Realidade Imaginária

32 Tridente e Ondas: A combinação perfeita!


Notas iniciais
Helloooo, it's me.. again!! Jujubas estou de volta com mais um cap gigantesco para vocês! Além de muita luta e descobertas que vão acelerar seus cores! Preparados? Então vamos nessa!

— Eu nunca mais viajo nas sombras! Nunca, nunca, jamais!

Cerrei os olhos, com a tontura embaralhando meus pensamentos e me apoiei em uma árvore ao meu lado. Respirei fundo e abri os olhos, as árvores e mesas voltando ao normal em minha visão. Nico nós levou para próximo da floresta, entre alguns carvalhos altos rodeados pelas sombras. Ao longe pude ouvir os sons de música e conversa que vinham do Pavilhão, e percebi que estávamos a poucos metros de lá. Pisquei um pouco, e olhei para a grande construção de mármore, digna da Grécia antiga, e vi que poucos semideuses ainda comiam ou conversavam em volta da fogueira, muitos já estavam no chalé o que me fez perguntar como não vi o tempo passar. Me voltei para Nico que tinha parte do rosto coberto pelas sombras das árvores, o sorriso como uma linha fina sobre o rosto pálido.

— Tão dramática... — Revirou os olhos se encostando no grande tronco onde antes eu me apoiava. — Não foi tão ruim quanto da última vez, foi?

— É verdade... já que da última vez nos viajamos para países diferentes! — Gritei e comecei a andar de um lado a outro. — Como não me preocupei com isso antes? Você podia ter parado no meio do mar e a gente ter morrido, ninguém nem saberia!

— Hey isso não acontece comigo! — Encarei-o com a sobrancelha erguida e ele cruzou os braços como uma criança birrenta. — Não mais pelo menos... E primeiro, sentiriam minha falta sim. Segundo, não deveria se preocupar tanto, seu papai te salvaria e eu pegava uma carona no resgate caso algo completamente absurdo como isso acontecesse.

— Eu não teria tanta certeza quanto ao salvamento... — Olhei para o céu com os braços envolta do corpo, a lua cheia lançando sua luz sobre as folhas dos carvalho dando um ar fantasmagórico ao lugar. Suspirei. — Depois de me deixar conscientemente nas mãos de quem eu mais odiava, acho que ele seria capaz de qualquer coisa.

— Do que você tá falando? — Nico se afastou da árvore caminhando em minha direção.

Antes que ele se aproximasse mais dei de ombros e me virei, seguindo em direção ao refeitório. Como suspeitei, Nico me seguiu, ficando com o ombro a centímetros do meu o que me fez pensar em lembrá-lo sobre nosso acordo. Dei um passo para o lado, mas ele estava tão interessado na história que nem percebeu. Seus olhos curiosos e inquisidores fizeram as palavras saírem de mim gradativamente. Contei sobre a carta e sobre minha antiga família horrenda. Nico era um bom ouvinte, mas, mesmo estando ao seu lado e não olhando seu rosto, percebi seu corpo mais tenso ao falar sobre meus tios e sobre Poseidon saber tudo o que eu passava. Pude ver seus punhos cerrados, os dedos brancos pela força, e imaginei sua face contorcida em fúria, mas não arrisquei olhar, continuei com os olhos voltados ao chão, a cabeça envolta em pensamentos. No fim do relato o silêncio se instalou entre nós. Suspirei pronfundamente como se tirasse algo pesado de minhas costas e fechei os olhos, ainda tentando entender as escolhas de meu pai. O que era basicamete impossível já que ele era um deus. Meus passos foram interrompidos quando Nico segurou meu pulso, encarei seus olhos negros. A raiva que imaginei em seu rosto sumia aos poucos dando lugar a compreensão. Seus olhos eram firmes sobre os meus e soltou meus pulsos ao perceber nossa proximidade. Limpou a garganta.

— O que Poseidon fez não foi certo nem justo... mas acho que entendo sua decisão. — Olhei-o confusa e quase com raiva, voltando a andar e lhe dando as costas. Nico deu alguns passos até me alcançar novamente e me fazer encara-lo. — Swan estou aqui a quase 5 anos e já vi mais mortes do que posso contar. Missões, monstros, guerras. Aqui pode ser o lugar mais seguro para semideuses que já sabem quem são, mas no fim o mais seguro é continuar no anonimato e protegido entre os mortais que escondem nosso cheiro dos monstros. Soube que o Brasil é um dos países com menor índice de monstros, Poseidon provavelmente achou que lá seria ainda mais seguro do que aqui.

— Parece até que foi você quem escreveu a carta! — Cruzei os braços e olhei Nico fixamente. — Ele falou exatamente isso, mas ele é um deus, poderia dar um jeito de me livrar da minha vida e me deixar segura. Se ele se importasse o suficiente... — Gemi frustrada enquanto passava as mãos pelo rosto. — Não sei, posso ser apenas uma garota mal agradecida que acha sua vida pior que a de todo mundo.

