Ravnica: A Cidade das Guildas

5 Piloto de teste goblin


Notas iniciais
Foi betado por Prolixa há muito tempo, hehe.

— … e para estabilizar os cristais de lantânio...

Velho idiota.

Lissandra não fazia ideia de como um imbecil daqueles tinha se tornado um quimiomante de terceiro grau. Em dez minutos de conversa, ele errou quatro conceitos de física, sete de quimiomancia e treze de mecânica induzida. Ela o interrompeu.

— Em resumo, o senhor deseja um aparato que permita soldados voarem. O instrumento precisa ser barato e fácil de usar.

O escritório de Ghik era apertado e cheirava a papéis velhos. A mulher queria restringir sua permanência ao mínimo.

— Muito bem, Lissandra, seu pai ficaria orgulhoso.

Pouco me importa o que meu pai pensaria. Do que adianta ter sido um cientista brilhante se mal ficava em casa com a família?

— Além do material, precisarei de voluntários para os testes. Usarei produção local.

— Significa que você vai alimentar a propulsão com a mana dos próprios usuários?

— Isso! Produção local. — Ela suspirou. — Gostaria de alguns aprendizes azuis para essa tarefa.

— Você está louca? Os aprendizes são o futuro da guilda, de forma alguma serão usados em um experimento tão perigoso.

— Eles não são mais crianças, sabem se cuidar. E quando eu era azul, participei de atividades muito piores.

— Cinco anos atrás as coisas eram diferentes. Depois que nosso líder, Niv-Mizzet, voltou do exílio, as diretrizes sofreram drásticas modificações.

Ele ajeitou-se na cadeira, uniu as pontas dos dedos e passou a língua na frente dos dentes. Um cacoete detestável.

— Você usará goblins. Goblins são perfeitos para essa tarefa.

Lissandra encarou seu chefe por um bom tempo, procurou sinais de que ele estivesse brincando.

Não estava.

***

Lissandra não entendia os centauros da guilda Selesnya. Primeiro eles desocupam uma parte da floresta sem problemas, obedecendo às ordens do conselho de Muv-Lear. Mas quando os quimiomantes iniciaram a remoção da matéria orgânica desnecessária, os centauros reconsideraram sua decisão. Eles reconsideraram com flechas e lanças.

Por causa da escaramuça, Lissandra precisava conduzir seus testes em segredo. O que significava aguentar um galpão quente, seco e infestado por um fedor de suor e urina.

Malditos goblins. Quando me formei em engenharia de instrumentos especiais não era assim que imaginava meu futuro.

— Vinte e Sete. Tire os óculos de proteção da boca.

O goblin procurou a fonte da voz, quando encontrou, correu na direção contrária.

As criaturinhas infestavam o galpão, Lissandra não sabia se a natureza deles era maligna ou se eram apenas estúpidos. A engenheira tentava explicar o funcionamento da mochila que os faria voar: plummus. Ela tinha lido em voz alta três páginas do manual, ainda faltavam quarenta e cinco.

Nenhum prestava atenção, eles conversavam alto em seu desprezível idioma de grunhidos. Ela viu dois estrangulando um terceiro com a correia do plummus, outro urinava nos óculos de segurança e arremessava o líquido na multidão. Um quinto tentava sair do galpão, ele havia escondido a mochila de baixo da roupa e fingiu ser uma fêmea grávida. Esse foi interceptado pelos guardas e forçado na base de pauladas a retornar.

A engenheira sentiu-se nauseada, teve vontade de gritar e sumir dali. Mas respirou fundo e lembrou-se dos seus objetivos. Precisava ser transferida para a região central, assim poderia ficar perto do namorado.

Não consigo pensar nele como ex. Não consigo. Ele me ama, tenho certeza. Quando eu chegar na capital tudo vai se resolver.

Ela afrouxou a gravata e gritou:

— Silêncio, o teste vai começar.

Houve uma redução na balbúrdia, parecia que eles estavam curiosos para ver o funcionamento do objeto.

— Número um, vá para o meio.

Ele andou com ar altivo, como se fosse o goblin mais importante de Ravnica. Parou no meio do caminho, fez o sinal de chifre com a mão, xingou e provocou. Os outros responderam com grunhidos e pequenas pedras.

— Aperte os dois botões laterais ao mesmo tempo e diga em voz alta: fíat plummus.

A engenheira tinha sérias dúvidas se as criaturas podiam entender o idioma comum. Ela achava que eles simplesmente reagiam à linguagem corporal, feito cachorros.

— É pá falá: fiz pum?

Pelos anjos! Brincando em um momento sério como esse?

— Não imbecil! É fí-at plúm-mus.

O goblin assentiu rapidamente com ar de entendimento.

— Então vai! Aperte os botões e pronuncie as palavras.

O semblante da criatura mudou como uma solução de timolftaleína em hidróxido de sódio. Suas pernas começaram a tremer, ele suava. Será que estava com medo?

Que exagero, basta ter calma e exercer um controle mínimo sobre a mana interior que tudo correrá bem.

— Pare de enrolação e ative o aparelho, criatura.

— Fiz pum! — Gritou o goblin, apertando os botões.

Lissandra reconsiderou sua opinião sobre as coisas terminarem bem.

Um barulho semelhante a uma torneira engasgada espalhou-se pelo galpão. Em seguida, uma fumaça branca surgiu furiosamente da parte de trás da mochila, erguendo o goblin do chão e espalhando um cheiro adocicado pelo ambiente.

O voo foi desengonçado, em poucos segundos, a mochila adquiriu uma forte coloração vermelha. O goblin gemeu desesperado, possivelmente por causa das queimaduras. Por fim, com um estrondo, pedaços de carne, metal e sangue voaram pelo salão.

O plummus explodiu junto com seu passageiro.

O salão foi tomado pelo silêncio. A engenheira perscrutou o lugar com os olhos, temendo a reação das criaturas. Pôde ver que um goblin começou a rir, era uma gargalhada primitiva e horrível, semelhante a um quadro negro sendo arranhado. Em pouco tempo, todos foram contagiados. Alguns rolavam no chão apertando a barriga, outros repetiam a cena com gestos:

— Fiz pum... cabum! Haha.

A engenheira olhava horrorizada, se os goblins tivessem um mínimo de empatia, um mínimo de consideração por seus semelhantes, perceberiam a enrascada em que se meteram. Pelo menos nisso seu chefe tinha razão.

Goblins eram perfeitos para essa tarefa.

Notas finais
“Todos os pilotos e protótipos destruídos. Extenso dano colateral causado. Conclusão: projeto impecável.” - Manual de Melek.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.