Notas iniciais
Olá pequenos e grandes zumbis (ou sobreviventes)!
Será que isso vai ser transmitido a tempo??

Enfiim!
Esse é o primeiro capítulo do meu livro e espero que vocês possam gostar!

"I've become so numb
I can't feel you there
Become so tired
So much more aware I'm becoming this
All I want to do Is be more like me
And be less like you"

Minha música foi parada no refrão e eu revirei os olhos, achei estranho os vários chiados a seguir e uma voz estridente do locutor.

— Programação interrompida para uma notícia de grande importância. — ele deu um longo suspiro depois dessas rápidas palavras. — Acabamos de receber informações sobre um vírus científico acidentalmente espalhado em um laboratório que, agora está se espalhando pelo ar. Recebemos informações de seres-humanos hostis que foram criados através desse vírus que estão comendo pessoas vivas! Tudo indica, que essas criaturas, denominadas zumbis, são incapazes de pensar e ter algum sentimento. — os chiados voltaram a aparecer como se a estação estivesse sido abandonada depois dessa gravação.

Fitei o asfalto na minha frente e parei o carro em um acostamento. Eu não acredito que isso esteja mesmo acontecendo, até então, pensei que isso fosse coisa de livros, séries e filmes. Não acreditava que existiam mesmo uma possibilidade de existirem zumbis. Passei o meu polegar pelo volante do carro e um estalo se deu no meu cérebro, eu estava indo para Phoenix, e não estava muito longe da faculdade onde estava morando e estudando. Se eu voltasse, talvez alguns dos meus colegas estivessem vivos e eu iria conseguir salvá-los. Porém, existiam grandes chances de a Universidade inteira ter virado zumbi e eu ser destroçada sem dó e nem piedade. Fechei os olhos e encostei a cabeça no banco, tentei pensar por alguns minutos e me dei conta que estava sendo egoísta. Eu devo sim, tentar salvar o máximo de pessoas que eu conseguir. Virei com o carro em direção a faculdade e abri o vidro do carro, enquanto eu dirigia em alta velocidade naquela estrada deserta, os fios do meu cabelo castanho estavam fazendo cócegas no meu rosto, mas isso não era de fato muito importante naquele momento. Comecei a ouvir o movimento da cidade, ouvi batidas de carro e explosões. Pessoas gritando por ajuda e helicópteros decolando em direção a um lugar seguro. Entrei na faculdade depressa e estacionei o carro, avistei pessoas desesperadas correndo para todos os lados em seus carros ou em carros de outras pessoas. Vi alguns dos meus colegas com algumas bolsas pequenas nas mãos. Meus amigos, eram aqueles que eram viciados em zumbis, como eu. É, eu tinha uma fascinação por zumbis.

