Notas iniciais
Gente, essa semana foi tão produtiva, capitulo 6 está ai pra vocês e o sétimo já esta em andamento. espero que gostem, especialmente minha amiga "Vicky", sim a mesma que inspirou a personagem e que hoje está fazendo aniversário. Parabéns Vicky

Débora acordou assim que os dois saíram, ela nem chegou a pegar no sono completamente. Aquilo foi apenas para ajudar Camila, que queria ficar a sós com Lucas e sua amiga sabia disso. Fingir aquele enjoo foi propício à situação e aos interesses da garota, ela queria falar com Dawis e Gaby sem que ninguém estivesse ali. Talvez porque ainda não se sentisse a vontade com Dawis e todos ou porque queria esconder algo.

A garota puxou um dracma de ouro do bolso dos jeans e jogou na torneira aberta da pequena pia do banheiro.

– oh deusa, aceite minha oferenda. Patrick Dawis, acampamento meio-sangue – disse. A imagem que surgira a sua frente oscilou e desapareceu — Localize Patrick Dawis... – disse sem saber onde ele estava exatamente.

– Deb! – gritou Vick acompanhada de um latido de Teu Pai.

– Vique? – Débora perguntou confusa e tentou olhar mais atentamente.

– Como vai, querida? – Vick perguntou gentilmente enquanto segurava o focinho de Teu Pai que latia sem parar.

– Nada de anormal – ela deu de ombros – onde você está? Dawis está com você? E a Gabryela? Isso é um taco? – olhou para a mesa atrás de Vick.

– Ah...! Sim, isso aqui é um taco – ela pegou o taco e enfiou todo na boca.

– Hun... – continuou Débora meio sem graça.

– Dawis... – ela falava quando o taco ia se arrumando em sua boca – ta no banheiro e a Gabuy foi pagar... – ela se engasgou com o taco – a conta... – já estava vermelha e ofegante.

– Êpa...! – Débora riu – Quíron os deixou sair do acampamento assim de boas?

– Estamos... Em uma missão porque a gabuy viu... – ela tossiu – umas paradas de Apolo...

– Deb! – Dawis apareceu na imagem e Vick virou pra tossir, ele parecia assustado – como vai? Eh... Ah... Que bom que ligou. Gaby, Vick e eu estamos em uma missão a mando de Apolo. Paramos para comer taco. Onde você está?

– Dawis – Débora cumprimentou com um sorriso – os dois saíram pra procurar mantimentos e eu fiquei aqui... Onde está a Gabryela? – Dawis olhou ao redor, mas não a encontrou – Pois bem, a névoa está cada vez pior e fomos atacados por um...

Então Débora parou de falar, um ruído que parecia ser o motor do barco se tornava cada vez mais alto.

– O que é isso? – perguntou Vick recuperada.

– É o que eu vou saber – Débora respondeu – tchau gente – ela acenou e deu uma piscadela na direção de Dawis, mas ele não devolveu como sempre fazia.

A filha da deusa da sabedoria correu para fora da maloquinha, aquele som não poderia ser de Lucas e Camila, eles não iriam embora sem ela. Quando se aproximou do iate, Débora o viu prestes a zarpar do litoral da pequena ilha.

– MAS O QUE?! – Débora puxou uma adaga de dentro do Converse verde cano médio e lançou em direção à popa, um pouco acima do motor.

A adaga bateu no barco e caiu entre a hélice do motor, fazendo o Barco parar.

– Supimpa! – comemorou a garota e depois correu para lá.

– Mas que gárgula! – gritou o dono de uma voz aguda e um tanto fanha. A garota subiu no convés e foi até o lugar do piloto

– O que...? Bob Esponja, é você? — Débora procurou a voz.

De trás do banco do piloto surgiu um homenzinho narigudo que usava uma boina vermelha e um macacão marrom coberto por uma saia escocesa e um colete preto que combinava com as botas. Tudo muito pequeno, cada peça parecia ter sido feita especialmente para ele.

– Ora, sua ordinária! Quem você pensa que é para me impedir de levar este brinquedinho para dar uma volta? – gritou o carinha enfurecido.

Naquele momento Débora boquiaberta encarou o sujeito de cima a baixo, em sua mente veio a vontade de dizer “marmininu, você quer um marido”. Mas ela sabia que ele não iria entender essa gíria que ninguém entendia. Apenas evocou sua espada e apontou na direção do invasor.

– Ladrão! Ladrão! Ahhh! – ela partiu para o ataque, mas o homenzinho era rápido e esperto.

– Lelo-lelo! – ele fez uma dancinha quando escapou da quarta tentativa de captura.

– Seu maldito! – gritou Deb – o que é você afinal?

– Sir Aidan, Leprechaun a seu dispor – ele se curvou como um servo.

