Razão ou Coração livro 4: Arthur e Kristine
10 A Rosa entre Espinhos em Versalhes
Versalhes era um labirinto de espelhos e sussurros, mas para Kristine, o palácio francês parecia uma prisão dourada. Edmund, ainda remoendo a humilhação em Whitehall, tentava isolar a filha, cercando-a de damas de companhia que serviam como espiãs e conselheiros que defendiam uma união imediata com o herdeiro espanhol para "limpar" sua reputação.
No entanto, Kristine não era mais a jovem inocente que partira da França meses antes. O amor de Arthur e a dor do sacrifício haviam forjado nela uma determinação de aço. Quando a notícia da traição de Lorde Julian e sua prisão na Inglaterra chegou à corte francesa, Kristine viu a abertura que precisava.
Em uma noite de gala no Salão dos Espelhos, diante de toda a aristocracia francesa e do embaixador espanhol, Kristine decidiu agir. Ela não usava o azul pálido da inocência, mas um vestido de seda carmesim — a cor de York, a cor do sangue e da paixão.
— Meu pai — ela disse, sua voz projetando-se com uma clareza que silenciou a orquestra. — Recebemos as notícias de Londres. O traidor que envenenou vossos ouvidos contra o Príncipe de Gales já está nas masmorras. A Espanha não buscava a honra da França, buscava a nossa discórdia para dominar os mares.
Edmund, sentado em seu trono improvisado no salão, franziu a testa. — Kristine, este não é o momento...
— É o único momento, Majestade — ela o cortou, caminhando até o centro do salão. — O embaixador aqui presente prometeu lealdade, enquanto seus espiões pagavam Lorde Julian para destruir a paz entre irmãos. Se a França se curvar ao desejo da Espanha agora, estaremos admitindo que somos governados por mentiras estrangeiras e não pelo soberano Bourbon.
O embaixador espanhol tentou protestar, mas Kristine virou-se para ele com um olhar gélido.
— Guarde suas palavras para Madri, senhor. A França não precisa de uma aliança que começa com a traição de uma sobrinha contra seu tio.
Nos dias que se seguiram, Kristine iniciou uma resistência silenciosa, mas implacável. Ela recusava-se a receber pretendentes, devolvia os presentes espanhóis intactos e passava horas com sua mãe, Alycia, convencendo-a de que a felicidade da França dependia da verdade de Whitehall. Ela usou a influência de Alycia para isolar os ministros que foram comprados pelo ouro espanhol, expondo suas corrupções uma a uma.
Edmund via sua autoridade ser desafiada não por exércitos, mas pela lógica e pela postura inabalável da filha. O arrependimento começou a corroer sua vontade. Ele via em Kristine o reflexo de Selene: uma mulher que não seria quebrada.
Enquanto isso, Kristine enviou uma carta secreta, escondida dentro de um medalhão, que atravessou o canal da Mancha. Nela, havia apenas uma frase:
"O jardim de Versalhes está infestado de espinhos, mas a rosa ainda é sua. O Rei está vacilando. Venha buscar o que te pertence."
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