— James! Percy! — gritei de longe acenando para que eles pudessem me ver. Eles varreram o local com os olhos e correram em minha direção.
— Norah! Pensei que tivesse sido mordida por algum zumbi a essa hora. — James disse com sarcasmo. Revirei os olhos e soquei o braço dele.
— É mais fácil acontecer isso com você do que comigo.
— Norah, quantas pessoas cabem no seu carro? — Percy perguntou, preocupado, olhando os universitários correndo de um lado para o outro atrás de caronas.
— Bom, agora só cabem mais duas pessoas, Percy. Por que? Quer levar alguém em especial? — Perguntei com um tom provocativo e ele piscou os olhos rapidamente, nervoso.
— Você sabe quem ele quer levar! Ele vive enchendo o saco porque da Ashima. — James diz em um único fôlego e eu reviro os olhos. Não gosto da Ashima desde o primeiro momento em que olhei pra ela, no início do ano. Ela era o tipo de garota esnobe, filhinha de papai que não se importava em magoar os outros para conseguir o que queria. Ainda não sei o que Percy viu nela.
— Olha Percy, eu só vou levar ela porque não odeio tanto ela a ponto de querer que ela seja estripada por zumbis. — Digo e um sorriso se abre no rosto dele. Ele acena para Ashima e ela vem correndo, balançando os fios de cabelo preto e piscando seus olhos azuis rapidamente enquanto tenta equilibrar o monte de bolsas de grife.
— Norah! Aí! Não sei como te agradecer por me deixar ir com vocês, sabe, eu não quero ser um desses que vão morrer por também não ter um carro. — Ela olhava pra mim com aquele muito conhecido ar de falsidade. Revirei os olhos e dei de ombros, até que tive uma ideia não esperada. Ali, ainda tinham por volta de 5 carros com até duas pessoas e mais alguns universitários que se entregaram ao choro. Se fôssemos todos para o mesmo lugar, juntos, teríamos mais chances de sobreviver. Subi em cima de uma das cabines de segurança, e gritei bem alto, com esperança de que aquelas pessoas me escutassem.
— Hey! Eu não sei da situação de vocês e muito menos se procuram resgatar família ou parentes distantes. Eu só venho pedir, que vocês possam levar quantas pessoas couberem no carro de vocês e que se ficarmos juntos, vamos sobreviver a tudo isso. Quanto mais pessoas aglomeradas menos zumbis! Se ficarem com um número reduzido de psssoas, as chances de serem destroçados por zumbis é muito alta. — Universitários me olhavam confusos e logo começaram a bater palmas e ceder os seus carros para os universitários que se encontravam em prantos, esperando para morrer. Desci da cabine do segurança e entrei no meu carro. Olhei para as pessoas entrando nos carros, e um garoto de cabelos loiros bateu no meu vidro e eu o abri para atendê-lo.
— Norah, tem espaço aí?
— Claro que tem! Entra pela porta esquerda de trás. — Destravei a porta e ele entrou e se sentou ao lado de Percy.
Um dos carros sinalizou para mim, e eu afirmei com a cabeça e comecei a seguir rumo a uma cidade pequena da região, com muitas fazendas. Uma das coisas que aprendi em séries e filmes de zumbis é que, quanto menos pessoas em uma cidade, menos zumbis vão ter.
Viajamos por cerca de 30 minutos até uma pequena estradinha de chão, entramos lá e, por sorte, achamos uma fazenda pequena, a casa estava vazia. Não havia sinais de zumbis ou coisas parecidas. Arthur fecha o portão de madeira depois que os carros passam e, logo, estacionados, as pessoas começam a retirar algumas coisas de dentro do carro e conversar baixo entre si. O sol estava quente e algumas pessoas se abanavam com as mãos.
Voltei a atenção pra mala do meu carro e peguei o machado que carregava comigo. Reuni James, Percy e Arthur comigo para entrarmos na casa.
— Sempre na cabeça. — disse e dei a cada um deles uma faca. Arthur olhou a faca e me olhou.
— Por que carrega armas brancas com você? — Arthur me perguntou, James e Percy se entreolharam e eu abaixei a cabeça, suspirando.