– Leprechaun? Mas isso é... Nórdico! – então uma Deb pensativa tomou conta da situação. Sua expressão de raciocínio era tão fluente e penetrante que até o leprechaun parou de fugir e a encarou com interesse.

– É mais grave do que pensei – ela concluiu e o outro concordou com a cabeça, como se estivesse a par da situação.

– Aidan! – uma voz grave e rouca gritou de dentro do iate – por que parou?

– Ah, você tem um amigo? – Débora aproveitou o momento de distração de Aidan e lhe deu um pescotapa. O segurou no alto pela gola da camisa e foi até o outro.

Quando chegou a entrada dos aposentos do iate, se deparou com mais um leprechaun, ele usava um traje típico irlandês e segurava um saco cheio, provavelmente coisas que roubara do lado de dentro.

– Quem é você? – ele perguntou ao vê-la.

– Alguém que você não vai querer conhecer – e jogou Aidan em sua direção. Os dois se chocaram espalhafatosamente.

Débora riscou cortes em seus corpos com sua espada afiada, mas eles não desistiram tão fácil assim. Os três lutaram. A garota com a espada e os dois com objetos. E quando não havia mais o que quebrar ou por onde escapar o amigo de Aidan se jogou no mar, mas antes orou a alguém. Um deus nórdico? Talvez.

– Espera! – Débora segurou o tornozelo de Aidan antes que este também pulasse – por que estão aqui?

Ele se forçou tentando a liberdade, mas a garota o rendeu com a espada apontando o pescoço.

– D-do-do que você está falando? – ele gaguejou com um olhar sínico.

– Não tente me fazer de boba. Não é a toa que vocês vieram aqui, e ainda por cima em um transporte grego. Leprechauns são guardiões de inestimáveis riquezas, não precisam roubar... Ou precisam? – Aidan fez silêncio – vocês são uma fraude.

Então ela o largou e ele pulou na água. Débora podia jurar que ele falou algo como “Minha Senhora” antes de um portal se abrir sobre as águas e levá-lo para algum lugar seguro.

***

– Mas se você não parar agora ele vai fazer xixi em cima de mim! – gritou Vick.

Dawis parou o carro abruptamente e todos ali dentro foram pra frente. — Seja rápida! – protestou o garoto.

Dawis era o único que podia dirigir dos três, estava agora com dezesseis anos e uma recém tirada carteira de motorista. Gabryela se encostava na janela do banco de trás do carro, não olhara Dawis uma única vez desde que a viagem começara. Nada pior do que isso em uma missão.

Vick pulou para fora do carro chutando Teu Pai com bicudas. O cão infernal avançou em disparada para o arbusto mais próximo enquanto sua dona fingia procurá-lo, mas na verdade também queria um arbusto.

Dawis tamborilou os dedos no volante do automóvel e observou Gaby pelo retrovisor, ela continuava a encarar o lado de fora, sem direcionar qualquer sinal de vida a ele. Então ele encarou o assento vazio ao seu lado e ligou o som. Na rádio tocava uma música antiga, algo que lhe parecia ser “True Colors”, ele deixou a música penetrar seus tímpanos e deitou a cabeça sobre o volante.

– Você não vai mesmo falar comigo? – disse baixo, mas tinha certeza de que ela ouvira.

Gaby suspirou forte como quem dizia “claro que não”.

– Sabe, eu não sei o que dizer... Bom, eu sinto muito – ele baixou os olhos e Vick entrou no carro com Teu Pai.

– AIII! Que sem graça isso aqui – disse a filha de Hades – vocês dois mereciam um prêmio Nobel de tédio.

***

– Perséfone? A tiazinha das flores? – Deb perguntou incrédula – por que ela iria querer que Camila fosse com ela?

– Eu não sei, mas talvez tenha a ver com a profecia – respondeu Lucas.

– E se... Alguma coisa acontecer a ela? – a garota olhou para a amiga que calada os ouvia discutir – Magalhães, você devia ter se informado melhor a cerca disso...

– Chega. – disse Camila calmamente – nada vai me acontecer. Esqueçam essa história, por favor – pediu, e Débora podia jurar que havia charme ali, mas Lucas não notara.

– Está certo – aceitou Lucas.

Débora ainda estava pensativa e um tanto preocupada. Encarou Camila com um olhar que só ela entenderia e depois se voltou para Lucas que havia perguntado algo sobre o ataque ao iate.

– Ah, sim... Dois leprechauns, criaturas da mitologia nórdica. Isso significa que a névoa vai pior do que temíamos.

– Sim, você tem razão – ele concordou.

– Espera... O que? – Débora achou estranho ouvir aquelas palavras saírem de sua boca.

– Deve haver alguém por trás de tudo isso – disse Camila.

