​O banquete de boas-vindas estava em seu ápice. O som dos alaúdes e as risadas da corte preenchiam o Grande Salão, mas para Arthur, o mundo havia se silenciado no momento em que Kristine entrou. Ele a observava discretamente enquanto ela conversava com a pequena Jasmine, a aniversariante, que mostrava orgulhosa suas novas bonecas de porcelana.

​— Você parece ter visto um fantasma, meu filho — comentou Edward, inclinando-se para o lado de Arthur. O Rei de Ferro agora carregava rugas de sabedoria ao redor dos olhos, mas seu olhar continuava afiado.

​— Não é um fantasma, pai — Arthur respondeu, sem desviar os olhos da prima. — É como se eu estivesse vendo a luz do sol pela primeira vez dentro destas paredes.

​Percebendo a intensidade do filho, Selene sorriu e fez um sinal para Alycia. As duas rainhas, que haviam planejado aquele reencontro com a esperança de unir ainda mais os reinos, observavam com satisfação.

​— Kristine — chamou Alycia com suavidade. — Por que não deixa Arthur lhe mostrar os jardins de Whitehall? Dizem que o labirinto está especialmente belo sob a luz da lua.

​Kristine olhou para o príncipe, sentindo o rosto esquentar. — Seria uma honra, se o Príncipe de Gales não estiver ocupado demais com os assuntos do reino.

​Arthur levantou-se imediatamente, oferecendo o braço com uma cortesia que raramente demonstrava às damas da corte.

— O reino pode esperar uma noite, Kristine. Algumas coisas são mais urgentes que a política.