— Já vi Percy e Poseidon juntos, ele parece ser um dos poucos deuses que realmente se importam com seus filhos. E, não acredito que estou dizendo isso, mas se ele fez isso foi por pensar em sua proteção. — Ele se abaixou um pouco para poder ver meus olhos e sorriu torto. Retribui com um sorriso triste. Parando pra pensar, Nico poderia ter razão. Mas apesar de tudo eu ainda precisava de mais, ainda merecia uma conversa sincera entre pai e filha, não apenas uma folha de papel sobre a cama. Eu precisava ouvir pessoalmente sua explicação e isso aconteciria mais cedo ou mais tarde. Nico me tirou dos meus pensamentos voltando a falar. — E não espere tanto assim dos caras lá de cima. Eles não sabem que uma pessoa precisa de amor, carinho e todo esse blá blá afetivo, acham que dar presentes e fazer elogios de vez em quando basta para cuidar de um filho. Poseidon provavelmente pensou o mesmo ao lhe dar essa pulseira.

Olhei para meu pulso como se visse aquele objeto pela primeira vez, a pulseira cintilava nas luzes do acampamento, o tridente prateado parecia ainda mais brilhante. Porque meu pai teria me dado uma pulseira? Ele achava mesmo que um presente resolveria tudo? Olhei para Nico com um sorriso, tentando esquecer essa história de “pai protetor, porém ausente” por um tempo.

— Como sabia que a pulseira era um presente de Poseidon?

— Você passou algumas horas com Percy e já não tá raciocinando direito? — Ele tocou minha cabeça como se examinasse meu cérebro e eu bati em sua mão o que o fez rir. — Acho que o tridente prateado e as pérolas em formato de onda são uma boa dica sobre quem te deu ela.

— Acho que ficar tão perto de Percy não tá me fazendo bem mesmo. — Revirei a pulseira na braço e Nico observou meus movimentos. — Como não percebi isso?

— Tudo bem. Mas o que ela faz?

— Como assim o que ela faz? — Indaguei confusa e Nico revirou os olhos e bateu a mão na testa. — Até agora ela se comportou normalmente como uma boa e velha pulseira deve ser.

— Não acredito. E você diz que sabe sobre nós? — Ele revirou os olhos e comecei a entender sobre o que ele falava. — Deveria saber que o presente de um deus nem sempre é o que parece. A caneta de Percy é um exemplo. Essa pulseira provavelmente não é apenas uma 'boa pulseira'.

— Mas como saber o que ela faz? Ou se ela faz alguma coisa? — Retirei a pulseira do braço e joguei pra cima, esperando que funcionasse como a moeda de Jason. Ela voltou pra minha mão do mesmo jeito. Bufei e Nico riu. — Pulseira idiota.

— As vezes você descobre apenas no momento apropriado. Ou no mais necessário. — Ele me empurrou de lado e piscou. — Ou talvez eu esteja enganado e ela não passe de uma pulseira bonita. Quem sabe Poseidon não quis pregar uma pegadinha na gente?

— Não, eu não aceito! Você me deu esperanças, agora ela tem que ser mais que uma pulseira! — Puxei algumas das perolas e tentei abrir a pulseira, quem sabe não se tornava um chicote? Mas ela era resistênte e nada mudou sua forma circular. Quase gritei de frustração. — Vamos pulseira, não me decepcione.

Enquanto puxava a pulseira de todas as formas existentens e Nico ria abetamente de mim não percebi algo entrando em meu caminho e acabei batendo de cara com a coisa. Ou no caso a pessoa. A pulseira caiu ao chão e eu levantei meus olhos para ver um sorriso brilhante e olhos tão verdes quanto os meus me encarando de cima. Percy segurava meus ombros, me equilibrando, e quando fiquei em pé ele se afastou e cruzou os braços tentando ficar sério. Foi engraçado ver sua face sempre despreocupada tentando ficar rude e falhando totalmente. Mas não impediu dele limpar a garganta e falar como irmão mais velho.

— Onde você estava mocinha? — Ele ergueu a sobrancelha e me encarou firme. Revirei os olhos. — Já faz mais de duas horas que saiu do chalé e até perdeu o jantar. O que fazia de tão importante?

— Percy, eu..

— Ela estava comigo. — Nico me interrompeu e Percy pareceu nota-lo pela primeira vez. Respirei fundo, o que o di Angelo tava aprontando? Ele encarou Percy com um sorriso irônico. — Algum problema?

— Todos os problemas Nico. — Agora Percy parecia realmente sério enqaunto apontava de Nico para mim. — Sabe das regras, garotas e garotos não podem ficar juntos no chalé depois das oito. Ela podia ser punida por algo que nem sabia.

— Pode ir se acalmando peixinho dourado. — Nico revirou os olhos e olhou para o chão vendo minha pulseira ainda coberta de terra. Apanhou-a e limpou. — Saímos de lá sem que ninguém percebesse e não aconteceu nada que ela não quissesse... infelizmente...

— Nico! — Bati em seu braço e ele apenas me olhou de lado com seu sorriso galanteador. — Percy, acredite não aconteceu nada demais!Só queria saber se ele tinha visto meu livro que deixei na floresta de manhã.

— E pra isso demorou mais de duas horas? — Agora Percy parecia realmente superprotetor. Ele me olhava como se fosse uma criancinha que tivesse feito algo errado. — O que mais estava fazendo lá?

— Nós apenas conversamos sobre...

