Realeza
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Deixem comentários para eu saber como está indo a fic.
Hoje o ar se encontra mais úmido, a temperatura podemos dizer que está mais agradável, se olhar pela janela aberta do quarto você pode observar diversas folhas brotando nas árvores, anunciando que é chegado aquele período do ano, a primavera.
Eu, como uma excelente apreciadora das belezas da vida, amo a primavera. As flores desabrocham lindamente nesse período do ano, o ar fica mais calmo e pode até ser coisa da minha imaginação fertil, mas eu consigo sentir um aroma adorável no vento. Mas como não podemos só falar das lindas flores que desabrocham nessa época e nem dos meus devaneios que acontecem enquanto eu estou observando o jardim, da sacada do meu quarto, temos que citar o desabrochar das belas, recatadas, inocentes, castas e imaculadas jovens que desabrocham nesse período do ano na alta sociedade, pelo menos era isso que tentávamos romantizar.
Todo ano quando a primavera está no seu início somos levadas, levadas para a iniciação daquela miserável apresentação, quase um ritual, o famoso caça aos noivos. Sim, é deprimente esse termo "caça aos noivos" mas é isso que me parece, uma preparação de mulheres para abater os solteiros mais cobiçados de Konoha. Jovens mostrando como são delicadas, meigas, educadas e o principal, puras. Aquilo era um verdadeiro ringue de luta, onde só as mais puras jóias vencem.
Ser jovem é um papel difícil e ser mulher nessa sociedade de Konoha se torna um papel altamente complicado. Pense comigo, você é treinada a vida inteira para esse momento, você nasce exclusivamente para isso, você perde sua vida, suas escolhas e suas vontades por ser mulher e tem que se sujeitar a caçar um homem como se você fosse uma solteirona desesperada, como se sua vida dependesse disso, o que de certa forma depende.
Desde que nasci aprendi que a sociedade é dividida por dinheiro, sobrenomes, prestígios e o principal, títulos. O título da nobreza é algo vitalício, sendo distribuído pelo próprio rei, ou no nosso caso, a rainha. O que é totalmente fora de ordem, pois sabemos que nessa sociedade a rainha, sendo mulher é subjugada pelo seu povo. Eu, por outro lado, acho a rainha simplesmente esplêndida. A rainha Mikoto Uchiha era um exemplo de sutileza e carisma, além de ter um coração muito bom. Seu único defeito é ela defender com unhas e dentes que todas as jovens donzelas em estágio de casamento devem ser apresentadas à alta sociedade e consequentemente escolher um marido. Nem todas as pessoas são perfeitas né? e a rainha era uma delas.
Sabemos que ela lutou muito para cuidar de seus dois filhos, o Uchiha mais velho tive o prazer de colocar os olhos nele em um dos muitos bailes que fui obrigada a ir, de acordo com minha adorável mãe, temos que valorizar nosso sobrenome e mostrar que os Harunos tem seu lugar na elite da sociedade. Mas voltando para o Uchiha, ele era, como minha amiga Ino sempre falava sobre os caras, um Deus. Realmente, aquele homem era uma coisa que não consigo descrever com palavras, além de tudo consegui notar no pouco que convivemos, que ele era um doce de pessoa, não doce da forma melosa de se falar, mas sim uma pessoa boa, seu ar quase angelical transformava tudo ao seu redor, deixava as pessoas atraídas, todos queriam estar perto dele. Posso falar com total certeza que ele será o maior rei que Konoha já teve.
Voltando as minhas reclamações miseráveis, posso dizer que nossa vida é simplesmente definida por caras ricos e da realeza, nosso valor é dado por eles com um simples olhar, um simples gesto, ou mesmo pelo simples demonstrar de interesse. Quanto mais alta a casta e o poder do rapaz que se interessa por você, maior sua chance de ter sucesso no casamento. E se você não conseguir um noivo nesse meio tempo, vocês sabem o que acontece né? Exato, viramos freiras.
Não acho de todo mal virar uma freira, elas tem suas peculiaridades, tem que cuidar de órfãos, de doentes e dos desabrigados, acho isso um trabalho digno e honrado, mas a minha mãe não acha o mesmo. Ela me criou para achar o melhor marido, não aceitando menos que um nobre, o que estou a contra gosto me preparando para fazer. Eu sei que isso é o que ela quer, mas convenhamos, eu mereço mais do que um marido rico, eu mereço conhecer um amor, casar por amor, mereço viajar o mundo, conhecer pessoas novas, fazer muito mais amigos. Mereço tudo que a vida pode me proporcionar e não ficar presa em um casamento sem amor por pura tradição.
Olha como sou distraída, nem me apresentei, vamos lá!
Me chamo Sakura Haruno, tenho 17 anos e essa é minha vida, eu vou a bailes como qualquer adolescente normal da minha época, reclamo de alguns, mas no fim todos são bem divertidos. Tenho um peculiar cabelo rosa, é eu sei, é bizarro, olhando por esse lado, mas aprendi a achar ele até que charmoso. Meu pai também tinha esse peculiar cabelo meio rosado, o que é uma herança genética e única coisa que faz eu me sentir mais próxima dele. Não amigos, ele não morreu, mas a presença dele na minha vida é quase insignificante. Ele só pensa em trabalho, trabalho e mais trabalho, nem minha própria mãe que dorme na mesma cama que ele consegue um tempinho com o senhor “estou sempre ocupado”.
Voltando para o foco principal da conversa, eu sei que vivo mudando de assunto, isso é um defeito muito grande que tenho desde pequena, mas você pode olhar pelo lado bom, nunca vou deixar nossa conversa morrer ou ficar chata, eu sempre vou ter assunto, ou melhor, eu sempre vou fugir do assunto.
Foco Sakura...Foco
Como eu estava falando, hoje é o primeiro dia da primavera e daqui a três dias vai acontecer o baile da primavera. Local que eu vou conhecer, espero eu, meu famigerado futuro pretendente. Não fique triste por mim, olhe pelo lado bom! Minha mãe deixou eu escolher meu próprio pretendente no baile, depois de muito choro, gritos e ameaças. Sim, eu apelei para o emocional da senhora Mebuki ou melhor, para a raiva dela, só que isso é assunto para um outro momento.
Mesmo eu sendo obrigada a arrumar um marido nesses bailes, meus pais também pode escolher um para mim, aquele famoso “acordo de famílias" onde antes de você nascer seus pais prometem sua mão em casamento ao filho de velhos amigos ou mesmo de parceiros de negócios, a fim de formalizar o contrato ou mesmo manter o negocio em familia. De todos os jeito eu não tenho escapatória, ou é escolher isso ou no final me contentar em virar freira, o que eu acho impossível meus pais permitirem.
Restam apenas três dias para os preparativos do baile.
Três curtos dias.
E eu, Sakura Haruno, estou surtando.
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