Razões Para Amar
3 • Into the Woods, Part I
Notas iniciais
TRÊS HORAS ATRÁS
Killian observa a loira deixar o Granny’s Diner toda ensopada de café sem poder fazer nada já que a mesma precisava ir embora para ficar limpa. O rapaz aproveita para olhá-la pela janela da lanchonete para ver que lado ela iria. Que ele tinha ficado encantado com a moça, sim, todos já notaram, mas olhar para onde iria e com quem iria, já era perseguição demais para alguém que acabara de se conhecer.
O rapaz tinha acabado de sair de um relacionamento com Belle, a moça esquisita da Biblioteca Municipal. Ela o amava de paixão até Killian foder Tinker no local de trabalho de Belle e ser flagrados pela mesma. A raiva da garota foi tanta que cravou um ódio por Tinker e a fez sair de Storybrooke. Muitos da cidade dizem que ela pediu ajuda ao Rumpelstiltskin e que até hoje deve favores ao Senhor das Trevas, já outros dizem que ela pagou essa divida com favores sexuais.
Tantas especulações para nada. Belle seguiu seu caminho e agora com uma bela loira na cidade, Killian seguirá o seu. Killian acompanha os passos de Emma pela fresta feita na janela até a mulher sair do seu campo de visão, onde o rapaz resolve sair de vez do Granny’s. Se expondo do lado de fora do Granny’s Killian não se importa se Emma perceber ele vigiando-a, mas a loira não se dá ao trabalho de olhar para trás.
— Não perde tempo mesmo Capitão. — Um homem com aparência de velho se apoiando numa bengala banhada em ouro surge atrás de Killian que o deixa desconfortável ao notar a presença do senhor ali.
— Rump... — Killian engole em seco e abaixa a cabeça. — Sr. Gold. — Finaliza.
— Esperto desde sempre. Com uma visitante na cidade espero que não dê mancada. — Gold começa a se mover com passos largos, porém devagar. Ao se posicionar de frente ao rapaz, Gold continua. — Acompanhe-me até minha loja.
Sem muito esperar uma resposta, Sr. Gold apressa seus passos até sua loja e Killian não ousou em dizer um não acatando com a ordem e o seguiu. Um pouco atrás de Gold, Killian permanecia imóvel ao observá-lo abrindo a porta do estabelecimento dando uma passagem para o rapaz entrar primeiro e após Gold adentrar, com um breve movimento com as mãos o senhor de bengala fecha a porta atrás de si.
— O que você quer de mim, crocodilo? — Killian permanecera parado quando Gold dava a volta e indo atrás do balcão.
— O que eu quero de você? Bom, isso é relacionado com o que você quer de mim.
Killian fitou o velho atrás do balcão com cara de paisagem, sem entender aonde Rumple queria chegar com aquilo.
— Explique-se melhor.
— Ruby e sua avó são tolas de não perceberem de quem entra na sua lanchonete.
— Uma visitante?
Sr. Gold se virou por um instante, pois não estava preparado para tanta ignorância do rapaz. Levou a mão até o cabelo, ajeitando-o e deu um extenso suspiro ao se virar de volta olhando diretamente nos olhos de Killian.
— Ela trouxe a garota... Não importo quem seja essa Emma Swan, só me importa que ela acabou de trazer o erro de tudo isso à cidade e precisamos da garota.
— Calma ai, crocodilo. — Killian parecia ainda estar processando o que Gold dissera. — Desde quando viramos um “precisamos”? Não estou junto com você em nada.
Killian se apoia no balcão tirando sarro do que acabara de ouvir da boca do Rumple. Com um sorriso sádico entre os lábios, Rumple se aproxima da face de Killian e quando menos se espera o mesmo está cravando sua mão no peito do rapaz que consegue ir um pouco para trás permanecendo com os olhos arregalados até Gold retirar sua mão com o coração do rapaz exposto.
— Vejamos, agora existe um “precisamos”, senão... — Gold começa apertar o coração de Killian, fazendo-o ficar engasgado prestes a dizer adeus a Storybrooke. — Você já era.
— Ok, ok... — Killian pronuncia com dificuldade. — Farei o que quer e depois você devolverá meu coração.
Gold para de apertar o coração do rapaz e com um sorriso curto no rosto guarda o coração numa caixa que havia no balcão. O dono da loja perambula pelo estabelecimento em busca de algo e, com dificuldades, demora em encontrar tal objeto que deseja olhando em todas as gavetas possíveis. Reclamando algo para si mesmo, Rumple lembra onde havia colocado e segue para o interior da loja.
Ao voltar com um frasco em mãos, Killian olha com um olhar suspeito para Rumple que deposita tal objeto em cima do balcão que separava os dois homens. Sem muito hesitar, Killian segura em mãos o frasco e o guarda no bolso.
— Traga Emma para mim.
— M-mas por que diabos você quer ela? — Killian bate seu gancho no balcão sem se importar com o tom de agressividade. — Não é a garota que está com ela que você almeja?
— Aurora... A criança Aurora vai estar em minhas mãos de um outro modo com ajuda de outra pessoa e pegando emprestada Emma Swan, pode ter certeza que Aurora a procurará.
