Notas iniciais
Alô!

Minha primeira fic de terror para vocês... Espero que ela tenha ficado, no mínimo, aceitável. Eu particularmente gostei bastante e espero que vocês gostem também. Se algo ficar confuso, não hesitem em comunicar isso nos reviews.
Enjoy!

"Um fato bizarro, macabro e apesar dos pesares, muito curioso, ocorreu em uma manhã, cerca de uma semana atrás, na pequena cidade na qual me encontro. Robson Nogueira, de dezoito anos, lançou-se da janela de seu apartamento, localizado no décimo andar de um prédio. Faleceu, obviamente. Tentei conseguir informações de vizinhos, amigos próximos do falecido rapaz, que era estudante e principalmente de sua mãe.

Não foi fácil.

Sei que poucos acreditarão em minha matéria e sei que ainda menos outros aceitarão publicá-la. Ainda assim, escrevi. Escrevi porque sei que o ocorrido não se resume a um simples caso de perturbação mental. Escrevi porque sei que alguém lerá, nem que receba este artigo das minhas próprias mãos, e me dirá o que, realmente, pode explicar tal fato."

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Há noites que entramos e saímos de diversos sonhos. É impossível saber onde estamos, em vários momentos: em nossa realidade ou ainda perdidos no etéreo mundo dos sonhos? Isso aconteceu com Robson aquela noite. Em um momento, ele estava em uma praia disforme com seus pais: não parecia uma praia, entretanto; era pedregosa, com lagos extremamente fundos e cercada de paredes estranhas. Então, estava novamente deitado em sua cama.

Não tardou a encontrar-se com toda família reunida na casa de seus avós. Estavam presentes pessoas que ele já não via a há muito tempo. Elas mudavam, de vez em quando, transformando-se em outras. Se Robson estivesse conversando com sua ex-namorada, Paloma, e virasse para o outro lado, quando retornasse, quem ali estaria era Ricardo, seu melhor amigo.

O mais estranho e assustador das idas e voltas ao mundo dos sonhos era o fato do tal mundo ser extremamente real. Não importava o quão distorcidas fossem as imagens, pareciam estar realmente ali, palpáveis. E quando despertava, deitado no escuro, perguntava-se: "Será que ainda estou sonhando?"

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"Achei interessante conversar com algumas pessoas que estiveram com Robson na noite anterior do ocorrido. A conversa que mais me chamou a atenção foi com o casal de namorados que preferiram manter suas identidades em sigilo. Referir-me-ei a eles pelas letras H (homem) e M (mulher):

Eu: Onde vocês estavam? H: Na casa da M. Nós não víamos ele já fazia um mês ou mais, daí marcamos de nos encontrar lá. Eu: O que vocês estavam fazendo? M: Nada demais. Assistimos a um ou dois filmes e comemos muita pipoca. H: Convidamos ele a ir à praia no dia seguinte. Ele aceitou, mas não parecia realmente com vontade de ir. Eu: Vocês assistiram filmes perturbadores ou falaram de coisas perturbadoras? H: Não. Assistimos filmes de comédia. E foram dois, com certeza. Eu: O Robson parecia fora do normal, de alguma forma? M: Não, fora o fato dele ficar estranho desde que convidamos ele pra ir à praia. A gente sabe que ele morre de medo do mar e tal, mas ele nunca recusou uma ida à praia com a gente antes. Ele não entra no mar e a gente não reclama. Ficamos sempre na areia com ele."

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Ele não viu a manhã chegar e sim, ouviu. Passarinhos começaram a cantar na rua. Mas ainda se sentia estranho. Sua mente estava enevoada, seus sonhos, mesclados, não paravam de girar em sua mente. Tinha quase certeza de que já estava acordado.

Saiu de debaixo das cobertas e pôs os pés descalços no chão. Este estava cheio de rachaduras, pelas quais saía um vento gélido. Todos os pelos de seu corpo arrepiaram-se. Afinal, ainda estava sonhando e agora sabia disso.

-- Quero acordar! -- Disse a si mesmo, sem efeito.

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"Perguntei também se Robson comentava sobre ter pesadelos ou sofrer de sonambulismo. A propósito, ambos negaram. Porém, após alguns segundos de hesitação, o rapaz acrescentou algo: disse que certa vez, Robson falara que seus sonhos eram tão reais, mas tão reais, que ele sempre acordava assustado e esperava ainda dormindo para ter a confirmação de que não mais sonhava."

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Caminhou com aquela estranha sensação sob os pés até a cozinha de sua casa, sentindo-se desligado do exterior. Sua dificuldade de "despertar" era tão grande que já suspeitava estar realmente acordado. Talvez, seus sonhos haviam sido tão intensos que ainda agiam sobre seus sentidos. Era uma possibilidade e ele fez de tudo para agarrá-la o mais firmemente que pôde.

Na cozinha, sua mãe preparava o café da manhã. Ela parecia perfeitamente normal, vestindo uma camisola, pondo água na cafeteira. Com isso, ele deu atenção aos seus pés e notou que o frio não estava mais ali. Era um piso como outro qualquer.

-- Bom dia, mãe! — Ele disse.

