Real world

16 Capítulo 16


Notas iniciais
Mais um capítulo! Obrigada á todas as leitoras que comentaram no capítulo anterior. Fiquei muito feliz por terem feito isso ♥

Hoje o dia na escola prometia. Por quê eu disse isso? Bem:

1.Eu estava brigada com meus melhores amigos;

2.Todo mundo na escola estava imaginando que eu estava namorando com o Brian;

3.Eu estava menstruada e não tinha nenhuma amiga pra ver se tava sujo.

Eu iria fazer as pazes com eles sim, óbvio. A gente já passou por crises piores e sempre voltávamos a nos falar. Era só dar um tempo. Tudo bem que eu ainda estava com muita raiva da Nina, por causa de seu escândalo, e do Rafa por não ter feito nada. Mas éramos amigos. As coisas iriam se resolver de uma forma ou de outra.

A parte boa do dia seria Brian. E só.

Sabe, seria legal eu fingir ser namorada dele. E o melhor: ele gostava de mim. Vai que eu começasse a gostar dele também! Ele poderia muito bem ser o amor da minha vida. O amor que eu dispensei várias vezes no último mês.

Respirei fundo e entrei na escola. Enquanto eu caminhava para a sala, meus olhos procuravam Brian nos corredores. Não o encontrei.

A minha primeira aula seria de física e Brian não estaria lá. Pior, estaria Rafa.

Me encaminhei para a sala de aula e sentei no canto perto das janelas. Não demorou muito para que as cadeiras se enchessem e o professor chegasse. O professor Charles era incrível. Ele me ensinava desde o começo do ensino médio, e me tratava como se fosse meu pai. E não. Ele não facilitava as coisas pra mim.

Tá, só ás vezes.

—Bom dia alunos! –ele saudou. –Organizem-se em duplas. Teremos um teste surpresa!

Exclamações de surpresa ecoaram pela sala.

—Vocês estão surpresos? –o professor questionou. –Ótimo! Foi essa a intenção!

Revirei os olhos. Esqueci de dizer que ele tinha umas piadinhas muito sem graça.

—Vamos, façam as duplas!

Quando eu olhei para os lados para procurar uma dupla, vi que só havia uma pessoa disponível pra fazer o teste comigo. E esta pessoa já caminhava na minha direção.

Rafa puxou uma mesa e colocou ao meu lado.

—Está surpresa? –perguntou e eu ignorei. –Sério que você ainda está com raiva? Deixa de ser idiota, Sophia. Eu não fiz nada.

Pressionei os lábios com força para não soltar sem querer alguma resposta. Abri a prova e comecei a analisar as questões, ignorando completamente Rafa.

—Eu vou chamar o professor. –ele avisou, falando a típica frase que ele sempre dizia quando criança.

Pra evitar qualquer confusão, falei:

—Vamos focar no teste, por favor.

—Eu quero saber porque...

—Vamos focar no teste. –repeti e ele não insistiu mais.

Claro que ele era muito teimoso. Mas eu era muito mais. E sempre tivemos sérias discussões por causa disso. Eu dizia algo e ele discordava. Mas acho que ele decidiu deixar para depois por causa do teste, que era de uma matéria importante.

Não demoramos muito para acabar. Uma nota importante: Rafa era a pessoa mais inteligente na área de cálculo. Ele era extremamente burro para outras matérias, mas matemática, química e física era o ponto forte dele. E olha que ele mal estudava.

Quando entregamos a prova, saí da sala e me distanciei dele, que percebeu e correu atrás de mim. Ele era rápido e conseguiu me acompanhar, me pegando pelo pulso.

—Sophia, vamos parar com essa besteira? –perguntou, já impaciente.

—Não.

—Eu não fiz nada, caralho! –ele disse, com raiva.

—Exatamente por isso. A Nina falando aquele monte de coisa e você quietinho, na sua.

—Você sabe como a Nina é! Se eu falasse algo, ela explodiria de vez.

—Ou isso ou você tem medo dela. –murmurei e ele soltou meu braço.