— Sobre assuntos que só diz respeito a nós mesmos. — Nico rodou a pulseira no dedo, já limpa e brilhante de novo, e pôs o outro braço sobre meus ombros possessivamente, como se aquele ato fosse normal. O que não era já que quebrava claramente a minha regra de amizade. Encarei-o irritada, mas ele apenas olhava para Percy, parecia gostar de ve-lo soltado fumaça. — Percy a garota já tem 16 anos, já sabe se cuidar. E se não souber, eu dou uma ajudinha.

— O que di Angelo? — Percy bufou e eu quase pensei que fosse pular em cima de Nico, mas pela expressão despreocupada do filho de Hades percebi que não aconteceria uma 3º Guerra Mundial.

— Afinal agora somos amigos oficiais. — Ele me olhou de cima a baixo e de repente senti seus lábios em minha bochecha. Foi rápido, mas meu corpo reagiu de várias formas diferentes. E antes que voltasse a mim ele segurou minha mão deslizando a pulseira lentamente por meu braço e beijou meus dedos sem tirar os olhos de meu rosto. Acho que naquele momento a temperatura subiu uns mil graus e senti um calor que não saíu tão cedo. Ele riu por ver meu estado de torpor. — Ou quem sabe não somos mais, minha cisne?

Ele soltou minha mãos tão vagarosamente que pensei estar em câmera lenta, mas quando pisquei ele já estava ao meu lado sem nenhum contato comigo. Percebi, chocada, a frustração tomar conta de mim ao sentir meus dedos antes quentes serem tomados pelo vento frio. A frustração só não foi maior que a vergonha que ainda deveria estar estampada em minhas bochechas vermelhas. Nico piscou para mim e depois olhou para Percy que parecia prestes a explodir.

— Até logo Percy. É melhor esfriar a cabeça antes que te coloquem no lugar da fogueira! — Ele riu de sua própria e piada e me lançou um longo olhar que me fez corar ainda mais. — Ainda terminaremos aquela conversa. Boa noite Swan.

— Boa noite... — Respondi no automático até cair na real de onde estava e de que Percy me encarava furioso. Ao ver o filho de Hades se afastar em direção a sua mesa me perguntei como ele tinha aquele efeito sobre mim. Suspirei ainda olhando os cabelos negros bagunçados ao longe até ouvir alguém pigarreando a minha frente. Mal pude encarar o rosto vermelho de Percy. Seus braços cruzados destacavam os músculos cada vez mais tensos. Suspirei, já esperando a bronca. — Olha, antes que comece, você entende que ele faz tudo isso porque sabe que você se irrita fácil, não entende?

— Eduarda Swan aconteceu algo mais naquele chalé? — Olhei pra ele com os braços cruzados e uma expressão de “É sério isso?”. Ele ignorou totalmente o que eu falara antes!

— Perseu Jackson é melhor você começar a confiar em mim! — Apontei o dedo para o seu peito. — Se eu disse que não aconteceu nada, é porque não aconteceu nada!

— Mas e essa tal conversa? — Ele relaxou mais e ergueu uma sobrancelha.

— Apenas falamos sobre a mais nova filha de Poseidon – Apontei para minha cabeça sorrindo, esperando ver um sorriso surgir no rosto do meu irmão, mas ele continuava atento e sério. Suspirei. Esse ciúme todo era sério? — Percy, acredite, apenas conversamos e nada mais.

— Acredito em você. — Ele descruzou os braços e suspirou, deixando a postura tensa para trás. — Só não confio tanto assim no di Angelo. Não com ele perto de você. Que intimidade toda era aquela? “Minha cisne”?

— Juro que ele nunca tinha me chamado assim. — Levantei as mãos em rendição e vi um pequeno sorriso surgir nos lábios de Percy. — Ele não tem essa intimidade toda, ele só gosta de irritar... todo mundo! E você tem um pávio meio curto...

— Em relação a você, com certeza! — Percy se aproximou e passou um braço por meus ombros. Me aconcheguei e passamos a caminhar até o refeitório. — Não sei, me sinto realmente responsável por você. Como um irmão mais velho deve sentir, ainda mais depois de saber o que você passou. Não suporto esses garotos rondando minha irmãzinha.

— E eu amo a proteção que você me transmite. — Sorri, olhando o rosto de Percy, que retribuiu. — Mas eu já sei me cuidar em relação a garotos. Não precisa de tudo isso. Até porque Travis e Connor já tem suas namoradas, ou quase. Leo já tem uma admiradora, mesmo que ele nem saiba disso. E Nico, bem ele só faz tudo o que faz pra me irritar e te irritar, não fala sério. Viu, não tem com que se preocupar!

— Será? Os outros eu aceito, mas Nico está diferente. Não sei dizer o que aconteceu, mas garanto que foi depois que você chegou. Não sei se faz tudo isso 'apenas' para irritar. — Ele me olhou intrigado e eu dei de ombros. Mas por dentro meu coração acelerou com aquela centelha de esperança. Será que eu mudei o di Angelo? Pensei e balancei a cabeça. Não, com certeza não. — Então já sei em quem ficar de olho...

— Percy! Preste muita atenção no que vai fazer!

— Calma Duda. Prometo apenas investigar as intenções dele para com você. — Ele gargalhou abertamente.

— Perseu! Nem pense! — Empurrei-o, mas acabei rindo junto.