– Fato. – concordou Lucas.

– Então estamos rodeados de pistas e sem nenhuma evidência... supimpa! – comentou Débora.

– Temos que avisar Gaby imediatamente. Se ela está indo procurar Hécate a mando de Apolo, então temos um problema – Lucas parecia sinistro – ela está indo para o próprio perigo.

***

Para Dawis, dirigir nunca fora tão difícil, qualquer coisa o distraía para fora da direção. Vicke agora estava no banco da frente, balançando a cabeça no ritmo de músicas lentas e suaves. Gaby e Teu Pai estavam no banco de trás repousando.

– Maninho, eu queria muito parar pra comer... – disse Vick.

– Hã...? O que? – Dawis perguntou perdido em pensamentos.

Ainda estava se arrumando para a missão no chalé de número 13 quando uma garota do décimo chalé entrou pela porta sem ser convidada.

– Ah, desculpe incomodar. É que eu preciso de ajuda com... – começou a visitante, mas foi interrompida.

– Adoraria ajudar – Dawis sorriu – mas estou de saída agora mesmo e...

– Mas serei breve, não demora nada. – a garota se aproximou de Dawis, o pressionando contra a parede oposta.

Ele não sabia o que fazer. A cor púrpura nos olhos da semideusa contrastava com sua pele bronzeada e seu cabelo loiro. Ela continuou a se aproximar até deixá-lo sem saída, empurrou seus ombros contra a parede do chalé e o beijou. Aquilo parecia demais, como se nada de mal existisse no mundo e somente o que importasse fosse beijá-la eternamente. Que efeito esquisito aquela filha de Afrodite causara sobre o filho do inferno?

Dawis soltou-se do beijo e empurrou a garota para o lado com gentileza e rispidez. Tentou sair pela porta dos fundos, mas ela o cercou, e o lhar naqueles olhos era inevitavelmente esplêndido. Ele amava outra garota, isso era fato, mas nada mais importava ali.

Foi quando Gaby surgiu e visualizou toda aquela cena. A garota intrusa logo se retirou ao vê-la. Mas Dawis não teve tempo ou motivo para explicar a causa daquela desagradável situação.

– Maninho! – Vick quase teve que gritar para que o irmão saísse do transe – você está bem? – perguntou atenta as atitudes do irmão.

– Estou. Quer dizer, não sei. Não foi nada. Você quer fazer o número dois outra vez? – Patrick estava confuso.

– Quero comer! – exclamou – Ah. E quando precisar é só falar – deu uma piscadela de apoio psicológico para o garoto no banco do motorista.

– Falou... – ele baixou a cabeça por alguns instantes.

– Dawis! – Victória gritou. Ele ergueu a cabeça rapidamente, mas sua irmã desaparecera.

Como pode alguém se perder dentro de um carro? Nem mesmo sair pela porta e cair na estrada seria tão rápido. Gaby e Teu Pai acordaram com o grito da outra semideusa. O cachorro começou a latir feito uma matraca, Gabryela optou por quebrar o gelo com Dawis e encontrar Vick.

– O que está havendo? – perguntou nervosa. Os latidos de Teu Pai dificultavam tudo. Dawis desacelerou o automóvel e olhou para fora da janela, mas lá fora nada havia senão o céu e a estrada que parecia infinita – onde está a Vick? – Gabryela parecia mais furiosa a cada segundo.

– Não faço ideia... – ele parou o carro de repente. “BAM!”. O teto do carro afundou por conta do enorme peso que se projetara sobre ele.

– Mas que droga...?! – xingou Dawis.

Os três desceram do carro e se depararam com uma criatura negra, quadrúpede e peluda que carregava Vick apenas com a boca. Parecia uma espécie de cruzamento de lobo com leão, seus olhos negros e penetrantes, como os de humanos.

Gaby preparou o arco e Dawis pegou sua espada, mas entre os dois não havia mais a mesma confiança. Quando uma tentou render a besta, o outro tentava defender Vick. E diferente do que parecia, foi algo que prejudicou o salvamento da garota. O animal avançou nos dois, ainda com Vick desmaiada entre seus gigantescos dentes.

– O que você ta fazendo?! – gritava a garota em pergunta para Dawis quando ele tentava golpear a face do monstro – você pode machucá-la.

– Não se preocupe, eu vou conseguir – dizia ele.

– Não! Não ouse fazer isso! – então era retrucado.

Teu Pai foi o mais sensato da equipe. Pulou contra a criatura e o rendeu fazendo-o soltar Vick, enquanto Gaby lhe fechava como golpe de misericórdia. Vick estava bem e o monstro morto.

Notas finais
Curtiram? ou não? deixem sua opinião! Em breve o capitulo 7: Amargo Destino. :-)