— Longa história. — Respondi rápido e os guiei comigo até a porta da casa, chutei a porta, abrindo-a e saiu da casa uma moça loira, com os cabelos presos e bagunçados. Ela vestia uma camisola branca de bolinhas azuis e pantufas de ursos. Eu poderia ter me enganado facilmente se ela não estivesse torta e grunhindo. O ataque dela foi lento demais para o meu machado, antes de esperar que ela reagisse, eu plantei meu machado na cabeça dela, ela caiu no chão, morta pela segunda vez. Ela não tinha sinais de mordidas ou arranhões.
— Ela não tem mordidas. — James disse reparando no corpo da primeira zumbi que vimos.
— Temos que ficar atentos, algumas pessoas viram zumbis "naturalmente". — disse com uma certa determinação na minha voz que eu mesma não reconhecerá.
Adentrando a casa, vimos como era grande. Não havia sinais de outros zumbis por aquele lugar. Trancamos as janelas com madeiras para evitar que a luz que saísse de lá fosse vista por outros zumbis. Demos ordem para que os universitários entrassem e dividimos os cômodos em áreas. Na imensa casa existiam cinco quartos com capacidade de dormir de 3 a 4 pessoas. Fizemos as divisões dos quartos e logo mais tarde, depois de tudo arrumado, iríamos combinar em qual grupo cada pessoa iria entrar e quem seria denominado líder do grupo.
Entrei no quarto que dividia com Arthur e Belle, e comecei a organizar minhas coisas e ajudá-los a organizar a deles. Belle olhava para o feixe da janela, assustada.
— Aquilo são carros, Norah? — ela apontou na direção de três carros brancos vindo em direção a Fazenda. Olhei os carros atentamente e corri nas escadas ao ver um garoto com cabelos castanhos abrir o portão. Saí da porta pra fora da casa, quando os carros já haviam sido estacionados. O garoto de olhos castanhos me olhou e analisou. As outras pessoas estavam fazendo o mesmo.
— Viemos em busca de abrigo! — gritou o garoto de cabelos castanhos e se aproximou de mim.
— Temos armas e munições! — se aproximou um garoto mais velho, da pele morena e olhos verdes intensos.
— Quem são vocês? — Perguntei em um tom neutro, tentando não ser rude e nem tão pacífica.
— Sou Brandon Edward e esses são integrantes do meu grupo. Somos da faculdade de Phoenix, alguns de nós viemos do exército. Se nós derem abrigo, podemos ajudar no que for necessário. — o garoto de cabelos castanhos disse em um tom amigável, ele olhou nos meus olhos e eu desviei o olhar tentando não manter esse tipo de contato.
— Sou Norah Daisy… — disse e ele me estendeu a mão, apertei a mão dele e ele sorriu de lado pra mim. — Bom, estamos com um número entre 10 pessoas. E eu sei que quanto mais pessoas melhor, então, por mim, vocês podem ficar aqui. Desde que nos ajude mesmo no que for necessário.
— Vamos ajudar no que for preciso Daisy. — Disse Brandon e, em poucos minutos o grupo dele já estava organizado e estabelecido na casa.
O sol estava se pondo quando pedi para que todo mundo se reunisse na sala para que pudéssemos organizar cada grupo. Percy teve o cuidado de trancar toda a casa, de um jeito que ficássemos seguros. Logo, todos estavam juntos na sala, alguns conversavam e outros ainda estavam em choque pelo ocorrido. Brandon e o grupo dele estavam em um canto da sala com expressões tranquilas.
— Temos que decidir quem vai ser o líder. — disse Arthur.
— O líder tem que ser uma pessoa extremamente focada no objetivo de manter o grupo todo a salvo. Ele tem que ter em mente que precisa fazer o necessário para manter a segurança. — disse Toby, do grupo de Brandon.
— Eu acho que deveriam ter mais de um líder. Por grupo deveria ter um líder, nesse caso a organização fica melhor. — Disse Brandon.
— Os grupos serão da segurança, expedições de busca, serviços caseiros e pessoas da enfermaria. — Eu disse, em um tom único e sério. Brandon me olhou com admiração e eu não gostei da forma em que ele me olhou, mas aquilo mexeu comigo de alguma forma.
— Também serão organizados, todos os dias, pessoas do grupo dos serviços caseiros para fazer comida, lavar roupas e plantar. Os vigias do grupo de segurança irão fazer rondas de 4 em 4 horas revezando. — Brandon complementou a minha fala e eu sorri em um gesto educado.