Chegamos ao Pavilhão e sentamos na mesa de Poseidon. Minha barriga roncou e Percy pediu lasanha e um copo de refrigerante dizendo que a lasanha do acampamento era dos deuses. Revirei os olhos, mas quando o cheiro de de carne e queijo subiu não esperei nenhum segundo. Enquanto comia, Percy esperava pcientemente ao meu lado. Naquele momento percebi que o Percy ao meu lado mudará pouquíssimo em relação ao Percy que conheci nos livros. Claro, estava mais forte, mais adulto e experiente. Mas continuava despreocupado e sorridente, aquele garoto de olhos verdes confiante e amigo ainda estava ali. Depois de dar um grande gole no refri Percy pigarreou e falou.

— Tudo bem, agora será que dá pra dizer que conversa você ainda tem que terminar com Nico?

— O que? — Parei com o garfo no meio do caminho para a boca e o olhei confusa. Até lembrar das palavras finais de Nico e suspirei. Não havia contado nada para Percy sobre as possessões e o crocodilo pré-histórico. Nem sobre eu ser uma Língua Encantada. Mas olhando em seus olhos verdes questionadores percebi que não estava pronta para falar em voz alta o que eu era, não para ele. E se tudo desse errado de novo e ele se machucasse? Nico só sabia por ser um idiota curioso, mas nunca teria contado por vontade própria. Não, aquele não era o momento. Mas resolvi dar parte da explicação. — Bem, que bom que lembrou porque essa conversa também diz respeito a você. Na verdade a todo o acampamento...

Percy me olhou confuso e dei mais um longo gole no refrigerante antes de começar. Contei sobre os sonhos malucos, a leitura na floresta e sobre Nico virando um louco enfurecido, mas omitindo a parte que tirei um cachorro e um vestido de dentro do livro. Falei sobre Leo sendo possuído e lançando a bola de fogo e por último sobre o crocodilo falando em minha mente.

— Até que você me salvou e depois disso você já sabe. — Dei a última garfada na lasanha e olhei para Percy enquanto mastigava. Ele estava calado, digerindo todas as informações.

— Resumindo: Logo, logo teremos uma das maiores missões que já existiu onde você é super importante mesmo sem ter um mínimo de treinamento e provavelmente temos um espírito louco solto dentro do acampamento que possui o corpo das pessoas e claramente quer matar você. — Ele me olhou e respirou fundo. — É isso?

— Nossa, não poderia resumir melhor! — Limpei a boca com o guardanapo que surgiu ao lado do copo e olhei ao redor vendo as poucas pessoas que ainda estavam no Pavilhão se dirigirem para seus chalés. Suspirei me voltando para Percy. — Eu não sei o que fazer, Percy. Não sei por onde começar. Como você disse, não tenho nem um pingo de treinamento, como posso de uma hora para a outra me tornar a nova responsável por salvar o acampamento? Como poderia salvar essas pessoas de algo que parece estar se formando cada vez mais rápido? É demais para alguém que a uma semana atrás só precisava se preocupar com o próximo livro que ia ler ou com a nota baixa em matemática. Não estou pronta para isso... e acho que nunca estarei.

— Eu também não estava.... — Ele falou calmamente e fechou os olhos sentindo a brisa que soprou seus cabelos para trás. Ao abri-los ele tomou minha mão e me encarou com um sorriso torto. — Eu tinha apenas 12 anos. E mesmo assim fui jogado nessa vida. Você sabe tanto quanto eu tudo o que aconteceu. Mas não desisti. Você vai errar? Claro que vai! Mas sempre vai ter alguém te ajudando a concertar o erro. Você acha que eu teria vencido qualquer uma daquelas missões se Annabeth ou Grover não estivessem comigo? Acho que teria morrido ao por o pé para fora do acampamento. — Nós rimos e ele prendeu um cacho de meu cabelo atrás da orelha. — O que quero dizer é: Ninguém nunca está preparado. Mas eu vou estar ao seu lado, Annabeth também, Leo e até mesmo Nico... — Ele fez uma careta ao citar o filho de Hades e eu sorri. — Você não estará sozinha e além do mais é minha irmã, não tem como não se tornar uma heroína!

Eu gargalhei esquecendo um pouco todas as preocupações, meu coração relaxou pois sabia que Percy me protegeria de tudo. Nunca me sentira tão amada quanto naquele momento e o abracei forte. Ele retribuiu o abraço e ficamos assim por minutos. Até um bocejo me fazer abrir a boca.

— Acho que tá na hora de voltarmos pro chalé. — Ele me olhou e viu meus olhos vermelhos de sono. — Nossa, você tá caindo de sono! Amanhã falaremos com Quíron sobre toda essa história, mas agora você precisa descansar.

— Hoje foi a definição certa de “dia cheio”. — Sorri até bocejar novamente. — Só quero minha cama e nada mais.

— Seu desejo é uma ordem!

Percy me puxou do banco e caminhamos calmamente até o chalé, apenas o silêncio preenchendo o espaço ao nosso redor. Quando passamos pelo chalé de Hermes vi Travis e Connor acenarem para mim. Senti a saudade bater em meu peito e me virei para Percy.

— Hey pode ir na frente. — Me soltei do braço de Percy e ele me olhou confuso. — Vou só dar um abraço nos garotos. Já já chego lá!

— Hum... — Ele olhou para os meninos e depois para mim erguendo a sobrancelha. — Tudo bem. Só não espero você aqui porque amanhã acordo cedo para ensinar. Mas não demore, ou volto e te levo nos ombros para o chalé, entendeu?

