A correria que estava instaurada naquela casa era algo nunca visto. Empregados correndo para todos os lados, minha mãe parecia uma mulher histérica em busca dos acessórios perfeitos, dos cremes perfeitos, roupas íntimas, tudo. Parecia que eu iria me casar a qualquer momento e ela estava preparando as coisas da lua de mel.

O que era muito estranho, diga-se de passagem.

Imagina se realmente fosse um casamento? As coisas estariam bem mais complexas e complicadas do que já estão. Coitado do meu futuro “pretendente” que vai ter que aguentar tamanha histeria da sogra.

Vocês acharam mesmo que eu começaria a usar o termo “marido” né?

— Eu não preciso disso. — Falei vendo ela pegar nas mãos uma calcinha de renda francesa branca que eu ganhei da minha tia. Ela disse que era um “chama homem”. Não sei exatamente o que seria “chama homem” mas vindo daquela doida, dava para se imaginar que tinha cunho pejorativo em suas intenções.

— Eu não concordo com a vida que sua tia escolheu, mas tenho que concordar que a senhorita vai sim usar essa calcinha.

Olhei para ela incrédula, ela pensa que eu faria o que nesse baile? Teria seus futuros netos?

Misericórdia, eu estou lascada!

— Meu Deus, mãe. — Eu não vou dormir com ninguém.

— Eu sei, minha filha, mas é melhor estar preparada.

Eu não estava acreditando nisso. Mesmo tendo regras e padrões rigorosos na minha casa, minha mãe era, como eu posso dizer, complacente com essa coisa ou totalmente sem juízo. Ela não tinha um pingo de descrição ou respeito naquele corpo pequeno de uma mulher de meia idade.

Acho que foram os sermões da minha tia Tsunade que fizeram ela entender que virgindade era algo normal ou mesmo a criação altamente fora dos padrões ortodoxos que elas tiveram da minha avó que era uma garota “da vida”, se é que podemos falar que ela era assim.

Sem meu pai ficar sabendo!

Se ele soubesse dessa complacência dela, com toda certeza, eu iria parar em um colégio de freiras sem nem conseguir cortejar um rapaz.

— Sakura, eu quero netos, nem que seja de maneira não ortodoxa. — Ela falou entregando a calcinha na minha mão. Eu não sabia o que falar, estava de boca aberta.

— E sua tia me disse que se você usar isso, você vai se sentir muito sexy. — Ela parou por um momento e pensou. — Eu preciso que você seduza um homem.

Abri e fechei a boca algumas vezes, aquelas duas estavam tramando contra mim? Mesmo em outro país, Tsunade conseguia se juntar com a minha mãe para fazer minha vida ser constrangedora o suficiente.

— Droga! — Bufei.

— Nada de palavras de baixo escalão garota. — Minha mãe me olhava furiosa de rabo de olho. — Agora prove isso, eu já estou ficando ansiosa.

Ansiosa? Ela estava ficando ansiosa? E eu? Eu estava como senhores? completamente nervosa.

Falta apenas um dia para o famigerado baile, apenas um dia para eu cavar a minha própria cova. E eu já queria enfiar minha cabeça em um belo buraco e servir de comida para tatu, seria menos vergonhoso desse jeito. Acho que a ideia de virar freira estava começando a se tornar tentadora, não é mesmo? Eu não teria que aturar tamanho descontentamento.

Tudo estava se tornando um caos.

— Merda. — Joguei a palavra ao vento. Aquilo tudo, toda aquela situação era grande merda.

Minha vida era com certeza um conto de fadas, sendo conduzida por um narrador bêbado e drogado.