ReAprender a Viver
1 Capítulo 1 - Capítulo Único
Notas iniciais
Não sei se é a minha melhor escrita, mas estou orgulhosa de ter terminado este projeto!
Espero que gostem e vejo-vos no final!
U*U
—Remus? Remus! — Uma mulher com cabelos roxos gritava desesperada agarrada aos lençóis da cama de hospital, antes de seus olhos se focarem no teto branco da Ala Hospitalar onde tinha sido admitida. Ela já estava fora de Hogwarts, longe dos bombardeamentos e dos gritos, em vez disso era apenas silêncio cortado por sussurros muito baixos, quase inaudíveis. — já estou morta? Pai? Pai?
—Tenho de informá-la que ainda não está morta, e o seu esposo está na sala de espera, quer que o chame? — uma enfermeira com um sotaque esquisito apareceu no campo de visão de Nymphadora Lupin (nascida Tonks) — Senhora Lupin? — repetiu a jovem especialista, quando não obteve resposta.
—O meu filho? Teddy? Ele está bem? Está com o pai? Oh… e Harry, ele está… a senhora sabe…
—Morto? — completou sem saber muito bem responder à mulher que estava a sua frente, devia ter escolhido outra área e não ter ido para os cuidados intensivos que agora estavam infestados de pessoas dadas como “mortas” numa guerra que nem era a dela — Não sei a quem refere, mas eu mando imediatamente chamar o senhor Lupin.
Tonks respirou fundo tentando pôr a cabeça no lugar e os seus cabelos do seu característico rosa chiclete. Finalmente sentou-se na cama e pode olhar em volta ela não estava mais em Hogwarts disso tinha a certeza, mas aquele sítio não se parecia com nenhuma ala do St. Mungos onde já estivera, era mais como um hospital muggle.
Por entre as cortinas aparecia o homem que por tanto tempo lutou para que estivesse com ela, mas algo estava errado ali não estava o sorriso gentil que costumava olhar para ela, mas sim aquela feição preocupada que mais vezes sustentava… não estaria tudo acabado já, será que estivera apenas minutos apagada e não horas como lhe pareceu.
— Querida… Hamm… — o homem com cerca de 40 pegou com carinho a mão da esposa. — Não estamos em Inglaterra mais. Pelo que dizem Teddy está bem, mas… — Remus engoliu seco, pois não era o tipo de notícia que queria ter de comunicar à mulher com quem decidira passar o resto da sua vida — Nós não vamos poder estar mais com ele, a tua mãe está agora a cargo dele, junto com Harry que é o padrinho, mas nós não vamos poder estar com ele ou com mais ninguém que conhecemos. — a mulher ouvira tudo o que lhe era dito focada na parede à sua frente pois esta parecia mais real que a sua própria vida.
— Porquê? — disse assim que se desvencilhou da mão de Remus — Porquê? porque é que me dão uma vida se não é a minha? — a mulher de personalidade alegre e explosiva em nada parecia a mulher que encarava o nada de voz calma e serena camuflando toda a dor, toda a dúvida e todo o desespero. — Porquê? Porque me deixam sozinha? — O olhar de Tonks finalmente se focou em Remus.
As lágrimas escorriam dos olhos de ambos e não havia nada que pudessem dizer que fosse amenizar a dor de ambos. Lupin gostaria de dizer à mulher por quem estava apaixonado que ela não estava sozinha que o tinha a ele, mas como o dizer sem soar rude ou magoado, a verdade é que ela havia perdido o pai há poucos meses, e no mesmo dia perdera toda a família restante e os amigos, sem mencionar todas as outras perdas que foram tendo ao longo de uma guerra que apenas agora terminára. Então ela tinha razão ela estava sozinha, e ele também estava sozinho, e por isso estavam sozinhos juntos, o mais velho nunca imaginara ter de ficar apenas com ela na sua vida, pensou em como seria se algum deles morresse, em como seria se os dois se fossem deste mundo, fez planos com a mulher que o olhava se ambos conseguissem sobreviver a esta guerra, e nos planos que tinha para o seu pequeno pedaço de mundo que havia nascido há exatamente um mês. mas nunca havia pensado se todas as pessoa que ele conhecia desaparecessem. Ela amava-o então porque é que não conseguia ficar feliz por poder passar o resto da sua vida a seu lado. A resposta era simples, Tonks agora não era apenas esposa, filha e amiga, agora era mãe, e apenas tinha vivido nove meses com aquela criatura que ela amava mais que a ela mesma. Sempre lhe foi dito que a coisa mais horrivel não era perder um pai ou uma mãe, porque essa era a ordem natural das coisas, mas sim perder um filho; e embora o seu Teddy ainda estivesse vivo e a ser cuidado com todo o amor do mundo, para ele, ela estava morta, e se calhar era melhor que para ela ele também estivesse. Ela não conseguiria ser suficientemente forte se alimenta-se as esperanças de que algum dia iria ver o seu filho.
