Real world
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Os raios do sol fizeram meus olhos pinicarem. Abri-os lentamente e desejei que as cortinas não estivessem por lavar.
Me levantei e peguei meu celular. Tinha uma mensagem de um número desconhecido. Só poderia ser uma pessoa, já que só eram 8 horas.
Ao abrir a conversa, nem precisei abrir a foto para ver que era o Brian.
“A Bela Adormecida acordou. Vomitou 3 vezes e eu limpei todas”
Ao ler aquilo, me peguei sorrindo. Ele não estava mais com raiva de mim.
“Chego aí em meia hora. Se ela vomitar outra vez, nem ouse limpar”—enviei e cutuquei Pietro, que resmungou.
Tomei um banho rápido e escovei os dentes. Amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo e coloquei uma jardineira jeans com sapatilhas pretas. Peguei minha bolsa e fui procurar Pietro.
Pietro nem tomou banho nem nada, alegando que iria voltar a dormir daqui a pouco.
Quando eu desci as escadas, minha mãe já estava na cozinha, preparando café.
—Acordada uma hora dessas? –ela questionou.
—Amanhã tenho um seminário e eu vou estudar com a Nina. –respondi, me sentando á mesa.
—Uma hora dessas?
—Eu ainda vou merendar, calma. –falei e torci para que Pietro descesse logo. Como eu já disse, não sabia mentir muito bem.
—Aproveitar este tempo e falar sobre o seu vestido. –ela falou, enquanto passava geleia nos pães.
Expirei fundo.
—Você acha que aquele era um tipo de vestido decente, Sophia? Quase mostrando o rabo? –ela perguntou.
—Quase mostrando. Não mostrou. –retruquei.
—Se eu soubesse que iria com aquilo, nunca teria deixado você sair de casa. –ela apontou um dedo na minha cara e eu respirei fundo. Odiava quando ela fazia aquilo. –Não quero ver você de novo com aquilo. Ou eu quebro sua cara. Tá me entendendo, Sophia?
—Sim mãe. –falei, entredentes.
Pietro chegou na cozinha assobiando e sem camisa. Deu um beijo no rosto da mamãe e desejou bom dia. Ela como resposta sorriu.
Podem me chamar de ciumenta, mas eu não gostava de como a mamãe tratava Pietro. Comigo ela sempre foi mais dura, mais rígida. Claro que ela já deu umas boas surras nele, mas em mim era com mais frequência e por coisas mais bestas.
Não sei se é por causa que ele ajuda a pôr comida em casa, ou se é porque ele está cursando medicina. Não sei nem quero saber.
Sempre fui a ovelha negra da família mesmo. Sempre fui a diferente. Todos os meus irmãos tinham cabelos pretos. E quem nasceu com cabelos puxados para o vermelho? Sophia. Todos tinham olhos azuis. Quem nasceu com olhos verdes? Sophia. Todos podiam sair e se divertir, menos quem? Sophia. Ninguém daquela casa podia ajudar nos afazeres domésticos, somente quem? Sophia. Qualquer um poderia ir no show do One Direction como presente de aniversário, menos quem? SOPHIA.
Tentei disfarçar a minha irritação perante aquilo tudo, mas Pietro notou. Ele me conhecia como ninguém. E ás vezes isso irritava muito.
Ele sentou-se ao meu lado da mesa e tentou segurar minha mão, mas eu esquivei.
—Sabe, perdi a fome. Vou agora lá para a Nina. –falei e me levantei.
—Vá deixar ela, Pietro. –minha mãe pediu docemente.
Ele assentiu e foi pegar as chaves do carro.
Não vou mentir. Estava morrendo de fome. Só que nas horas erradas meu orgulho aparecia. Anota aí, quando eu mais precisar dele, ele some de novo.
...
—Você está com fome, não está? –Pietro perguntou, enquanto o sinal ficava verde.
Neguei com a cabeça, mas minha barriga protestou baixinho. Eu daria qualquer coisa por aquelas torradas de geleia agora.
—Sophia, deixa de ser orgulhosa. –ele revirou os olhos. –Vamos parar na lanchonete.
—Prefiro morrer de fome a comer naquela espelunca. –fiz careta.
