Notas iniciais
Se notarem algum erro, comentem. Pois, eu mudei nomes e lugares pelo menos umas sete vezes neste capítulo.

Todas as manhãs são exatamente iguais. Me levanto com a expectativa de que minha mãe vai bater na minha porta e dizer que algum professor morreu e não terá aula. Coloco alguma música da playlist que estiver aberta no iTunes que passa a noite toda aberto, pois não me dou ao trabalho de desligar o computador quando vou dormir, e nem de ligá-lo quando chego do colégio.Visto a primeira camiseta que vejo pela frente, com meus famosíssimos jeans desbotados e meus tênis sujos de sei-lá-o-que. Escovo meus dentes com o ânimo a mil e bagunço um pouco mais meus cabelos. Pego a mochila no chão e me lembro para que elas servem.

A verdade é que mochilas escolares não são feitas para carregar os tijolos que eles chamam de livros. Mas sim, para carregar algumas folhas de papel, lembrando que se colocarem folhas demais, a mochila pode rasgar. Somos obrigados a pagar caro em mochilas pra lá de feias, que duram uma semana. E o resto do ano, levamos os tijolos nas mãos, porque nem todo pai é perfeito como o meu e se dá ao trabalho de dar um tapa em suas cabeças quando dizemos que a tal Perfeita mochila já estragou.

Minha mochila não está rasgada. Na verdade, esses retalhos de tecido que acabam com as minhas costas estão em um ótimo estado. Só estão esfarrapados. Nada como uns nós para dar um jeito.

Já estou pronto em frente à porta. Para melhorar o meu dia, escuto minha mãe brigando com meu pai por que dormiu do lado de fora da casa. E quando eu penso que não podia piorar, a princesa do meu irmão não fica pronto logo.

O idiota me cumprimenta com um único tapa na moleira.

– Vamos nos atrasar, pirralho.

Me seguro para não dizer umas poucas e boas. Me esforço para não imaginar o funeral do infeliz, pois sei que pensamentos ruins geram atos ruins. E minha mãe não ia gostar de ver o sangue do filho favorito espalhado pelo carpete que ela acabara de comprar.

A lata velha da princesa está estacionada na garagem. Aquilo que ele diz ser bonito e veloz está caindo aos pedaços e eu nem me dou ao trabalho de aprender o nome do tal carro, que parece mais uma latinha de refrigerante desconhecida e amassada. Em minha opinião, aquilo foi passado de pai pra filho desde que o Titanic afundou.

Encaro o caminho até o colégio calado. Estou com tanto sono, que volto a dormir, ao invés de colocar os fones de ouvido.

Finalmente, chegamos ao inferno. Não quero olhar para cara da princesa, nem ouvir sua voz irritante. Então saio do carro sem olhar para os lados ou para trás e bato a porta.

Minha cara de sono não espanta a ninguém. Eu ignoro a todos e todos me ignoram. Isso sempre deu certo, nunca me trouxe problemas e nem decepções.

Eu tenho amigos, por incrível que pareça. Mas eles são muito diferentes de mim. Eu sou só eu. Aquele garoto que acorda sempre de mau humor, mas fica feliz por dentro quando vê a garota que senta à minha frente. Aquele garoto que adora rock e nunca abre mão do iPod...

Os dois garotos que me adoram vêm até mim, como de costume. Ravi e Sid.

Eu sinceramente não sei de onde Ravi veio. Mas pelo seu nome e pela sua aparência, parece que é da Índia. Mas ninguém tem certeza e nem coragem de perguntar.

Sid, vaidoso como sempre. Sempre bem cuidado e preocupado com o visual. O que era de se esperar de um garoto que mora com a mãe e com a irmã mais velha.

Caminhamos até a sala de aula, com Sid e Ravi tagarelando alguma coisa e eu calado, olhando para o chão.

Me sento no fundo, com Ravi ao meu lado e Sid na minha frente. Continuo calado e olho para porta. Então, ela entra.
A garota pálida, com cabelos ruivos, ondulados até a cintura. Olhos castanhos bem escuros. Com as unhas pintadas de preto, um coturno marrom, jeans e uma camiseta do Nirvana. Sombra preta, lápis de olho e muito muito rímel.

Meu coração para por dois segundos. Ela caminha lentamente até a carteira na frente de Ravi e se senta.

Meave é o nome dela. Meave Fang. Alguns a chamam só de Meave. Outros a chamam só de Fang, inclusive eu.

Ela domina minha atenção por completo. Meave começa a cantar o mais baixo possível: — Rape me. Rape me my friend. Rape me. Rape me again.

E então, os solos de guitarra começam a tocar em meus ouvidos. Aquela imagem é tão perfeita, que não me permito pensar em outra coisa.

– Terra chamando J.J. Sid balança as mãos na minha cara.

– Você precisa ser tão desagradável? pego suas mãos e abaixo-as.
O sino toca e professor de história entra na sala logo em seguida. O homem baixo e magro atravessa a sala com um livro na mão e nos encara com seus enormes olhos azuis e abre a boca: — Alguém sabe a história do Razzmatazz? ele pergunta.

Todos ficam calados, inclusive eu.