— Tá bom, tá bom! — Beijei seu rosto rapidamente e ele sorriu. — Agora vai dormir, Senhor professor! Não vou ser a culpada por você faltar sua aula.

Nos separamos, mas ainda pude ouvir Percy falar algo como “irmãs mais novas sempre trazendo preocupação” e cheguei aos garotos. Travis me abraçou forte enquanto Connor parecia mais animado do que nunca.

— Porque ele tá tão radiante? — Perguntei a Travis e ele revirou os olhos e apontou para o irmão.

— Finalmente criou coragem e beijou a Megan...

— Não foi bem assim já que você praticamente me empurrou em cima dela e o beijo foi meio que inevitável! — Connor fechou a cara para Travis, mas logo voltou a sorrir como bobo. — Mas ela disse que gostou do beijo e aceitou namorar comigo...

— Nossa, eu passo algumas horas fora e você já arranja uma namorada – Fiz cara de magoada e Travis riu. — Achei que nosso amor fosse eterno..

— Maninho nossa Duda tá cada vez mais filha de Hermes com essas piadinhas! — Connor riu e me abraçou forte como o irmão fisera antes. — Você sempre terá lugar no meu coração.

— Acho bom mesmo!

E conversamos sobre toda a história do beijo além de eu falar sobre como amara o chalé de Poseidon mesmo eles brincando que nunca me veriam lá por medo de se afogarem. Revirei os olhos e me despedi dos garotos, sabendo que se demorasse mais Percy cumpriria a palavra e me levaria nos ombros. Os garotos entraram no chalé e eu segui meu caminho, a lua brilhante iluminando as pedrinhas aos meus pés. Naquele momento eu me senti em paz, mesmo que soubesse todo o peso que ainda estava sobre minhas costas. Mas Percy e Nico estavam certos, eles e meus outros amigos dividiriam isso comigo. Tudo bem, a parte semideusa estava bem resolvida, mas o que não saía de minha cabeça era: Como contaria sobre minha parte Língua Encantada? Eu sabia que precisava contar para eles, mas como fazer isso se não tinha controle do meu poder? Não sabia do que era capaz e isso me assutava. E, envolta em pensamentos, acabei não percebendo que ao pisar o pé no primeiro degrau do chalé de Poseidon uma sombra surgiu as minhas costas. Foi rápido demais e antes que me virasse um saco preto foi posto sobre meu rosto abafando meus gritos e me senti ser levada por braços fortes e violentos. E a única coisa que pensei foi: “Ah não, de novo não!”

Me rebati e tentei gritar, mas a pessoa parecia aumentar o aperto em meus braços cada vez mais. Meu sono tinha ido pro espaço e tentava me situar mesmo com a cabeça na escuridão. Depois de um tempo sentindo apenas o chão pedregoso meus pés afundaram em terra molhada e logo após minha calça foi encharcada quando passamos por um lago. Até que a pessoa me soltou bruscamente no chão e senti o ar sair de meus pulmões e a cabeça latejar com o impacto. Gemi e levantei as mãos tirando lentamente o saco preto de minha cabeça. Ao meu lado uma rocha enorme se erguia e parecia atingir o céu, mas pude ver uma bandeira vermelha no fim e lembrei o que Leo me dissera uma vez, era a Parede de Escalada. Olhei para frente e vi apenas a escuridão por alguns segundos, até alguém caminhar em minha direção e a luz da lua iluminar fracamente seu rosto. Os cabelos loiros estavam rebeldes, os olhos azuis pareciam elétricos destacando a linha vermelha na íris e sua voz soou rouca no ambiente vazio. Aquilo já estava perdendo a graça!

— Surpresa em me ver?

— Nem tanto. — Dei de ombros enquanto me sentava o que me fez respirar profundamente pela dor na coluna. — Já esperava mais uma tentativa de assassinato. Como dizem, a terceira é a que vale? Mas porque logo o Jason? — Olhei para o garoto em minha frente lembrando a calma e a paciência do filho de Júpiter e vendo o que aquela coisa fizera com ele. Parecia selvagem e perigoso, parecia totalmente tomado pela maldade, nada do garoto simpático que conheci no dia anterior. Encarei a coisa a minha frente com fúria. — Porque usar alguém tão bom como ele? Você é um covarde por não se mostrar cara a cara!

— E que graça teria se fizesse isso? — O garoto possuído sorriu e pegou algo no bolso. — Ver sua cara vendo seus amigos tentando te machucar não tem preço.

— Não sei se percebeu, mas já falhou duas vezes seguidas. — Sorri sarcasticamente o que fez a coisa trincar os dentes. — Por acha que venceria dessa vez?

— Simples, Jason não é apaixonado por você. — E ele falou aquilo com tanta certeza que me surpreendi o que pareceu ser um incentivo para ele voltar a sorrir com sua pose de superioridade. — Não sairá facilmente do meu controle por causa de suas palavras. Então espero que tenha se despedido do seu irmãozinho....

— Você vai pagar por tudo que fez! — Vociferei me levantando e ignorando a dor que cobriu meus braços. Estava pronta para lutar ou fazer o que pudesse. Tinha decidido não desistir e morrer lutando. — Não sei o que ganha com minha morte, mas não ache que vai ser fácil assim!