—Vai ficar com fome? –ele ergueu uma sobrancelha.
—Sim. –falei e torci o nariz.
—Okay. –ele disse e acelerou o carro.
—Você quer me matar? –perguntei, assustada.
—Você vai morrer de qualquer forma. Então acho digno morrer com você.
Ele ultrapassou um sinal vermelho, carros buzinaram.
—Pietro, trânsito não é brincadeira. –censurei e soltei um gritinho quando um carro desviou da gente.
—Eu não estou brincando! –ele exclamou.
—TÁ BOM, EU COMO EM QUALQUER LUGAR! –gritei e ele freou o carro bruscamente.
—Assim está bem melhor, não acha?
—Você poderia ter nos matado.
—Está de manhã, Sophia. Mal tem carros aqui.
—Você é um idiota, sabia? Um idiota mesmo! Você não pensou direito! A gente poderia ter morrido seu imbecil!
—Eu me confio, Sophia. Sou bom suficiente para não deixar que nada acontecer com a gente.
Fechei a cara. Como ele poderia desafiar a morte daquele jeito.
—Só me leva para a casa do Brian, pelo amor de Deus. –pedi e torci que ele não percebesse o quanto eu queria mata-lo.
...
Quando chegamos de frente ao apartamento de Brian, eu saltei do carro. Não esperei por Pietro, nem queria.
Ele tinha desafiado a morte de uma maneira tão estúpida. Se eu tivesse lágrimas, choraria. Mas como sempre, nenhuma lágrima escorreu.
Alguns achariam bom o fato de eu não conseguir chorar. Entretanto, isso é horrível. Assim, a dor se acumula. No dia em que ela decidir sair, tenho medo de não conseguir parar nunca.
Meu irmão diz que meu coração é feito de gelo. E eu costumo responder que foi a vida que o moldou assim.
Chamei o elevador e, antes que as portas fechassem, Pietro entrou nele.
Não ousei encara-lo. Temia que estivesse estampado na minha face o nojo que eu estava sentindo dele.
Pietro era uma das únicas pessoas que eu tinha certeza de que amava. Eu não queria sentir isso dele. Mas era inevitável.
Alguns de vocês agora devem estar se perguntando “Nossa Sophia, você não ama sua mãe?”
Sim, eu a amo. Eu amo meus dois outros irmãos. Eu amo minha avó. Amo Rafa, amo a Nina. Só que meu amor pelo Pietro era de uma forma diferente. Por a gente ser muito próximo, eu sinto que faria de tudo por ele. Eu morreria por ele. E ele se sente da mesma forma.
Pietro tocou na minha mão, me tirando dos pensamentos.
—O daddy ficaria muito triste se ele pudesse ver a cachinhos vermelhos assim, emburrada. –ele disse e fez biquinho.
Ele sabia meu ponto fraco.
Fiz biquinho e tentei ficar séria, mas não consegui.
Daddy era um ursinho que eu tinha até os 12 anos. Minha mãe doou ele e eu fiquei vários dias emburrada dentro de casa. Pietro me zoava até hoje por isso.
Comecei a rir e bati de leve no ombro dele.
—Não faça isso de novo, Pietro. Sério. –falei, desta vez conseguindo me conter.
—Ok, ok, ok. –ele balançou as mãos, se rendendo.
Então as portas do elevador se abriram. Caminhei até a porta 325 e apertei a campainha. Esperei por cinco minutos, até que Brian veio atender, todo sorridente.
—Olá. –ele saudou.
—Oi. –respondi e sorri.
—Amiga! –uma Nina bem elétrica surgiu por de trás dele e me abraçou. –Estava louca pra te ver.
—Tá bom, calma... –ela me apertou muito forte. –Calma Nina! Foi tão ruim assim?
—Na verdade, o Brian não é um péssimo anfitrião. Só não quero mais vomitar na casa dele. –ela deu de ombros e Brian sorriu um sorriso deliciosamente lindo.
Ao vê-lo sorrindo daquela forma, algo surgiu dentro de mim. Não, não era ciúme. Era mais um certo rancor... Poxa! Ele tinha pedido pra me beijar ontem! E agora já está de sorrisinhos com minha melhor amiga? Qual é!
