Ratón?

4 Era uma Soma não uma Equação de 3º grau


Notas iniciais
Vai ter DR? Vai.. Vai acabar a tortura? Vai.. Vai ser fofo? Vai também... Vai ter sexo de reconciliação? Não, infelizmente.

Mas fui surpreendido. Tanto que serei obrigado usar um ditado popular que não me agrada: Deus é pai e não padrasto.

Quando fui apagar a luz para tentar dormir, Nicholas olhou para mim e pediu para dormir comigo.

— Claro!

Veio, então, contente para a minha cama. Minha alma soltava fogos de alívio.

Dormimos abraçados até a hora do almoço. À tarde, ele foi com o japonês e mais três garotas até a praia. Convidou-me, mas eu disse que preferia ir à piscina.

Quando chegamos ao chalé à noite, rezei até para deuses que não conhecia, implorando para que fizessem Nicholas pedir para dormir comigo novamente. Infelizmente, minha conta nos panteões divinos não tem muito crédito.

Na falta de solução melhor, resolvi dar uma volta na orla. Depois de vinte minutos, retornei; ele já estava dormindo.

No dia seguinte, ele me ignorou a manhã inteira. Imaginei que tinha seus motivos, então não o procurei.

Umas quatro horas da tarde nos encontramos no quarto. Olhei para ele. Ele me olhou fixo nos olhos e lágrimas começaram a cair em sua face. Não sabia o que estava acontecendo. Ele começou a falar antes de eu perguntar:

— Qual é o seu problema?

— O que?

— Eu não consigo te entender. Não sei se você gosta de mim ou não. Às vezes é carinhoso e toma iniciativa, às vezes imploro pela sua atenção e você finge que não existo...

Não acredito. Ele quer discutir a relação! Por que as pessoas fazem isso? Não percebem que a emoção satura a razão e o equilíbrio espiritual? Por que elas pensam que vai tudo se resolver e um desabafo sucinto e pernicioso? Detesto discussões. Elas destroem qualquer equilíbrio necessário em uma relação. Entorpecem-me. Por isso evito me relacionar com seres humanos. E também, tem mais um fator que me faz odiar isso: não quero e não gosto de dar satisfações sobre minha personalidade ou meus atos.

— Você é estranho. Parece que está sempre pensando em outra coisa. Raramente está completamente presente em uma atividade ou passeio. Prefere ficar sozinho mesmo em um lugar como este. Não fez nenhum amigo ou se aproximou de ninguém, fora eu. Mas imagino que seja somente por que ficamos no mesmo chalé. – Você tem razão – É algum problema de socialização?

Quem sabe? Sentei na cama.

— Nas primeiras duas semanas você parecia completamente atordoado. Só ia à biblioteca e à recepção. E voltava com pacotes de sei lá o que e folhas.

Aquilo estava me exaurindo profundamente.

— Não vai falar nada?

Olhei para ele. Resolvi falar o que me angustiava.

— Por que você rói as unhas?

— O que?

— Por que você rói as unhas?

— Sei lá. Mania. Quando estou pensando acabo fazendo isso. Por quê? O que tem a ver com a conversa?

— Faz um barulho insuportável. Parece que tem um rato roendo plástico ou batendo as patas no chão. É como a tortura da torneira pingando.

Ele me olhou com expressão de indagação.

— Se te incomoda tanto eu paro.

— O que?

— Se você não gosta, eu paro de roer as unhas.

Fácil assim? Parece que caí na minha própria armadilha. Para não criar problemas, eu nem cogitei falar com ele. Comecei a rir da minha desgraça. E pensar que podia ter resolvido toda a minha tormenta com meia dúzia de palavras.

Levantei da cama, o puxei para perto e beijei-o.

— O que você pensa que está fazendo?

— Eu gosto de você. Muito.

Na noite da nossa conversa, quando deitamos, fiquei esperando. Dez minutos se passaram. Nada. Mais dez e... NADA. Foi uma das melhores noites que passei ali.

Notas finais
Então galera, dá a real na pessoa antes de queima-lá... :D