Depois de alguns acertos dos grupos e esclarecimento, cada qual achou o seu grupo. Cada um se encaixou naquilo que talvez saberia fazer melhor. Eu tinha me encaixado melhor no grupo da segurança e no de expedição. O líder do grupo todo era o Brandon e eu fui nomeada a vice dele por ele. A líder do grupo de serviços caseiros era ninguém menos e ninguém a mais que Ashima, o grupo de segurança era liderado por James, o de expedições era Hilton e Belle era a líder do grupo da enfermaria.
Depois de algumas conversas com os membros de cada grupo, Brandon decidiu que cada grupo teria um quarto para se dividir. Eu arrumei minhas coisas no quarto dos meninos da segurança. Sim, só tinham meninos. Eu não era daquelas meninas que se davam muito bem com outras meninas e dividindo um mesmo ambiente.
Assim que arrumei tudo, percebi que Brandon também tinha se juntado aos mesmos grupos que eu, ele conversava com dois garotos da mesma altura dele. Brandon era de fato um menino bonito. Ele era alto, tinha a pele pálida, os cabelos dele estavam sempre bagunçados e eram castanho escuro. Os olhos dele não eram uma coisa compreensível pra mim, ele tinha os olhos castanhos, mas, na luz, eles ganhavam um tom avermelhado assim como seu cabelo.
Desci para a cozinha da casa, que já estava vazia devido a hora, abri a geladeira, que, ainda tinha uma fraca luz sinalizando que logo a energia iria acabar. Teríamos que arriscar energia eólica ou construir geradores logo mais. Esse seria um bom assunto a ser tratado com o grupo, talvez, os da expedição poderiam sair em busca de materiais para a construção de um gerador de energia, e até mesmo, poderíamos ter um grupo da construção.
Peguei uma jarra de água com florzinhas amarelas e derramei o líquido em um copo de vidro da cor roxa, levei o copo aos lábios e vi pelo reflexo do vidro do armário, alguém de cabelos extremamente bagunçados me fitando. Rapidamente, arranquei a faca do tornozelo e mirei em direção à pessoa.
— Ei! Aponta essa coisa para lá! — disse a voz suave de Brandon, com uma pontada de medo.
— O que está fazendo aqui? Deveria estar dormindo! Seu turno é ás 4. — disse guardando a faca de volta ao meu tornozelo.
— O seu também é. — ele disse olhando meu rosto e tirou um papel com o nome de 2 pessoas. O esquema era organizado de duas em duas pessoas. Pelo papel eu e Brandon iríamos dar a volta pela esquerda, enquanto Toby e Ryan iriam pela direita.
Pareci corar e então fechei os olhos e comecei a pensar na grande responsabilidade que eu tinha de proteger pessoas que estavam contando comigo, e então lembrei não só no grupo, mas dos meus pais. Será que eles iriam conseguir se virar até eu conseguir chegar neles? Com esses pensamentos, senti que meu rosto se abaixou e senti Brandon se aproximar de mim.
— Tá tudo bem? — ele perguntou novamente com a voz doce.
— Sim, estou bem. — tentei sorrir para ele, ele me fitou atentamente e se sentou na bancada da cozinha.
— Me conte. — lutei um pouco comigo mesma, eu não costumava me abrir facilmente com as pessoas. Mas parecia que nele, eu poderia confiar de olhos fechados.
— Estava pensando nos meus pais, Edward. Eu não sei por quanto tempo eles podem sobreviver em um apocalipse sem mim. Estou com medo de que eles tenham ido para um lugar pior ou que… — não consegui mencionar o resto, mas ele pareceu entender.
— Olha, como temos que cuidar de outras coisas além da segurança, podemos sair em expedição em busca de armas, remédios, alimentos e roupas e depois irmos atrás dos seus pais. Eles moram muito longe daqui?
— Eles moram em uma cidadezinha próxima a Phoenix. Daqui até lá dá menos de 1 hora de carro. — disse olhando o chão.
— Então nós vamos lá amanhã para buscar eles, ok? Deixarei Toby no comando. Tudo bem por você?
— Sim, tudo bem por mim… E… Obrigada Edward. — disse sem jeito.
— Você poderia me agradecer não me chamando pelo meu segundo nome e sabendo que pode se abrir comigo… Você parece alguém muito fechada. — ele sorriu e eu sorri de volta. — Vamos subir?
— Sim… — ele subiu do meu lado e entramos no quarto em silêncio, haviam somente alguns vigias acordados na varanda do quarto. Brandon e eu nos separamos e fomos deitar cada um em nossas camas. Eu, instantaneamente, fechei os olhos e mergulhei em um sono profundo e sem sonhos.

Notas finais
Espero que tenham gostado e até o próximo! ♥

Música: Numb - Linkin Park