—Então vamos? –pedi, forçando um sorriso. –Ainda preciso merendar.
—Se quiser merendar aqui... –Brian começou a falar, mas eu neguei com a cabeça.
—Não, não precisa. –falei. –Eu merendo na casa da Nina.
—Tudo bem. –ele sorriu de um modo estranho dessa vez. –Tenham um bom dia.
—Teremos. –respondi e puxei Nina para o elevador, com Pietro logo atrás.
...
—Eu não sei o que deu na minha cabeça, Soph. Eu juro. –Nina disse pela milésima vez. Eu já estava com dor de cabeça de só escutar a mesma coisa. Mas fazer o quê? Ela é minha melhor amiga.
Já estava quase na hora do almoço, e eu ainda estava na casa dela. Ela já tinha chorado, vomitado e gritado. E eu estava lá somente ouvindo.
—Eu só sei que, quando dei por mim, estava agarrada ao pescoço daquele mini delinquente e com a língua enfiada naquela boca. –ela suspirou. –Tipo, Lucas não é tão ruim assim... Mas eu tinha acabado de voltar com o Nathan! E tipo, Luke é melhor amigo dele!
Assenti, sentindo vontade de vomitar.
—Mas pelo menos Luke me empurrou, porque se não, nem sei o que eu teria feito. –ela mordeu os lábios. –Nunca mais vou beber na minha vida.
—Você sempre diz isso. –reviro os olhos.
—Mas desta vez é diferente! Eu traí o Nathan na frente dele. –ela começou a chorar de novo. –Eu sou um monstro.
—Ah, sabe de uma coisa, Nina? –explodi. –CHEGA DE FALAR DE MACHO POR HOJE. CHEGA.
Ela me olhou, assustada.
—Você já beijou ele. Fim. Não tem como voltar atrás. Se lamentar só vai fazer você ficar para baixo. E eu não quero isso. –baixei mais meu tom de voz. –falei e me sentei na cama perto dela, colocando a mão em seu ombro.
—Ah, Sophia. Você não entende. –ela murmurou. –Quando você finalmente achar alguém, vai entender meu desespero.
—Eu nunca ficaria desesperada por causa de homem. Nunca.
—Vou lembrar disso. –ela falou e piscou seus olhos verdes pra mim.
Ficamos em silêncio por um tempo: eu e ela sentadas lado a lado em uma cama de solteiro olhando para a parede.
Então ela fez uma careta.
—O que foi? –questionei.
—Luke tem a boca macia. –ela fez outra careta.
—Meu Deus Nina, não era para você estar lembrando disso! –exclamei, arqueando as sobrancelhas ao máximo.
—Mas eu lembro de exatamente tudo. Das minhas mãos no pescoço dele, de quando ele me empurrou. E lembro daquele piercing. Daquele maldito piercing. –ela suspirou meio que no automático.
—Quer dizer que gostou? –não vou mentir, estava totalmente incrédula.
—Não. Mas tipo, se ele tivesse retribuído, poderia ter valido a pena. Então eu veria porque as meninas babam tanto aquele idiota.
—Não acredito que tô ouvindo isso. –cruzei os braços e me levantei. –Trair seu namorado valeria a pena, de alguma forma?
—Sabe Sophia, vamos mudar de assunto. –agora foi ela quem cruzou os braços.
—Eu estava falando sobre isso agorinha...
Eu olhei para ela e vi que eu estava sendo muito dura com ela. Nina estava tão abatida... Tinha olheiras nos olhos, seus cabelos estavam desgrenhados.
Eu era a melhor amiga dela. Devia fazer meu papel.
—Tenho uma ideia. –falei. –Mas antes preciso ligar pra uma pessoa.
...
A campainha do apartamento de Nina tocou. Como sua mãe não estava em casa, fomos nós duas atender.
Um Rafa sorridente nos recebeu do outro lado.
—S.O.S sofrimento? –ele falou e mostrou as sacolas de guloseimas que tinha nas mãos.
Rimos e fomos para o quarto de Nina. Sentamos na cama minúscula dela, e Rafa quase caiu.