— Sua morte? — Ele soou confuso e pareceu tanto com o Jason que conhecia que quase baixei a guarda. Até ver a moeda dourada reluzir em sua mão e ouvir sua risada. — Bem que eu gostaria, mas depois dos dois garotos o mestre resolveu que você era mais valiosa viva do que morta. Mas não falou nada sobre alguns machucados....

— Mestre? — Indaguei comigo mesma confusa e o vi lançar a moeda para o alto e ela voltar como uma espada ameçadora e cair perfeitamente em sua mão. — Então você não é...

Mas fui interrompida pela espada que passou a centímetros de minha orelha. Afastei para o lado tropeçando nos próprios pés e olhei novamente para o Jason do mal que parecia ainda mais determinado. Olhei ao meu redor procurando algo para usar como arma, mas nem mesmos galhos eram vistos e peguei uma pedra grande que vi no caminho lançando no garoto que apenas jogou-a longe com a espada.

— Garota tola! — Ele riu girando a espada entre os dedos. Com a possessão ele também continuava com as habilidades do filho de Júpiter. Xinguei baixo me afastando aos poucos dele. — Acha que pode vencer o filho de Júpiter com uma pedra?

— Quem sabe te distrair? — Dei de ombros e tentei correr, mas o garoto fez uma ventania me derrubar de costas. Gemi, me sentindo sem ar pela segunda vez, e olhei o céu estrelado pensando que se ia morrer de qualquer jeito, melhor tentar tirar algumas informações úteis antes. Tentei ver onde Jason estava e me assustei ao ve-lo em cima de mim com um dos pés sobre minha barriga. Tentei soar despreocupada mesmo sentindo seu pé sobre minhas costelas. — Mas aliás o que seu mestre quer tanto comigo? Eu sou só uma novata, nem sei lutar. Porque não procurar alguém melhor, mas experiente, mais bonito, essas coisas?

— Não se questiona o mestre! — Ele pareceu ainda mais furioso com a minha hipótese de contradizer seu tal mestre e apertou o pé sobre mim enquanto eu tentava me soltar. — Provavelmente tem a ver com esse seu poderzinho de tirar palavras do livro, mas saberá mais quando falar com ele frente a frente! Não precisa ficar tão ansiosa. — Ele sorriu diabolicamente e ergueu a espada em direçao ao meu braço. — Será que ele se importaria com uma ferida profunda no seu braço? Vamos descobrir.

E quando ele levantou os braços ouvi algo em minha mente. Parecia um sussurro, mas que soou forte em meus ouvidos com ondas quebrando contra a rocha. Lute!, era o que dizia e senti um poder me invadir o que me fez ter força suficiente para rolar para o lado no momento que a espada desceu para onde antes estava meu braço. Suspirei aliviada vendo a coisa olhar confusa para onde antes eu estava e aproveitei para me levantar rapidamente. Mas o que poderia fazer contra um filho de Júpiter do mal portando uma das espadas mais poderosas e mortais? Olhei para o pulso e vi minha pulseira cintilar. Olhei-a de todos os angulos rapidamente até encarar o tridente prateado com mais atenção. Retirei-a do braço dando alguns passos para trás enquanto a coisa retirava a espada da terra e me encarava com os olhos em chamas. Pousei a pulseira sobre a mão e segurei o tridente. E se...?

Puxei o tridente das pérolas e ele se soltou facilmente. Como não pensara nisso antes? Na hora que se soltou uma luz prateada tomou minha mão onde o objeto estava repousado e alguns segundos depois uma espada digna dos hérois gregos antigos estava em minhas mãos no lugar do tridente. Seu punho era prateado com detalhes azuis que lembravam ondas no meio de tempestade e a lâmina refletia a luz da lua como um espelho. Passei um dedo pela lateral e senti o quanto era afiada além de caber perfeitamente em minha mão, havia sido feita para mim. Olhei para o céu como agradecimento, mas não tive muito tempo para admirar a espada já que o Jason do mal correu em minha direção e me atacou ferozmente. Surpresa, consegui aparar o golpe com minha espada o que pareceu enfurece-lo ainda mais. Ele rodopiou e tentou me acertar na lateral do corpo, mas pulei e acertei suas pernas o que o fez cair.

— Acho que para uma garota idiota eu estou me saindo muito bem! — Sorri desafiadora e me colocando em posição de luta. Aquela não parecia mais eu, uma simples garota brasileira que não conseguia enfrentar os pŕoprios tios, agora parecia mais uma guerrera que lutaria com unhas e dentes para sobreviver. Gostei daquela nova versão. — Agora responda, quem é seu mestre?

— Que pergunta a se fazer! — Ele sorriu e se ergueu em um salto tomando a espada nas mãos cerradas. Andamos em círculos nos encarando em todo momento. — Vocês semideuses nunca saberiam quem ele é! Nunca ouviram falar dele, logo não podem vence-lo!

— Acho que não preciso conhecer alguém para acertá-lo com uma espada. Você é prova disso! — Tentando mostrar meu ponto na prática, avancei, estava me sentindo cada vez mais determinada, cada vez mais viva. Ele aparou meu golpe e sua espada passou a centímetros do meu rosto quando dei um pulo para trás.