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"Tive licença para conhecer a casa onde o falecido vivia. Não havia nada de incomum em seu quarto. Porém, sua estante de livros sim comprovavam uma face sombria: ele tinha uma certa obsessão por sonhos, decerto. Muitos volumes sobre o significado destes, muitos contos de terror encadernados abordando-os, muitos relatos sobre pesadelos realistas."

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-- Bom dia, querido! -- Ela respondeu, mas não era a voz de sua mãe. Era uma voz rouca, profunda.

Uma gargalhada ecoou por toda cozinha, como se alto-falantes invisíveis instalados nas paredes propagassem tal som.

Robson, invadido pelo medo, gritou. A que outrora parecia sua mãe virou o rosto, exibindo uma face descarnada, com olhos fundos e vermelhos como sangue. Ele quis gritar, quis correr, quis golpear a criatura, quis acordar. Não obteve sucesso em nenhuma das opções. Sentia como se uma mão gigante e desprovida de massa corpórea pressionasse seu corpo contra o chão, de pé, impedindo-o de realizar qualquer movimento e enviando-lhe uma carga gélida que parecia correr em suas veias no lugar do sangue.

-- Você não é real! -- Gritou, encarando os olhos rubros do monstro.

-- Querido... Claro que eu sou real! Não se preocupe! -- A voz ainda era distorcida, apresentando um tom muito sarcástico.

Ele apertou os olhos com força, esfregando as mãos nas faces e voltando a abri-los. Avistou sua mãe, o rosto bonito contorcido de preocupação e aflição. Pediu-lhe socorro.

Então, algo horrendo aconteceu: o crânio de sua mãe começou a afundar, formando buracos na cabeça. Os cabelos soltaram-se e dispararam pelo ar em direção ao amedrontado jovem. Atacavam-no, golpeando-lhe qualquer pedaço de pele exposta, grudando onde tocavam. Ele gritou mais uma vez e um tufo de cabelo penetrou-lhe a boca. Pareceu descer pela garganta, esôfago e estômago, contorcendo-se e enrolando em suas entranhas, enquanto a cena bizarra a sua frente continuava a se desenrolar: o que outrora era a cabeça de sua mãe, agora era uma coisa arredondada, recoberta por uma massa cinzenta e pegajosa, apoiada no pescoço do corpo que ele conhecia.

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"Carmelina, sua mãe, contou-me que minutos antes de saltar da janela, o rapaz adentrou a cozinha parecendo assustado. Cumprimentou-a em voz trêmula e quando ela o olhou, este ficou paralizado no lugar, gritando coisas desconexas. Ela ficou com muito medo. Tentou tranquilizá-lo, mas seu estado só piorava. Ele piscava, esfregava o rosto, balançava-se no lugar. Parecia, nas palavras dela própria, "insano".

Contou-me também que, após muita tortura, muitos gritos e esperneamentos incompreensíveis, Robson golpeou-a com um soco. Foi um gesto tão inesperado e bruto que ela cambaleou para trás, caindo sentada. Quando ergueu-se, ele já corria e era tarde demais. Não conseguiu narrar-me mais nada, dado seu desespero. Suponho eu que foi neste momento que o estudante pulou pela janela."

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Em um ímpeto de coragem, cerrou um punho e levou-o de encontro à coisa nojenta. Sua mão chocou-se com a massa. Era fria e gosmenta. A criatura soltou um guincho ensurdecedor e desabou, ainda emitindo aquele barulho infernal. Robson pôs-se a correr desesperadamente, disposto a acabar com aquilo tudo de uma vez por todas. Seus passos, entretanto, pareciam lentos demais. A cada vez que pisava, o chão estremecia, deslocava-se, ameaçando engoli-lo em meio a pedaços de azulejo que se soltavam com um barulho horrível de pedra raspando em pedra. As paredes, de repente, começaram a participar daquela dança macabra e, curvando-se sobre ele, ameaçavam esmagá-lo. Em meio a essa louca profusão, o grito agudo da criatura ainda reverberava.

Apoiou-se no parapeito da janela mais próxima, subiu e se jogou. Sabia muito bem que as pessoa sempre acordam antes de morrer nos sonhos.

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"Descobri que Robson fazia acompanhamento psicológico. Mas seu terapeuta não quis pronunciar-se. Eu cheguei à conclusão de que, talvez, submetido à própria neurose por sonhos, o rapaz acreditou estar vivenciando um. Agiu inconscientemente.

Redigir este texto sobre este fato deixou-me, no mínimo, assustado. Mostrei-o, inclusive, a uma colega de trabalho. Ela afirmou que o suicida em questão sofria de problemas psicológicos graves. Ainda assim, preocupo-me com a história que li e relatei. Tudo indicava que Robson era um excelente estudante, popular, bom amigo e bom filho. Seus problemas eram ocultos, sufocados.

O que mais me prende em tudo isso é que todo ser humano tem pensamentos obscuros, sonhos reais demais. Todas as mentes pregam peças. E afinal de contas: até onde essas peças podem levar-nos? Ou talvez a pergunta seja: quem essa peças podem levar?"

Notas finais
E aí, que acharam? Boa? Ruim? Alguém ficou com medo ou eu já posso ceder a vaga de Escritora de Terror para outra pessoa?
Não se esqueçam de postar reviews dizendo o que acharam e se quiserem, deem uma olhada no meu perfil. Talvez eu escreva mais algo do agrado de vocês.

Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!