* * *
Passaram-se meses desde a batalha de Hogwarts e Remus e Tonks estavam aprender a viver naquele país que não era o seu, a América era muito diferente da Inglaterra que eles conheciam, logo no primeiro mês descobriram que ali não havia quase descriminação de sangue, e que a licantropia de Remus embora ainda estivesse ligada a um tabu, era considerada uma doença que devia ser tratada como tal e não uma maldição que fazia as pessoas indignas de viver em sociedade.
A vida conjugal dos dois não ia nada bem, mal falavam do que faziam, nenhum deles sabia o que dizer ou fazer, cada um imerso na sua própria dor, no seu próprio luto, um luto de pessoas que ainda nem estavam mortas, mas a longitude da sua presença fazia-os pensar desse modo.
—Remus? Hoje a Hermione faz dezenove anos. — Tonks não soube o que a fez proferir tal facto, mas fê-lo. E o sorriso que apareceu no rosto do marido não a fez arrepender-se.
—Sim! Quem diria que já se passaram seis anos desde que lhe dei aulas, definitivamente uma garota muito inteligente. — ele respondeu pela primeira vez em uma semana.
Eles continuaram em silêncio, sentados em cantos opostos do sofá da casa onde viviam. Cada um se repreendeu mentalmente por terem deixado a conversa apagar-se tão rápido, eles queriam que tudo voltasse ao normal entre eles, queriam voltar a aconchegar-se nos braços um do outro, queriam conversar e rir até que não pudessem mais.
―Sempre quis saber o que Sirius sentiu em Azkaban, eu sinto que estou numa prisão bem maior e mais colorida e não sei se prefiro esta… pelo menos Azkaban é escura o que condiz com o humor. — Tonks não achava que o marido fosse sequer comentar algo, mas ficou mais animada ao saber que mesmo estando tudo a desmoronar ele ainda conseguia brincar.
—É verdade, mas se ele conseguiu manter-se são talvez nós também consigamos, não? — ela acrescentou.
—Suponho. Sempre admirei a força dele, em tudo o que fazia. Era um bom amigo… O melhor na realidade… — Remus não conseguiu continuar o seu pensamento quando pegou Tonks a olhá-lo com um sorriso.
—O que foi? — apenas perguntou quando ele sorriu de volta.
—Nada, nada… — ele respondeu nervoso. Ele respirou fundo antes de completar: — Vem. — disse estendendo a mão para que ela a agarra-se, ela assim o fez e aconchegou-se nos braços dele. e pela primeira vez em meses eles se sentiram em casa.
Se a dor fosse maior do que o amor deles, muito provavelmente os dois teriam resistido ao momento em que os lábios de ambos se tocaram iniciando um beijo apaixonado e saudoso. Mas aparentemente para eles tudo o viviam tinha uma parte dor, desde a resistência de Lupin para que Dora se aproxima-se, a todas as noites dolorosas como lobisomem, à guerra que era o mundo que eles conheciam, ou à separação da sua família, no final da guerra quando tudo devia ter ficado bem.
“Devia ter ficado tudo bem” era o que ecoava na cabeça de Tonks todas as noites, ela sentia que lhe tinham roubado o futuro, para uma mãe o futuro era cuidar do seu filho, e agora ela devia deixar a sua função, e aquilo pelo qual tinha esperado nove meses para alguém que não era ela.
Se lhes perguntarem nenhum deles sabe ao certo quando é que deixou de doer tanto, mas com o passar das semanas puderam acalmar-se em relação a Teddy, sendo que esse naquele momento era o único tópico sensível na vida dos dois. Ambos tinham chegado ao consenso de que deviam focar-se na relação dos dois, e por influência de pessoas que eles conheceram nos EUA começaram a ir em encontros, algo completamente fora do que eles alguma vez tinham experimentado, pois sendo que a relação deles tinha começado durante uma guerra, não havia sequer tempo para pensar nisso.
Veio-se a descobrir de Remus até que não era mau a jogar bowling, mas que Tonks era horrível. Foi o que lhes bastou para confirmarem que não estavam juntos apenas por medo da guerra, ou outras inseguranças que poderiam ter.
* * *
Tonks e Lupin tornaram-se um exemplo para as gerações mais novas de Ilvermorny, quando se tornaram os dois professores (dois anos depois da batalha), eram o exemplo de que mesmo quando tudo cai, se tivermos a oportunidade de construir de novo, isso é o que devemos fazer. Tonks começou a ensinar alunos com idades compreendidas entre os 15 e os 18 tudo o que sabia sobre ser um Auror, e moldava gerações de jovens guerreiros, ao mesmo tempo em que inspirava as garotas como um modelo de superação, coragem e lealdade. Remus era um dos professores mais bem falados de toda a escola e todos os anos os ex alunos voltavam no final da última lua cheia para lhe agradecer tudo o que lhes havia ensinado, era respeitado por toda a comunidade estudantil. Eles viviam quase que completos, mas havia sempre aquele espaço de Teddy no coração dos dois que parecia sempre insaciável. Mas o amor dos dois mantinha-os mais unidos do que nunca, não deixando que a saudade se apoderasse deles, mas sim a esperança.
Notas finais
Espero que mesmo que tenham gostado!
U*U
Fale com o autor