— Suas espadas não podem sequer feri-lo – Ele riu e avançou. Suas palavras me distrairam e sua espada acertou meu rosto de raspão, mas me afastei a tempo. Senti algo escorrer por minha bochecha e ao tocar percebi o sangue molhar minha mão. Olhei-o furiosa. — Ou a seus seguidores. Logo se me machucar agora, seu amigo Jason quem sofrerá as consequências! Vocês semideuses nunca poderão vencer.

— Mas não sou só uma semideusa, lembra? — Limpei a bochecha e vi seus olhos se arregalarem com minhas palavras. Minha confiança voltou. — Então quer dizer que uma Língua Encantada pode fazer algum estrago não é?

— Claro que não. — Ele gritou, mas vi suas mãos tremerem e isso bastou. Mas se eu podia causar algum mal para o tal mestre, porque ele queria me raptar? Antes que perguntasse ele avançou novamente. — Mas você já está fazendo perguntas demais para alguém que deveria estar desmaiada de dor.

— Deveria ter feito isso quando teve a chance. — Dei de ombros e interceptei seu golpe. — Agora estou confiante demais para deixar você ganhar.

Minha espada foi em direção ao seu rosto e acabou arranhando seu pescoço apenas de raspão, mas o fez gemer de dor. E logo em seguida sorrir. É claro, no final quem sofreria era Jason com os machucados. Não podia fazer isso com ele. Mas se aproveitando de minha distração, o garoto girou a espada e tentou acertar minha mão, mas levantei os braços e a pulseira ainda repousada em minha mão esquerda voou para cima. E minha surpresa foi ve-la voltando para minha mão na forma de um escudo prateado com um tridente azul no centro e ondas douradas que detalhavam os cantos redondos. Ele brilhava tanto quanto a espada e cobria boa parte do meu corpo. Sorri com o presente 'dois em um' e o escudo tremeu quando o Jason do mal lançou sua espada contra mim e eu me protegi atrás do meu mais novo presente. O barulho de metal contra metal foi tremendo e poderoso e o impacto fez o garoto cair para trás. Antes que se levantasse, cheguei perto dele e quando abriu os olhos furioso e se preparou para erguer a espada, me desculpei.

— Sério, Jason, isso vai doer mais em mim do que em você. Ou não.. — E lancei a parte plana de meu escudo contra a cabeça do loiro que desmaiou na hora. Não usei tanta força, mas foi o suficiente para fazer o que queria.

Um silêncio se instalou e pude ver claramente quando uma fumaça vermelha saiu do corpo de Jason e se ergueu no céu. Ela não tinha forma humana, na verdade não tinha forma nenhuma, mas pude ouvir sua voz claramente.

— Você pode ter vencido mais uma batalha Língua Encantada, mas a guerra está apenas começando. — E de repente desapareceu como um fantasma. Olhei ao redor, mas nem sinal de espírito vermelho ou qualquer coisa. Suspirei cansada e sentei próxima a Parede, respirando profundamente. Aquele dia não ia acabar nunca? Mas meu descanso foi interrompido por um gemido fraco. Peguei a espada repousada ao meu lado e encarei o garoto no chão. Mas relaxei ao ouvir a voz grogue e confusa do Jason que conhecia.

— O que em nome de Júpiter aconteceu com minha cabeça? — Ele se sentou ainda gemendo e alisando a cabeça onde meu escudo havia acertado. Me levantei e fui em sua direção. — O que estou fazendo aqui?

— Você vai se lembrar. — Ofereci minha mão e ele aceitou de bom grado ainda me encrando confuso e se levantando com dificuldade. — Em 3...2...1...

— Oh meus deuses! — Ele me olhou com os olhos azuis arregalados e se afastou alguns passos de mim, a surpresa sendo substituida pela vergonha. — Não acredito que fiz aquilo. Eduarda eu.. eu não sei o que deu em mim... alguma coisa...

— Tomou seu corpo e você não conseguia mais controlar suas ações? — Falei debochadamente enquanto pegava a espada dele e devolvia. Ele acenou concordando e fez sua espada voltar a ser uma simples moeda. — É, eu sei. Mas não se preocupe, a culpa não é sua pelo que aconteceu! E acho que descontei bem ao faze-lo desmaiar com meu escudo. Estamos quites. Por favor não fique se culpando, por favor! Já chega, não aguento uma terceira vez isso!

— Terceira vez? — Ele pareceu confuso e me seguiu enquanto eu pegava meu escudo e espada. — Mas é a primeira vez que isso acontece comigo!

— Mas aconteceu com outras pessoas. — Suspirei tentando fazer com que a espada e o escudo voltassem a ser a linda pulseira, mas nada adiantava. — Céus, porque você não volta ao normal sua pulseira idiota?

— Calma, posso ajudar. Primeiro, como a pulseira virou essas armas? — Jason parecia mais calmo e sorriu ao me ver chocando o escudo e a espada, tentando faze-los voltar ao normal e falhando terrivelmente.

— Bem quando a pulseira voou para cima ela se transformou no escudo. — Falei lhe entregando o escudo e ele analisou. — E a espada era um tridente preso na pulseira que se transformou quando soltei ele do seu lugar.

— Então vejamos. — Ele pegou o escudo e lançou para cima. Quando voltou para as mãos do garoto era uma pulseira novamente. Olhei encantada e ele sorriu. — Abracadabra! Aqui sua pulseira. Tente fazer o processo inverso com a espada!

