito paparicador.

Ele olhou para garota que estava diante do espelho, ela disfarçava um pouco suas olheiras com maquiagem, prendendo o cabelo num alto rabo de cavalo, a expressão destruída de algumas horas atrás havia amenizado um pouco de sua face.

\" – Odeio pensar nisso, mas estou com ciúmes daquele cozinheiro otário que consegue falar com ela.\" – Sim, ele ainda estava murmurando coisas sem sentido, e só assim pode perceber que na verdade aquilo era ciúmes, Zoro sempre achou que Sanji sobresaia em maior parte melhor do que ele, seria um azarado? Mas era só pensamento mesmo, na verdade o espadachim tinha um pouco mais de sorte, só não enxergava.

A navegadora já havia terminado de se arrumar, caminhou desanimadamente até a porta, Zoro parou atrás dela, queria dizer-lhe tantas coisas.

\" - Nami.\"

Ela continuou seus movimentos, abrindo a porta um pouco relutante. Ele tentou mais uma vez, agora com mais ênfase.

\" - NAMI!!\"

A garota ficou estática segurando a maçaneta da porta, ela se virou em direção em que Zoro se encontrava, ele congelou-se, seria verdade aquilo? Ela havia o escutado? Depois de um dia finalmente ambos conseguiram focar um ao outro, ou melhor Zoro tinha o foco dela, mas por fim ela suspirou um pouco assustada.

- Jurei que escutei alguém me chamar.... Devo estar maluca.

Ela saiu e fechou à porta, Zoro permaneceu no quarto, numa mistura de reações, animou-se com o progresso, já era um grande começo, não era tão impossível afinal, ansioso ele saiu correndo em direção da garota.

\"-Ei Nami, pode me ouvir, oe!\"

A navegadora continuava andar em direção da cozinha, agora ele estava desesperado chamando-a.

\"- NAMI!! Você me escutou antes! DROGA!! ME ESCUTE, MALDITA!\"

Ela adentrou a cozinha fechando a porta, Zoro estava tão irritado que resolveu dar meia volta, saiu em passos largos em direção ao gramado do Sunny, talvez fosse mais fácil dormir esperando a morte \"definitiva\", ficou resmungando em voz alta.

\"- KUINA!! SE PODE ME OUVIR, QUERO QUE VENHA AQUI IMEDIATAMENTE!! TSC, KUINAAA!\"

Ele realmente esperava que a garota viesse ao seu encontro, mas não houve nenhum sinal, Estava encabulado quando um vento forte soprou pelo convés, rapidamente havia se alertado, tinha certeza que era ela, mas não era. Uma voz nada familiar chamou sua atenção, Zoro voltou-se para as laranjeiras.

\"- Então você é o ex-caçador de recompensas, Roronoa Zoro?\" – A voz soou muito divertida mas ao mesmo tempo intensa.

O espadachim arqueou uma das sobrancelhas, se perguntava quem poderia estar ali. Seus olhos não reconheceram aquela figura banhada pela luz da lua.

\"- Quem diabos é você

Notas finais
Continua...