Após ouvir explicitamente todas as necessidades de Gold sem contestar em mais nada, Killian sai bufando da Loja de Penhores. Muitas coisas ali não estavam claras na visão do Capitão, mas todas essas coisas tinham que ter cem por cento de sucesso, caso contrário o crocodilo terá o maior prazer em apertar seu coração até seu ultimo suspiro.
FLORESTA ENCANTADA
Em frente de seu grande espelho, Rainha Má exibia seu vestido negro detalhado com algumas pedras de rubi e com um colar banhado em ouro. Trocando de espelho, Rainha senta de frente a sua penteadeira e fita, através de um pequeno espelho, um guarda do reino adentrando em seu cômodo.
— Sua vida é tão inútil assim para atrapalhar meu dia, miserável?
— Desculpe minha alteza, mas a bruxa está vindo em direção do castelo.
Rainha se colocou de pé e com passos longos ficou cara a cara com o servo. Perambulou em volta do guarda, cercando-o, até dar um sorriso de lado e tocou no ombro do homem.
— Seu dever era estar planejando uma fortaleza para ela não entrar você não acha?
— Sim senhora. — O guarda vira as costas para Rainha, deixando-a sozinha em seu quarto.
Rainha Má caminha até a varanda do seu quarto para ver seu exército se posicionarem para impedir a entrada da bruxa que tem em mente de atacar tal reino poderoso. Apoiada na sacada, Regina percebe que não tem nenhuma bruxa ali fora vindo em sua direção, mas sim a bruxa já está dentro de seu castelo.
— Minha alteza...
— Eu sei Sidney.
Seu sossego é interrompido por Sidney, seu fiel espelho, e após respondê-lo com tamanha arrogância, Rainha Má se direciona até a porta de seu quarto com passos pesados e largos. Com um pequeno gesto com as mãos, as portas do aposento se abrem e Regina dá de cara com a tal bruxa. Trocando-lhes olhares Rainha suspirou:
— Como ousa...
— Não me venha com papo furado. — No lado oposto do corredor, a bruxa começa vir de encontro de Regina. — Uma observação. Ótimos guardas você tem.
— Sarcástica e modesta.
Ambas se encontram no meio do corredor e se fitam por um intenso momento até a bruxa tomar rumo ao quarto da Rainha. A morena revira os olhos e bufa ao seguir a bruxa até seu aposento. Ao entrar, encontra-se a bruxa se acomodada em sua cama.
— Elegante seu palácio. Mais confortável que o meu.
— Meu reino foi feito para suportar uma rainha e não uma dragão.
Posicionando a cabeça para o lado esquerdo e uma cara de desentendida, Malévola cruza as pernas e endireita a postura. Um sorriso de deboche pairava em seu rosto enquanto Regina se acomodava no almofadado divã posicionado perto da cama.
— Estou aqui para tratar de negócios. — Malévola toma inicio da conversa. — Está ciente do que você fez né?
Agora foi a vez da Rainha Má de se fazer de desentendida e alisa seu vestido.
— Vejamos... Ah claro, o caso de Aurora. Você não foi muito cruel como era pra ser. Já viu algo mais terrível que impor amor verdadeiro numa praga?!
— Você cravou um guerra contra mim quando ousou a se juntar com Stephan e ter mandado Aurora para outro mundo. — A bruxa se revolta ao se levantar brutalmente apontando o dedo no rosto de Regina. — Isso não ficará assim. Ouça minhas palavras: sua maldição de merda se contenta como missão fracassada.
Em caminho da varanda Malévola é cercada por uma névoa cinzenta e desaparece feito mágica. Rainha Má caminhou até a entrada do castelo e ficou surpreendida ao encontrar todos seus guardas caídos não percebendo nenhuma respiração ofegante para lhe dizer que uma alma miserável havia sobrevivido. Fechando o tempo com nuvens escurecidas se movendo com rapidez, sinais de trovões se aproximando e muitas vidas desperdiçadas ao seu pé, Rainha sabia que Malévola estava furiosa por ter interferido em seus planos. Entretanto, uma coisa tinha que ser feito o mais rápido possível. Rainha Má não podia esperar mais, tinha que lançar sua maldição logo.
DIA ATUAL
Sentindo o sol radiante invadir seu quarto, Aurora se sente incomodada coçando seus pequenos olhos que permaneceram fechados por um longo momento até a criança perceber que precisava levantar. Ao sentar-se na beira da cama Aurora boceja e leva seus olhos por todos os cantos.
— Emma...
Nenhuma resposta.
Aurora se lembra de que desde a saída de Emma para buscar o jantar no Granny’s na noite passada à loira não havia retornado e como estava impaciente, pegou-se no sono. Curiosa, a adolescente escova seus dentes e penteia seu cabelo dourado como o sol, colocando dois tic-tacs para prender sua franja e resolve sair da pousada e ir atrás de Emma.
Acostumada com as ruas de Boston, movimentos sem parar, Aurora estranha às ruas de Storybrooke e se sente minúscula. Eram poucos carros circulando pela cidade, poucas pessoas entrando e saindo de lojas e mais uma coisa que Aurora notou: o carro de Emma continuava na entrada da pousada.