— Tudo bem. — Aproximei a espada do lugar onde o tridente ficava na pulseira e de repente ela voltou a ser o pequeno tridente que encaixei feliz na pulseira. Coloquei-a no pulso e sorri agradecida para Jason. — Obrigada!

— Era o mínimo que poderia fazer já que...

— Não! O que falei sobre se culpar? — Apontei para ele que se calou na hora voltando a me seguir. — O que vocês pessoas possídas pensam? Como ser possuído pode ser culpa de vocês?

— Acho que pensamos que somos mais forte do que isso até que acontece com a gente e acabamos nos sentindo imponentes por ser tão fracos a ponto de sermos possuídos. — Ele suspirou e caminhou ao meu lado. — Acho que é isso. Mas quem mais esse espírito imundo dominou?

— Era uma pergunta retórica! Ele pegou Nico e Leo, mas amanhã falaremos mais sobre isso. Todos reunidos com Quíron. Tenho tanto para contar...- Encarei Jason que pareceu sorrir compreensivo e chegamos ao lago. — Mas só para saber, vocês não são fracos! Poxa, você é um dos heróis do Olimpo. Não vai ser porque caiu uma vez que pode se chamar de fraco! Não vou aceitar isso, você é um dos meus ídolos!

— Sério? — Balancei a cabeça afirmando e me abaixei próximo a água. Jason me olhou confuso. — O que tá fazendo.

— Tentando dar uma de Percy e curar essa bochecha machucada. — Pus a mão na água sem saber se aquilo funcionaria comigo. Mas não custava nada tentar. Fechei os olhos e senti a agua subir por dentro do meu corpo como uma energia nova e bem vinda. Aos poucos o ardor em minha bochecha aliviou e quando a toquei percebi que estava noviha em folha quase explodi de alegria. — Consegui! Não acredito!

— Claro, você é filha de Poseidon! — Jason bateu na testa e eu ri enquanto me levantava e atravessava o lago com Jason ao meu lado. — Foi anunciada hoje a tarde. Como pude esquecer?

— Não é algo tão esplêndido assim. — Falei com as bochechas um pouco coradas e continuamos caminhando em direção a ala dos chalés. — Provavelmente por isso esqueceu.

— Claro que é algo esplêndido! Ser filho de um dos Grandes é algo importante. — Ele falou animado, mas asquiesceu de repente e chutou uma pedrinha no caminho. — Claro, é mil vezes mais perigoso e sua chance de viver é de quinze por cento, mas você é respeitado e tem uns poderes maneiros.

— Com certeza! — Gargalhei de sua forma de pensar. Realmente ser filha de Poseidon me traria grandes problemas ainda mais por não ser apenas uma semideusas, mas sabia que também haveria vantagens como, por exemplo, ter Percy Jackson como irmão e Jason como primo. Sorri para o garoto de olhos azuis. — Estou feliz por de uma forma indireta ser sua prima. Você é um cara legal Jason, não deixe o que aconteceu hoje mudar o que você é ou como você pensa.

— Voce é uma garota fantástica. — Ele sorriu quando percebeu que havíamos chegado a ala dos chalés e estávamos em frente ao seu. Beijou minha mão como um cavalheiro e subiu as escadas. — Espero que possamos nos encontrar e conversar mais em um momento menos mortal.

— Acho que ele chegará mais cedo que imaginamos. — Ri e ele me acompanhou.Me despedi com um aceno, mas quando voltei a caminhar em direção ao chalé de Poseidon ouvi sua voz me chamar e me virei novamente.

— Já sabe como vão se chamar? Suas armas?

— Não sei. — Olhei para o céu e pensei. — Quem sabe Tríaina e Kýmata?

— Tridente e Ondas? — Ele pensou e logo sorriu. — Ótimos nomes! Boa noite Duda.

— Boa Noite Jason.

Ele piscou e entrou no chalé. Sorri e voltei a caminhar para meu lar. O acampamento estava completamente vazio, provavelmente já passava muito das onze e quase corri quando uma folha seca rolou pelas pedras acreditando ser uma das harpias. Cheguei rapidamente ao chalé e quando abri a porta Percy estava esparramado na cama dormindo profundamente.

— Ir atrás de mim e me trazer nos ombros? — Perguntei a mim mesma em voz baixa vendo Percy se virar para o lado. — Eu quase morro e você no quinto sono! Que belo irmão protetor.

Revirei os olhos e sorri quando vi seu travesseiro babado. Escolhi um pijama de ursinhos dentro do guarda roupa e tomei um banho rápido antes de vesti-los e cair na cama. Acho que nunca amaria ninguém como amava aquela cama de casal naquele momento. Me arrastei para o travesseiro e enquanto me cobria um filme do dia passou pela minha cabeça. Como eu sobrevivi a tudo aquilo? E quantas perguntas ainda não foram respondidas? Supirei e fechei os olhos.

— Nada de sonhos. — Sussurrei para o vazio já sentindo o sono me dominar e meus olhos pesarem. — Por favor, nada de sonhos...

Mas acho que a sorte não estava a meu favor naquela noite...

Notas finais
OMG e o que acharam desse cap gigante? Esécialmente para minhas jujubinhas! Cap que vem tem sonho preparado e que falará bastante sobre a 2º temporadaaa, isso mesmo!! Mas fiquem atentos! Bjão jujubas e nós vemos em breve!