—Não é isso. –ele resmungou. –Só não queria mais confusão. –eu fiquei um tempo em silêncio. Ele prosseguiu: -Vamos, eu sei que você está morrendo de vontade de falar comigo.

—É que achei pouco tempo de raiva. Eu planejava ficar sem falar com você até amanhã.

—Sério? –ele perguntou perplexo.

—Claro que não! –falei e o abracei. –Eu queria ter raiva de você, mas não consigo.

—Eu sei que você me ama incondicionalmente. –ele me apertou mais forte. Quem tinha o melhor abraço do mundo? Meu melhor amigo.

—Mas, e aí? Soube de alguma novidade? –perguntei sorridente.

Ele me soltou e falou, com a voz séria:

—Era sobre isso que eu queria falar. Que história é essa que você e Brian estão namorando?

—Faz tempo já. Desde o início do ano. –expliquei e a boca dele abriu.

—COMOASSIM?

Me aproximei e cochichei em seu ouvido:

—É só um plano para acabar com aquelas piadinhas do Lucas, idiota.

Me afastei e vi um sorriso em seus lábios.

—Já falei que você é incrível?

...

—Então, a letra “C” na língua francesa é falada da seguinte maneira. –minha professora falou e escreveu no quadro. –Será lida como “S” antes de “e” e “i”. Será lida como 'k' antes de 'a', 'o' e 'u' e consoantes.

Ah, a aula de francês. A pior aula que tinha, sério. Já não bastava termos que aprender coisas da nossa própria língua, ainda tínhamos que aprender das outras?

E, para piorar, a professora me odiava. E vice versa. E este ano a aula batia recorde de tédio, já que nem Rafa nem Nina estavam aqui para trocar mensagens comigo. Ah, e nem o Brian.

Vi ele hoje por acaso no corredor e ele só disse que queria conversar comigo. Atenção: a sós.

A ansiedade estava tão grande que tive um medo repentino. E se ele queria dizer que tinha se arrependido de espalhar que era meu namorado? Ou pior, será que ele ia dizer que tinha odiado o que eu tinha feito com ele e iria dizer milhões de coisas horríveis para mim? OU PIOR AINDA, será que ele estava com uma doença gravíssima e ia morrer?

Tudo bem. Tudo bem. Respira fundo. 1...2...3.

Eu exagerei um pouco. É isso um exag....

—Senhorita Grace? –a professora chamou minha atenção.

—Sim? –respondi.

—Quer responder esta questão?

Quando olhei para o quadro, não entendi nada. Parecia grego. Franzi a testa na tentativa de entender, mas nada. Fui logo sincera:

—Não consigo entender.

—Sortir d'ici ! —ela disse e minha testa franziu mais. Ela revirou os olhos, impaciente e repetiu, na minha língua: -Saia daqui!

Eu ia falar alguma coisa, mas não quis piorar minha situação. Apenas peguei minhas coisas e saí.

Não fui muito longe. Na diretoria é que eu não iria. Ninguém iria saber que fui expulsa.

Sentei em um corredor perto da sala onde eu sabia que Brian estaria e aguardei o horário do almoço.

Ele saiu e, ao me ver, pareceu bastante surpreso. Levantei do chão e peguei na mão dele. Dei um beijo em sua bochecha e sussurrei:

—Se não lembra, somos namorados.

O mais belo dos sorrisos surgiu em sua face e fez meu coração inteiro se derreter. Então ele não queria acabar com aquela história.

—Depois do almoço quero conversar com você. –ele avisou assim que entramos no refeitório.

—Eu sei. Você já tinha me dito. –fiquei apreensiva, tentando imaginar o que ele tanto queria dizer.

Fomos para a fila pegar o almoço e, depois de ter feito isso, fiquei procurando o Rafa. Quando o encontrei, meu ânimo baixou, pois ele estava com a Nina e o LUCAS! ! !

—O que que o Lucas tá fazendo ali? –Brian fez a pergunta que pairava na minha mente.

—Não faço a mínima ideia. Vamos sentar em outro lug...