Colocamos na Netflix e procuramos por algum filme bom. Depois de uma discussão, colocamos Diário de uma Paixão.
Sei que não parece ser o filme adequado, devido á tudo aquilo com a Nina, mas a gente mal prestou atenção no filme. Rafa nunca conseguia ficar calado por muito tempo.
—Minha noite foi muito boa. –ele começou.
—Bom pra você. –murmuramos em uníssono.
—Então vou contar como foi a minha noite. –ele sorriu. –Foi muito divertida.
—E por que não levou sua acompanhante para a diversão? –perguntei, fingindo estar chateada.
—Que eu saiba, você não é lésbica. –ele deu de ombros.
—Qual foi a da vez? –Nina perguntou, se esquecendo de todo o resto.
—Cecily. –ele afirmou. –Ela me chamou pra ir na casa dela. E eu fui. Aprontamos de tudo. Tudo mesmo. –ele deu um sorriso safado. –Peguei até o número dela.
—Nossa que evolução. –ironizou Nina. –Só uma perguntinha: ela é loira?
—Morena. –ele respondeu. –E se isso foi para me ofender, você errou miseravelmente.
—Não foi pra ofender não. –ela jogou as mãos pra cima. –Mas e aí, foi bom mesmo?
—Sim. Só que... –ele parou de falar.
—Só que o quê? –perguntou ela.
—Eu esqueci dela. –ele respondeu metaforicamente e eu fiquei me perguntando o que seria esse “dela”.
Então Nina explodiu:
—VOCÊ ESQUECEU A CAMISINHA? VOCÊ É UM IDIOTA OU O QUÊ?
—Falou a pessoa que traiu o namorado porque estava bêbada. –ele fuzilou ela com o olhar.
—Cale a boca. –ela falou e devolveu o olhar ameaçador.
Enquanto isso, na minha mente, só havia uma frase: Esqueceu a camisinha. Meu Deus, o Rafa poderia ser pai. O Rafa que ainda apertava campainhas e saía correndo. O Rafa que passava trotes. O Rafa sem responsabilidades. Meu Deus.
Foi então que eu vi que a coisa estava ficando tensa entre os dois e resolvi interferir.
—Mas e aí? –falei e obriguei os dois a olharem pra mim. –Vai fazer o quê?
—Não sei. Nem deveria ter contado a vocês. –ele resmungou.
—De um jeito ou de outro a gente ia saber. –ela falou e notei raiva em sua voz. Realmente, Nina ficava muito brava quando o assunto envolvia bebês.
—Se ela realmente tiver grávida, assumo. –ele respondeu firme. –Mas ela vai tomar a pílula do dia seguinte e tudo se ajeita.
—Ela se lembra que você não usou? –perguntei.
—Não sei. Mandei uma mensagem no whats app, mas o visto por último dela foi ontem antes do baile. –Rafa pegou um pacote de jujuba e comeu.
—Vai na casa dela então! –Nina passou as mãos no cabelo.
—Ela tem 24 horas pra tomar. Não é possível que ela não veja a mensagem daqui pra lá. –ele revirou os olhos.
—Você é muito irresponsável. Como cuidará de uma criança, se esse seu “planinho” não der certo? –ela questionou, acusadora.
—Cale a boca. –ele falou e pressionou os lábios. Ele estava começando a ficar nervoso.
De um ano pra cá, Nina e Rafa discutiam com bastante frequência. E eu não imaginava o motivo.
Rafa é meu amigo desde sempre. Ele sabe de tudo sobre mim e eu sei de tudo sobre ele. O considero um irmão e minha mãe o chama de filho, ás vezes. Pietro fica com ciúmes e diz que quer matar ele, mas creio que também o considera um irmão, já que Rafa é apenas um ano mais novo que ele.
Nina era um caso especial. Nos conhecemos há apenas 4 anos, mas já somos tão amigas que é como se nos conhecêssemos há mais tempo.
No começo, eles implicaram um pouco, e creio que foi por ciúmes, já que os dois queriam minha atenção. Mas depois tudo se ajeitou e eu pensava que as coisas iriam continuar na paz.