– Em 2012, a China queria recolonizar os países mais poderosos, para que juntos pudessem dominar o mundo. Ameaçaram os Estados Unidos com uma bomba que era capaz de explodir cinco Estados de uma só vez. Mas a China não podia explodir a bomba, pois só restaram quatro no mundo todo, uma estava na China, outra nos EUA, uma na Itália e a outra na Inglaterra, e ela sabia que não podia desperdiçar uma bomba, pois explodir alguns Estados, não iria adiantar. O que deu início a uma guerra. A Guerra de USAC ele para pra respirar e continua. Em 2013, um britânico chamado Fletcher Cook, que por sinal, era um amigo de infância do presidente dos EUA e respondia pela Inglaterra, ofereceu ao governo americano uma forma de derrotar a China na guerra, com apenas duas condições: — ele conta com os dedos — Os EUA deveria se aliar à Inglaterra, para que juntos, os países pudessem vencer a China; e ceder uma cidade à Fletcher para que ele fosse o dono de uma pequena Inglaterra dentro dos EUA ele usa os dedos para fazer as aspas. O presidente dos EUA aceitou a proposta, aliou-se à Inglaterra e venceu a China na guerra. Em 2015, os EUA passaram a dominar a América do Norte e a América Central, com a mesma estratégia da China, ameaçando os países. Enquanto isso, a cidade de Fletcher cresceu, e ele dá a ela o nome de Razzmatazz. O governo deixou de ser uma democracia e passou a ser uma monarquia sem um rei ou rainha. O suposto rei continua sendo presidente, com todos os governadores, prefeitos, deputados... Mas o poder é passado de pai para filho ele fica animado a cada palavra que diz. Em 2016, com o governo americano dominando a América do Norte e Central por completo, tudo ficou fora de ordem, pois o presidente era incapaz de governar um país tão grande. Então, o país entrou em crise e passou a cobrar por ocuparem as terras, ou seja, apenas os mais ricos poderiam viver nos EUA, os pobres fugiam para América do Sul e sobreviviam ou ficavam na América do Norte e morriam ele sorri ao dizer a última palavra. E finalmente, em 2017, Fletcher Cook tentou convencer o presidente de parar de cobrar preços tão altos para viver no país. Depois disso, Fletcher ficou com o apelido de Neurótico e todos os moradores de Razzmatazz foram mortos, mas a cidade não foi tomada. Fletcher se revoltou e abandonou a cidade nos EUA, voltando para a Inglaterra. E com a ajuda de todo o país, Fletcher criou uma gangue de adolescentes chamada Razzmatazz, eles são treinados para matar, roubar e destruir os EUA, com o objetivo de provocar o governo até ele ser mudado. Todos os integrantes do Razzmatazz eram chamados de Neuróticos. E até hoje, o Razzmatazz está em ação ele sorri novamente. Perguntas?

Um garoto ruivo levanta a mão.

– Não entendi a parte do criou uma gangue de adolescentes.

O professor começa a desenhar no quadro e esquema.

– Adolescentes de quatorze a dezesseis anos, italianos, são observados por Fletcher o tempo todo ele se vira para nós. — Não me pergunte como, porque eu não sei isso arranca algumas risadas da sala de aula. Dezesseis é a idade máxima para começar. Mas depois que você entra para o Razzmatazz, é muito difícil sair. Mesmo depois dos dezoito. Ou vinte e um. O Razzmatazz é para a vida toda. Enfim, os mais qualificados são convocados a participar de dois testes, o físico e o psicológico. Se você passa nos dois, eles começam a te treinar. Treinar para que, professor? ele simula uma pergunta. Eles vão treinar os escolhidos para roubar, matar, chantagear, etc. A função dos Neuróticos é provocar o governo dos EUA, pois do jeito que ele vai, pode dar início a uma Terceira Guerra Mundial.

Uma garota baixa de cabelos loiros levanta a mão.

– O governo não pode matá-los?

– Pode, se eles os — Neuróticos — forem pegos nos EUA . O governo não pode chegar nem perto da Inglaterra, pois eles sabem que nossa bomba é explode um país todo, e não apenas alguns Estados. O Razzmatazz é um centro de treinamento gigante. E eles são treinados para fugir de diferentes formas. É quase impossível o governo pegá-los. Isso não cairá na prova todos dão um suspiro de alívio. Estou contando essa história, pois todos aqui já têm quatorze anos e está na temporada de busca do Razzmatazz.

O sino toca novamente.

Todos estão paralisados com a chocante e maravilhosa história. Que dia animado. Ficar cinco horas sentado em uma cadeira, ouvindo histórias de vários professores sobre o tal Razz-sei-lá-o-que.

Nada, nem ninguém podem animar meu dia. Exceto por uma pessoa. A garota pálida da camiseta do Nirvana. Se ela ao menos soubesse que eu existo. Seria um bom começo para uma história de romance. Mas já deu pra ver que essa história não chega nem perto de ser um romance.

Notas finais
Pra quem não sabe, a pronúncia de J.J. Não é igual a escrita ("jota-jota"). No caso, tentem, ao menos, acrescentar um sotaque britânico ("diei-diei").
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.