—Hey Sophia! –Rafa acenou para mim. –Venha, guardei lugar para vocês dois!

Ele só podia tá brincando.

—Parece que ele nos viu. –Brian brincou. –Se não quiser, não vamos para lá.

—Sabe de uma coisa? Vamos sim. –falei e andei determinada até lá.

Quando chegamos na mesa, nos sentamos e Lucas me lançou um olhar divertido.

—Olha, os pombinhos da escola! –ele deu um meio sorriso.

Apenas sorri em resposta e comecei a comer. Lucas, porém, não calava a merda daquela boca um minuto sequer. Falava de futebol, jogos e até sobre música. Teve uma hora que eu não me aguentei e soltei:

—E por que você está aqui mesmo? Seus amigos cansaram de você?

Lucas me olhou com um olhar cínico.

—É que achei interessante ficar na mesma mesa onde há duas garotas que já peguei. É incrível ver o quão foda eu sou por ter pego vocês duas.

Droga, ele realmente sabia revidar uma provocada.

Mas, para o azar dele, eu também tinha uma língua bastante afiada.

—Para mim é melhor ainda, pois deixa bem evidente que eu nunca deveria ter traído o meu Brian com uma coisa como você. Rebati e um quase sorriso estampou sua face.

Ele nada disse, porém. Apenas se levantou e saiu, com seu prato na mão.

—É, esse almoço foi bem interessante. –Rafa observou.

—É, mas tenho que ir. –falei, já pegando meu prato também. Brian fez o mesmo. –Nos vemos depois.

Nina me olhou como se fosse dizer algo, mas ficou quieta. Ao que parece, seu orgulho falou mais alto.

Depois que deixamos nossos pratos na bancada, eu e Brian fomos para a quadra.

Ela estava praticamente vazia, a não ser pelo casal que estava se pegando perto dos banheiros.

Sentamos em uma arquibancada e eu esperei ele falar algo. De tudo o que ele poderia perguntar, ele perguntou o que eu menos esperava:

—Por que você está com raiva da Nina?

—Pelo o que ela fez.

—E o que foi que ela fez?

—Agiu de forma egoísta. Ela gritou na frente de todo o refeitório sobre mim e Lucas.

—Mas vocês são amigas. Amigas perdoam umas ás outras.

—Eu sei. Só estamos dando um tempo. Amigas ás vezes precisam disso também. –fiz uma pausa. –Mas você não veio aqui para falar sobre perdão, não é?

—Não. –ele respirou fundo. –Eu queria falar sobre a gente.

—Como assim?

—Agora que a escola inteira tá falando da gente, eu acho que poderíamos... –sua voz falhou e ele engoliu em seco. –Sei lá... Tentar.

Minha cabeça se tornou um turbilhão de pensamentos. Se ele realmente queria tentar, era porque realmente nutria algo por mim. E ele falando aquilo...era mais ou menos um pedido de namoro. UM. PEDIDO. DE. NAMORO.

AI MEU DEUS.

Eu fiquei muito tempo calada. Tanto que Brian pegou nas minhas mãos. Elas estavam soadas.

—Olha, sei que você não gosta de mim. –apesar de estar nervoso, sua voz não falhou. –Mas a gente pode tentar. O gostar pode vir depois...

—Calma. –o interrompi. –Você está pedindo pra a gente namorar de verdade?

—Eu sei que é muito cedo pra isso. Mas eu sinto algo por você. A gente só tenta. Se não der certo, paciência. O que importa é que tentamos. –ele fez uma pausa. –O que me diz?

Tentar não mata ninguém. E tentar com o menino mais gato do colégio não me mataria mesmo.

—Pode ser. –respondi e sorri.

Ele sorriu em resposta e já ia se aproximando, mas eu o empurrei.

—Aqui não. –o repreendi.

—Aquele casal ali está praticamente se comendo. –ele apontou.

—Como sabe, não gosto de burlar regras. –falei e ele pareceu chateado. –Mas a gente poderia sair no sábado.

—Sua mãe não vai deixar.

—E quem disse que ela vai saber?

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado!