Real Life
1 Terceiros passos.
Notas iniciais
Estou muito feliz em escrever essa fic, e espero que eu tenha um retorno bom quanto eu espero ter.
Enfim, vamos ler.
Espero que gostem, boa leitura e desculpem qualquer erro!
O relógio na mesa de cabeceira marcava cinco horas da manhã e Lexie ainda rolava de um lado para outro na cama ao lado de Mark. Não dormira nem cinco minutos essa noite e as imagens do acidente sempre vinham em sua cabeça como peças de um quebra cabeça. O trauma daqueles dias havia passado por alguns meses, mas agora eles retornaram. Os pesadelos que ela tinha sempre eram os piores e reais, como por exemplo, ela morrendo presa entre as ferragens sentido a dor de ter suas pernas esmagadas. As vezes ela até acreditava que aquilo havia acontecido, mesmo sabendo que não.
Já Mark não tinha muitas lembranças do acidente, ele tivera amnésia pós trauma e até hoje não recuperou a memória daqueles dias. Ele foi o que mais sofreu, ficara em coma por dias, e Lexie chegara a acreditar que o havia perdido. Ela se arrependia de não ter o procurado antes, de não ter tentado lhe dizer o quanto o amava. Quando ele finalmente acordou, por um milagre diga-se de passagem, ele não hesitara e despejou o seu melhor para dizer a ela o quanto a amava. E hoje eles viviam juntos, no apartamento de Mark, em frente ao da Callie e Arizona. Lexie adorava brincar com Sofia, que agora já balbuciava algumas palavras.
"Ei, venha aqui." Disse Mark se virando para Lexie na cama.
"Não conseguiu dormir essa noite?" Perguntou.
"Nada." Lexie respondeu. E se aconchegou nele. Mark a abraçou e fez carinho em seu coro cabeludo.
"Você poderia ter me acordado. Eu te ajudaria a dormir."
"Você trabalhou muito ontem, não quis te atrapalhar essa noite." Ela disse.
"Não tinha problema, já passamos por isso algumas vezes, e não me importo de passar de novo." Lexie sorriu e se aconchegou mais em Mark.
Queria poder esquecer aquilo tudo e voltar a ter sua vida. Não suportava mais sofrer com os acidentes que Seattle e o hospital havia lhe proporcionado. Ela queria deitar na cama e dormir em paz, sem pesadelos, mas isso não era mais possível. Questionara há algumas semanas em desistir de sua profissão, mas seus amigos a persuadiram, seria uma pena para Medicina e para ela mesma, já que ela era talentosa, tal como Meredith, mas assumira que ali já não era sua casa mais há tempos. Lexie não comentara com Mark, mas queria se mudar, faltava um ano de residência e já havia começado a procurar por outros hospitais.
Na manhã seguinte...
"Oi, bom dia!" Callie disse, entrando no apartamento com Sofia nos braços.
"Bom dia!" Mark respondeu enquanto preparava seu cereal na cozinha.
"Bom dia" Lexie diz e se aproxima de Callie para falar com Sofia.
"Ei, vamos brincar? Vem cá." E ela a pegou no colo. Mark observava atentamente o carinho que Lexie sentia por crianças e percebera isso quando os dois foram babás de Sofia e Zola em uma noite. Ele chegara a comentar com ela que queria ter mais três filhos com ela, mas ela pareceu não levar muito a sério na época. Talvez seja porque quando ele disse isso, ele estava com outra e não se importava o suficiente com o que sentia por Lexie. Mas ele sabia que por dentro aquilo era verdade, e que Lexie também gostaria de ter filhos no futuro.
"Mark?" Callie o chamou uma vez, mas ele não ouviu.
"Mark?" De novo, e nada. Ela teve que se aproximar dele e estalar os dedos na frente de seus olhos.
"Você está derramando leite." Ela disse e tirou a garrafa da mão dele.
"Ops. Estava distraído." Respondeu e sorriu.
"Eu percebi. Como ela está?" Callie nunca apoiara muito o namoro dos dois, desde que Mark a magoou mais de três vezes. Mas sempre soube que os dois se amavam. Lexie não merecia aquele homem, mas de uns tempos pra cá, percebera que Mark havia mudado muito, e para melhor, fazendo ela se orgulhar. E agora Callie acabou se importando demais com Lexie, e se preocupava com a recuperação dela.
"Não sei ao certo, ela não fala muito sobre isso. Mas essa noite ela ficou acordada o tempo todo."
"Ela tem ido a terapia?" Pergunta.
"Sim. Mas ela não fala comigo. E eu não entro no assunto para não fazer ela se sentir desconfortável." Respondeu e foi até o sofá. Se sentou ao lado de Lexie que estava brincando com um dos brinquedos com Sofia.
