Razão ou Coração livro 2
5 A Explosão de Isabelle
O silêncio que se seguiu à declaração de Edward foi pesado, sufocante. Isabelle permanecia estática, o braço ainda preso pelos dedos do Rei. Todos na sala — Sabrina, Charles, Katherine e a jovem Alycia — observavam a cena como se o tempo tivesse congelado. Edward exalava um triunfo amargo, acreditando que finalmente havia "salvo" a mulher que amava.
Mas o que ele viu quando Isabelle finalmente levantou o rosto não foi gratidão. Foi um ódio gélido e cortante.
Isabelle puxou o braço com uma força violenta, desvencilhando-se do toque dele. Ela deu um passo atrás, e o fogo em seus cabelos ruivos parecia arder com a fúria que emanava de seus olhos azuis.
— Como você ousa? — A voz dela não foi um sussurro; foi um chicote que estalou no ar. — Como você ousa me arrastar como um animal de caça e me oferecer a maior humilhação que uma mulher pode receber diante de sua família e da sua futura esposa?
Edward piscou, atordoado. — Isabelle, eu estou te protegendo... Eu disse que você seria tratada como uma rainha...
— Rainha?! — Isabelle soltou uma risada ríspida, carregada de escárnio. — Você me ofereceu o papel de um pecado escondido entre lençóis de seda! Você acabou de destruir a pouca honra que eu tinha para satisfazer o seu ego de "Lobo". Você não me quer, Edward. Você quer um troféu para provar que é tão indomável quanto o seu pai!
Ela caminhou até o centro da sala, parando diante de Katherine, que a observava com um sorriso de desdém que logo desapareceu quando Isabelle voltou-se novamente para o Rei.
— Ouça bem, Majestade — Isabelle disse, enfatizando o título com um veneno que Edward nunca sentira. — Eu não o quero. Eu não quero o seu leito, não quero os seus segredos e, certamente, não quero as migalhas de um homem que não tem coragem de ser Rei sem destruir todos ao seu redor. Você fala de amor, mas o que você sente é uma obsessão egoísta que me sufoca.
Edward tentou dar um passo à frente, o rosto pálido. — Isabelle, você não está falando sério...
— Eu nunca falei tão sério em toda a minha vida! — ela gritou, as lágrimas de fúria brilhando nos olhos. — Eu vou me casar com o Conde de Richmond. Eu o escolhi. Ele me oferece um nome, uma casa e uma vida onde eu não serei a "outra" na sombra de uma russa. Eu prefiro o frio de York ao calor falso dos seus braços! Eu vou me casar com ele, queira você ou não, Edward Tudor. E se você tentar me impedir, o mundo inteiro saberá que o grande Rei de Inglaterra nada mais é do que um sequestrador de damas.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Edward parecia ter sido atingido por um raio. Ele olhou ao redor — viu o olhar de decepção de Sabrina, a tristeza profunda de Charles e o choque de Alycia. Mas o que mais doeu foi o olhar de Isabelle: ela o olhava com uma indiferença que era pior do que a morte.
O Rei, que entrara ali como um leão, agora parecia um homem quebrado. O brilho em seus olhos verdes se apagou, substituído por um vazio devastador. Ele percebeu que, ao tentar forçar o destino, ele a perdera para sempre.
Sem dizer uma única palavra, Edward virou as costas. Seus ombros estavam curvados, e o som de suas botas no mármore não era mais de autoridade, mas de derrota. Ele saiu da sala, atravessando os corredores de Whitehall como um fantasma, destruído pelas palavras da única pessoa por quem ele teria dado a vida.
Lá dentro, Isabelle desabou em um soluço mudo, enquanto Sabrina a amparava. Katherine Petrovic deu um gole lento em seu chá, um brilho vitorioso no olhar. O coração de Edward estava em pedaços, e a coroa, agora, pesava mais do que ele jamais poderia suportar.
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