Raven Prince
2 Ressurreição
Elena Gilbert escrevia em seu diário logo pela manhã como era seu costume, o raspar constante da caneta que podia irritar os mais afetados dos ouvidos lhe era reconfortante. Ao seu lado no criado mudo descansava o carta de admição na universidade da Virginia, seus amigos vibraram de alegria junto com ela quando o apetecido envelope finalmete chagara.
-Elena.- Stefan chamou-a da janela, em sua escrita não havia se dado conta da presença do namorado no parapeito da janela. Ela deixou o diário de lado e deslizou para fora da cama.
-Olá, Amor. Disse jogando os braços ao redor de seu pescoço.-Pensei que fosse caçar?- Disse curiosa.
-Eu ia, mas existe algo que preciso fazer antes de me ausentar. – ele disse passando as pernas para dentro do quarto de Elena, seu olhar verde queimou o de Elena.-Você já se decidiu?-ele perguntou grave.
Elena se sentiu estapeada, ela sabia muito bem que Stefan se referia a famigerada garrafinha de água escondida sob sua cama, Stefan nunca antes a tinha cobrado sobre esse assunto ou qualquer outro.
-Por que você está me perguntando isso agora?- perguntou na defensiva- é um assunto sério, e eu preciso de tempo.- ela desenredou os dedos da nuca dele, Stefan ruborizou levemente, e Elena sentiu certo prazer mórbido em seu embaraço.
-Eu sei, Elena, mas bem uma coisa aconteceu...- Elena levantou uma de suas finas sobrancelhas. O que era tão importante que fizera Stefan modificar seu comportamento habitual? O interior de Elena se agitou.-Damon está de volta.
A sensão de pressão que vinha se acumulando na boca de seu estomago explodiu em um longo e profundo suspiro. Ele estava de volta, todo esses meses ela tinha tido apenas o príncipe, a luz sutil e calma de seu amado, mas agora toda essa luz parecia simplória sem os traços de negritude e singularidade da personalidade de Damon. Elena não queria o branco ou o negro ela queria o cinza, queria tudo que ela tinha direito, afinal foram eles que a quiseram primeiro. Por que ela era a Rainha de seu mundo e queria governar um mundo completo, de amor e dor, de redenção e vingança, queria todas as experiências que os seus dois amores podiam lhe proporcionar. E ela ia conseguir por que era Elena Gilbert a Princesa do Gelo de Fell´s Cruch
.....
Bonnie torcia na mão o guardanapo de papel, estava sentada tensa em uma das numerosas e charmosas pequenas pracinhas de Fell´s Cruch, algo estava para acontecer, ela não sabia ao certo o que, mas iria acontecer algo. Talvez um perigo eminente, e ela estariam parada, perdida em uma insignificante praça sem proteção ou utilidade. Quando saiu de casa ainda no começo da tarde naquele ensolarado dia de domingo, tinha dito para si mesma que era um ato de coragem, afinal desde a volta milagrosa da sombria e aterrorizante aventura na dimensão das trevas seu pânico natural estava estranhamente acentuado, sair de casa para lamber alegremente uma casquinha de sorvete em uma praça parecia um ótimo jeito de provar sua coragem sem enlouquecer, mas agora que seu sangue druida fervia nas veia e seu sexto sentido apitava enlouquecido sua deprimente situação em uma pracinha qualquer com o que restara do seu sorvete, um guardanapo manchado e torcido, sua odisséia lhe parecia extrema burrice.
Um calafrio estranho transpassou seu franzino corpo, mas nenhum vento agitou seus cabelos.
A quem ela queria enganar, não era a dimensão das trevas que tinha acentuado seu medo, aquele lugar asqueroso só confirmava as sombras as quais rondavam sua vida desde sempre. O que estava lhe aterrorizando não era a confirmação daqueles fantasmas, e sim o fato de que seu único protetor tinha ficado para trás, ela estava sozinha. Ela sempre esteve sozinha, só que agora tinha a certeza, para Meredith e Elena ela sempre foi supérflua, uma obra de caridade. E agora que elas tinham coisas melhores para fazer e nenhuma utilidade para a medrosa bruxinha ruiva patética, ela estava esquecida e com saudades de um corvo
Um corvo que aparecia vezes demais em seus pensamentos. Se ele estivesse ali, ele cuidaria dela? Ou a deixaria sozinha?
Eu sou de um tempo que os homens cuidam de seus tesouros, passarinha.
O calafrio de Bonnie se acentuou, e ela fechou os olhos com força, o que estava acontecendo?Corvos não falam, vampiros não tem alma, e Damon estava morto, irrevogavelmente destruído. Então por que ela o via bem a sua frente?
......
Elena sorriu lentamente para Stefan, um sorriso felino e sensual, o sorriso de princesa do gelo. Ela voltou a envolver seu pescoço com os braços.
-Ele esta de volta?- a respiração ficou ofegante, e Stefan prendeu a respiração. O rosto de Elena ficou ainda mais lindo, como era grande o coração dela...-Isso é maravilhoso!Seu irmão esta de volta, Stefan!-Ela voltou a sorrir e ele não teve como evitar acompanhar. Ao longe podia escutar os passos de Bonnie, sabia pela sutileza e ritmo frenético, como o de um animal esquivo.
-Bonnie está aqui, meu amor. — Elena se apartou do seu corpo para lhe olhar nos olhos, confusa.- Ela esta subindo as escadas.
Elena soltou suas mãos por completo e foi até a porta, soltou o trinco e abriu no momento em que a bruxa pisava no último degrau. Os cabelos vermelhos estavam revoltos como se ela tivesse corrido uma longa distância, ela podia ouvir o batimento frenético do pequeno coração. Ao ver o seu rosto ele logo adivinhou o que tinha acontecido, Bonnie já sabia da ressurreição de Damon.
-Como você soube?- ele perguntou
-Bom não foi por você, ou por qualquer dos meus “amigos”?- Elena retrocedeu um passo, atônita, seu estado de surpresa era equivalente ao de Stefan, ele nunca tinha visto a indefesa Bonnie falar em qualquer tom parecido. — Damon apareceu na minha frente em uma praça deserta e eu quase morri, por que ninguém me avisou que ele tinha voltado.
-Ele apareceu para você? – ele escutou Elena exclamar, o tom de incredulidade ferindo Bonnie visivelmente. Elena cresceu em sua superioridade- Por que ele apareceria para você?
-Porque ele não apareceria?- Bonnie se recuperou reencontrando sua coragem depois dos velhos hábitos terem-na traído. –Você tem Stefan, Elena.
- E o que isso muda, é a mim que ele ama.- ela sorriu soberba, Stefan não pode deixar de sentir o golpe. As bochechas de Bonnie se avermelharam, e ele finalmente entendeu motivo da discução, o ciúme.
- Bom , não é o suficiente ter o amor de Stefan para você, não?Você precisa de mais, precisa que todos te veneram pra preencher essa sua alma vazia e egoísta, sua manipuladora cínica!- Elena deu um passo pra trás, seu rosto se avermelhou, enquanto ela se preparava pra estapear Bonnie. Stefan teria intervindo, mas a discusão terminou abruptamente.
-Eu sei que valho a pena, mas prefiro rostos sem marcas.-O comentário arrogante foi o ultimo notado, quando a voz de Damon foi ouvida, ela caiu como água em metal incandescente.Afinal Damon Salvatore estava escorado no batente da porta com o mais cínico sorriso que qualquer um ali já tinha visto.
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