"Hey, Sofi." Disse ele, chamou a atenção da pequena.
"Como você está?" Brincou com ela, passando sua mão esquerda em seus cabelos escuros. Ela veio até ele e ele a pegou no colo, colocando seu cereal na mesa. A abraçou e fez brincadeiras com ela fazendo ela gargalhar. A brincadeira acabou quando o page de Mark apitou.
"Droga. 911." Disse.
"Pode ir, eu levo ela." Disse Callie, mas mal terminou de falar, seu page também tocou.
"Acho que eu terei que levá-la." Lexie disse e sorriu.
"Muito obrigado, Lex. Vai salvar minha pele." Disse Callie e saiu do apartamento. Mark a colocou no chão e deu um beijo no rosto de Lexie.
"Eu te amo, até mais tarde." Disse e se levantou.
"Te amo." Respondeu. Mark saiu do apartamento e logo Lexie foi se arrumar também. Ela não foi chamada para emergência, então chegou em seu horário normal. Passou na cafeteria para pegar um café, como sempre fazia e foi até a sala dos residentes. Alguns residentes de outros anos estavam por lá, mas nenhum se importava muito com ela. Lexie se esquecera completamente que hoje era o dia da chegada dos novos internos e que ela seria responsável por alguns deles. Soube quando Dr. Hunt apareceu na porta avisando-os que eles chegariam a qualquer momento. Lexie bufou por ela mesma e uma das residentes falava:
"Eu estou ansiosa. Novos escravos para fazerem todo o trabalho chato." Lexie concordara mentalmente porque era verdade, os internos serviam para fazer o trabalho chato e as vezes sujo dos outros médicos. Ela repassou o que usaria com seus novos escravos, como ela mesma costumava chamá-los, aprendera isso com Meredith, que ultimamente estava bem mal-humorada. Pensou em usar as cinco regras que aprendera quando ela era interna e foi isso que fez.
***
"Eu tenho cinco regras básicas. Grave elas e vocês serão recompensados." Começou dizendo e andando pelo corredor.
"Regra número um: não encha o saco. Eu já não gosto de vocês e isso não vai mudar. Enfermeiras vão chamá-los pelo pagers de vocês. Vocês tem que ir, correndo. E correr, correr é um regra." Ela dizia e sorriu mentalmente.
"Regra número dois: o primeiro turno de vocês duram quarenta e oito horas. Vocês são internos, ou seja, não são ninguém. Todo trabalho que lhes for dado. Vocês devem fazer sem reclamar. Durmam quando puderem e onde puderem. E isso me lembra da terceira regra. Quando eu estiver dormindo, só me acorde se meu paciente estiver morrendo."
"Regra número quatro: se eu chegar lá e ele estiver morto, primeiro você matou um paciente e segundo você me acordou para nada. OK?" Todos os cinco afirmaram com a cabeça.
"E regra número cinco: se eu me movo, vocês se movem." Ela começou a andar mais rápido pelo corredor e eles ficaram parados anotando algo.
"Ei, o que eu disse?" Lexie quase grita. Eles se sobressaltam e correm em sua direção.
"Primeira coisa do dia, temos rondas para fazer, espero que vocês não seja estúpidos." Ela diz e entra em um quarto para checar o primeiro paciente.
***
"Tem como eu desistir da residência?" Lexie pergunta e senta na mesa com Mark, Meredith, Derek e Cristina.
"Você tem, mas você não deve fazer isso." Meredith diz e come sua salada.
"Você tem internos só seus, você se sairá bem." Derek diz encorajando-a.
"Eles são idiotas." Lexie bufa.
"Por isso eles são internos. Todos nós já fomos assim." Derek fala.
"Eu não fui assim não." Meredith falou.
"Você era especial, Mer. Você tinha fama por causa da sua mãe." Cristina disse, falando pela primeira vez.
"Mesmo assim." Meredith protesta.
"Estou em seu serviço hoje, Derek. Tem alguma cirurgia que eu posso participar?" Lexie pergunta e olha para Mark.
"Tenho uma craniotomia as 15h, escolha um de seus internos para observar na O.R." Ele diz, e eu assento com a cabeça e ele dá um beijo em Meredith e sai da mesa.
"Lex, você vai se acostumar, não se preocupe." Meredith tenta consolá-la.
Lexie estava irritada, sabia que os internos não seriam uma boa ideia para ela. Não sabia se conseguiria lidar com tantos idiotas a sua volta e ela tomando a responsabilidade por eles. Mas ela deveria fazer isso, era o dever dela. Ela não gostava, mas fazia porque pelo menos assim ela conseguia esquecer sobre o avião.
Notas finais
Até o próximo.
xoxo!
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