Razão de viver
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Mente embaçada, em desmantelamento. Eu poderia definir as desorientações encontradas se você me desse um instante. Mas o seu canto não terminava, como se fosse oxigênio, assim como a minha paciência. Pelo menos, esperava que você me dissesse qual era o seu verdadeiro nome até o fim daquele dia.
Mas ele se findou, e mais um outro, e outro. Você não dizia (seu nome e motivo), só cantava, e os cálculos já fugiam da minha cabeça. Adiantava pensar no assunto?
As árvores pareciam coordenar conspirações assim que eu me perdi. Elas se fechavam como os olhos que eram ignorantes a outros (estava especialmente acostumado com eles, o que não os tornava mais calorosos).
Os prédios não eram mais visíveis em parte alguma, e, se fosse o caso, suponho que todos eles estariam comemorando naquele momento, naquele lugar. Lá, lá... não havia outra pessoa com rosto além daquele que me seguiu. E eu não sabia o seu nome.
Era uma perda? Alguma falta de sentido? As corujas nos espiavam diariamente com seus grandes olhos pela noite e naquela vez, pela primeira vez surpreendente, pude ouvir alguma razoabilidade da sua boca. Mas não havia mais tanto tempo assim. Sua boca estava diminutamente aflita, poderíamos concordar. O que ela poderia falar que já não saberíamos? De fato, era melhor cantar. Mas eu tinha fome.
Havia uma avidez pela fome. Mas, o que você me fez foi plantar um beijo estúpido na minha boca, como se eu precisasse me lembrar daquele dia tão feliz.
Ei, você tinha que dizer que me amava?
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Terminando de lhe matar, eu te disse mais uma vez aquelas palavras que lhe fizeram fugir. E me arrependi. Era um espetáculo de tons vermelho e rosa. Lágrimas não paravam de escorrer. Mas não tinha nada a esperar... o cheiro continuava forte. E você não poderia voltar.
(Meus sentidos destrabalhavam)
Pela primeira vez tão plena a fome (como nunca), pela primeira vez tão plena a vida (como nunca!)
Por qual razão, afinal?
(Pela primeira vez tão pleno o medo)
Eu não poderia mais tentar te ouvir sorrir.
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