Razão ou Coração livro3 O Fantasma e o Espinho de
22 O Decreto do Coração
Semanas após as festividades, o palácio recuperava sua rotina de trabalho e luz. Edward estava na sacada onde, anos antes, observava Selene com ódio. Agora, ele observava sua irmã, Camilly, que caminhava pelos jardins inferiores. Ela parava frequentemente para conversar com Thomas, um dos capitães da guarda real — um homem de linhagem simples, mas de lealdade inabalável, que protegera Camilly durante os anos de sombra do irmão.
Edward mandou chamar a irmã. Quando Camilly entrou no gabinete, ela parecia temerosa, esperando talvez um novo contrato matrimonial ou uma reprimenda.
— Camilly — Edward começou, sua voz suave. — Durante muito tempo, eu usei o seu futuro para tapar os buracos da minha própria alma. Eu te prometi a homens que você não amava para garantir uma paz que eu não tinha dentro de mim.
Ele caminhou até ela e segurou suas mãos.
— Eu vi como você olha para o Capitão Thomas. E vi como ele olha para você, como se você fosse a única joia que vale a pena proteger neste reino.
— Edward, ele é apenas um guarda... — Camilly começou, a voz trêmula.
— Ele é o homem que você ama — Edward a interrompeu com um sorriso terno. — E eu aprendi, da maneira mais difícil, que um trono sem amor é apenas uma cadeira de pedra fria. Eu não cometerei o mesmo erro com você. Como seu Rei e seu irmão, eu anulo qualquer pretensão nobre sobre sua mão. Você está livre, Camilly. Se o seu coração pertence a Thomas, que assim seja. Eu darei a ele um título de cavaleiro e terras, mas darei a você o que eu quase perdi: o direito de ser feliz.
Camilly soltou um soluço de gratidão e abraçou o irmão com força. O ciclo de sacrifícios da família Tudor estava finalmente quebrado. Edward olhou por cima do ombro da irmã e viu Selene à porta, observando a cena com um sorriso de aprovação. Ele sabia que, ao libertar Camilly, ele estava, na verdade, libertando a si mesmo de vez de seus fantasmas.
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