Razão ou Coração livro 4: Arthur e Kristine
7 O Pacto das Sombras e o Beijo da Traição
A calada da noite em Whitehall era o único momento em que as máscaras da realeza podiam cair. Enquanto nos aposentos reais Edward e Selene selavam o acordo secreto que pretendia comprar a liberdade do filho com o ouro das rotas comerciais, nos corredores de pedra, o destino agia por conta própria.
Arthur não conseguia mais respirar o ar confinado de seus aposentos. Cada fibra de seu ser clamava pela presença de Kristine. Movido por um instinto que desafiava toda a lógica que o pai lhe ensinara, ele atravessou as passagens ocultas do castelo até alcançar os jardins de inverno. Lá, sob o arco de uma videira antiga, ele a encontrou. Kristine parecia uma visão etérea, envolta em um manto de veludo escuro, os olhos refletindo a luz das estrelas e uma angústia que ele conhecia bem.
— Você veio — ela sussurrou, quando ele a tomou nos braços.
— Eu cruzaria oceanos de fogo para chegar até você, Kristine — Arthur respondeu, a voz carregada de uma promessa absoluta. — Meu pai fala em alianças com a Espanha, seu pai fala em retornar a Versalhes. Mas nenhum deles entende que eu não sou mais um príncipe à espera de ordens. Eu sou um homem que escolheu sua Rainha.
Enquanto os dois se juravam lealdade eterna em um beijo que desafiava dois reinos, um par de olhos malévolos observava das sombras de uma pilastra. Lorde Julian, consumido pelo ódio da humilhação pública sofrida no banquete, não buscava mais apenas o coração de Kristine; ele buscava a ruína de Arthur. Ele vira o suficiente. Ele sabia que a discórdia entre a Inglaterra e a França era a brecha que precisava.
Na manhã seguinte, antes mesmo de Edward enviar seus mensageiros secretos a Edmund, Julian já estava reunido com o embaixador espanhol. Com um sorriso perverso, ele revelou não apenas o romance proibido dos primos, mas também os boatos que colhera atrás das portas sobre a possível traição de Edward aos tratados com a Espanha em favor da França.
O tabuleiro, que Selene e Edward tentavam reorganizar com tanto cuidado, foi subitamente chutado. Quando Edmund entrou no gabinete real para a reunião matinal, ele não trazia o semblante de um aliado, mas a fúria de um pai que se sentia traído e um rei que suspeitava de uma armadilha. O embaixador espanhol já o havia alertado: a Inglaterra estava jogando dos dois lados, e sua filha era a isca.
— Você pretendia me comprar com ouro, Edward? — Edmund rugiu, jogando uma luva sobre a mesa. — Você pretendia usar Kristine para garantir suas rotas marítimas enquanto seu filho a desonra nos jardins à noite?
O silêncio que se seguiu foi gélido. Edward olhou para Selene, percebendo que o segredo fora exposto antes da hora. Arthur, que acabara de entrar no gabinete, manteve a cabeça erguida, enfrentando o olhar furioso do tio e o desapontamento do pai.
— Eu não a desonrei, Edmund — Arthur disse, sua voz cortando a tensão como uma lâmina. — Eu a amei. E se você quiser levá-la de volta para a França, terá que passar por cima do herdeiro de York.
A guerra diplomática estava declarada, e o plano de Selene agora dependia de um fio de cabelo, enquanto Lorde Julian observava de longe, esperando o momento em que o caos consumiria a todos.
Fale com o autor