Porém, algo tinha acontecido. E eu não sabia o que era.
—Tá bom gente. –tentei acalmar a tensão.
Nina saiu, dizendo que ia beber água.
Encarei Rafa e perguntei:
—O que há entre vocês dois?
—Nada. Só estava irritado de ver a Nina reclamando e reclamando. Porra, ela que fez a merda e fica se lamentando. –ele desviou o olhar do meu e eu desconfiei que ele não estivesse falando do fato de Nina ter ficado com Lucas.
—Ela não fez porque quis. –defendi. –Ela estava bêbada.
—Se ela estava tão bêbada assim, porque ela se lembra?
Com esse argumento, ele me derrubou. Droga, porque não pensei nisso antes? DROGA, DROGA, DROGA.
—Vai dizer que nunca pensou nisso antes? –ele continuou. –Ela sempre fica com os meninos, sempre se lembra, mas alega estar bêbada.
A porta se abriu com uma brutalidade imensa, e Nina falou, tentando manter a calma:
—Saia daqui Rafael. Saia da minha casa. Agora.
—Com muito prazer, Marina. –ele falou e passou por ela, desaparecendo no corredor.
Mas então ele voltou, pegou as sacolas e disse:
—Não posso esquecer MEUS DOCES.
E saiu, irritado. Tão irritado que deve ter quase quebrado a porta da frente, com a violência que fechou ela.
—Lindo de se ver, vocês dois brigando. –comentei.
—Se não sabe da história, não queira opinar. –ela me cortou, com ignorância.
—Como vou saber se vocês não me contam?
—Sabe, vamos deixar pra lá. Quero assistir meu filme. –ela encarou a TV.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem dizendo pra Pietro vir me buscar. Ele demorou um pouco pra visualizar, mas disse que chegava em 10 minutos.
—Já vou indo, Nina. –anunciei, pegando minha bolsa. –Se cuida, tá?
—Você vai ficar lá embaixo? –ela pegou minha mão. –Esse bairro é perigoso, Soph...
—Tem uma balada bastante movimentada na esquina.
—Que não é aberta durante o dia.
—Eu sei me cuidar, Nina. –falei de uma vez por todas. Já bastava minha mãe me prendendo dentro de casa.
—Tudo bem então. –ela se rendeu. –Falo com você mais tarde.
...
Eu já estava esperando Pietro há 15 minutos. A rua estava bem vaga e eu já estava cansando de esperar.
Procurei um banco qualquer e me sentei. Peguei meu celular e disquei o número de Pietro.
LIGAÇÃO ON
—Oi Sophia. —a voz do meu irmão ecoou.
—Cadê você?
—O trânsito tá um verdadeiro inferno. Chego aí em 10 minutos.
—Okay. –suspirei.
LIGAÇÃO OFF
Olhei para o lado e um homem se aproximava.
O homem sentou no mesmo banco em que eu estava sentada e eu virei o rosto para vê-lo melhor.
Não era um homem, era um jovem. Arriscaria dizer que ele tinha a minha idade ou a de Pietro.
Ele pegou um celular e atendeu, saindo logo em seguida.
Se a Nina estivesse aqui, ela estaria morrendo de medo. Ri só de pensar no que ela diria: “Meu Deus Sophia, ele é um bandido, vamos nos esconder”. Nina tinha medo de tudo.
Então o carro da minha mãe surgiu e eu entrei nele.
—Demorou hein? –perguntei.
—O trânsito estava horrível. –ele suspirou. –O que fazia sozinha aqui?
—Queria deixar a Nina sozinha um pouco. Ela é minha melhor amiga, só que ás vezes irrita.
—Não é pra ficar nessa rua sozinha. –ele censurou. –É perigoso.
Revirei os olhos.
—E o Nathan foi lá em casa. –informou.
—O quê? –minha voz pareceu mais surpresa do que realmente estava.
—Ele queria conversar com você.
—Ele falou algo?
—Só disse que ia mais tarde de novo.
Assenti e fiquei um pouco tensa. Boa coisa não deveria ser.
Só que Pietro ligou o rádio e “Hello” de Adele começou a tocar. Acompanhei a música e esqueci os problemas.
Continua...
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