Caminhando um pouco mais Aurora para de frente com a entrada da Biblioteca Municipal observando os horários de funcionamento. A loira se vira para trás com um pressentimento que havia alguém a observando. Era só coisa de sua cabeça. Sem colocar muita força, Aurora empurra uma das portas de madeira e adentra na biblioteca parando poucos centímetros após ter passado a entrada, se perdendo seus olhares nas grandes prateleiras com vários livros empilhados.
— Seja bem vinda a Biblioteca Municipal de Storybrooke. — Uma morena se localizava diante da jovem com um traje bastante medieval comparando com o da jovem e com um sorriso radiante. — Procurando algum livro específico?
— Procurando uma pessoa específica, na verdade. — Aurora coloca sua concentração na mulher a sua frente.
— Bom... Você é a primeira de muito tempo a entrar aqui. — A morena explica baixando a cabeça. — Afinal, sou Belle.
— Aurora. — A adolescente aceita a mão estendida de Belle e a aperta. — Ela disse que ia ao Granny’s então eu deveria ir para lá.
— Ela? Sua mãe?
— Não, não... Digamos que uma conhecida que me trouxe aqui.
Sem muito mais o que dizer Aurora resolve ir ao Granny’s e se despede de Belle. Encontrando-se afora da biblioteca a loira se sente incomodada e volta sentir que há alguém a observando. A jovem respira fundo e, com passos rápidos, caminha até o Granny’s que se localizava na próxima quadra.
Da primeira vez que entrou no Granny’s a loira havia se irritado com o sino na porta que anunciou sua entrada e todos os olhares se voltaram a ela e Emma, mas dessa vez a garota fez pouco caso. Entrou na lanchonete sem ser abordada por Ruby ou por qualquer outra garçonete e fora direto ao caixa, onde a vovó estava.
— Desculpe... — Aurora se manifesta sem jeito.
— Perdão querida, não percebi sua presença. O que deseja? Ruby atende essa criança.
— Não... Não preciso de nada. É que a mulher que me trouxe aqui sumiu ontem à noite. — Com a garganta falhando Aurora continua. — Só queria saber se você a viu.
A vovó continua contando seu dinheiro, não dando nenhuma atenção a garota a sua frente. Ruby, vendo que sua avó havia ignorado Aurora, revolve interferir:
— Desculpe pela minha avó. —Ruby se aproxima da garota com um sorriso estampado em seu rosto. — Está procurando por Emma, certo?
— Isso... Você a viu?
— Ela esteve ontem à noite com o Killian aqui.
Killian? Aurora estava confusa. Para a jovem, Emma não conhecia essa cidade, muito menos algum morador daqui. Só podia ser que Emma conhecera esse tal de Killian no momento em que saiu da pousada ontem, mas isso foi muito rápido. Emma se enturmar com pessoas daqui da noite para o dia era algo inacreditável ou será que Emma era... Não, Aurora não queria pensar que Emma Swan era uma prostituta. Só porque sua mente estava uma bagunça não tinha certo direito em julgar Emma ao extremo.
— Killian sendo Killian.
Um rapaz sentado em uma das mesas se manifesta permanecendo de costas para as garotas. A voz chama atenção de Aurora que volta seu corpo na direção do mesmo.
— Perdão?! Você o conhece? — Questiona Aurora tentando ver o rosto do sujeito.
— Irmão... Primo... Primo-irmão, talvez. Fica a seu critério. — O rapaz sai da sua zona de conforto e se coloca em pé, caminhando em direção de Aurora. Com a mão estendida, o rapaz continua. — Sou Phillip.
Aurora fica impressionada com o brilho do cabelo, um loiro âmbar, do rapaz que caminhava com toda elegância em sua direção. Com as mãos nos bolsos da calça, o rapaz retira uma delas e leva até o canto de sua cabeça, alisando tal cabelo e ao se aproximar de Aurora o garoto revela a outra mão estendendo para a jovem. Meio receosa, a loira aceita a mão do rapaz apertando-a com um tímido sorriso nos lábios.
— Aurora. — Corou ao fitar os olhos do rapaz que o mesmo a olhava com um olhar penetrante. — Você poderia levar-me até ele?
Phillip apenas sorriu para a garota e se virou a caminho da saída. O movimento no Granny’s Diner estava pequeno, alguns anões tomavam seus respectivos cafés fazendo barulho ao depositar as xícaras nos pires e um gritando com outro. Aurora volta sua atenção ao rapaz após o mesmo abrir a porta e o sino acima balançar e ela resolve segui-lo.
A garota apressa seus passos ao sair da lanchonete e não o encontra em seu campo de visão. Ao vê-lo, já longe do Granny’s, a jovem tenta pará-lo gritando seu nome algumas vezes, mas nada o impediu de continuar andando.
— Que caminho é esse? — Disse a garota quando conseguiu alcança-lo.
— Caminho para floresta. — Phillip responde sem hesitar. — Vamos procurar primeiro na floresta, tudo bem?!
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